TOCAIAS PEDE SOCORRO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.642 Ontem (doming...

 

TOCAIAS PEDE SOCORRO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.642






Ontem (domingo), foi realizada às quatro da madrugada, uma caminhada da igreja de São Cristóvão até a Igrejinha das Tocaias, defronte a Reserva Tocaia, além do Bairro Floresta. Uma verdadeira multidão, liderada por Maria José Lírio, zeladora da igrejinha, deixou a Matriz de São Cristóvão com os primeiros raios da aurora conduzindo em charola a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Além da multidão, havia carro-de-som e ambulância em direção aos confins da Floresta. A igrejinha das Tocaias, localiza-se no início da zona rural e seu pequeno terreno foi cedido pelo proprietário da Reserva Tocaia e da Fazenda Coqueiros, o agrônomo, Albertinho Agra. Entretanto ainda não foi oficializado.

A Zeladora da citada igrejinha pede socorro para reconstrução da calçada alta que foi destruída pelas últimas chuvas.  Além disso, se for feita a doação oficial do terreno (documento em cartório), a igrejinha poderá ser incorporada ao patrimônio da Paróquia de São Cristóvão.  Enquanto isso a ermida encontra-se impossibilitada de restauração e reforma, entregue apenas às mãos de uma pessoa que pede socorro à coletividade visando melhorias onde já houve tantas novenas, fontes de promessas e inúmeras graças alcançada com seu mentor, São Manoel da Paciência. Sua história foi resgatada pelo escritor Clerisvaldo B. Chagas, vencendo o tempo que separa a escravidão quando se deu ali uma emboscada onde foi morta uma senhora. A igrejinha se desenvolveu a partir de uma Santa Cruz de beira de estrada.

Apelamos para a sensibilidade do Secretário da Educação e Meio Ambiente, Jorge Santana; do Diretor de Cultura, Robson França; e da Prefeita Christiane Bulhões, no sentido de um “chega juntos” à luta de dona Maria José Lírio, à Rua Joel Marques, bem defronte à Pracinha do Amor. A Igrejinha das Tocaias tradição religiosa e turística necessita restaurar sua calçada alta, um amplo compartimento para ex-votos, um lugar adequado, tipo escritório para A Administração. A ridícula cerca de arame farpado e porteira que a protegem poderiam ser substituídas por coisa mais decente. Esse episódio de mais de duzentos anos da história santanense não pode ficar entregue às intempéries e ao desprezo. Vamos voltar às novenas de outrora e à seriedade das coisas sagradas da nossa terra.

A ermida das Tocaias pede socorro!  

RUMO ÀS TOCAIAS (FOTOS: MARIA JOSÉ LÍRIO). IGREJINHA (FOTO: B. CHAGAS).

 

  CISP TIPO 3 Clerisvaldo B. Chagas, 14 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.641   Quando o governado...

 

CISP TIPO 3

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.641




 

Quando o governador Renan Filho anunciou a construção do CISP 3, em Santana do Ipanema, anunciava como o primeiro desse tipo em Alagoas.  O CISP tipo 3, permite que estejam abrigados no prédio ao mesmo tempo, Polícia Civil, Militar e Corpo de Bombeiros. O investimento, segundo sites noticiosos será de mais de 18 milhões num prédio novo que não foi divulgado o local ainda.  Um heliponto será construído para utilização de aeronaves para Santana e região. Tudo isso faz lembrar a história militar em Santana do Ipanema com a Cadeia Velha, fundada no tempo de vila à Rua Nilo Peçanha que antecede a Rua Antônio Tavares. Cadeia Velha que funcionava como Cadeia, Necrotério, Delegacia e ponto de venda de escravos. Uma história segura de Santana do Ipanema.

Quando foi construído o prédio, moderno para a época, para funcionar a Delegacia e algumas celas, foi demolida a Cadeia Velha da Rua Nilo Peçanha. A Delegacia fora construída no lugar chamado Aterro e ficava praticamente isolada, salvo os antigos cabarés um pouco mais abaixo da rodagem que hoje é asfaltada e tem nome de BR-316. Pela municipalidade esse trecho é denominado Pancrácio Rocha. A delegacia tem inúmeras história e atualmente virou Casa de Custódia. Nos últimos anos algumas reformas ali aconteceram e, pelo menos o aspecto externo tem mesmo aparência com a época atual.

É a evolução da história militar em Santana do Ipanema. Os antigos policiais dos primeiros tempos daquela delegacia ainda são lembrados, como Gonçalo, Joaquim Soldado, Dema e outros mais que passaram os dias de aposentadoria em reuniões diária na porta da igreja Matriz de Senhora Santana. Portanto, O CISP 3 será uma ótima notícia para os que fazem a Segurança Pública, uma grande evolução para Santana e um bárbaro anúncio para a economia local. Baseado num amigo empresário bem sucedido que só pensa em dinheiro as 24 horas do dia, além do investimento inicial de mais de 18 milhões, ainda tem a força de uma repartição pública estadual despejando dinheiro todos os dias e as mensalidades circulando pelo comércio local. Todo mundo pegando em dinheiro.  Se isto não representar progresso para a Rainha do Sertão, não sei mais o que seria esse progresso.

DELEGACIA DO ATERRO EM 2013. FUNDADA EM 1973 (FOTO: B.CHAGAS/LIVRO 230).

 

 

 

 

  CASACA-DE-COURO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2;640   O dia amanheceu ...

 

CASACA-DE-COURO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2;640


 

O dia amanheceu muito bonito, céu azul claro com nuvens esparsas, apesar da temperatura desse período que atinge os 36 graus, caindo à noite até os 24. Uma diferença enorme de variação térmica, que racha facilmente as pedras mais resistentes do Sertão. Mas, parecia que alguma coisa boa iria acontecer, era uma algazarra enorme da passarada. Passou nos ares um bando fazendo alarido de alegria. Os pássaros da rua responderam em coro e depois os pardais escoltaram uma solitária rolinha a catar pequenas pedras na rua. Se eu fosse viciado em jogo de bicho e na roda tivesse “passarinho”, seria a ocasião perfeita para jogar. Pois, ainda a vizinhança coloca um forró de Jacson do Pandeiro que dá um show sobre a casaca de couro, você já ouviu?

A casaca de couro (família Furnarildae) é ave passeriforme endêmica do Nordeste brasileiro. Sua plumagem é de um amarelo cremoso muito bonito e tem como atração o seu ninho de todos os tipos de garrancho que chama atenção de longe. O seu canto também é muito atrativo pois canta em dueto como se uma delas cantasse e outra respondesse. Escute o Jacson que você entenderá melhor. Ah, foi ali nas minhas andanças pela zona rural, no sítio Icó, em Santana do Ipanema, bem perto do conhecido Campo de Aviação que eu conheci as três atrações: a ave, o canto e o ninho. Terreno de barro vermelho, amplo terreiro limpo e plano... Cadê vontade de ir embora, preso por aquele espetáculo para turista. Sertão é mesmo coisa de Deus!

O sítio Icó fica a 6 km do centro de Santana do Ipanema. Icó significa arbusto ou árvore arbustiva, porém venenosa e que os cavalares não podem comer. Não são poucos os que falam erradamente, Incó. Pois, ali no Icó senti-me bem à vontade na casa de fazenda de Dona Maria, conhecida como fabricante artesanal de queijos. Fiquei tão distraído que não tentei saber se por ali ainda se podia ver um pé da planta que dá nome ao sítio. Também, com o espetáculo das casaca-de-couro e a beleza do lugar!... Pela noite não sei que todo sítio nas trevas é esquerdo, mas naquela hora senti que seria um grande privilégio morar naquele paraíso. Desculpem amigo e amiga, se não gostam do tema, mas não pude resistir à crônica porque o dia estava muito profundo para os passarinhos.

NINHO DE CASACA-DE-COURO. (CRÉDITO: WIKI AVES/LUIZ GONZAGA).