ABANDONO/SOLIDÃO Clerisvaldo B. Chaga, 29 de agosto de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.096   Só os mais velh...

 

ABANDONO/SOLIDÃO

Clerisvaldo B. Chaga, 29 de agosto de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.096



 

Só os mais velhos lembram quando fizeram a Cohab que depois recebeu o nome popular de COHAB Velha, em Santana do Ipanema. O bairro ainda era o Camoxinga e, ao receber a construção das casas, recebeu também um modesto grupo escolar como modesta eram também as residências construídas. O funcionamento do grupo, foi sempre muito curto através do tempo. Feio, escuro, lúgubre, o local já funcionou com mais algumas atividades. A COHAB e entorno, fora evoluindo devagar, porém, acontecendo, até que essa região virou bairro e recebeu a denominação de Bairro São José, desmembrado do Bairro Camoxinga. Não se nega a evolução do bairro, mesmo devagar. Corpo de Bombeiros, Mercadinhos, boas escolas, praça bonita, posto de saúde, Igrejinha do padroeiro, festa anual do santo...

Entretanto, o chamado “grupo da COHAB velha”, continua fechado, desprezado, escuro e lúgubre desde o seu início. Uma coisa impressionante de um tempo desprezível para a Educação. O grupo deve ter, aproximadamente 54 anos e nem para outra coisa presta. Rua estreita, deserta, prédio sujo, recanto desprezível, mas recostado por trás do belo Posto de Saúde São José. Para quem de fato ama a cidade em que nasceu, a sensibilidade bate na vontade de chorar com o desprezo e a solidão do grupo.  Um morador das imediações falou que iriam transformar o lugar... Mas, não sabemos exatamente em quê. Acompanhamos a evolução do casario, nem todo, quando seus moradores, com muito sacrifício, iam fazendo as denominadas “puxadas”, pois as casas tinham alguns metros na parte da frente.

Já a COHAB Nova, foi construída num bairro já consolidado e evolutivo que foi o Lajeiro Grande. E que fora o Colorado, é o bairro mais alto da cidade. O casario foi construído e logo com a estrutura básica de calçamento, água, luz e arborização. A parte dos fundos se tornou comércio e prestadora de serviços básicos. Mas, no entender de cada criatura o melhor para as pessoas mais humildes é a COHAB da conveniência particular. Pelo menos a nova não precisou fazer grupo ridículo, pois já havia na vizinhança a Escola Municipal Santa Sofia, bem estruturada, moderna e agradável, construída no Governo Nenoí Pinto. A foto que o leitor ver abaixo, é do dia de ontem (28.08) do mesmo jeitinho de sempre.

GRUPO (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  A FOTO DA SAUDADE Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.095   A foto abaix...

 

A FOTO DA SAUDADE

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.095

 



A foto abaixo representa trecho do Comércio de Santana do Ipanema, em torno do ano 1960. O retrato parece ter sido tirado da torre da Igreja Matriz de Senhora Santana. Vê-se da esquerda para à direita, casa de arquitetura bruta, construída pelo comerciante Tertuliano Nepomuceno. Casa alugada para diversas atividades e que o período mais famoso do edifício foi com o funcionamento do Banco do Brasil e depois com o PRODUBAN) (Banco do Estado). Vizinho, descendo o terreno inclinado, Casa O Ferrageiro, a loja de ferragens mais antiga de Santana. Vem em seguida a loja de tecidos de Adeildo Nepomuceno, Casa Vitória. Continuando, minúsculo vão onde era a oficina de relógios do consertador Getúlio e, finalmente, casa de esquina que foi loja de tecidos, casa de jogo, barbearia e outras coisas mais.

Não temos nenhuma ideia do que aconteceu com a parte esbranquiçada do primeiro plano da foto. Seria para, pelo menos mostrar um pedaço da praça que fica entre a igreja e essas casas comerciais. Entre o branco da praça e os prédios, desfila um carroceiro com a mesma elegância popular da atualidade. Preste atenção nos outros dois veículos da época. Entenda que os fundos da foto, mostra lá longe o outro lado do rio Ipanema, margem direita, ainda com grande vazio populacional. No segundo plano, isto é, no meio da fotografia, muitas pedras no leito seco do rio. Queremos dizer para os apreciadores de fotos antigas que era preciso coragem para subir a torre da Igreja Matriz de Senhora Santana, até a casa dos sinos e dali fotografar a paisagem.

Na época do cenário abaixo, ainda se encontravam fotógrafos tipo lambe-lambe, que atuavam na calçada alta da Matriz. Aguardavam clientes aos sábados e quartas, dias de feira livre, para fotografarem casamentos, batizados e outras fatos para documentos como as famosas 3X4. Foram esses fotógrafos anônimos que prestaram relevantes serviços para a posteridade da época. Foi à porta do fotógrafo fixo, Seu Antônio, Foto Sporty, que vi pela primeira vez a fotografias enorme de Corisco, em preto e branco, e a comprei. Infelizmente um padre da época, botou os fotógrafos para correr da porta da igreja. Não tendo outro ponto de trabalho os fotógrafos ou fora embora de Santana ou abandonaram a profissão. Não ficou um sequer e assim muitos e muitos fatos históricos deixaram de ser registrados

(FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO). LIVRO 230/ACERVO B. CHAGAS).

 

    OS BECOS DE SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.094   Beco é ...

 

 

OS BECOS DE SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.094

 



Beco é uma via que geralmente liga uma rua a outra. Em Maceió, talvez, o beco mais famoso entre centenas e centena deles, seja o Beco do Moeda. O Beco do Moeda liga à Rua do Sol a Rua do Comércio. É muito movimentado não tão grande, repleto de casas comerciais diversas e mais populares. Em Santana do Ipanema o beco mais famoso de todos, é o Beco de São Sebastião, que liga o Comércio à Rua Prof. Enéas. Uma tradição de mais de cem anos. Na esquina, a igreja de São Sebastião construída particularmente em torno de 1915. Porém, talvez estejam entre os cinco mais famosos do passado: o Beco de Maria Zuza, o Beco de Seu Felisdoro, o Beco da Salgadeira, o Beco de Seu Cirilo. Nenhum com atividade comercial, apenas passagens sofridas entre ruas. Um beco defronte ao outro, quase em linha reta.

O Beco de Maria Zuza, ligava a rua, hoje por trás da Câmara, à Rua Benedito Melo (Rua Nova. Barro vermelho e uma vala no meio que tínhamos que saltá-la. A denominação do beco vem de uma comerciante que morava na esquina da Rua Nova chamada Maria Zuza. O beco de Seu Felisdoro ligava a Rua Nova à Rua Antônio Tavares. Solo de terra, desgastado e com urtigas e cardinhos nos pés dos muros. Ao longo do beco, dois ou três quartinhos humildes de aluguel. Assim chamado por causa do bodegueiro de esquina na Rua nova chamado Seu Felisdoro. O Beco da Salgadeira, ligava a Rua Antônio Tavares à Rua Prof. Enéas (Rua de Zé Quirino). Na esquina, a Salgadeira, fábrica de carne de sol do senhor Otávio Magro. A partir da parte de trás da Salgadeira, muito lixo até a rua de baixo, jogado pelo povo.

O Beco de Seu Cirilo, ia da Rua Prof.  Enéas até o rio Ipanema, Ladeado de aveloz (labirinto) e muito mato. O nome vem do morador da esquina, almocreve Seu Cirilo (o último de Santana).

Não importa se o beco tem ou não casas comercias. Beco é beco, necessário em todas as cidades e povoados do mundo. Encurta distâncias, facilita a comunicação e o trânsito. Funciona como uma válvula de escape para as grandes metrópoles. Infelizmente eles são apontados como os párias das ruas. Todas as pessoas lembram de seu beco predileto. Qual é o seu?

BECO DE SÃO SEBASTIÃO (FOTO B. CHAGAS/LIVRO 230 ICONOGRÁFICO AOS 230 ANOS DE SANTANA DO IPANEMA).