SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O MÊS DA GUERRA Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2023. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.847 Início de mar...
O MÊS DA GUERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2023.
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.847
Início
de março e nenhuma mudança no tempo que se assemelha totalmente a fevereiro. A
tênue claridade de um novo dia, começa, a aproximadamente quatro horas e poucos
minutos e entra na sua plenitude em torno das seis horas da manhã. O interior
das casas continua um pouco escuro, mesmo tendo amanhecido. O céu nublado faz
coro no ditado sertanejo: “bonito para chover”, mas não chove. Como já foi
dito, imita até agora o mês que passou. Difícil até tomar o Sol da manhãzinha
que só vai estar disponível total ou parcial a partir das 8 horas, ocasião em
que o leiteiro passa de moto com sua buzina de FNM. E é no pingo das 8 horas
que escancaramos o portão da rua onde tudo parece estagnado. Nem um ser humano,
nem animal doméstico, nem sequer um inseto. As árvores não se balançam e os
pássaros costumeiros sumiram completamente, dos arredores, sequer um urubu dá
sinal de vida, apenas os automóveis estacionados são vistos e mais nada.,
absolutamente nada.
Conforme
previsão dos experientes, o ano vai ser de bom inverno para o sertanejo – o que
não deixa de ser um bom consolo – mas dizem que as chuvas não serão abundantes.
Bom por um lado, preocupa por outro porque se no outono/inverno não se faz água
nos reservatórios do sertão, o pós inverno não teria água, para os bichos, a
não ser que se antecipe uma boa trovoada, mas é muito melhor viver o hoje do
que a perspectiva a longo prazo. Até porque é Nosso Senhor Jesus Cristo quem
está no comando e que vê tudo, que sabe de tudo e determina tudo. E assim o mês
de março prossegue como início dos trabalhos no Brasil como dizem alguns,
porque antes é só mesmo Carnaval. E se é verdade ou não fica no imaginário do
internauta. Aliás, março surgiu em Roma
e era o primeiro mês do ano. Significa Martius, o deus romano da guerra. A
guerra que estar acontecendo no mundo....
O
calendário indica que não estamos tão longe do outono, época em que têm inícios
as nossas chuvaradas. E se o Carnaval foi encerrado, vamos para a Quaresma,
época de muita meditação para chegarmos à Semana Santa, com mais vigor
espiritual. Com religião ou sem religião, a Semana Santa pode levar o
trabalhador ao descanso praieiro, às trilhas das chapadas ou a simples rede
doméstica que ajuda a repor as energias. Para muitos, o mês de março e o mês de
agosto, são psicologicamente os meses mais longos do ano, notável para quem
trabalha, para quem aguarda o “trocado” da repartição... Que fazer! É a vez do
deus da guerra que apesar da esquisitice dos tempos, poderá trazer para você a
vitória sobre o que tanto aguarda.
Deus
não dorme!
Quem já viu Deus dormir!
TRISTEZA NAS RUAS (FOTO: B. CHAGAS)
O COMPRADOR DE CINZAS Clerisvaldo B Chagas, 28 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.846 Homenag...
O
COMPRADOR DE CINZAS
Clerisvaldo
B Chagas, 28 de fevereiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.846
Homenagem
ao comprador de cinzas para os patrões dos curtumes de Santana do Ipanema do
século XX. Compravam cinzas, cal e cascas de angico para curtição do couro.
Jumentos e burros transportavam o material
comprado: cal e cinzas em sacos de pano e, cascas de angico em feixes amarrados
com embira. A poesia vai ser encaixada no livro “Santana, Reino do Couro e da
Sola”.
Dê
a sua opinião se a homenagem é justa. Caso não entenda o sentido de algum verso
da estrofe, indague nos comentários. Responderemos. Gratos pela leitura e
apreciação.
O
COMPRADOR DE CINZAS
Autor Clerisvaldo
B. Chagas.
O
comprador de cinza é empregado
Do
dono usurário dos curtumes
Sai à
noite com céu iluminado
Pelo
dia vagueia pelos cumes
Vão as
cinzas nos sacos encardidos
Que seus
burros transportam com firmeza
Paga a
compra dos preços discutidos
Pela
rua do rico ou da pobreza
Um
idílio na mente viageira
Do seu
rancho à trilha é transladado
Para
o casco do burro e da poeira
E se
amor de caminhos não embasa
Como a
cinza mais frágil do comprado
Mas no
rancho, não cinzas... Só a brasa.
CASO PAÇOCA Clerisvaldo B. Chagas, 28 de fevereiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.845 Continuando a pa...
CASO
PAÇOCA
Clerisvaldo
B. Chagas, 28 de fevereiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.845
Continuando
a palestra de ontem, vamos falar da paçoca que foi atrelada à matéria
apresentada. No geral, podemos dizer que a paçoca de hoje, comprada em
mercadinhos, é uma pasta básica de amendoim com farinha de milho, apresentada
em tablete tipo cocada. Pode ser uma pasta de amendoim moído ou de amendoim
inteiro grudado à massa. Isso já era costume do fabrico da paçoca caseira de
outras regiões, não da nossa, e que passou a ser industrializado. Assim leva um
susto danado, o sertanejo diante da
surpresa diferente da roça e também com nome análogo. Pois, ainda lembrando as
explicações do mais velhos, vamos novamente registrar essa curiosidade que na
época seria uma verdadeira delícia no Sertão das Alagoas.
A
paçoca – cuidado para não transformar o nome num palavrão – era feita com carne
de sol, farinha de mandioca e queijo, tudo misturado e batido num pilão de pau,
daqueles brutos feitos com madeira de lei e com, aproximadamente, 70
centímetros de altura. A batida se dava com a chamada mão de pilão, e que fazia
parte do conjunto do artefato. Essa comida delícia era mais usada nas longas
viagens a pé ou a cavalo que era o transporte da época. Quanto ao pilão era de
uso obrigatório na zona rural e com ele se fazia quase tudo, pilava café, arroz
com casca, milho e tudo mais que viesse à cabeça. O difícil era fazer o pilão
apenas com as ferramentas do período pelo artífice roceiro habilidoso. Já ouviu
falar em mulher da cintura de pilão? É coisa da época.
Assim
já vimos muitas iguarias nossas aproveitadas e transformadas pela indústria.
Bem assim são os brinquedos de pau, de mola e de pano que comprávamos nas
feiras e nos satisfaziam. As fábricas copiaram tudo e tivemos os brinquedos de
volta com novas roupagens. Quanto ao pilão de madeira bruta, também foi copiado
para miniaturas utilizadas nas cozinhas e nos enfeites de qualquer apartamento;
utilitário para pilar tempero. E mesmo assim, o tempero já vem pronto para o
uso. É por isso que existem os museus que retratam o presente para netos e
bisnetos do futuro.
Desculpe
o jeito de provocar água na boca, mas lembrar o saboroso café de pilão ou café
de caco, é coisa inevitável.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.