SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
OBJETOS PERDIDOS DE LAMPIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 3 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3354 ...
OBJETOS
PERDIDOS DE LAMPIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de fevereiro de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3354
Após a tragédia de Angicos, muitos objetos
pertencentes aos cangaceiros e mesmo com o bando em atuação foram encontrados
em diversos pontos da caatinga. Alguns pontos até inusitados. Balas, fuzis, refles, pistolas, punhais e
mesmo utensílios caseiros. Os principais esconderijos para essas coisa eram
locas de pedras, oco de árvores e escavações artificiais de todos os tamanhos.
Um dos problemas que os cangaceiros tinham para resolver era como esconder o
excesso de balas sem que elas não arruinassem. Inúmeras tentativas foram
realizadas sem êxito, até que descobriram - segundo o filho de Corisco e Dadá,
Silvio Bulhões - que a melhor maneira descoberta era colocar as balas dentro de
recipientes de vidro e vedar a entrada com cera de abelha.
As
descobertas passaram a acontecer mais, com a aceleração do desmatamento a
partir mais ou menos da década de 1960. Alguns desses objetos são levados para
pessoas conscientes que procuram entregá-las aos museus apropriados com os seus
respectivos históricos desses achados. Às vezes estaciona nas mãos de um
egoísta que possui um ou dois objetos pertencentes ao antigo cangaço e que se
acha grande colecionador de coisa que pertenceu a Lampião, para não largar o
osso. E acontece ainda roubos de peças de museus que acreditamos que seja
apenas para satisfazer o ego em dizer que possui isso ou aquilo do
cangaço. Vimos também, não somente uma
vez, museu de cangaço completamente esvaziado e resumido a apenas quatro ou
cinco artigos de jornais. Uma vergonha!
Mas também, para os admiradores das histórias
cangaceiras nordestinas, nunca foi encontrado nenhum objeto do cangaço no
prédio onde funcionou a sede do Batalhão, em Santana do Ipanema. Prédio este
que ficou ocioso após o epílogo do cangaço, até ser transformado em Escola
Secundária. Era o Centro das Operações contra o banditismo em Alagoas. Do período em que o Batalhão foi embora até o
presente momento, houve um silêncio profundo sobre o cangaço como se ele nunca
houvesse existido. Ali, no início da década de 50, surgiu na principal cidade
sertaneja, uma nova era, a era do Ensino e, o livro fez esquecer na memória de
velhos e de novos o terror que parece mentira.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.