SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
LAGOA DO JUNCO Clerisvaldo B. Chagas, 19 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.192 Lagoa do Junc...
LAGOA
DO JUNCO
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de fevereiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.192
Lagoa do Junco era um antigo bairro de Santana
do Ipanema, de uma pobreza de fazer dó. Também era conhecido pelo bairro dos Quebradores de Pedra, tendo em vista a
atividade única de pessoas que quebravam pedra para transformá-las em
paralelepípedos a serem vendido, notadamente às prefeituras da região. Depois
que o cidadão Marcos Davi, loteou grande partes daquelas terras, construções e
mais construções foram surgindo a ponto do bairro, hoje, achar-se vestido a
rigor. Situado na entrada Leste da cidade, é o primeiro bairro a ser avistado
para quem chega de Maceió. Hoje a Lagoa
do Junco, antes o primo pobre, dispõe de escola modelo, Complexo da Justiça,
UNEAL, brevemente o IFAL, CISP 3 e logo, logo a feira semanal dos sábados
estará se mudado do Comércio para lá. A estrutura já foi preparada. O antigo
Açude do Bode, construído na era 50 pelo DNOCS, continua sendo a mais antiga
atração turística do bairro transformado.
O importante mesmo é que o Bairro Lagoa do
Junco, está virando vitrina, cheio de edifícios modernos e condizentes com as
novas arquiteturas, mudando radicalmente o aspecto do passado para um lugar
incrivelmente futurista. A tendência do bairro agora, é crescer, crescer e
crescer sem parar, pois, empreendimentos atraem empreendimentos e, apesar de
local acidentado pela metade, sua geografia voltada para a saída à capital e a
presença da BR-316 cortando a sua área em duas, ajuda no impulsionamento
planejado ou espontâneo.
O novo Bairro Lagoa do Junco, poderá se
expandir em três direções seguintes: Para o Sul, com limitações até o lugar
Maniçoba/Bebedouro, margem do rio Ipanema. Em direção Norte, seguindo para as
imediações do Açude Bode ou em rumo Leste, procurando o povoado Areias Brancas,
quando 12 quilômetros de terras poderiam ser ocupados. (Tudo zona rural). A
vizinhança Oeste já está completamente ocupada com o Bairro São Vicente que se
expandiu formidavelmente e com o Corredor pela BR-316, ligação com o Bairro
Monumento. Vale salientar, entretanto,
que todos os bairros entrada-saida, de Santana, nos Quatro Pontos Cardeais, se
expandiram. Exemplo recente também é a ligação da AL120 com a BR-310, que
estará formando novos bairros. Está a ligação, sendo trabalhada.
ESSER (UNEAL) EM 2013. LAGOA DO JUNCO. FOTO: B.
CHAGAS/LIVRO 230).
HISTÓRIA VIVA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.191 Você é santane...
HISTÓRIA
VIVA
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de fevereiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.191
Você é santanense? Você está em que lugar do
Brasil? São Paulo, Minas, Goiás, Maceió, Recife...? Vamos chorar juntos com a
foto abaixo. Lembra de alguma coisa? Quer ajuda? A presente foto representa
parcial do Comércio de Santana do Ipanema, na década 1970. De pronto, vemos o
maior prédio de todos, representando o cine-Alvorada, cinema de altíssimo luxo,
pertencente ao meu padrinho, saudoso lojista e empresário Tibúrcio Soares. À
direita do cine, subindo à rua, a Casa de Jogo de Luís Lira (Lirinha). Último
prédio à direita, armazém de compra e venda de couro de Jacó Nobre, com
gerência de Tonho Baixinho. Prédios à esquerda do cine: A Triunfante, casa
comercial, armarinho, do senhor Manoel Constantino. Último prédio à esquerda,
descendo: Café Santo Antônio, de Seu Antônio Pacifico.
Vê-se um jipe marca Willys estacionado na Praça
Cel. Manoel Rodrigues da Rocha. E, finalmente, a parcial da Praça acima,
reformada radicalmente na gestão Henaldo Bulhões Barros. O cine Alvorada foi construído para
substituir o cine-Glória, situado perto da prefeitura e hoje prédio comercial.
Naturalmente esta paisagem acha-se muito modificada. O edifício do cine é casa
comercial, o armazém é loja de tecidos, a Triunfante é agora uma galeria e.
somente continua como antes o Café Santo Antônio. São mais de cinquenta anos de
história representados na foto. Não deu para lermos o primeiro nome do filme em
cartaz, porém, o restante fala em ... POR VINGANÇA. O Cinema, o teatro, os
clubes, os que não fecharam com o advento de Diversão em Casa, estão fechando
agora, chegam notícias.
As primeiras grandes modificações no Comércio
de Santana foram justamente dos anos 70 aos 80.
Houve depois um período de lentidão e novo aceleramento. Casas e mais
casas comerciais ou residenciais, foram quase, freneticamente, vendidas para
remodelações totais ou parciais para comerciantes de outras cidades. Modernizou-se,
está muito bonito, embora ainda se encontre certa resistência tantos em uma ou
outra antiga residência ou em prédio mais antigo. É o Comércio mais bonito de
Alagoas, embora não se tenha tudo que se procura, mas também os mais adiantados
de outras plagas, sempre tem alguma coisa a desejar. E se você está fora há
mais de 10 anos, quanta diferença!
SANTANA ANOS 70 (FOTO:DOMÍNIO PÚBLICO/ACERVO DO
AUTOR).
CAVEIRÃO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.190 Neubens Mariano, Ar...
CAVEIRÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.190
Neubens
Mariano, Arquimedes, Demóstenes, Galego Bigula, José Vieira, Vanúzia, Serra
Negra, Edson... Foram meus colegas na
escolinha de Dona Helena Oliveira. A princípio na Rua Martins Vieira e depois
na Calçada Alta da Ponte do Padre. Escolinha preparatória para o Admissão ao
Ginásio. Funcionando pela manhã, a lição não aprendida levava ao castigo de não
liberação até depois do expediente. A palmatória robusta estava em voga, bem
como uma grossa régua de bater nas coxas, nas pernas... Costumeiramente ficávamos de castigo, passando
da hora do almoço. Meu colega Edson, magro, alto, de idade mais avançada em
relação a nós, nada aprendia e ficava conosco na ressaca das aulas. Isso dava
motivo ao marido de Dona Helena, Celestino Chagas, ao chegar do trabalho, pegar
um sax, tocar e inventar cantiga com o Edson;
Caveirão eu quero ver
Os grilos cantando dentro
Caveirão eu quero ver
Os grilos cantando dentro.
Edson, coitado, tão humilde, somente esboçava
ares de riso. Passou a ser apelidado Edson
Caveirão. Era filho de outra criatura mais humilde ainda, o marceneiro Seu
Lourival, que morava e trabalhava na rua por trás da Algodoeira do Senhor
Domício Silva, no Comércio. Era o único profissional que eu conheci que fazia
ancoretas para transporte de água em jumento e, ancoretas pequenas artesanais
de imburana-de-cheiro para os apreciadores de cachaça perfumada.
Neubens Mariano, sempre a soprar as mãos suadas;
Arquimedes e Demóstenes, sempre fazendo presepadas dentro e fora da escola;
Galego Bigula gazeando para jogar sinuca no salão de Zé Galego; José Vieira,
vindo de Senador Rui Palmeira, ensinando a nós todos; Vanúzia de Seu Gervásio,
bonita, cobiçada e indiferente; Serra Negra, o Serrinha, parceiro das cocadas
de leite, compradas no bar de Zé Vieira, vizinho a igreja de São Sebastião (as
melhores que já comi na vida. Dizem que eram feitas pela esposa do senhor José
Malta); E de Edson Caveirão, muita pena. De todos eles só sei do paradeiro de
Neubens Mariano, aposentado da Justiça, em Maceió e colecionador de todas as
minhas publicações.
O restante, saudade! Muitas saudades! Por onde
andarão?
CALÇADA ALTA DA PONTE (Domínio Público/acervo
do autor).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.