VISITEI O BAIRRO ISNALDO BULHÕES Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.649   ...

 

VISITEI O BAIRRO ISNALDO BULHÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.649


 

Na primeira curva da AL-120, Santana do Ipanema – Olho d’Água das Flores, era destaque uma granja que produzia mais de 2.500 ovos/dia. Limite entre a zona rural e urbana a citada granja pertencia ao senhor Milton dos Anjos, apontada por todos como a “granja de Seu Milton”. O local, segundo a embalagem do produto, chamava-se Lagoa do Mato. Um grande empreendimento para Santana e região, sem nenhuma dúvida. Mas as circunstâncias não permitiram a continuação do negócio e o terreno da granja foi vendido ao Loteamento Colorado, um núcleo residencial previsto para 800 residências, inclusive com estabelecimentos comerciais mais próximos à pista. Os lotes foram escalonados por ruas desde às margens da AL-120 até uma altura de 340 metro de altitude. Uma interessante colina antes escondida pelo matagal que cercava a granja.

O Loteamento colorado já construiu mais de cem residências, a maioria com arquitetura futurista de telhado embutido. Muitas construções ainda estão sendo feitas, porém, antecipadamente o local ganhou status de bairro com o nome Isnaldo Bulhões. Salvo a pista AL-120, o novo bairro é totalmente margeado por terras de fazenda. No topo da colina, a última rua só tem um lado, o outro é uma faixa de terra natural ajardinada de construção proibida. A paisagem é de tirar o fôlego. À noite, de um lado, inúmeros sítios iluminados. Do outro, o centro de Santana a piscar suas luzes lá embaixo. É de se passar uma noite só contemplando a paisagem paradisíaca. O Bairro Isnaldo Bulhões, calçado com pedras, é agora a nova elite santanense que sonha com pavimentação asfáltica.

Ainda aparecem cobras, lagartos, formigas pretas, corujas buraqueiras e pássaros diversos tal o quero-quero. Eis aí o histórico do bairro mais recente de Santana do Ipanema.  Na parte de baixo, ao lado da pista, encontramos restaurante, churrascaria, posto de gasolina, Loja de material de construção e o IFAL (Instituto Federal de Alagoas).  Agora a margem direita do rio Ipanema ficou assim, de Oeste a Leste, isto é, das imediações do Hospital da Cajarana à saída para Olho d’Água das Flores, Bairros: Paulo Ferreira (antigo Floresta), Domingos Acácio, Santa Quitéria, Santo Antônio e Isnaldo Bulhões.

PAISAGEM VISTA DA ÚLTIMA RUA, TOPO DA COLINA DO BAIRRO ISNALDO BULHÕES (FOTO: ÂNGELO RODRIGUES).

  A NOVELA DO CANAL Clerisvaldo B. Chagas, 25/26 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.648   Muito boa...

 

A NOVELA DO CANAL

Clerisvaldo B. Chagas, 25/26 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.648




 

Muito boa a notícia de continuidade da grande obra hídrica de Alagoas, o Canal do Sertão. Estamos nos arrastando ainda pelos municípios sertanejos quando na realidade o previsto é para se chegar até Arapiraca, vencendo 250 km de Canal. O próximo trecho previsto deverá vencer os municípios de São José da Tapera, Olho d’Água das Flores e Monteirópolis. Para sair do Sertão e entrar no Agreste, ainda falta muita obra. Ao encerrar o trecho acima que nem começou, ficará faltando ainda Jacaré dos Homens, Batalha e Jaramataia. Pelo menos dentro totalmente do Sertão já estará de bom tamanho. Jaramataia representa a divisória entre Sertão e Agreste e que pelo visto vai demorar e muito para receber o benefício da sua passagem por ali.

A novela parece interminável. Morre o burro e o dono do burro e esse canal não sai do Sertão. Mas não se pode negar o serviço de engenharia brasileira no projeto. Rasgar a terra para fazer um canal deste porte é como se estivesse fazendo um rio novo brotar nas terras sofridas do Nordeste. Túneis, pontes e outros babados são coisas de uma das mais avançadas engenharias do mundo, isso não se pode negar. Porém, o aproveitamento das suas águas, o que foi feito até agora com elas. O resultado concreto do uso do canal, chega com timidez e não dá nenhuma firmeza ao povo sertanejo. Uma obra desse porte era para sair satisfações todos os dias. Muitas vezes o silêncio é tão grande que parece não existir canal algum. E você o que acha?

Como dizia o pro. Ivan Fernandes (Geografia de Alagoas-anos 60) a região da Bacia Leiteira, Batalha, foi artificialmente “transformada num sertão agrestado”.  Timidamente ou imperioso o Canal do Sertão ao passar por ali, poderá trazer uma transformação espetacular com boa administração das águas e planejamento no agronegócio. Tudo sobre o Canal do Sertão é grandioso, bem como será a região beneficiada com pés no chão e tino futurista. E por ali onde o rio Ipanema reina absoluto, verá suas águas despejadas no São Francisco de volta pelas calhas do Canal. Torcer, meu camarada, torcer para que tudo dê certo. Queremos um Sertão próspero, rico e feliz. Nossos netos muito agradecerão.

CANAL DO SERTÃO (CRÉDITO: SEINFRA, ALCOM/ARQUIVO).

  OS JACUS DA ESCOLINHA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.647   Como tud...

 

OS JACUS DA ESCOLINHA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.647



 

Como tudo se coloca na Internet, o jacu está sempre aparecendo para quem quer pesquisar. Trata-se de uma ave do gênero cruciformes e com suas 15 espécies são encontradas na América Central e América do Sul. Gosta de áreas de florestas e seu nome jacu ou cujá significa comedor de grãos. O povo sempre complementa o nome das espécies de variadíssimas maneiras. O bairro de Maceió, por exemplo, chamado Farol, antigamente era chamado Alto do Jacutinga. Nunca me deparei com um jacu em carne e osso. Bicho geralmente preto do tamanho de um pavão, mas de cores variadas na plumagem, conforme a espécie.  Entretanto na escolinha onde fiz exame de Admissão ao Ginásio, a professora particular Helena Oliveira, parecia entender muito bem desse animal.

Tudo que eu sabia a respeito da ave era sobre uma caçada que as pessoas do alto sertão faziram e nada mais. Nem mesmo soube se a sua carne selvagem era saborosa ou não. Mas na escolinha quando o aluno apresentava à professora sua redação, tinha sempre uma resposta igual da falta de paciência: “Essa redação está mais parecendo com uma cagada de jacu”. Pessoalmente, nunca gostei da palavra “cagada” e sempre uso um termo mais civilizado. Mas na escolinha quem não tinha letra boa, ia para “jacutância”.

Falam que quando o Jacu se aproxima de uma residência rural, quer participar da ração de grão jogadas no terreiro para as galinhas e semelhantes. Se alguém não o espantar poderá ir ficando e ganhando terreno no criatório doméstico. Mas, quase todo animal selvagem faz isso desde que haja cumplicidade com o zelador. Sempre que eu me dirigia para o povoado Pedra d’Água dos Alexandres, passava no terreiro de uma casa que mantinha uma seriema cantadeira criada com outros animais da fazenda, aproximadamente no sítio Morcego. Ora, seriema é predadora de serpentes e não bem vista por maus presságios sobre a seca. E se ela pode, por que o Jacu não pode! Infelizmente esses animais maiores estão ficando cada vez mais raro encontra-los na Natureza. O bicho homem é um exterminador nato.

Você gostaria de criar um Jacu no seu apartamento?

JACU (FOTO DE AUTOR NÃO IDENTIFICADO).