CIGARRAS E ANDORINHAS Clerisvaldo B. Chagas, 3 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3393   Duas coisas ...

 

CIGARRAS E ANDORINHAS

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3393

 



Duas coisas faziam parte das paisagens e sons naturais em Santana do Ipanema, médio Sertão Alagoano. Davam gosto se ver e ouvir, como diziam os  adultos dos anos 60. Uma dessas coisas, era o buzinar contínuo das cigarras nas árvores do serrote do Cruzeiro.  Quem visitava o serrote, tanto para apreciar a cidade, do alto, conhecer o monte ou fazer promessa na capela de Santa Terezinha, ficava embasbacado com o aspecto verde intenso da vegetação e o canto de doer no ouvidos das cigarras, como se estivessem  na regiões mais altas do Sertão. Um espetáculo grandioso que transportava o visitante para um embevecimento jamais sentido. Além da novidade do cantos das cigarras, o cheiro do mato verde era muito poderoso.

A outra coisa eram as andorinhas das manhãs de inverno. Os bandos se abrigavam na torre da Matriz de Senhora Santana e sob os telhados do chamado “prédio do meio da rua” e “sobrado do meio da rua”. Faziam suas revoadas pelos arredores e lavavam o peito nos voos rasantes nas águas do rio Ipanema, no Poço dos Homens. Quando retornavam da revoada, enfileiravam-se nas torre da Igreja, que pareciam fazer parte da própria arquitetura. A natureza conserva, mas o homem destrói. Algum motivo houve para que as cigarras cantadeiras e as andorinhas ornamentais, tivessem deixados apenas esses registro do escritor.  E sem esses registros complementares do nosso tempo a história de Santana não ficaria completa. Por que o que é belo não pode ser lembrado?

Quando um dono de padaria tirou empréstimo do banco dizendo que iria desmatar o serrote e plantar eucalipto, pelou o serrote e nunca apareceu um pé de nada. Somente após trinta e cinco anos depois, nasceram os primeiros vegetais, gravetos e arbustos. Nada mais de árvore.  Somente as enxurradas desgastando a terra fértil. Um crime ambiental grave, por ser o serrote do Cruzeiro o pulmão verde de Santana. Quanto às andorinhas, após a demolição por parte da prefeitura, do “prédio de meio da rua” e do “sobrado do meio da rua”, protestaram  ao modo das aves e desapareceram para sempre de Santana do Ipanema.

Nem sempre a conscientização está no poder aquisitivo.

Nem sempre a Natureza entra  na teia da política.

MATRIZ DE SENHORA SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

 

  DIA DA MENTIRA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3392   Danou-se!   Com tan...

 

DIA DA MENTIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3392



 

Danou-se!  Com tanta mentira no Brasil social e político, finalmente chega o dia adotado pelo povo como o “Dia da Mentira”. E dizem que o Dia da Mentira, 1 de abril, teve início no Brasil quando um jornal mineiro dava a falsa notícia da morte de D. Pedro I. Que coisa, hem! Quer dizer, então, se você estiver aniversariando nesse dia, é mentira, nem precisa comemorar e nem fazer bolo. Abril vem de abrir, referindo-se ao desabrochar das flores no Hemisfério Norte.  É um mês cheio de bons simbolismos, sendo o quarto mês do ano que muito tem a ver com a primavera do Norte planetário. Portanto, esse mês tão cheio de bons simbolismos não deveria se iniciar como Dia da Mentira, abominável até perante os céus. A palavra do homem  e da mulher deve ser Sim, sim, Não, não.

Ê amigos e amigas, mas não é mentira que hoje, Quarta-Feira Santa, invernou aqui em Santana do Ipanema, médio sertão alagoano. Na parte da tarde o céu ficou totalmente branco e a chuva fina, compassada e intercalada, imitou o inverno do ano passado. O mesmo ritmo  de chuvas mansas e preguiçosas durante todos os meses de duas estações. Sem susto, sem aperreio, sem  ameaças. E este inverno que tem início no outono, parece  enviar mensagem de como se comportará mais uma vez. Os profetas da chuva, em Santana, 10, afirmaram o bom inverno, este ano. Já pensou se todos estivessem mentindo! Ainda bem que afirmaram antes do Dia da Mentira. Mas estou escutando alguns trovões, mansos, também um pouco distante.

Nós sertanejos, temos imensa satisfação quando alguém da capital visita o nosso Sertão e elogia continuadamente o verde intenso dos nossos campos. E, de fato, toda a área dos arredores de Santana do Ipanema, nos oferece o cenário de paraíso terrestre. Os espanta-boiadas revoam com  alarde mesmo antes do amanhecer em busca  de lagoas, barreiros, rios e açudes. E, por enquanto, a frieza é apenas moderada, para o uso parcial dos lençóis. Enquanto isso, com chuva ou sem chuva, rodam carros de lojas diversas, anunciando promoções e promoções. E o povo prefere acreditar mais no Dia da Mentira e menos nos apelos insistente de incríveis descontos.

“Ê, meu ‘fio’, rapadura é doce mas não é mole, não”.

ESPANTA-BOIADAS ( DIVULGAÇÃO).

 

 

 

  DIA DA MENTIRA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3392   Danou-se!   Com tan...

 

DIA DA MENTIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3392

 



Danou-se!  Com tanta mentira no Brasil social e político, finalmente chega o dia adotado pelo povo como o “Dia da Mentira”. E dizem que o Dia da Mentira, 1 de abril, teve início no Brasil quando um jornal mineiro dava a falsa notícia da morte de D. Pedro I. Que coisa, hem! Quer dizer, então, se você estiver aniversariando nesse dia, é mentira, nem precisa comemorar e nem fazer bolo. Abril vem de abrir, referindo-se ao desabrochar das flores no Hemisfério Norte.  É um mês cheio de bons simbolismos, sendo o quarto mês do ano que muito tem a ver com a primavera do Norte planetário. Portanto, esse mês tão cheio de bons simbolismos não deveria se iniciar como Dia da Mentira, abominável até perante os céus. A palavra do homem  e da mulher deve ser Sim, sim, Não, não.

Ê amigos e amigas, mas não é mentira que hoje, Quarta-Feira Santa, invernou aqui em Santana do Ipanema, médio sertão alagoano. Na parte da tarde o céu ficou totalmente branco e a chuva fina, compassada e intercalada, imitou o inverno do ano passado. O mesmo ritmo  de chuvas mansas e preguiçosas durante todos os meses de duas estações. Sem susto, sem aperreio, sem  ameaças. E este inverno que tem início no outono, parece  enviar mensagem de como se comportará mais uma vez. Os profetas da chuva, em Santana, 10, afirmaram o bom inverno, este ano. Já pensou se todos estivessem mentindo! Ainda bem que afirmaram antes do Dia da Mentira. Mas estou escutando alguns trovões, mansos, também um pouco distante.

Nós sertanejos, temos imensa satisfação quando alguém da capital visita o nosso Sertão e elogia continuadamente o verde intenso dos nossos campos. E, de fato, toda a área dos arredores de Santana do Ipanema, nos oferece o cenário de paraíso terrestre. Os espanta-boiadas revoam com  alarde mesmo antes do amanhecer em busca  de lagoas, barreiros, rios e açudes. E, por enquanto, a frieza é apenas moderada, para o uso parcial dos lençóis. Enquanto isso, com chuva ou sem chuva, rodam carros de lojas diversas, anunciando promoções e promoções. E o povo prefere acreditar mais no Dia da Mentira e menos nos apelos insistente de incríveis descontos.

“Ê, meu ‘fio’, rapadura é doce mas não é mole, não”.

ESPANTA-BOIADAS ( DIVULGAÇÃO).

 

 

 

    RIACHO DO BODE Clerisvaldo B, Chagas, 1 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3382   O açude do Bode,...

 

 

RIACHO DO BODE

Clerisvaldo B, Chagas, 1 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3382

 



O açude do Bode, em Santana do Ipanema, foi construído pelo DNOCS em 1951, aproveitando a corrente do riacho do Bode. Eu tinha apenas cinco anos de idade. Lembro apenas de alguns anos depois, ter visto dezenas de carrocinha de mão, encostadas externamente na parede de uma casa que imaginei ter sido à base do acampamento. Todas já enferrujadas e na certa, sobre a guarda de algum vigilante. De pequena dimensão o riacho do Bode deve ter suas nascente na serra da Camonga, a três quilômetros do açude. Como os funcionários de Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, eram muitos caprichosos, devem ter pesquisado e descoberto o local da nascente ou nascentes. Mas continuamos com apenas informações inseguras sobre o seu lugar exato de nascimento.

O açude, inúmeras vezes  ficou cheio de fazer gosto se ver, principalmente em invernos muitos chuvosos. Porém, podemos afirmar que o seu potencial quase nunca foi utilizado. Construído com o intuito de abastecer a cidade, ficou abandonado até o presente momento.  Sobre o seu sangradouro,  não sabemos se o volume de água já chegou até ali. Nunca vi nem ouvi dizer. Após a interrupção do se curso com o açude, o riacho do bode ali estacionou. Do sangradouro  à foz, somente o caminho seco. Sua foz estreita é semelhante a um caminho, fica abaixo do Bairro Bebedouro, já coberta de mato. Parece aqueles lugares onde se procura ninho de guiné. O riacho curto foi capaz de encher um açude. malabarismos da Geografia, da História, da Biologia

Mas a pergunta que fica é muito mais cultural. Estamos num tempo  em que se procura recuperar mananciais, no Brasil inteiro.    E porque não sabemos com exatidão onde nasce o riacho do bode que alimenta um açude federal, ambos tão vizinhos a cidade. Deve ser atribuição dos que fazem o Agricultura, o Meio Ambiente, os Recursos Hídricos. Autoridades não pesquisam, não divulgam ... E como poderemos estar em dia com o dever de casa? O malabarismo da Geografia, da História e da Biologia do nosso município... Ai, ai! O açude do Bode está precisando apenas de conservação do paredão e um ponto e um toque para um belo mirante seria um forte candidato a uma  fonte turística.

AÇUDE DO BODE (FOTO: ÂNGELO RODRIGUES).

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  O CAVALO BOM DA MATA GRANDE Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3390   Não s...

 

O CAVALO BOM DA MATA GRANDE

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3390

 



Não sabemos ainda se o  grande aglomerado recente das faldas laterais do serrote do Cruzeiro, em Santana do Ipanema, já possui denominação oficial. Entretanto, o povo, como sempre, bota apelido em tudo e, alguns apelidos, definitivamente, substituem os nomes registrados. Portanto, essas casas construídas para longe da área de risco das cheias do Rio Ipanema, já estão sendo chamadas de Cidade de Deus. A alusão reflete a circulação de drogas e marginais no território. O mesmo problema é exposto no bairro novo que se formou acima do Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo. O apelido depreciativo compromete seriamente a  valorização do local e freia os empreendimentos de porte.  Saem os problemas da Natureza como enchentes, deslizamentos, voçorocas e outros mais, porém, entra o problema social grave: a marginalidade violenta, que não encontra Segurança fixa na área.

Há muito, Santana do Ipanema já começava a imitar as capitais, isto é, a região do Centro, outrora privilégio da Classe média e alta, foi recebendo comércio e mais comércio, botando os antigos moradores para correr. Atualmente este processo urbano evolutivo, já estar consolidado. O Centro propriamente dito e suas ruas adjacentes, são agora ocupadas por lojas, bancos, escritórios e mais outras coisas. Residências, no geral, só nas  periferias que  era  da pobreza. Assim, temos conjuntos residenciais, condomínios e chácaras pelos quatro pontos cardeais da cidade. O que se espera agora  são os grandes investimentos particulares nessa periferias, do básico e além do básico  para que não sejam preciso o deslocamento para o Centro todos os dias. E esses investimentos tanto podem ser espontâneos  quanto estimulados.

Entretanto se os sucessivos prefeitos do Brasil, aplicassem os recursos corretamente, o Brasil poderia sair dessa pecha de país não sério. As catástrofes  que são problemas antigos, poderiam se evitadas, mas, mas... Você sabe mais doe que eu para onde vão os recursos públicos. Basta escutar os escândalos de todos os dias nos inúmeros meios de comunicação. Meu pai já dizia, com sua simplicidade e sabedoria: “O excelente administrador é como cavalo bom, um aqui outro na Mata Grande”, isto é,  longe um do outro. Tenho feito a mesma observação de meu pai  e  admitindo sua observação em toda a minha trajetória. Pode  até ser que na geração dos meus bisnetos o Brasil consiga sair dessa observação verdadeira que dói na alma do povo.

CAVALO BOM (PINTEREST).

  O MEL DE 600 Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3389   Vocês que sempre estão...

 

O MEL DE 600

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3389

 


Vocês que sempre estão nas redes sociais, viram o preço do mel da abelha sem ferrão? Falam que pode chegar a 600,00 o litro. Eita diabo! Quando os médicos vão anunciando que determinado alimento é bom para isso ou para aquilo, os preços normais, imediatamente, criam assas e sobem muito mais do que o caça Gripen do Brasil. Assim foi com castanha, com o óleo de oliva, com o café comum... E assim sucessivamente. Antes, não tínhamos esse negócio de ferrão, sem ferrão. Mel era mel e pronto. Apenas um deles se destacava no preço sim, por ser mais saboroso e mais medicinal de todos, porém isto era dito pelas pessoas mais velhas, pela experiência e não pelas opiniões médicas dos que se apresentam na Web.

Os méis que surgiam em Santana do Ipanema, eram coisas raras. Eram originários do Alto Sertão; de algumas casas de sítios  rurais que possuíam a tradição do criatório de abelha em tronco pendurado no alpendre; e daqueles enxus selvagens encontrados na caatinga. Os da terra mesmo eram em pequena quantidade. Às vezes se encomendavam mel do Agreste, principalmente o da abelha Uruçu que era em  torno de oito vezes o preço de outros méis. Geralmente essa encomenda era para cura de algum tipo de doença ou pelo próprio sabor diferenciado. Mas, segundo os criadores de abelha sertanejos, o melhor mel do Brasil é considerado o mel doBioma Caatinga. Uma coisa muito prazerosa, é coletar o mel selvagem na caatinga no oco das árvores, como a catingueira.

Visitando a fazenda de familiares de um colega do Ginásio Santana, fomos ao com um vaqueiro levando um machado e uma vasilha para coleta. Aventura espetacular! As abelhas estavam em  para oco do galho da catingueira e só o galho foi trabalhado. Mel terrivelmente doce da abelha Mandaçaia e, que não tem ferrão. Caso fôssemos falar do meio mundo de anedotas verdadeiras com os vendedores de mel falsificados, teríamos muitos “kkkks”  na leitura humorística. Mas, basta o preço dos méis para botarmos o humor para correr.  O Brasil possui em torno de 3.000 espécies de abelhas nativas e entre 250 a 350 são abelhas-sem-ferrão. Gostou?

  O DESAFIO DA PRAÇA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3388   A foto deste t...

 

O DESAFIO DA PRAÇA

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3388

 



A foto deste trabalho representa uma praça chique na parte alta do Bairro São José, no limiar com a parte baixa. Pelo declive acentuado do terreno, a praça foi construída em três patamares, com escadaria ao fundo, ligando a parte alta à parte baixa do bairro e da praça, para quem não quer utilizar a estrada normal. Já faz um bom tempo que foi inaugurada e se encontra, praticamente intacta, sem nenhum ataque tipo vandalismo, isto porque possui vigia, dia e noite que faz a diferença no patrimônio público. Sua localização funciona como um mirante voltado para as barreiras inclinadas da margem direita do rio Ipanema, no topo da quais se encontra o Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo (oculto na foto). Ao fundo, vê-se o verde da barreira como se fosse uma só peça com a ligação da serra Aguda, onde estar sendo construído o monumento à Senhora Santana.

Já o Posto de Saúde do Bairro São José, é localizado na parte baixa do terreno vizinho, colado com o patamar inferior da praça. Quero dizer, duas grandes obras vizinhas. Coisa feia que ainda tem por ali, são as ruínas de uma construção contígua ao posto e a praça que nem é demolida e nem nada se constrói, servindo apenas para abrigar malfazejos. Até já cresceu uma floresta dentro das ruínas. Recentemente todas as ruas da quadra e do Bairro receberam os benefício do asfalto, cuja presença valorizou o trecho. A quadra de areia da praça é bastante utilizada, principalmente durante á noite. Algazarra enorme dos peladeiros juvenis.

Voltando à vigilância, o último vigia que vimos em praça, foi nos anos 60, com um senhor no logradouro Manoel Rodrigues da Rocha, defronte à Matriz de Senhora Santana. O segundo o seu substituto, soldado reformado Gonçalo, bonachão e amigo. O terceiro foi este agora em 2026 que atua na Praça chique do Bairro São José.

FOTO B. CHAGAS.

 

 

 

  OS DEBATES Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3387   Numa época em que não ...

 

OS DEBATES

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3387

 



Numa época em que não havia ainda o desenvolvimento de hoje, uma das diversões do sertanejo era frequentar o Fórum local para ouvir os debates entre promotor e advogado. Quando o defensor era muito fraco, também servia de diversão, pois, não empolgava a plateia na causa, mas as suas fraquezas eram motivos de risos entre os presentes, até porque o próprio promotor às vezes, propositadamente, dirigia essas fraquezas de modo disfarçado à multidão. Entretanto, em Santana do Ipanema, o espetáculo máximo era entre o advogado Aderval Tenório e o promotor Fernando Sampaio. (Digo Sampaio sem certeza). Olhem que estamos falando sobre os anos 60 em solo alagoano e sertanejo. E era uma verdadeira frustração para a plateia quando eram outros os atores.

O dr. Aderval Tenório com voz cheia, poderosa e muita sabedoria na profissão, dificilmente perdia uma causa. Porém, o defensor público não era nenhum amador e era o único que reagia à altura às investidas demolidoras de Aderval. É certo que não possuía voz como a do advogado, mas a segurança no que estava dizendo sempre ganhava respeito e admiração de todos. Aderval era casado com dona Déa, que fora professora de desenho no Ginásio Santana. Doutor Fernando, tinha uma bela esposa chamada Marta. E nós só víamos dona Marta, no estreito/janela da porta da rua. Morava perto do cine-Glória, na avenida Coronel Lucena.

O Fórum de Santana do Ipanema, eu o alcancei primeiro, funcionando no Comércio no chamado “sobrado do meio da rua”, funcionou ainda numa casa tipo colonial defronte ao cine-Glória, no Prédio da antiga Empresa de Luz, hoje, Câmara de Vereadores, na Avenida Nossa Senhora de Fátima. Somente passou a funcionar de forma definitiva e com sede própria no Governo Marcos Davi, quando foi inaugurado à margem da BR-316, com o nome de Hélio Cabral. Acho que as multidões que costumavam preencher as salas de Fóruns, passaram a desviar os interesses para as formas mais modernas de ocupação de tempo.  Não conhecemos, entretanto, um livro sobre os Fóruns e os debates travados no Sertão do Século XX.

 

 

  OUTONO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3386   Vamos tentando navegar nes...

 

OUTONO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3386

 



Vamos tentando navegar nesta estação misteriosa e sempre imprevisível que é o outono.  E se o dia 19 de março foi o dia de São José, o início da nova estação foi 20 de março. O dia de São José, é o último dia das experiências populares sobre um bom, médio ou ruim inverno no Sertão nordestino. Experiência baseada em sinais de pedras de sal, da barra do dia, da Estrela D’alva (planeta Vênus) de círculo na lua, de direção do vento e comportamento de alguns animais e plantas. Interessante, é que todos dizem que São Pedro é quem manda a chuva, mas o   agricultor apela pra São José. Todavia, nesse imaginário de poderes dos santos, o importante mesmo é a fé depositada nos altares do céu, porque todos os santos têm sim as suas virtudes e pelo visto, suas especialidades.

São 21 horas em que escrevo este trabalho, céu limpos lá fora e camisa colada às costas de tanto calor. É que o céu, profundamente azul do dia inteiro, entrou pela noite que permanece limpa. Imagine sair assim, pelo dia, para resolver um “pepino” sobre aposentaria! Mas, fazer o quê!? É colar a camisa de novo às costas, se fazer de corajoso, enfrentar o tempo enfezado e a burocracia de repartições. Ê, meu “fio”, é nesse emaranhado que você se mete e pergunta a sim mesmo: “Onde foi que eu errei?”  Eita! Para completar o tempo severo ainda surgem irritantes latidos pelas ruas das imediações e as muriçocas enfiando lanças das trombas nos seu pés desprotegidos. Mas fazer crônica é preciso. É preciso fazer crônica para acalmar a alma.

Saio um pouco, olho a rua deserta e vou mastigar um doce solidificado, beber água e escovar os dentes. Adivinhe! Ao passar a escova em um molar já restaurado, cai um pedaço do dente com o material restaurador. Será o Benedito! Rezar para não doer até a ida ao dentista. É “véi”. Manter a tranquilidade é preciso. Nem toda noite é feita de mel de abelha. E quando a tristeza quer chegar, lembremos das árvores do outono que ficam nuas. Mas, é apenas uma renovação necessária das suas folhas, assim como teremos de renovar a nós mesmo como os vegetais resistentes do outino.

 

 

 

 

  ONÇA NA CAATINGA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3385   É bom se alegrar...

 

ONÇA NA CAATINGA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3385

 




É bom se alegrar em saber da volta de animal extinto à região de origem. Quando éramos crianças e adolescentes, caçávamos nacaatinga rala e na caatinga densa, mas não tínhamos medo de onça. De cobras, até que sim, pois a caatinga também é reino   de Cascavéis, jararacas, e outras espécies perigosas. Não tínhamos medo de onça porque elas só existiram mais ou menos até os tempos de nossos avós. O caso da onça já extinta era o mesmo do tamanduá, do veado catingueiro ou galheiro e o meio sim, meio não, sobre o lobo guará. Os outros bichos maiores, apesar da caça e do desmatamento desenfreado, resistiram em todos os lugares como o qato-do-mato (Jaguatirica), raposa, gambá, cobra, teiú e outros. Ainda chegamos a comer carne de veado da feira de São José da Tapera, com seus últimos refúgios do veado e da onça parda (no Sertão não havia onça pintada).

Pois, saiu em determinados sites que uma onça-parda (Puma monocolor), foi vista na caatinga alagoana, atualmente, flagrada por uma câmara noturna (foto abaixo). Ora, há quase três década ninguém ouvia falar mais em onça viva. Somente vogava as histórias dos mais antigos como novos avós. Porém, sobre o felino flagrado, o site em que lemos a notícia, não diz em que município isso aconteceu, diz apenas que foi no bioma caatinga. Além disso, fala também de outros flagrantes como o veado catingueiro e o gato-do mato. Ora, uma boa ação tem que ser completa, limpa e honesta. Notícia boa, mas aleijada é irritante.

A onça parda, também chamada no Sertão de onça-de-bode ou Suçuarana, vive de comer pequenos animais, mas na falta de caça, se aventura em atacar o criatório das fazendas como os caprinos – daí ser chamada onça-de-bode – ovelhas e galináceos. Dificilmente a Suçuarana ataca o ser humano e sempre foge com medo da sua presença. O Sertão tem inúmeras narrativas sobre vaqueiros dando pisa em onça com chapéu de couro. A realidade mesmo da notícia boa, é que o ressurgimento desses animais acima na caatinga, poderá repovoar a região, praticamente, dados como extintos, no Bioma.

 

 

                                                DECADÊNCIA HISTÓRICA   Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2026 Escritor Símbolo do ...

 

 

                                           


DECADÊNCIA HISTÓRICA  

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3384

 


A foto abaixo mostra uma rua no comércio de Santana do Ipanema, chamada José Américo. Rua de armazéns e outras casas comerciais de tradição. Ao mesmo tempo a foto mostra a decadência do algodão no Nordeste.  Em primeiro plano, o estado lastimável do prédio de esquina com seus vizinhos, parte da mesma empresa; uma das duas algodoeira que havia na cidade. Elas compravam o algodão vindo do campo e, com seu maquinário poderoso, separava o capulho do caroço. O algodão era prensado, enfardado e exportado para o Sul do Brasil, em caminhões. O caroço era vendido nas próprias algodoeiras, como ração para o gado leiteiro. Era o dinheiro quente de final de ano dos agricultores.   Acompanhei de perto a fase do algodão e, como professor de Geografia, levei alunos a visitar a indústria do prédio da foto.  

A foto é sem dúvida uma nostalgia, uma época se desmanchando viva na horrível aparência das edificações. Uma saudade oca que incomoda. Acompanhei o ciclo do algodão desde criança, iniciando no povoado Pedrão, na vila de Olho d’Águas das Flores:  cultivos, colheitas, transportes, os ensacamentos, as balanças, as vendas. Carros de boi lotados levando algodão para a algodoeira da vila. Era o Sertão da bolandeira (vapor, descaroçador) que fazia de Alagoas o estado mais rico do Nordeste. O Sertão alagoano com inúmera bolandeiras espalhadas que motivavam a atração do Rei do Cangaço pela riqueza produzida. Em Santana do Ipanema, as algodoeiras do senhor Domício Silva, (foto) no Comércio Central e a do industrial João Agostinho, no Bairro Camoxinga, movimentavam o Sertão Inteiro.

Com a chagada do inseto “Bicudo”, os algodoais nordestinos foram dizimados e com ele toda a cadeia do produto. Acabava assim uma das grandes riquezas do semiárido. Uns dizem que a praga fora natural, outros que teria sido introduzida por aquele pais que todos conhecem para acabar com a nossa competividade com ele. E se houve investigação, verdade, nunca soubemos. O certo mesmo foi inúmeras figuras pelo nordeste inteiro semelhantes à da tristeza múltipla da foto desta crônica

(FOTO CEDIDA PELO ESCRITOR  JOÃO NETO CHAGAS, O PRIMO VÉI).

 

                              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

onça na caatinga

  CACHAÇA COM PÃO DE LÓ Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3383   Foi ele que...

 

CACHAÇA COM PÃO DE LÓ

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3383

 



Foi ele quem me batizou. O padre que se tornou o mais famoso do Sertão alagoano conduziu a paróquia de Senhora Santa Ana dos anos 20 ao início dos anos 50. Era filho do povoado Entre Montes, pertencente ao município de Piranhas. Foi ele quem recebeu para criar o bebê de Corisco e Dadá. Morava num casarão às margens da foz do riacho Camoxinga, com suas irmãs. Havia um irmão dele no cartório da cidade e outro como fabricante de aguardente, em Santana do Ipanema. Com o poder da Igreja, na época mandava absoluto na cidade até que dividiu seus prestígios em 1936, com o coronel, então, tenente Lucena, chefe do batalhão recém-criado e chegado à cidade para combater os cangaceiros do bando de Lampião.

Apesar de ser um homem austero, contam que ele nunca almoçava sozinho. Já chegou até mandar portador a um hotel convidar qualquer caixeiro-viajante que estivesse ali para almoçar com ele. Certa feita organizou atendimento aos flagelados da seca que desciam de Pernambuco e acampavam no leito seco do rio Ipanema. Foi um dos fundadores do Ginásio Santana e o grande reformador da Matriz de Senhora Santana. Mas, o incrível era que o padre tolerava bem o Carnaval. Os blocos carnavalescos entravam nas casas dos políticos para beber com variados tira-gostos. A cachaça rolava pela cidade e, quando os blocos chegavam à casa do Padre Bulhões, eram bem recebidos e o tira-gosto era pão de ló, da mesma massa fina da qual se fazia as hóstias.

Nunca tinha ouvido falar que um cachaceiro comesse pão como tira-gosto de cachaça. Mas esses casos acima foram registrados pelos que os conheceram e até com ele conviveram. Não sei sobre Carnavais, mas o seus substituto, padre Luís Cirilo Silva, quando chegava vinho de primeira para encher as garrafas da igreja, convidava alguns personagens da sociedade santanense para ajudar a encher as garrafas, provavelmente, em um quarto que havia por trás do altar-mor. Divertia-se a valer vendo os cabras se embriagando com o vinho de missa, entre eles, Henaldo Bulhões Barros e Expedito Sobreira.

Beber em casa de padre não era pecado?

Eu, hem!

CACHAÇA NELES (DIVULGAÇÃO.)

 

  MACACO É BICHO DIVERTIDO Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2026, Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3382   É, desd...

 

MACACO É BICHO DIVERTIDO

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2026,

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3382

 



É, desde os tempos de criança que somos testemunhas das peripécias dos macacos na feiras dos sábados. É bem verdade que os bichos recebiam treinamento dos donos para aquelas acrobacias contadas, para a capacidade em reconhecer valores de notas de cruzeiros, executar o tanto de pulos em agradecimento ao valor da nota paga, fazer careta e safadeza quando provocado, mas o macaco já traz a sua própria inteligência natural que espanta os humanos. São bichos altamente esperto, sabidos e alvos constantes de piadas de macacos.  Em Santana do Ipanema, o cidadão José Maximiliano, apreciava poesias, repentes e coisas parecidas e gostava de recitar uma estrofe de repentista que falava de ações coletivas de símios.

Nem lembro da belíssima estrofe, nem do autor que ainda me parece ter sido do cantador lendário Joaquim Vitorino. Mas do teor, sim: Dizia o autor que quando um bando de macacos invade uma roça de milho, deixa um dos macacos de vigia. Enquanto o bando quebra as espigas e fazem os atilhos, o vigia deve ficar atento a qualquer movimento humano. Caso veja alguma coisa, avisa imediatamente ao bando. Mas se o bando for surpreendido por humanos, o vigia será punido com uma surra.  Isso quer dizer, então que esse animais em muitos aspectos são organizados com as próprias regras da coletividade. A mordida de um macaco pode ser tão perigosa quanto a mordida de um cachorro.  Não importa o tipo de macaco, todos são inteligentes e atentos.

Mas, os maltratos aos animais podem estressá-los e surgir tragédias. É assim com qualquer um bicho, cobra, cachorro, gato, cavalo, macaco ou outro qualquer. Tanto que, algumas décadas atrás ouvimos sobre um macaco que fazia acrobacias na feira, acorrentado ao pescoço que terminou matando o próprio dono à facada depois de ter recebido violentos castigos.  Mas, voltando à inteligência animal, já me impressionei bastante com cenas de macacos quebrando coquinhos com uma pedra sobre pedra maior, da mesma maneira que nós, humanos, procedemos no Sertão, quebrando coco Ouricuri, até o presente momento. Com inteligência ou com instinto, devemos respeitar os animais. Certo ou errado? 

POSE PARA FOTO (DIVULGAÇÃO).

  RIO IPANEMA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3381   O maior rio de Alagoa...

 

RIO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3381

 



O maior rio de Alagoas, tem cerca de 220 km de extensão, nasce na serra do Ororubá no município de Pesqueira, PE e tem a sua foz no povoado Barra do Ipanema, município de Belo Monte no rio São Francisco.  Em Alagoas o rio banha três cidades e vários povoados. Os municípios são Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e Batalha, pela ordem. O rio Ipanema, penetra em Alagoas, pelo povoado Tapera em Poço das Trincheiras, onde recebe de imediato o afluente Tapera, vindo também das bandas de Pernambuco. Daí em diante, além das três cidades acima, banha pela ordem os povoados: Tapera, Quandu, Fazenda Nova, Funil, Timbaúba, Dionel, Poço do Marco, Telha e Barra do Ipanema. Vale salientar que o rio Ipanema é temporário.

Em Santana, o rio Ipanema coleta as águas dos riachos Salobinho, Salgadinho e Camoxinga, sendo este o mais forte dos três. Entretanto, além deste três riachos que despejam na cidade, a jusante da urbe iremos encontrar a foz do riacho do Bode e do riacho Gravatá que também é forte. Entretanto, o afluente mais pujante do rio Ipanema, é o rio Dois Riachos no município de igual nome. Em Santana, as três pontes: da Barragem, Padre Bulhões e General Batista Tubino são os melhores mirantes para apreciação das cheias do rio. São duas pontes sobre o leito do rio Ipanema e uma sobre a foz do riacho Camoxinga. As águas do rio Ipanema já lavaram os lastros de duas delas, por causa de obstáculo no seu leito como oficina debaixo de ponte e verdadeira rua invadindo o seu leito.

Agora que a população sertaneja possui água encanada do rio São Francisco, foi adotada a “cultura do esquecimento” da Geografia, da História, da sociologia de todos os rios do Sertão em tempo de estiagem como o Ipanema, o Traipu, o Capiá, o Riacho Grande. Não se vê estudos sobre os rios sertanejos, não se vê debate, não se vê interesse mínimo. Os caudais somente são lembrados durante as grandes cheias, apenas como inimigos perigosos. É uma evolução devoradora de cultura, que se inicia pela inércia de professores. Vamos esperar que eles ressurjam com bastante água para vê se chama atenção dos fazedores de vídeos terrorista para os ausentes.

É a chamada corda bamba em ação plena.

RIO IPANEMA (FOTO B.CHAGAS).

 

  TAPUIO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3380   Dou um doce se você disse os...

 

TAPUIO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3380

 



Dou um doce se você disse os nomes de todos os povoados do Brasil. Desculpe, amigo e amiga, usar a expressão que minha pronunciava vez em quando: “Dou um doce se...”  Todavia, sabendo que nem você nem eu temos interesse profundo nisso, mesmo assim vamos sendo surpreendido com povoados que a gente não conhece e fica na curiosidade.  Hoje poderemos falar sobre um povoado chamado TAPUIO, poderíamos até citar outro de nome QUANDU. Ambos são povoados do município de Poço das Trincheiras, Médio Sertão Alagoano. O “Quandu” parece uma cidade, localizada às margens do rio Ipanema. O “Tapuio”, tem acesso por estrada vicinal da BR-316. “Guandu” ou andu é um tipo de feijão, porém Quandu é sinônimo de Porco-espinho, oiriço-caixeiro.

Pois bem, o povoado Tapuio é pequeno, simpático, limpo e ensolarado a cerca de 3 ou 4 quilômetros da BR-316. Tapuio ou tapuia era a expressão em que os Tupis denominavam aos estrangeiros, gente de outras tribos, gente do interior. Interessante é que já li em algum lugar um autor se referindo, a um tipo matuto, atrasado e sem futuro como tapuio. “naquele momento surgiu um tapuio...”. Mas não queremos aprofundar o termo, apenas fazer referência a ele, porque não é em todos os lugares que existe um povoado com o nome atípico de Tapuio, assim como a denominação Quandu, que o tempo se encarrega de fazer esquecer o significado e os próprios moradores muitas vezes ignoram o topônimo. Falar nisso lembrei-me que tenho um livro para fazer entrega no Tapuio.

Os povoados sertanejos são excelentes para pessoas de cidades grandes que pretendem descansar.  Bem-estar que se inicia com o canto do galo pelos arredores, o curral do leite, pertinho, a calma, o ar puro que invade as ruas, o carro de boi, o carneiro, uma pinga na bodega, passeio a cavalo, culinária simples e saborosa, canto de pássaros e incrível por de sol. As noites são frescas, agradáveis, excelente para dormir. Existem outros povoados de nomes estranhos, em Alagoas em que poderemos falar sobre eles em outro ocasião. O perigo é um só: apaixonar-se pelo lugar e não retornar mais à cidade de origem.

POVOADO TAPUIO (IMAGEM DIVULGAÇÃO)

 

  FOI REALIZADA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3379   Foi realizada sim, ...

 

FOI REALIZADA

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3379



 

Foi realizada sim, com êxito total a nossa missão do sábado passado. Estivemos em terras de Dois Riachos, procuramos chegar até a “Pedra do padre Cícero”, onde existe a maior romaria do estado de Alagoas. Entre o oratório da pedra, com sua escadaria, a igreja bem arrumada e a BR-316, pagamos promessa familiar ao padre Cícero do Juazeiro. Não conhecia ainda o túmulo dentro da igreja, do fundador da igrejinha no topo da rocha. A sua esposa Maria, também já havia falecido, porém descobrimos um filho de José Antônio Lima e sua esposa Maria, que se recuperava em casa ali pertinho, de um AVC. Deixamos, então, o livro PADRE CÍCERO 100 MILAGRES NORDESTINOS, INÉDITOS, e que um dos milagres tinha sido motivo de construção do hoje, ponto de romaria.

Interessante é que neste dia de sábado comum. Parou um caminhoneiro da Bahia, ali na BR-316 e foi sem demora orar no topo da escadaria, no oratório sob um Sol abrasador, demorando bastante tempo. Em baixo, nós soltávamos foguetes, mas ninguém teve a ousadia de indagar ao caminhoneiro sobre seu ato de fé. Desceu, ligou o caminhão e partiu acenando para nós, alegremente. Que maravilha! Então, fomos ao retorno a casa. Ao passarmos em Areia Branca, povoado quase cidade, matei à vontade em conhecer familiar dos fundadores Manoel Joaquim e Rosa. Ao invés de encontrar a neta, encontramos a filha, muito animada numa rua central ao lado da Igreja que era tudo do fundador. Pense numa palestra agradável de pesquisador.

Por fim, vamos junto tentar erguer um obelisco à fundação de Areias Branca. Aproveitando o ensejo, fomos conhecer o núcleo habitacional feito nas faldas do serrote do Cruzeiro para os abrigados da última grande cheia do rio Ipanema e ao mesmo tempo, apreciarmos o roteiro da estrada AL-120 que será interligada a BR-316, passando pelo sopé da serra Aguda. Esse novo trecho passa exatamente pelo centro do núcleo habitacional. Paisagens espetaculares, principalmente agora que tudo está verde por aqui.

PEDRA DO PADRE CÍCERO, IRMÃ JEANE DESCENDO ESCADARIA (FOTO: IVAN CHAGAS).

 

 

    VISITANDO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3378   Estamos reservando ...

 

 

VISITANDO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3378

 



Estamos reservando esta sexta-feira para fazermos uma visita ao povoado Areias Brancas (Santana do Ipanema) e a Pedra do Padre Cícero, em Dois Riachos. Em Areias, iremos visitar familiares dos fundadores do povoado que hoje parece uma cidade e cujos iniciantes não moram mais ali. E nós, que escrevemos a história do povoado (ver: o BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA) queremos pelo menos conhecer a neta dos fundadores, Manoel Joaquim e Rosa. Inclusive, o casal fundador do povoado está em nosso livro PADRE CÍCERO, 100 MILAGRES NORDESTINOS, INÉDITOS. Assim vamos também confirmar o recebimento do livro pela neta do casal. Areias Brancas fica no limite dos município de Santana com Dois Riachos, cortado pela BR-316.

Assim iremos dar um esticadinha até a pedra do Padre Cícero, no município vizinho de Dois Riachos. Sim, uma visita de fé e pagamento de promessa programada. Não, não é dia de romaria na Pedra, romaria maior de Alagoas realizada no dia 20 de julho, mas um dia comum, um dia calmo nas imediações da Pedra. Mas também iremos ter a honra de conhecer familiares do homem que construiu o oratório no topo da rocha. Aliás, também fazer a entrega do livro do padre Cícero, em cujas páginas estar registrada a ação de agradecimento do milagre alcançado no Juazeiro de quem construiu o oratório. Portanto, uma viagem curta com dois motivos de honra e alegria. Amanhã, sábado, continuação desse mister de outro maneira. Na padre estarei com Ivan e Jeane, irmão e irmã. No sábado, com o escritor Marcello Fausto, distribuindo livros remanescentes a quem faltou o lançamento.

Pois, enquanto determinado país, semeia guerras, terror, mortes e assassinato frios, vamos semeando livros em nosso pedaço de chão. Infelizmente tem o que mata em briga comum, o que mata para roubar, o que mata por vingança e o que mata estando no poder se reafirmando como o assassino do mundo. Para onde irão esses tipos de almas sebosas? Enquanto isso, os livros continuam divulgando a arte, o belo, o conhecimento, acalentando a alma do seu leitor.

Ah! Mundo véi sem porteiras!

Que achas, tu?

PEDRA DO PADRE CÍCERO, EM DOIS RIACHOS (FOTO: B. CHAGAS).