SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
VOCÊ CONHECIA? Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.166 O meu Sertão al...
VOCÊ
CONHECIA?
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de
2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.166
O meu
Sertão alagoano possui um vasto vocabulário e expressões que nos motivam cada
vez mais a escrever:
Almocreve
– Tropeiro, condutor de tropas de burros.
Arataca
– Armadilha de madeira, para caçar aves, pássaros e roedores
Bambão
– Talo forte e interno da jaca que congrega os bagos.
Bacurinho
– Porco muito novo.
Barra
– Foz, lugar onde o rio despeja suas águas.
Barrão
– Porco reprodutor.
Berilo
– Grampo para cabelo feminino.
Bica –
Calha, geralmente de zinco para escorrer águas pluviais.
Bizunga
– Beija-flor, Colibri.
Bodega
– Lugar modesto onde se vende coisas para o lar como tempero, açúcar, confeito,
sal, etc.
Boró –
Cigarro de fumo de corda, grosso e mal feito.
Borrego
– Carneiro muito novo.
Bozó –
dado, pequena peça de jogo de azar numeradas nas faces de 1 a 6.
Cambão
– Peça de madeira que liga a parelha da frente à parelha de trás no carro de
boi.
Catraia
– Mulher feia, velha e desarrumada.
Colchete
- Armação de arame farpado e madeira,
molenga, que serve de porteira, sustentado para abrir e fechar por arame liso
na cabeça da madeira e de uma cerca fixa.
Divisão
– Fronteira de municípios.
Enchiqueirar
cabras – Prender os caprinos em curral específico ao cair da tarde.
Gamba,
gandaia – Baixo meretrício.
Gamela
– Objeto de madeira de forma comprida, Bacia, feita de madeira da árvore
Gameleira ou Gameleiro.
Maturi
– Caju novo, pequeno e ainda verde.
Mourão
– estaca forte e gigante que serve para amarrar touros e reforçar cercas de
estacas comuns.
Ribeira
– Rio, riacho.
Tapera
– Casa pequena e humilde.
Tangerino
– Condutor de boiadas de um lugar para outro.
Toró –
Chuva forte e rápida.
COLCHETE APOIADO NO MOURÃO
DÊNIS NO AREIA GROSSA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.165: Ontem fi...
DÊNIS
NO AREIA GROSSA
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.165:
Ontem fiz
uma visita ao famoso cantor Dênis Marques, porém, principalmente ao artista plástico
Dênis Marques. Fui encontrar o consagrado artista rodeado de seus trabalhos
artísticos, em sua maioria confeccionados a lápis. Cada trabalho representando
a sensibilidade de uma alma profundamente tocada pela luz divina. Não iremos
fazer comparações com os melhores pintores do mundo, aqueles de telas de milhões.
Mas o Dênis Marques que de vez em quando desterra a música para se reencontrar
com o lápis, com o pincel, com a folha... Com a tinta, parece redescobrir o mundo no seu
autodidatismo. Pena não termos lugar apropriado para uma exposição das suas
obras, que por certo teriam resultados retumbantes.
O
objetivo principal da visita foi convidar o artista para fazer parte de outra
obra de arte, o romance AREIA GROSSA. Não como um dos personagens fictícios ou
real dos anos 1956-1976 das imediações do Curral do Gado de Zé Quirino,
epicentro da obra literária; mas sim ser como o autor um dos apresentadores da
obra com uma coisa muito simples, mas de profundo significado para o leitor e
para a história: Um croqui artístico tirado da sua habilidade cognitiva,
aperfeiçoamento de cópia sofrida do escritor. O seu trabalho “Denístico”, será
apresentado no primeiro capítulo do romance Areia Grossa, para facilitar a
compreensão do cenário onde acontece a trama. Além disso, o livro terá o
prefácio do famigerado escritor José Ysnaldo Alves Paulo, viçosense, radicado
em Maceió. No caso, três artistas num livro só. Artes dentro das artes.
Ah,
aproveitei para solicitar música predileta do momento, “Abandono”, com Altemar
Dutra, coisa que o Dênis somente conhecia com Roberto Carlos. Prometeu-me
cantá-la no próximo lançamento de livros – que será em breve – de acordo com a
nossa tradição em que o festejado cantor está sempre animando o nosso público,
leitores que procuram se deliciar com as letras. E assim, vamos articulando
novidades para apresentações em janeiro e no decorrer do ano que se inicia. Até
porque, nós os artistas das letras, do pincel, das melodias, bebíamos sempre a
mesma água das cacimbas do rio Ipanema, porém em várias edições. Tudo na fila
para lançamento: “Padre Cícero, 100 Milagres Nordestinos”, “Ouro
da Abelhas”, “Papo Amarelo”, “Deuses de Mandacaru”, “Fazenda Lajeado”.
VEM?
DÊNIS
MARQUES E SEU SHOW NA LAGOA DO PAU,
CORURIPE, AL.
BÊNÇÃO NA SIMPLICIDADE Clerisvaldo B. Chagas, 8 de janeiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.164 ...
BÊNÇÃO
NA SIMPLICIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de janeiro de
2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.164
No meu Sertão alagoano, vamos entrar no mundo
do gado. Uma satisfação enorme que toma conta do homem simples que conduz o
carro de boi, o arado puxado a garrotes, a compra na feira de uma junta para
tarefas de responsabilidades. O sertanejo quer, na linguagem dele, uma parelha
ou uma “pareia” para determinados fins.
Uma “pareia”, significa dois garrotes ou dois bois adultos que sejam
iguais no tamanho e na beleza. Pode ser um garrote preto com um garrote branco,
vermelho, pintado... Desde que seja do
mesmo tamanho, do mesmo formato, da mesma idade. Mas, a preferência mesmo é que
sejam da mesma cor, tamanho, idade e formato. Isto é, que não sejam, mas
pareçam gêmeos.
Pense na felicidade do homem humilde quando
encontra a dupla que procurava, juntamente para as condições que seu bolso pode
pagar. No Sertão é assim, uma apoteose interna quando surgem essas oportunidades,
de quem vive do ramo e o valor imensurável para o descobridor da roça. E se
aquela parelha comprada, estar na labuta da limpeza roceira, ou estreando no
carro de boi, é de se imaginas os elogios dos entendidos que passam na estrada
e param para apreciar. Entretanto, quem compra a “pareia” com todas as
características físicas e à vista, pode até se frustrar com algo que lhe foge
dos sentidos, porque só experimentando. É que um dos bois pode ser “ronceiro”.
E boi ronceiro é aquele boi manhoso que se escora no cambão para que o peso do
carro seja puxado quase totalmente pelo companheiro.
Mas também podemos entrar no mundo dos
repentistas, mesmo dos analfabetos, porque a poesia não depende de diploma. Um
desses roceiros de veia poética, disse para um cidadão, em forma de repente e
considerado uma sextilha simples, humilde, porém muito grande na criatividade:
Moço me dê um dinheiro
Pra comprar um boi pra eu
De dois que eu tinha no carro
Um veio a cobra e mordeu
Mas eu quero botar outro
No lugar do que morreu.
Dizer mais o quê?
‘PARÊIA (STOCK).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.