RESGATE PARA A JUVENTUDE Clerisvaldo B. Chagas, 1 0 de abril de 2019 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.082 HELENA...

RESGATE PARA A JUVENTUDE

RESGATE PARA A JUVENTUDE
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de abril de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.082
HELENA EM REUNIÃO. (FOTO: B, CHAGAS).

Com todo carinho possível vou avaliando, tecendo e formando a biblioteca da escola. Missão a mim confiada, vou lembrando de Nilza Marques, então, bibliotecária primeira da nossa cidade. Com número de compartimentos reduzidos, estamos transformando um espaço comprindo e estreito – usado como depósito – em biblioteca e sala de leitura climatizada para abrigar cerca de 800 livros, vídeos, mapas e revistas. Se o número de livros é baixo, alta é a qualidade dos títulos literários enriquecidos pelo governo federal no ano de 2012. Ali estão os mais famosos escritores da literatura nacional, vários estrangeiros como franceses, americanos, e até africanos. Estamos encerrando a fase de contar, classificar, colecionar, numerar e alojá-los pela ordem. O espaço poderá receber até oito alunos por vez, confortavelmente sentados, com disposição de catálogos, estantes identificadas, livros de presenças para usuários e visitantes, recepção, orientação e fichário de empréstimos quinzenais.
Mas a Biblioteca da Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas, também prestará serviços aos pais de alunos, à comunidade do Bairro São José e a todo o município de Santana do Ipanema.
Para maior compreensão do alunado, pretendemos palestrar sobre biblioteca, bibliotecária, biblioteconomia e seus profissionais, antes da inauguração do nosso pequeno e aguardado recanto. O moderno estará presente dentro das condições escolares. E para a juventude, ampliação de possibilidades profissionais no mundo da concorrência, oportunidades e vocações. Faça uma visita cultural à  escola, no primeiro turno.

FAZENDO SABÃO Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2019 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.081 PENEDO. IDENTIFIC...

FAZENDO SABÃO


FAZENDO SABÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.081

PENEDO. IDENTIFICAÇÃO NA FOTO.
Onde tem sabão não pode haver sujeira. E num mergulho em nossa história interiorana, descobrimos que esse produto é bastante antigo por essas bandas. O primeiro padre de Santana do Ipanema era penedense. Mesmo tendo nascido em bairro pobre, conseguiu estudar na Europa até que veio para o nosso sertão e sertão pernambucano como evangelizador. Descobrimos que o seu bairro  de nascimento, em Penedo, chamava-se Seboeiro. Também não sabemos se ele ainda existe com o mesmo nome. Seboeiro era o homem que fabricava sabão. Ignoramos que tipo de sabão era fabricado no Penedo, mas lembramo-nos dos mais velhos falando em tal sabão-da-terra.  Não importa se o sabão já vem sendo usado desde os tempos da Babilônia.
Bem essa era a terra do padre Francisco José Correia de Albuquerque. Mas em Santana do Ipanema, também havia a Rua do Sebo. Nada provado, mas a dedução era que havia fábrica de sabão nessa rua, cujo sebo de boi (matéria-prima) ficava exposto na frente da fábrica. Deduzimos assim que o sabão era um produto importante para os primórdios da civilização em Alagoas, desde seus primeiro núcleo habitacional. Como havia o Seboeiro, havia o marceneiro, pedreiro, sapateiro, alafaiate, ourives e outros profissionais que muito contribuíram para a expansão das cidades do São Francisco e do sertão das Alagoas. Hoje o sabão é fabricado das mais diferentes formas e até o nome mudou para detergente.
Em nosso Sertão de 1960, fazer sabão era coisa pejorativa e nem sempre à frase era pronunciada em todos os ambientes. Significava xumbregar (namoro bolinando nas partes Íntimas). Em Santana do Ipanema, mesmo, havia o Hotel Central, de dona Maria Sabão. Naquele último quarto de século XX, ainda havia certo ar de riso, ao se ouvir pela primeira vez: hotel de Maria Sabão. Mas esse caso particular não nos interessa, apenas o produto de limpeza, propriamente dito, que fazia parte da economia de 1.700, de 1.800... E por aí vai. Tudo indica que o valor doméstico do produto, equivalia ao sabão moderno.
Mas o sabão dos anos 60 ainda está em voga nas esquinas das cidades.




PORQUE SERTANEJO GOSTA DE CHUVA Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2019 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.080 ...

PORQUE SERTANEJO GOSTA DE CHUVA


PORQUE SERTANEJO GOSTA DE CHUVA
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.080

(FOTO: BLOG DO BERNARDINO).
Enquanto as chuvas são temidas nas capitais, são comemoradas com ênfase nas zonas rurais do país. E se nas capitais causam transtornos, com certeza a culpa é do próprio homem e não da natureza. O problema vai desde as administrações pífias em favor dos problemas urbanos, a má educação populacional. Casas surgem nos lugares mais insalubres, contribuindo com os deslizamentos de barreiras e as enchentes. Nem existe planejamento e a desordem é geral. Por outro lado, mesmo havendo rigoroso recolhimento do lixo, o povo continua jogando tudo descartável no meio da rua e nos córregos, entupindo galerias e provando o próprio veneno durante as enxurradas. Esses são apenas alguns dos problemas das cidades grandes.
Mas por que o sertanejo gosta tanto de chuva? Porque a terra é quem alimenta pessoas e indústrias. Não importa se o sertanejo é da roça, comerciante na cidade, dono do agronegócio, estudante, rico ou mendigo... Todos já nasceram marcados pelo fenômeno que significa fartura e no mínimo comida na mesa. A chuva que vem mansa faz brotar o grão, mitiga a sede de animais e humanos que comemoram a vinda desde as primeiras nuvens mensageiras. Em nosso sertão nordestino plantam-se o milho, feijão, algodão, fava, mandioca, palma e frutas que abastecem os mercados locais e indústrias, no caso da mandioca e do algodão. Sem chuva na terra, a fome toma conta dos lugares sem irrigação. É o instinto quem avisa: trovão nos ares, fartura na terra.
E mesmo estando na capital, o sertanejo alegra-se com as chuvas e lamenta suas faltas no sertão. Foi assim que, conversando com um quitandeiro em Maceió, ele dizia: Essas bananas, professor, vêm do sertão, das bandas do Xingó. As batatas vêm do sertão, da área irrigada. As cebolas chegaram do sertão pernambucano... E assim hoje em dia são as áreas irrigadas do interior que abastecem as capitais. Como o citadino não abraçar a causa sertaneja que preenche sua dispensa? O sertão alagoano está em festa, companheiro. Chuva por todos os lugares. Ontem pela manhã foi uma zoada só na revoada de espanta-boiadas pelo rio Ipanema.
Deixem farrear homens e bichos.