SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
FESTA BOA Clerisvaldo B. Chagas. 18 de dezembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.630 A Praça Coronel M...
FESTA BOA
Clerisvaldo B. Chagas.
18 de dezembro de 2021
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.630
A Praça
Coronel Manoel Rodrigues da Rocha (Praça da Matriz de Senhora Santana)
encontra-se completamente ornamentada para este Natal. Outros lugares também
chamam atenção de visitantes e nativos como a entrada da cidade, Avenida Dr.
Arsênio Moreira e Praça do Monumento (Adelson Isaac de Miranda). A Praça da
Matriz fez lembrar os antigos tempos de lapinhas ou presépios uma tradição
santanense desde os tempos de vila.
Havia um homem que não saía de casa, mas sempre fabricava a lapinha em
todos os Natais. Assim o Centro de
Santana do Ipanema volta a ser a grande atração de final de ano, também com
lojas de pinturas renovadas e ornamentos prestigiando a festa do Cristo. O
Centro da cidade merece a atenção especial.
O
coronel Manoel Rodrigues foi a figura mais importante de Santana do Ipanema no
primeiro quartel do Século XX. Sapateiro originário de Águas Belas, enriqueceu
no ramo de couros no Baixo São Francisco, casou com uma sergipana e se
transferiu para Santana do Ipanema, investindo muito neste município. Coronel
da Guarda Nacional, comerciante, industrial, amigo de todos e amado em Santana.
Em sua residência recebia governadores e outras altas autoridades, assim com
Delmiro Gouveia. Seu sobrado (ainda existente) estava sempre de portas abertas
para os blocos carnavalescos e outras manifestações culturais do povo. A Praça
da Matriz o homenageia diante do casarão onde fixou residência. Os três
sobrados construídos por ele, fazem parte do patrimônio arquitetônico de
Santana do Ipanema.
Bem
vindos os forasteiros que vêm progredir e fazer progredir. Assum foi o maestro
Manoel Queirós também de Águas Belas que fundou a primeira banda musical de
Santana, a Filarmônica Santa Cecília e teatro de amadores. Ainda de Águas Belas
veio a primeira professora de Santana, Maria Joaquina, casada com o primeiro
professor santanense Enéas Araújo. O tempo vai passando e as praças do Centro
Comercial vão se adaptando às novas exigências, mas seus heróis permanecem
lembrados pelos logradouros públicos, pelos escritores da terra e a memória dos
que ainda não desistiram do seu torrão.
FELIZ
NATAL A TODOS OS NOSSOS SEGUIDORES E SEGUIDORAS. NATAL SEMPRE NA VIDA DE CADA
QUAL.
Parcial
da Praça da Matriz com ornamentos natalinos. (Foto: B. Chagas).
NATAL, MANGA E CAJU Clerisvaldo B. Chagas, 17 de dezembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.628 Natal che...
NATAL,
MANGA E CAJU
Clerisvaldo
B. Chagas, 17 de dezembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.628
Natal
chegando, tempo de manga e caju em nosso Sertão. Manga nos terrenos mais
férteis, caju por todos os lugares, nas planuras e nos elevados do relevo. Vem
logo à mente os cajus doces e famosos do povoado Areias Brancas, de Santana do
Ipanema, mas as suas variedades amarela e vermelha estão presentes em todos os
municípios sertanejos. A manga é encontrada mais nas serras úmidas e conhecidas
como Gugi e Poço. As margens do Velho Chico produzem um tipo de manga natural
de muita fama, chamada “manga maria”, muito apreciada na região e no estado de
Sergipe. Atualmente chega até nós a manga da indústria que sai da irrigação com
aquele fim. As marcas que aparecem vão mudando os antigos conceitos sobre o
saboroso fruto.
Sobre
o caju, ainda encontramos o sistema de assar castanha nas fazendas e
periferias. Aquele sistema em colocar o produto numa lata velha, usar fogo de
trempe e ficar mexendo com uma vara comprida por causa do respingo do azeite.
Mas agora, amigo e amiga, depois que a medicina manda você incluir castanhas na
dieta, o preço do litro na feira tornou-se estratosférico. Ê Brasil perdido!
Caju se perde pelas fazendas e são fuçados pelos bovinos. Desperdício total.
Mas a castanha é exportada a preço de ouro. Nas visitas aos parentes, aquele
presentinho que se levava, não se inclui mais a castanha que virou relíquia. Se
é castanha do Pará, um real por unidade. Se é de caju, 25, 30 reais o litro.
Imaginem agora no Natal por quanto não está a castanha!
Quando
os escravos negros chegavam da África, seus donos os obrigavam à quarentena
contra o escorbuto sob os cajueiros do litoral. O caju é riquíssimo em vitamina
C e dele se faz várias espécies de doces, inclusive doce seco, desidratado. Uma
delícia de Maceió. Caju amarelo ou vermelho é uma fruta em que o diabético pode
chupar com segurança. Havia um grande plantio de cajueiros no município de Olho
d’Água do Casado, coisa rara. O conjunto
inteiro tem propriedades medicinais, inclusive a rapa do tronco ou dos galhos
dessa árvore de folha grande que ornamenta o solo ao cair e secar.
Sertão,
Natal, manga, caju e castanha, quanta riqueza na terra!
Louvando
nossos frutos tropicais.
CAJUS
(LOJAS PLANTEI).
O QUEBRA Clerisvaldo B. Chagas, 15/16 de dezembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.627 O quebra-queixo sempr...
O
QUEBRA
Clerisvaldo
B. Chagas, 15/16 de dezembro de 2021
Escritor
Símbolo
do Sertão Alagoano
Crônica:
2.627
O
quebra-queixo sempre foi vendido pelas ruas e feiras de Santana do Ipanema.
Quem não lembra do melhor quebra-queixo do mundo que se apresentava no Largo da
Feira. Um mundo de doce divino repleto de castanha e amendoim, tentação à gula
de meninos e adultos. Esse foi o melhor que já degustamos. Certo dia surgiu na
cidade – parece-me vindo do Poço das Trincheiras – um tipo de doce muito duro
também vendido em tabuleiro, chamado “morozilha”. No início ainda saiu tapeando
a criançada, mas dava um trabalho danado para cortar aquela massa dura, doce e
colorida, mastigar cansando os queixos e ligando nos dentes. O homem gritava o
produto pelas ruas e daí ficou conhecido com o nome do doce que vendia. Isso
não durou muito tempo e a moda desapareceu.
Logo o
doceiro do antigo quebra-queixo, não mais surgiu na feira e foi substituído por
outro doceiro que não usava amendoim e nem castanha. Não tinha muita graça, mas
havia bastante coco. Surgiu então um cabra novo aparecendo no mundo dos doces.
Era oriundo da margem direita do rio Ipanema, agradável e de voz poderosa no
grito. Berrava nas ruas de garganta limpa, sem nenhum tipo de aparelho de som.
“Quebra”! Olhe o quebra! Vitamina “B” e mel de abelha!” “Quebra”! Olhe o
“quebra”. E o danado do rapaz vendia quebra-queixo como água. Você o encontrava
a pé com seu tabuleiro por todas as ruas de Santana. Seu nome? ninguém sabia,
era somente O Quebra. Uma ocasião encontramos com o Quebra na ponte do riacho
Salgadinho entre o Bairro Domingos e Acácio e Floresta.
Quebra,
ainda novo, falou que estava aposentado e que sustentara a família inteira
vendendo doce, 40 anos na lida. Deus lhe dera a força da garganta e a coragem
para sustentar o batente. Morava algumas casas após a citada ponte onde
contemplava o Poço do Juá, mais as corridas que dava quando das grandes
enchentes do Panema. Homem de bem e trabalhador, pobre e humilde, nunca se
ouviu falar de nenhum mal feito que o desabonasse. É nessa hora que na porta passa o carrinho dos
churros usando aparelho chamativo e música que veio à lembrança do doce de
tabuleiro. Parece que estamos ouvindo o grito forte do rapaz doceiro, ecoar no
espaço:
- Quebra! Olhe o quebra! Vitamina B e mel de
abelha, quebra! Filhotinhos na escola e pai adoçando a nossa vida!
Vai de
quebra?
VENDEDOR
DE QUEBRA-QUEIXO (Crédito: Campo Grande News)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.