SÃO BRAZ Clerisvaldo B. Chagas, 6 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica:2.838   São Braz foi médico, ...

 

SÃO BRAZ

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de fevereiro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:2.838

 



São Braz foi médico, padre, bispo e mártir da Igreja. A devoção popular a São Braz que nasceu e viveu na Armênia, também tem lugar em Alagoas, tanto em famílias específicas quanto no coletivo do município ribeirinho do São Francisco, São Brás. Embora seja padroeiro de tantas coisas, o santo é mais lembrado como o protetor da garganta contra os seus males. Isto devido – quando ia para o martírio – ter curado uma criança de colo que estava morrendo devido a uma espinha de peixe atravessada na garganta. Havia sido um pedido da mãe da criança que ficou boa (a criança) após oração do bispo. Ainda hoje no mundo sertanejo se grita por São Braz quando alguém se engasga até mesmo com água. E na própria Igreja tem a bênção da garganta e a evocação ao santo protetor.

Existe até a brincadeira em que na hora do engasgue simples, pessoa que está por perto exclama e até bate nas costas da engasgada: “São Braz, São Braz, na panela tem mais...!”, insinuando também gulodice na comida.

Em Alagoas, a cidade de São Braz já pertenceu a sua vizinha Porto Real de Colégio e levou bastante reveses políticos e jurídicos para alcançar definitivamente a sua emancipação. A região de núcleo Arapiraca, tem na cidade de São Brás, o acesso mais próximo às praias de água doce do rio São Francisco, diferentemente da nossa Santana do Ipanema, cujas praias fluviais se baseiam principalmente nas das cidades Piranhas ou Pão de Açúcar, distante uma da outra e que são alcançadas por rodovias distintas a partir de Olho d’Água das Flores, entroncamento. O município de São Brás, recebeu a sua denominação após crianças encontrarem em uma ilha próxima, a imagem do santo protetor da garganta. A comoção foi tanta que a proposta do nome foi aceita. (temos uma tese sobre essa descoberta no livro “Barra do Panema, um Povoado Alagoano”, ainda inédito.

E assim, segundo a literatura do santo, São Braz é ainda protetor dos otorrinolaringologistas, dos pecuaristas e das atividades agrícolas. O homem de Sebaste, Armênia, tinha muita fé e curava as pessoas no corpo e na alma. Quanto ao São Brás no rio São Francisco, ainda alimentamos a esperança de conhecê-la, assim como a cidade de Traipu.

Afinal, São Brás com “S” ou São Brás com “Z”, continua tratando da garganta dos seus seguidores.

 

 

  O CANAL DOS SACRIFÍCIOS Clerisvaldo B. Chagas, 2/3 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.836   Dep...

 

O CANAL DOS SACRIFÍCIOS

Clerisvaldo B. Chagas, 2/3 de fevereiro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.836



 

Depois de longo silêncio à população, políticos voltam a falar do “Canal dos Sacrifícios”. Iniciado no século XX não temos a menor previsão em que século será concluído. Um canal planejado para sertão e agreste, ainda não conseguiu deixar o sertão e ainda estar “batendo fava” no município de São José da Tapera. Ainda faltam os municípios de Olho d’Água das Flores, Monteirópolis, Jacaré dos Homens, Batalha e Jaramataia para poder adentrar à região agrestina rumo a Arapiraca, ponto final do projeto. No Brasil as coisas são assim “todas atrapaiadas”, como diz o homem sertanejo. Essa pouca, mínima, esquecida divulgação faz muito mal para o crédito popular. Tem que haver uma divulgação constante de tão bilionária obra, pelo menos de como estar sendo aproveitado todo o trecho concluído.

Diferente de países sérios, uma obra de envergadura dessa, seria um projeto de governo que não deveria sofrer paralisação, ações negativas de dirigentes a mercê do sabor político. O Canal do Sertão, a quem chamamos Canal dos Sacrifícios, poderia transformar o pequeno estado de Alagoas, em uma verdadeira Califórnia,  mas pelo andar da carruagem... E que carruagem! Será que os cavalos brancos e possantes do “reino” foram substituídos por jumentos nordestinos? Você já viu aquela música que fala entre tapas e beijos? Será que foi feita inspirada no Canal do Sertão? Ora vai, ora para. Ora vai, ora para que nem tangedor de porco a pé. E se o Canal ainda nem saiu do Sertão, imagine quando será que o Agreste o receberá!

Quando se fala do Canal do Sertão, por outro lado, é uma obra que mexe profundamente com o orgulho nosso da engenharia brasileira. E só quem conhece de perto aquela cobra gigante furando a caatinga nos mais diferentes terrenos, correndo por dentro de túneis, por baixo de pontes e pontilhões, subindo colinas, deslizando em ladeiras emolduradas por facheiros e mandacarus, espelhando o azulado do céu na superfície serena da forma gigante, pode bater no peito e exclamar: louvada seja a inteligência do homem.

Agora, voltando a primeira face, não encontramos outro caminho de completa louvação, pelo menos até agora, nessa novela mexicana sem fim e capenga de administração 100% segura.

Que falta fazem as previsões do padre Francisco Correia!

CANAL DO SERTÃO (FOTO DO POVO).

 

 

 

 

  MUTUCA Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.835   Andar pelas trilhas ser...

 

MUTUCA

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.835

 



Andar pelas trilhas sertanejas é coisa extremamente agradável. Cada um anda com o traje que quiser, contudo, o traje adequado pode evitar muitos aborrecimentos e até coisa piores. Por exemplo, andar de bermuda não evita os riscos dos garranchos nas pernas, as urtigas e arranhões durante quedas. O não uso de botas ou calçados adequados, não livra de uma picada de cobra no pé e ou espinhos duros espalhados pelo vento. Uma calça comprida evita muitas coisas, mas outras não. O que acontece é que, na verdade andar no mato, na caatinga, nas chapadas, não é a mesma coisa de perambular pelas praias, pelas dunas... Pelas restingas. Entre as pequenas coisas que incomodam nas caminhadas sertanejas pelo matagal, é a Mutuca, principalmente em tempo de inverno e nas primeiras chuvaradas, porém, a mutuca pode incomodar a qualquer tempo.

Talvez – para você que mora na capital – nunca tenha ouvido falar sobre a mutuca. Trata-se de uma espécie de mosca gigante que se alimenta de sangue de animais e de gente também. Nas trilhas gosta muito de picar nas pernas descobertas, mas não respeita lugar para a picada. A dor é forte, duradoura e “coçadeira”. Além de ser bicho nojento, sua picada não mata, mais incomoda muito tirando o prazer da caminhada. Até mesmo na literatura cangaceira vamos encontrar a “fazenda Mutuca”, em Pernambuco, engajada na história de Virgulino Ferreira, antes de virar Rei do Cangaço. Portanto, a mutuca é mais um desencanto dos que não apreciam andar nas matas. Além disso o inseto não tem o destaque de outros segredos da caatinga. Inúmeras coisas da flora e da fauna não são divulgadas, mas que merecem muita atenção por vaqueiros, mateiros, raizeiros (garrafeiros), fazendeiro e rezadores do Sertão.

A mutuca também possui outras denominações no Nordeste, como: butuca, moscardo, motuca e tavão. Esses nomes, até desconhecido para nós, sertanejos alagoanos, não mudam em nada o seu ataque surpresa às nossas caminhadas na caatinga. Falamos acima sobre as investidas do inseto no período chuvoso quando o mato está completamente verde e fechado. A caminhada fica mais difícil e a atenção aos perigos da mata, diminuem devido a preocupação em afastar galho e folha que cruzam os caminhos. Mas no caso da mutuca, não tem como escapar se ela estiver presente. Chega feroz e pica. Dificilmente sua agilidade no tapa consegue surpreender e matar uma mutuca. Muitas vezes o inseto, devido ao seu tamanho, é até confundido com uma abelha.

É assim o nosso Sertão do Padre Cícero, Luiz Gonzaga e Lampião.

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