SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
AS ENCOSTAS DO RIO IPANEMA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.216 Há qu...
AS
ENCOSTAS DO RIO IPANEMA
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.216
Há quarenta anos, o engenheiro apelidado Cutia e o contador Hamilton Melo, resolveram
construir um conjunto residencial numa baixada às margens do rio Ipanema. O
empreendimento financiado pela Caixa, constava de 18 casas divididas em duas
ruas perpendiculares ao rio. O conjunto residencial recebeu o título oficial de
Conjunto São João, mas logo um dos moradores colocou o apelido de Baixada
Fluminense e que assim ficou mais conhecido. Escolhi a segunda rua e a casa de
número 18, com frente para o Nascente. Lutas e lutas à parte, o lugar que era
Bairro Camoxinga, foi desmembrado e hoje faz parte do Bairro São José. Como o
terreno é baixo, não temos muito como estirar a vista e apreciar belíssimas
paisagens de Santana do Ipanema. A única opção é olharmos para o lugar altos de
encostas do outro lado do rio e que flui para o Hospital Regional ou para a
serra da Remetedeira.
As encostas se iniciam na parte baixa do Bairro
Paulo Ferreira e vai subindo numa ladeira longa, onde quase no topo se encontra
o Hospital Regional e continua subindo em direção à serra da Remetedeira. Vista
de cima das barreiras, surgem cenários belíssimos. Mas quem está no Conjunto
São João, na parte mais baixa, não avista o grande movimento de veículos por
cima das barreiras até o hospital e mais. Porém, avistamos uma bela floresta
natural nas encostas, em tempo de chuvas. O mato se fecha e o verde toma conta
de todo o espaço que vai do rio às primeiras casas lá de cima. Agradecemos à
Natureza esse pulmão verde e aos homens que ainda não resolveram desmatar tudo.
Na estiagem, o verde vai embora, essa vegetação
fica rala, transparente, mostrando detalhes dos terrenos. Às vezes fica seca,
crestada e, serve para medir a intensidade dos estragos pelas zonas rurais. É
ali em trecho das encostas que chegam anualmente as garças pantaneiras fazendo
seus ninhais e base de caçadas pelos arredores. É dali que incursionam em nossa
rua aves como rolinhas, bem-te-vis e anuns, principalmente. Pois assim, se não
temos um privilégio, temos outro diferente, mas temos. No restante, o Conjunto São João parece
urbano, parece rural. Na proximidade, escritor, cantor e artista plástico.
Ô beira de Panema!!!
SEGUNDA RUA DO CONJUNTO SÃO JOÃO (FOTO B.
CHAGAS).
COMÉRCIO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.215 Continuando sua vocação...
COMÉRCIO
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.215
Continuando sua vocação para
comércio desde os remotos tempos de vila, essa atividade se expande, engolindo
rua e ruas tradicionalmente residenciais. Qualquer cidadã, qualquer cidadão
pode notar transformações na terra em que nasceu e vive, porém, vejo isso com
um olhar da vocação geográfica. Foi assim que aproveitando a procura por um
objeto de construção, terminei numa inspeção pela Rua Tertuliano Nepomuceno, a
primeira rua dos antigos cabarés de Santana. Rua que se inicia no Beco do
Mercado de Carnes e se estende até a Ponte do Colégio Estadual Prof. Mileno
Ferreira, passando pelo viaduto do Aterro na BR-316. Aos sábados, esta rua faz parte extensiva da feira livre. A
princípio foi afastando os cabarés para os lados do Bairro que se iniciava,
Artur Moraes sempre tangendo as casas de prostituição definitivamente para o
Aterro.
E essa rua de cabarés, de
bares, de boêmios, foi aos poucos cedendo lugar ao pequeno comércio, engolindo
as residências e as transformando em barbearia, casas de construção, artigos de
couro, mercadinhos, casas de móveis, artesanato, lanches, quitandas e muito
mais. Era também no início desta rua onde se compravam chapéus de palha, abanos,
esteiras, panelas de barro, porcos e galináceos e que até já foi chamada Rua
dos Porcos. Já no Aterro, os cabarés após décadas de apogeu, entraram em
decadência, dizem que pelo sistema de namoro avançado da modernidade. Tem
também residências normais, casas de comércio e feira complementar como a
chamada Feira do Rolo.
Mas, conversando com antigo
morador da Rua Benedito Melo, Rua Nova, também tenho a mesma notícia: a antiga
rua de residências da classe média e impensável para negócios mais profundos,
vai no mesmo processo da Rua Tertuliano Nepomuceno. Casas antigas sendo
vendidas e comércio pequeno e médio e até grande, vão apagando a Rua Nova em
que você viveu e conheceu. Esses fenômenos sociais urbanos me fizeram
classificar - há cerca de dois anos –
três áreas comerciais em Santana do Ipanema e que
estão se interligando com o Centro através de
corredores. Quem vai saindo dessas ruas, vai agora procurar conjuntos,
loteamentos, condomínios nas periferias onde estão sendo formados novos bairros.
Só não entendi ainda porque a
cidade não passa de 49.000 habitantes nas contagens oficiais?
RUA TERTULIANO (FOTO B.
CHAGAS).
CIGARRO ASTÓRIA Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.214 Conheci muitos f...
CIGARRO
ASTÓRIA
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.214
Conheci muitos fumantes. Conheci muitos
pedintes de cigarros. Os pedintes não compravam cigarros. Ou para não gastar
dinheiro ou não disparar no vício, pediam cigarro esporádico a fumantes. Nunca
vi nenhum fumante negar um cigarro a quem pedia, fosse quem fosse. Era como uma
compreensão tácita do vício. Sim, os pedintes constantes se não irritavam o
fumante, pelo menos deixava-o a se prevenir fazendo manobras. Nos anos
sessenta, setenta, o cigarro mais cobiçado era o de marca Continental. Havia a
marca hollywood, mais cara e, a marca Astória, mais barata. As cores, pela
ordem acima eram azul-mortiço, vermelha e amarela. Mas também surgiram outras
marcas que não tiveram tanto êxito com a concorrência: Urca, Iolanda, Fio de
Ouro, Minister... E o próprio fumo de rolo que se sofisticava e passava a ser
vendido em pequenas embalagens plásticas, já picotado.
Meu bom amigo, saudoso Francisco de Assis,
vendia quadros feitos na vidraçaria do também saudoso Gileno Carvalho. (A
memória de Francisco, dediquei meu primeiro romance, Ribeira do Panema). Chico
era fumante e usava o cigarro Continental.
Mas como não se pode negar um cigarro, ele me disse que meu maço de cigarros Continental, carrego
escondido no bolso da bunda; o maço de cigarros Astória, vai à mostra no bolso
da camisa; para o pidão, digo: só tenho Astória, quer? O pidão não recusava
o cigarro mais forte e mais barato. De
graça, fala o povo: até injeção na testa. Estar entendendo, não é?
A vida é muito engraçada. Tem aqueles que nós
os consideramos amigos bons, verdadeiros. A estes se tivéssemos condições, com
seus pedidos só o serviríamos com cigarros Continental, um cigarro, uma
carteira, um maço e até a fábrica toda porque em nossa análise íntima ele nos
merece. Ah! E aquele “troncho”, “serrão”, invejoso e aproveitador? O que
faríamos com ele? Uma lição de moral não resolveria nada. Seguindo a filosofia
de Francisco de Assim, em ocasiões de outros carnavais, os falsos, os traidores, os invejosos, os inimigos
disfarçados...Talvez não valessem nem mesmo um simples gesto de cortesia com o
cigarro Astória.
CIGARRO ASTÓRIA

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.