OS PROFETAS DAS CHUVAS Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.266 PROFETAS DAS C...

OS PROFETAS DAS CHUVAS


OS PROFETAS DAS CHUVAS
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.266
PROFETAS DAS CHUVAS. (CRÉDITO: JEAN SOUZA).

Foi realizado em Santana do Ipanema, Alagoas, o “II Encontro de Profetas Populares das Chuvas”. O evento é uma réplica do Ceará que há bastante tempo realiza esses encontros. Em Santana, cumpre valorizar os conhecimentos do homem rural diante da natureza. A tradição de experiências sobre o ruim ou bom inverno vem dos antigos atravessando gerações. Essas mulheres e homens experientes recebem o título de “Profetas das Chuvas”. E pela segunda vez Santana convocou a população para prestigiar os sábios da Natura. Durante a passagem, cada profeta conta se o ano será bom ou ruim de chuvas através das suas observações. Elas contam com o comportamento da flora e da fauna, das posições dos astros e outros sinais que no céu se apresentam.
No caso de Santana, o acontecimento foi animado por repentistas e aboiadores. Como a região sertaneja depende diretamente do tempo, muitos visitantes chegaram de cidades vizinhas para o festejo do dia 14 de fevereiro, sexta feira. Os profetas são pesquisadores constantes e cada um procura o que aprendeu com seus antepassados. Mudanças de formigas, ninho do joão de barro, floração do mandacaru, barra de certo dia, cheias de rio, volumes de cachos do coco Ouricuri, canto de alguns pássaros, círculo na lua, barra no horizonte e posição de planetas e estrelas, podem indicar o que vem mais adiante. Assim misturam-se o conhecimento rural e a ciência procurando esperanças para o Sertão.
Inúmeras vezes ouvimos pessoas idosas descrevendo sobre presença futura de bom inverno ou não, através de experiências pessoais. Aprendemos muito no Sertão, tanto sobre inverno quanto chuvas repentinas. Se a rãzinha de jardim, chamada rapa-rapa, emitir o som de rapar, pode ser dia de tempo firme, chegará uma chuvarada repentina. Já o canto do acauã, tem gente que traduz assim: “Ê meu fio... Ê meu fio” referindo-se à chegada ou prolongamento da seca. E de interpretação imediata, as chuvas que chegam na cidade de Santana, são 99% formadas no Leste. 1% vindas do Norte ou do Sul e nenhuma chuvada com formação no Oeste. Horário predileto das trovoadas: entre a tardinha e o anoitecer.
Os profetas merecem a homenagem da prefeitura e do povo. Parabéns santanenses pelo evento.


RECESSO DE CARNAVAL

RECESSO DE CARNAVAL

RECESSO DE CARNAVAL

A BRAVURA DAS MULHERES QUILOMBOLAS Clerisvaldo B. Chagas, 19 a 21 de fevereiro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica...

A BRAVURA DAS MULHERES QUILOMBOLAS


A BRAVURA DAS MULHERES QUILOMBOLAS
Clerisvaldo B. Chagas, 19 a 21 de fevereiro de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2. 265
 
(CRÉDITO: ANDRÉ PALMEIRA/AGÊNCIA ALAGOAS).
Muito bem feita, merecendo prêmio, a longa reportagem do  jornal Tribuna Hoje, sobre a “Terra da Laranja Lima” e a bravura das mulheres quilombolas. Sendo o maior produtor de laranja lima do Brasil, Santana do Mundaú, Alagoas, a cerca de 100 km de Maceió, teve seus laranjais invadidos pela praga da mosca negra que reduziu sua produção em mais de 40%. Isso aconteceu há três anos quando a praga atingiu quase 100% dos laranjais, prejudicando 2.000 agricultores familiares, entre eles, o de três comunidades remanescentes quilombolas. Foi quando 20 mulheres das comunidades Filuz, Jussara e Mariana reagiram à situação e foram à luta. Guiadas pela ideia da Gerência de Articulação Social do Gabinete Civil do Estado de Alagoas, foram bater à porta da Cooperativa Pindorama, em Coruripe.
A Pindorama, uma das mais organizadas cooperativas do Brasil e com mais de 60 anos de fundação, passou lições importantes para as guerreiras mulheres quilombolas, inclusive como gerenciar uma cooperativa e como diversificar os seus produtos. As empreendedoras, então, fundaram uma cooperativa há dois anos e mais o “Instituto Irmãos Quilombolas”. Hoje as comunidades diversificaram a produção que além dos cítricos, cujo carro chefe é laranja lima, produz, jaca, banana, laranja, tangerina e outras frutas, hortaliças e guloseimas como pé de moleque, bolo de massa puba e macaxeira, tapioca, beiju e outras delícias. Os produtos da Agricultura Familiar são todos orgânicos e vendidos na própria região.
Cerca de 120 famílias quilombolas foram beneficiadas e ainda implantaram uma feira livre própria que garante o escoamento da produção. Graças a força de vontade dessas 20 mulheres empreendedoras essa região do Vale do Mundaú, passou a viver outra realidade que não respeita essa tal de mosca negra.
Santana do Mundaú, na Zona da Mata, é banhada pelo rio Mundaú, tem como padroeira Senhora Santana e conta com cerca de 11.000 habitantes.
Bem que bateu à vontade de conhecer de perto as heroínas quilombolas.
Ê... Sangue de Zumbi.