segunda-feira, 9 de julho de 2018

RABO-DE-ONÇA


RABO-DE-ONÇA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.938
RABO-DE-ONÇA. (FOTO: CLERISVALDO B. CHAGAS).

O rabo abana, Zé, mas atrapalha. E as diversas fontes procuradas não colocam hífen no rabo da onça. Para que rabo de onça quer hífen, “primo véi?”. Taí, então, rabo sem os pestes dos traços. Vamos mergulhando no Sertão de Conselheiro, padre Cícero, Gonzaga, Jesus e nosso. É muito espinho para um lugar só: Mandacaru, facheiro, xique-xique, alastrado, coroa-de-frade, favela, rasga-beiço, unha-de-gato, rabo-de-raposa e o rabo-de-onça. Mas o rabo-de-onça que falamos é um pequeno cacto ornamental. E assim, vamos à nova regra ortográfica: “O acordo regularizou o uso do hífen na grafia de todas as palavras que indicam espécies de plantas ou animais”. Acabemos a dúvida e coloquemos os benditos hífens.
O rabo-de-raposa, adulto, não serve para jardim pequeno; cresce muito e se esgalha demais. Já o rabo-de-onça, serve muito bem para ornamentar jardins caseiros e lugares de entrada da casa. É pequeno, roliço e farto de espinhos. O seu charme são os diversos tipos de florzinhas roxas que fazem o contraste com o seu verde bastante escuro. Cabe em qualquer lugar. Pessoas usam o rabo apenas como enfeite, mas outras ainda aproveitam para se defender de possíveis demandas, assim como usam a coroa-de-frade. Alegam que o mal chegado não penetra na casa porque se engancha nos seus espinhos. É preciso, porém, cuidado em dobro se a casa tiver criança pequena. Mas que a planta é linda, não há dúvidas.
Assim é o nosso Sertão repleto de riquezas e pouco valorizado pelas autoridades. Imenso laboratório a céu aberto que não despertou ainda o olhar distante da grande maioria de escolas. E se no Nordeste nascesse mais cem Luís Gonzaga, ainda não cantariam nem um quarto dos nossos magníficos sertões. É andando pelas trilhas, em tempo de inverno, que a caatinga desabrocha em toda plenitude. E o bom observador vai passando os olhos nos lombos e na periferia dos lajeiros onde estão os pequenos cactos que embelezam a mata. Nocivo, porém, o ato desembestado de extrair para venda e ajudar assim a extinção das espécies.









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