RUA DE SOFRIMENTO (Clerisvaldo B. Chagas. 10.6.2010) Para jovens pesquisadores Já foi dito neste espaço que a Rua Professor Enéas teve iníc...

RUA DE SOFRIMENTO

RUA DE SOFRIMENTO
(Clerisvaldo B. Chagas. 10.6.2010)
Para jovens pesquisadores
Já foi dito neste espaço que a Rua Professor Enéas teve início ao lado do curral de gado do senhor José Quirino. Hoje a rua é plana, calçada, comprida e estreita, inda do antigo curral até a ponte General Batista Tubino. A parte de baixo do casario tinha ao fundo, amplo terreno do mesmo proprietário e se estendia até o rio Ipanema. A parte de cima, da rua, a ele não pertencia. Eram os fundos de quintais compridos das casas da Rua Antonio Tavares, como os quintais de Júlio “Pisunha”, soldado Joaquim Manoel, Alfredo Forte, José Urbano, Seu Né Lecor, “Manezinho” Chagas e outros. Quintais que não atingiam a nova rua, eram formados de mato e monturo. Esses matos e monturos na parte de cima, iam dos fundos da casa vizinha a “Manezinho” Chagas, até a segunda travessa em direção ao comércio. Depois iniciava por ali novos fundos de muros das casas do comércio, como até hoje.
José Quirino construiu logo algumas pequenas casas, inclusive, a primeira, encostada ao mourão da cerca de arame farpado do curral. Depois ele construiu mais outras casas um pouco maiores, tudo para alugar aos pobres. Havia um longo vazio após as casas, tanto na parte de baixo quanto na de cima. Na descida do primeiro beco, acesso para o Ipanema, bem na esquina, tinha duas casas particulares, rústicas, pertencentes aos familiares do senhor Cirilo, velho tropeiro do lugar. Após o beco, ainda na parte de baixo, um terreno do senhor Marinho Rodrigues e o curral de gado do senhor Doroteu Chagas que depois passou a ser de “Manezinho” Chagas (ambos desciam até o rio). Algumas casas de lavadeiras mais adiante, por trás dos quintais do comércio, outras casas independentes onde morava o casal “Zé Cambão” e Regina “Cambão”, resistiam na pobreza. O “Gorila” (figura típica) e a “Nicinha” (garota que nadava muito bem ali no poço dos Homens) também faziam parte do local. A Rua José Quirino levou décadas e décadas para ser preenchida em ambos os lados.
O que chamava atenção eram as brigas diárias, com discussões permanentes de várias mulheres que, às vezes, incluíam os maridos nas desordens. Nessa época, moravam ali figuras bastante conhecidas como o “Toinho das Máquinas”, Genésio “Sapateiro”, “Caçador”, Otávio “Marchante” e sua esposa Carmelita que todo dia entrava em discussão com a vizinhança. À tarde, chegava Otávio, do trabalho, com uma faca grande pendurada no coldre e era insuflado para tomar partido nas arengas da mulher. Mas Otávio sempre saía pela tangente. Lembro que certa vez houve uma discussão feroz na rua. Enquanto isso, um camarada tocava uma rabequinha dentro de casa, e não colocou a cabeça para fora uma única vez. Aquele sabia viver! Estava no meio errado.
A rua sem calçamento, entregue a imundície de inverno e verão, certa feita foi visitada por um homem do Paraguai ou do Uruguai (falavam que ele era um sábio) chamado professor Cabajal. Esse cidadão iria ministrar palestra à noite para a sociedade, sob o entusiasmo do doutor Adelson Isaac de Miranda. Chegando mais cedo, percorreu alguns pontos de Santana, inclusive a citada rua. Dizem que durante a sua palestra ele falou encontrar-se estarrecido com o nome de professor dado a uma rua tão imunda e sem expressão como aquela. E que na terra dele, professor era valorizado. Como Cabajal era um homem nervoso e sem papas na língua, deixou a sociedade santanense envergonhada com essa e naturalmente outras observações. Esse constrangimento, o povo da Rua José Quirino, teve que engolir, por conta da má administração dos seus dirigentes. É bom salientar que, mesmo assim, a via continuou sendo chamada oficialmente Professor Enéas (o primeiro professor de Santana) chefe político e senador por inúmeras vezes, no tempo Santana /vila. Enéas já tem o seu nome em um dos três largos comerciais.
Ainda hoje, como já foi dito acima, os quintais das casas do comércio não deixam o trecho, entre a travessa Antonio Tavares e a ponte, ser preenchido por novas residências, pois eles chegam até a linha d’água da rua de baixo; Rua José Quirino, Rua Professor Enéas... RUA DE SOFRIMENTO.



TEMA SOBRE A SELEÇÃO (Clerisvaldo B. Chagas. 9.6.2010) Tema: A raça imposta por Dunga/Credencia à seleção Se Júlio César pegar Bola em cim...

TEMA SOBRE A SELEÇÃO

TEMA SOBRE A SELEÇÃO
(Clerisvaldo B. Chagas. 9.6.2010)
Tema: A raça imposta por Dunga/Credencia à seleção

Se Júlio César pegar
Bola em cima, bola em baixo
Se Juan mostrar que é macho
Se o Lúcio não falhar
Se Maicon desenrolar
Passando pra Luisão
Grafite dando um chutão
De falta o goleiro funga
A raça imposta por Dunga
Credencia à seleção

Se Kaká jogar valente
O Gilberto atrás não fique
Se Ramires der um pique
Nilmar jogar bem na frente
Se Elano entrar mais quente
Conquistando a posição
Robinho sente emoção
Dá dribles que voa a sunga
A raça imposta de Dunga
Credencia à seleção

Se Júlio virar gigante
Fabiano virar mil
Thiago honrando o Brasil
Felipe ficar vibrante
Josué mais triunfante
Kleb cresce em atenção
Bola por cima ou no chão
Goleiro vira calunga
A raça imposta por Dunga
Credencia à seleção

Se Felipe Melo é
Um volante atarracado
Gilberto Silva ao seu lado
Combina com Josué
Michel Bastos mete o pé
Para Doni é diversão
Daniel parece o cão
É a cara de Seu Lunga
A raça imposta por Dunga
Credencia à seleção

Se depender da torcida
Essa copa já é nossa
Torce o tabaréu na roça
Torce o ébrio na bebida
Torce o padre na guarida
Pula alegre o sacristão
No meio da multidão
Ou nos coqueirais do Gunga
A raça imposta por Dunga
Credencia à seleção

FIM

NILO PEÇANHA (Clerisvaldo B. Chagas. 8.6.2010) Para jovens pesquisadores Sempre me intrigou o pedaço em que foi dividida a Rua Antonio Tava...

NILO PEÇANHA

NILO PEÇANHA
(Clerisvaldo B. Chagas. 8.6.2010)
Para jovens pesquisadores
Sempre me intrigou o pedaço em que foi dividida a Rua Antonio Tavares. Iniciando no comércio até as duas primeiras travessas, o trecho é denominado Nilo Peçanha. Dali até o início do Bairro São Pedro, leva o nome de Antonio Tavares. Antonio Tavares foi comerciante, panificador, morava em um pequeno quarto perto da primeira travessa que divide as duas ruas, lugar onde faleceu. Foi pai do deputado Siloé Tavares, que se destacou na invasão ao Palácio dos Martírios, durante o processo de impeachment ao governador Muniz Falcão. Quanto ao trecho tão pequeno que leva o nome Nilo Peçanha, pouquíssimas pessoas sabem quem foi esse cidadão. Ali existiu a Cadeia Velha que funcionou também como ponto de venda de escravos e de sede do batalhão para combate ao cangaceirismo de Virgulino Ferreira. Funcionou também a Caixa Econômica Federal e a mais importante joalheria do interior alagoano, pertencente ao senhor Gumercindo Brandão (tio do professor Aloísio Ernande Brandão). Muitos episódios da história de Santana aconteceram nesse trecho tão pequeno de rua.
E, para desvendar o mistério dos que nada procuram saber, vamos deixar uma pitada de história do Brasil para os que fazem parte da rua pequena. Nilo Procópio Peçanha foi um menino pobre nascido no Rio de Janeiro, discriminado pela elite por ter nascido mulato. O seu pai era padeiro, sua mãe, pessoa ligada à política. Por causa da discriminação, Nilo teve uma vida inteira contra si; entretanto, estudou e formou-se em Advocacia. Ingressou na política e mostrou muita habilidade nesse caminho, chegando a ser presidente do Rio de Janeiro. Ele mesmo diz, mais tarde, que havia sido criado com pão dormido e paçoca. Tornou-se abolicionista e, até mesmo seu casamento foi um escândalo, por causa da sua condição de filho de pessoas de cores diferentes. Nilo foi constituinte, senador e eleito vice-presidente de Afonso Pena. Nilo Procópio Peçanha também foi maçom, sendo Grão-mestre do Grande Oriente do Brasil, gestão 1917-1919. Mas voltando ao passado, com a morte de Afonso Pena em 1909, Nilo Peçanha assumiu a presidência do Brasil até Novembro de 1910. Como presidente da República, Peçanha criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria. Criou ainda o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e inaugurou o Ensino Técnico no Brasil. Esse grande brasileiro faleceu em 1924 no mesmo estado em que nascera. Nesse ano em Santana do Ipanema, deixava a intendência, Sebastião de Medeiros Wanderley e assumia o 9º intendente do Município, o senhor Manoel de Aquino Melo.
O santanense ignora o nome do trecho, chamando-o, simplesmente Antonio Tavares. Não sabemos o porquê desse vício administrativo geral que corta e denomina pedaços de ruas. Por falta de pesquisa, também não temos a data em que esse diminuto casario recebeu o nome do presidente do Brasil, nem procuramos saber em qual gestão municipal batizaram aquela porção. Mas sempre pensei que se eu fosse artista plástico, faria um belo quadro desse lugar, sem movimento, captando a saudade, a melancolia e as histórias invisíveis que se escondem na Rua da Cadeia Velha, na Rua NILO PEÇANHA.