OUTRO AMANHECER Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   O dia recusou a am...

 

OUTRO AMANHECER

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



O dia recusou a amanhecer  na hora costumeira de cinco e quinze. Resolveu dormir mais um pouquinho e foi aparecer apenas as cinco e meia. Quinze minutos a mais, porém , deve ter havido alguma diferença na Natureza e que muitas vezes a gente nem percebe. O dia, após as chuvas  da noite, tinha afastado meio mundo de nuvens, mas ainda úmido e apenas dando um toque na frieza, avisando que logo estaria apertando o cerco.  Não havia nenhum pássaro na rua, contudo, o canto robusto da rolinha branca vinha de dentro das folhagens  do Pau-brasil ou da Acácia que ornava a via. Não era o canto saudoso do verão, era no mesmo tom, mas com a robustez da alegria. Pomba da paz do Divino Espírito Santo.

Estamos caminhando para o mês de junho, quando de fato se inicia o inverno no dia vinte e um. Entretanto, estamos em plena estações das águas, que para nós é de outono/inverno. E as chuvas, até agora, como no ano passado, mansas e intercaladas com o sol, excelente para a lavoura. E, logo-logo, estaremos em mais uma edição de fartura junina, com milho assado, pamonha, canjica, ao som de bombas e foguetórios que animam o mês de São João, São Pedro e Santo Antônio. E depois de passar um dia e pedaço da noite vendendo livro de MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, volto, novamente ao book, procurando inspiração.

Sou interrompido pelo carro do ovo, na rua, com a voz rouquenha da propaganda. E, novamente, mais tarde, pela buzina de caminhão da moto do leiteiro. Assim o dia vai se complementando fugindo do silêncio profundo do amanhecer. É muita gente querendo informações sobre MARIA BONITA, mas, entre uma coisa e outra, vou tentando vestir a crônica  sob chamadas de mensagens dos correios modernos. Vou atendendo gente da Paraíba, Goiás, Rio Grande do Norte e Bahia. Ah, meu  amigo, minha amiga,, vamos aliviar os neurônios, num breve passeio até o portão da rua e olhar o céu.

  

 

 


  AINDA VI Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   Era do tempo de meus avós ...

 

AINDA VI

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



Era do tempo de meus avós e pais, quando no Sertão o transporte era realizado a cavalo e similares e carro de boi. Os tropeiros, também chamados almocreves, no Sertão, transportavam mercadoria para a zona de Mata e de lá trazia os seus produtos. Geralmente o almocreve trabalhava com um tropa de burros de cerca de 10 a 12 muares. Do sertão levavam queijos, peles, carne de sol, farinha... De lá traziam cachaça, tecidos, mel de engenho, rapaduras e mais.  No lugares mais altos do Sertão, como em Mata Grande, por exemplo, havia engenhos rapadureiros, também. Ligeiramente, visitei a um deles, em pleno alto da cidade. Tempos depois, mesmo na era dos motores, ainda vi uma caravana de burros transportando rapaduras em caçambas de madeira, cortando o alto sertão de São José da Tapera. Deduzo que saíra de Mata Grande em direção ao Agreste.

E por falar nisso, Lampião respeitava muito o almocreve, inclusive, porque também já fora almocreve transportador de couros e peles, no alto Sertão de Delmiro Gouveia.  O comboeiro, tropeiro   podia até sair vivo, mas se estivesse transportando rapadura, perdia a carga toda. Isso poderia valer também para as forças volantes que percorriam os sertões em busca de cangaceiros. O último almocreve que conheci na região foi o senhor Cirilo, quando, ultimamente, pude incluí-lo em meu romance que está no “prelo” AREIA GROSSA. Há pouco tempo, através, do, então, Secretário da Agricultura do município, Jorge Santana, foi descoberta peça grande de ferro que fazia parte de um engenho no município de Santana do Ipanema, sítio rural Serrote dos Bois.

Como se vê, serrote é uma elevação, uma pequena serra e, nesse caso, com altura suficiente para se plantar cana, implantar engenho e produzir rapadura. Mas, coisa boa você ter  passado por várias épocas distintas e ser testemunha viva do desenrolar do mundo. Terminamos colocando uma pedra em cima da combinação de levarmos a relíquia santanense para o Museu Darras Noya. Sobre qualquer peça representativa dos almocreves,  nada vimos no Museu,  Assim com não vimos sobre os canoeiros, sobre os curtumes...

Ô povo esquecido!

BURROS CARGUEIROS