PÉ LEVE SECOU Clerisvaldo B. chagas, 5 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.679 PÉ LEVE. Foto (divulg...

PÉ LEVE SECOU



PÉ LEVE SECOU
Clerisvaldo B. chagas, 5 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.679
PÉ LEVE. Foto (divulgação).

Desde quando iniciamos nossos estudos sobre “Repensando a Geografia de Alagoas” que viemos falando sobre diversos acidentes geográficos. Entre eles, denunciamos publicamente a situação em que vivem nossas lagoas, tanto as do São Francisco, às marítimas, quanto às de terras interiores.
As do rio São Francisco sofrendo as estiagens e o nível do rio, secando, secando sem perspectivas de cheias. Fonte de renda de pescadores e abastecimento para as cidades ribeirinhas estavam vivendo apenas de recordação.
As lagoas marítimas sofrendo poluição e assoreamento, com partes mais rasas virando pântanos. Muito embora o monitoramento das águas por órgãos competentes afirmassem que as coisas estavam na normalidade, outros fatores vão acabando com as lagoas. Está aí a invasão das águas lagunares em diversos pontos de Maceió, do Pilar, Marechal Deodoro e Fernão Velho, motivada em parte pelo assoreamento.
As lagoas de terras interiores são também grandes fontes de renda da população do entorno. No sertão, praticamente não existem mais lagoas de porte, extintas pelo mesmo processo do mau uso das terras agricultáveis. No agreste e em alguns municípios da Zona da Mata, algumas lagoas ainda se destacam, mas não são tratadas com o devido respeito que merecem. A urbanização não atende os seus limites.  Esgotos, lixo e assoreamento estão entre as causas mais comuns que vão assassinando esses mananciais.
Veja agora o que cantamos antes, em manchete do Jornal Tribuna de Alagoas, do último mês de maio: ÓRGÃOS AMBIENTAIS APONTAM CAUSAS DA SECAGEM DA LAGOA DO PÉ LEVE, EM LIMOEIRO E ANADIA. E complementa a manchete:
Leito seco do recurso hídrico deixou de ser uma fonte de alimentos e de renda para a população carente da região.
A reportagem se estende por muitas linhas quando diz a mesma coisa que eu dizia com muita antecedência. Existem outras lagoas no Agreste, mas a do povoado Pé Leve era a mais famosa da região. E agora? As outras quase todas seguirão o mesmo destino a lagoa de Limoeiro de Anadia se nada for feito por elas.



A BARRIGA, A SERRA E A NOTÍCIA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.678 ...

A BARRIGA, A SERRA E A NOTÍCIA



A BARRIGA, A SERRA E A NOTÍCIA
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.678

SERRA DA BARRIGA. Foto (divulgação).
 É pena que muitas notícias boas cheguem quando predominam a negatividade e ofusca as alvíssaras. Os episódios da História de Alagoas com a bravura do Quilombo dos Palmares correram mundo. O grito e o sangue derramado pela liberdade negra tornaram-se orgulho do povo alagoano. A história dos Palmares deveria ser mais estudada, pesquisada e entendida nas escolas do estado com maior frequência e profundidade. Afinal, no dia da Consciência Negra chega gente para subir a serra, de todas as partes do planeta. Em nosso livro ainda inédito, “Repensando a Geografia de Alagoas”, fornecemos uma lista completa das Comunidades Quilombolas e cada população; até mesmo a comunidade de Tabacaria que foi devastada pelas chuvas em Palmeira dos Índios. Ainda em nosso outro livro já publicado, “Negros em Santana”, defendemos teses importantes baseadas nos movimentos negros da grande serra.
“Símbolo de resistência a escravidão imposta ao povo negro do Brasil, a Serra da Barriga localizada no município de União dos Palmares, Alagoas, foi aprovada como Patrimônio Cultural do Mercosul. A escolha ocorreu na tarde desta terça-feira, 30, na XIV  Reunión de la Comisión de Patrimonio Cultural / CPC / Mercosul Cultural, na Argentina”.
Como foi dito, é pena a notícia ter chegado em momento de tanta dor na região litorânea e na zona da Mata com as enchentes devastadoras. Mas não deixa de trazer imensa alegria para os defensores da causa negra no estado e para os vários segmentos e intelectuais alagoanos. Para o Brasil, um marco importantíssimo que irá repercutir por todos os recantos do Globo.
Mesmo assim, apesar dessa retumbante vitória, continua uma luta difícil de todas as comunidades quilombolas registradas no estado. A pobreza é fator primordial nessas áreas onde as opções continuam mínimas e, o básico como Educação, Saúde e Trabalho remontam ao tempo da escravidão.
Quantas e quantas vezes planejei levar alunos até o alto da serra e nunca deu certo! Fazer o quê! Muitas coisas na vida que parecem tão perto se tornam tão longe!...
O importante, porém, é o dever cumprido, a contribuição diária para uma humanidade mais feliz, mesmo que ela seja apenas um tiquinho.





RUGENDAS Clerisvaldo B. Chagas, 26 de maio de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.677   Rugendas. Quem se ...

RUGENDAS



RUGENDAS
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de maio de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.677
 
Rugendas.
Quem se lembra dos nossos livros colegiais de História do Brasil? Mesmo surgindo de várias editoras diferentes, nunca deixavam de apresentar ilustrações de artistas estrangeiros e consagrados. Famosas pinturas feitas a óleo ou em aquarelas ajudavam de fato a fixar as lições dos textos. No geral os autores chamavam-nas de gravuras. Entre as gravuras que se apresentavam em nossos livros, ficaram mais conhecidas as que se referiam a Rugendas.
Mas quem teria sido Rugendas?
Johann Moritz Rugendas era alemão tendo nascido em Augsburgo, na Baviera em 29 de março de 1802. Pertencia a uma família de artistas e quando criança trabalhava de palhaço em um circo.
Moritz tornou-se pintor. Cursou a Academia de Belas-Artes de Munique, especialidando-se na arte do desenho.
Motivado pelo naturalista Alexander Humbolt (1769-1859) Rugendas viajou para o México em 1831com o propósito de andar pelas Américas com objetivo de reunir material para publicações. O sábio Alexander Humbolt é personagem bastante conhecido na Biologia, Geografia, Naturalismo e na Exploração.
No México Moritz começou a pintar a óleo, com técnicas italianas. A partir de 1834, excursionou pela América do Sul passando pelo Chile, Argentina, Peru e Bolívia.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1845 onde retratou membros da família imperial. Adotando o nome artístico de Rugendas ia pintando o Novo Mundo em tudo que via pela frente. Cenas do Rio de Janeiro, o cotidiano da escravidão, trajes e costumes, tudo ia entrando para a coleção do pintor que prestou relevantes serviços ao Brasil.
Em 1846 partiu definitivamente para a Europa. Cedeu sua coleção de desenhos e aquarelas ao rei Maximiliano II, da Baviera, em troca de uma pensão anual e vitalícia.
Seus desenhos são amplamente conhecidos nas escolas do Brasil. Até eu precisei do seu engenho de cana-de-açúcar para ilustrar um texto de “Repensando a Geografia de Alagoas”.