TRAIPU NÃO MERECE Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2011 O escândalo que rola no presente momento, sobre a prefeitura da cidade rib...

TRAIPU NÃO MERECE

TRAIPU NÃO MERECE
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2011

O escândalo que rola no presente momento, sobre a prefeitura da cidade ribeirinha de Traipu, volta a abalar moralmente o estado de Alagoas. A “Terra entre Morros”, do rio São Francisco, é bastante conhecida pelo tempo da sua existência e pelas histórias desde os tempos dos holandeses em Penedo e tantos outros episódios que fazem parte das suas tradições. Vemos na sua paisagem deslumbrante a igreja no mesmo estilo das outras igrejas como a de Penedo, Pão de Açúcar, Belo Monte, com suas belíssimas duas torres a contemplar as águas do Velho Chico. Sua fundação em 1892 atesta a maturidade da sua gente, gerada na própria história do famoso Rio da Unidade Nacional. Distante de Maceió 188 km, seus lugares aprazíveis são pontos de encontro dos agrestinos da região arapiraquense. O sobe e desce das embarcações vão retratando romances e paixões sob mitos e lendas do lugar. Os traipuenses bem que sabem valorizar o município que já pertenceu a Penedo, o núcleo habitacional mais antigo do estado das Alagoas. Com sua área de 697,843 Km2 e uma população de mais de 25 mil habitantes, Traipu recebe o turista para uma longa caminhada em seus arredores e um passeio inesquecível pelas suas águas ora azuis ora barrentas.
          Traipu, palavra de origem indígena, quer dizer “fonte de morro” ou “olho d’água do monte”. Sem dúvida alguma, um dos nomes mais bonitos para uma cidade que, no tempo de vila era chamada de Porto da Folha. “Está assentada sobre uma pequena colina às margens do são Francisco, distante 14 léguas da cidade de Penedo, centro dinâmico de toda a região. Tomás Espíndola registra em 1871, em sua obra Geografia Alagoana, que a localidade se situava entre a Lagoa do Carlo e a Lagoa da Igreja, defronte à grande serra da Tabanga, que é levada em sua base pelo rio e que, para os nativos, marca o início do sertão”.
          Não é a primeira vez que falamos de Traipu neste espaço. Mas agora é com um pouco de preocupação pelas denúncias e ações da Polícia Federal naquele belo município. Cidade visitada por D. Pedro II, já foi grande criadora de gado e produtora de carne de sol, requeijões e linguiças, em suas fazendas conduzidas até mesmo pelos próprios frades que influenciaram por ali. E por ser longa e bela a história de Traipu, esperamos que esse tão resistente município escorra essa vergonha rapidamente pelas águas do rio São Francisco. TRAIPU NÃO MERECE.











QUEM MANDA?         Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2011            A coisa está braba, cabra velho! Tiraram o cabresto do inve...

QUEM MANDA?

QUEM MANDA?
        Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2011

           A coisa está braba, cabra velho! Tiraram o cabresto do inverno sertanejo e ele saiu furando o miolo do mês de setembro. Parece que esqueceu o próximo início de primavera e peneira uma chuva leve desde uns quinze dias, como se não quisesse mais parar. E se é para fazer ditos da juventude com expressões do semiárido, “pense numa frieza da gota serena, que nos tempera dia e noite!” Estamos ficando pubo com a friagem dentro de casa, procurando fugir, inclusive com dois ou três pares de meias ao mesmo tempo. As unhas ficam roxas lembrando os nambus-pé-roxo que havia em nossa região. As águas dos banheiros descem da caixa “pegando fogo” de geladas e o par de queixos passa a imitar teco-teco de caveiras.
          Logo cedo da noite a ausência limpa as ruas. As luzes dos postes ficam mortiças tomando banho de garranchos... (de chuva). As vias estão desertas. Completamente desertas. A carreira de árvores parece sem vida, deixando zoar nas copas quem manda mais de que elas. É farfalhar nas folhas, nos galhos hirtos. Nada na rua! Nada! Nem gato, nem cão, nem sapo, nem besouro. Uma bela, tristíssima, melancólica paisagem urbana de fim de mundo faz pensar. A impressão é que a única pessoa viva da cidade sou eu. Eu e os grilos invisíveis nas frestas que se oferecem. Crocitar irritante, permanente, sem fim, cortando e costurando o silêncio dessa noite minha. É... Dessa noite minha. Deve ser somente minha. E na noite deserta, triste, “morta” e bela, escorre lúgubre torrente de poesia. “Primo, você sente? Todo poeta é sistemático”.
          Lençol quente na cama fria. Inverno doido. Inverno fora de tempo. Inverno assassino, portador da foice de lembranças que inquietam. Corredor vira prisão de passos incertos. Tchá... tchá... tchá. São os respingos, pelas portas, pelas telhas, pela vida... Ouça! É a rasga-mortalha que corta a noite, desafiando a sorte. Anunciando a ida num passeio longo. Logo o tic-tac do relógio novo vira cúmplice do tic-tac velho. Vai enganando o tempo, tapeando à noite, envolvendo o dono.

 “Não repare na desordem,
                  Dessa casa quando entrar...
                    Não entendo de abandono...
           Só de amor e esperar...”

 Tiraram o cabresto do inverno. O gelo congela a alma. Meu Deus! Está quase na hora de criar a crônica da terça. Quem terá inventado a crônica da terça?! Jésus, você também sente? É... Deve ser: “todo poeta é sistemático”. Quem manda esse inverno ser assim, QUEM MANDA?

·         Acesse também o blog do autor: clerisvaldobchagas.blogspot.com

TESTE DE FOGO! Clerisvaldo B. Chagas, 19 de setembro de 2011            Cumprindo mais um ritual sobre as nações do mundo, o Brasil se ...

TESTE DE FOGO

TESTE DE FOGO!
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de setembro de 2011
           Cumprindo mais um ritual sobre as nações do mundo, o Brasil se faz representar pela primeira vez por mulher numa sessão da ONU. Está desde ontem em Nova York a presidenta Dilma Roussef, para algumas reuniões com chefes de estado e, principalmente para participar da reunião da quarta-feira, das Nações Unidas. Com a segurança de sempre, salvaguarda da Democracia, fica governando o País durante sua ausência, o vice-presidente Michael Tamer. Nesta segunda-feira Dilma tem um encontro mais leve com a chefa da agência ONU Mulher, Michelle Bachellet e ex-presidenta do Chile. Esse encontro, após a folga de agenda de ontem, deverá ser para Dilma um treinamento, um ensaio diante da importância do que vem aí na próxima quarta. Bom também para relaxar as ações e acionar as “turbinas”, o encontro com Barack Obama e outros chefes de Estado como o da França, Reino Unido, México e Nigéria. O teste tão aguardado fica para quarta-feira quando, seguindo a tradição, o Brasil será o primeiro a discursar para todos, desta vez impondo a marca da primeira mulher brasileira a conseguir o feito. Apesar de toda cordialidade entre as recepções, a atmosfera em Nova York, encontra-se tensa nos bastidores, por causa do caso da Palestina, quando aquela gente vai reivindicar o reconhecimento daquela região como país e mais com cadeira na ONU. Sendo contra as pretensões do povo palestino, no momento, Obama jogou as fichas trabalhando nos bastidores para que ou haja uma desistência dessas pretensões pelo representante palestino ou a proposta seja rejeitada. É aquele mesmo trabalho que os donos do poder realizam com suas lideranças antes das importantes votações nos parlamentos.
          A presidenta iria ficar hospedada no “Hotel Waldorfastoria”, mesmo local onde foi recepcionada. Dilma receberá o prêmio “Woodrow Wilson”, para Serviços Públicos, concedido pelo instituto “Woodrow Wilson International Center for Scholars”. Todos prêmios ganhos por representantes brasileiros são sempre importantes porque traduzem o reconhecimento de atuações na área premiada. Mas a prova de fogo mesmo a essas amenidades será a discussão e votação sobre o caso palestina. Vivendo um momento novo, o mundo viu e continua assistindo a transformação espetacular no Oriente Médio e norte africano, o que, não deixar de mexer fortemente com os demais países, diante de uma realidade recente e brusca. Haverá sim ─ sob o véu ornamentado dos titãs ─ pressões igualmente as colocadas em pneus de trator de muitas toneladas. Ninguém se engane sobre a arena radicada em Nova York que funcionará à semelhança de rinha de galo garnisé.
          O que irá acontecer depois de amanhã? Como se sairá o Brasil? Agora sim, a próxima edição das Nações Unidas será um vestibular de lavas colossais para o estilo Dilma e suas convicções nesse esperado TESTE DE FOGO!