PENSE NISSO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2012. Crônica Nº 869 Nada melhor de que ouvir excelentes repentistas numa...

PENSE NISSO

PENSE NISSO
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2012.

Crônica Nº 869


Nada melhor de que ouvir excelentes repentistas numa cantoria de parede. Na gíria do mundo do improviso, isso quer dizer, uma cantoria em casa de fazenda, principalmente, durante uma noite inteira. Quem gosta da inteligência criativa em debate, conhece todas as gírias, truques e situações dos cantadores nordestinos. Muitos viraram imortais e seus nomes andam de boca em boca de outros cantadores ou de apologistas sensíveis à criatividade. Foi assim, contam de pai para filho, que dois cantadores cantavam no antigo estado da Guanabara, a convite do governador Negrão de Lima. Um deles teria sido o famigerado Severino Pinto, o outro não lembramos. Pediram para que Severino defendesse a Paraíba e o outro cantador, a Guanabara. Sem inspiração, Pinto estava perdendo e o companheiro sendo aplaudido, até que Severino virou o jogo com uma das mais belas e ricas sextilhas. O parceiro, depois de desmontar o estado do Nordeste, havia encerrado a estrofe, dizendo:

E de bom na Paraíba
Só a Rádio Tabajara.

Foi tudo que Severino precisava para “pegar na deixa”, isto é, iniciar sua estrofe rimando com a última palavra da estrofe do companheiro:

O que vi na Guanabara
Foi negro morando em morro
Carro atropelando gente
Enchendo o Pronto Socorro
Ladrão batendo carteira
Mulher puxando cachorro.

Os aplausos de pé, não deixaram mais Severino perder espaço.
Além da rima preciosa (orro), a metrificação perfeita, e a criatividade divina, a estrofe ocasional do célebre cantador ficou no bronze da literatura popular oral. Mas, se apreciarmos esse trabalho prazeroso, vamos observar também que existe algo mais na filosofia sutil do repentista. As nossas convicções são repassadas para os outros conforme o nosso modo de pensar e ver. Assim discutimos com o outro glóbulo branco que vem devorar o nosso. Para o primeiro cantador, o estado da Guanabara era uma maravilha, onde só havia o que era bom. Severino vê aquela terra tão bonita por novo prisma. Pressionado pelo adversário, é capaz de encontrar, rapidamente, defeitos no céu alheio. Resumindo a lição de hoje: Nós só enxergamos o que queremos enxergar. PENSE NISSO. 

ÁGUA VERDADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2012. Crônica Nº 868 RIO TIETÊ. (foto: Wikipédia). São Paulo está...

ÁGUA VERDADEIRA



ÁGUA VERDADEIRA
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2012.
Crônica Nº 868
RIO TIETÊ. (foto: Wikipédia).

São Paulo está perto de vencer uma guerra. Pelos menos é o que nós, brasileiros, esperamos. Algumas batalhas foram vitoriosas na revitalização do rio que sofre seríssimos problemas de esgotos domésticos e de fábricas da Grande São Paulo. Quando o governo paulista diz que em até 2013 o Tietê não terá mau cheiro, poderá ser uma afirmação verdadeira.  O exemplo do rio Tâmisa é uma realidade a ser seguida. E se os ingleses podem, podemos nós. O velho questionamento em deixar o ruim acontecer e depois remediar não é coisa somente do Brasil. O caso é que os ricos podiam consertar, nós não. Agora não existe alternativa senão remendar as machadadas que demos no mundo.
Tietê significa em tupi: “água verdadeira”. A grande via de penetração dos desbravadores tornou-se símbolo histórico de São Paulo. Hoje, poluído ou não, representa um acidente geográfico de primeiro plano. Quase todas as cidades brasileiras possuem o seu particular e querido Tietê. O trabalho que avança naquele estado, por etapas, irá estimular a limpeza ambiental no restante do país e na América Latina. Cada córrego, cada riacho, cada fio d’água representa a imensa dádiva e bondade do Senhor. A humanidade parece evoluir através de fases. Estamos agora no período de reconstrução do planeta, embora os defeitos do homem, muitas vezes confabulem ao contrário. Cuidar da Terra passou a ser ato obrigatório que tem início no simples varrer a casa e limpar o terreiro.
A despoluição do rio Tâmisa não aconteceu repentinamente. E uma coisa boa foi o aprendizado de inúmeros profissionais de áreas diferentes pelo bem do coletivo. Não só o aprendizado profissional, mas também a luz do que pode a solidariedade. Em São Paulo o projeto continua, mesmo recebendo críticas daqui, dali, dacolá. O importante é que a meta seja atingida com o reconhecimento da capacidade brasileira em superar gigantescos desafios. A onda de conscientização ecológica que teve início tão magrinha, tão sumida, hoje virou febre para o bem. Sabiamente os pensantes levaram os problemas para as escolas do planeta, onde vai surgir uma geração forte, consciente e atuante em defesa do seu lugar no Universo. Enquanto isso vamos examinando em nossas localidades como poderemos ajudar em projetos como o da ÁGUA VERDADEIRA.