SÃO JOÃO DAS QUADRILHAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3408 As quadrilhas...

 

SÃO JOÃO DAS QUADRILHAS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3408



As quadrilhas de São João eram pontos altos do festejo junino. Nunca participei de bailes de quadrilhas de coco de roda, de pastoril e nem de Guerreiro. Apenas apreciava  quando achava bonito. Conheci de perto, mas apenas isso,   o famoso “Gritador de Quadrilha”, senhor Eloy Pinto. Homem já de idade avançada, caminhando  devagar, arrastando os pés, olhos brancos como quem tinha catarata, porém, bem-vestido. Dizia o povo que Eloy era o melhor “puxador ou gritador’ de quadrilha   que  existia.  Se eu não me engano, ainda houve uma despedida do homem  ao gritar uma quadrilha entre as Ruas Antônio Tavares e São Pedro.  E para os dias de hoje, parece tolice, mas era  um dote altamente honroso e muito apreciado.

Ao falecer o senhor Eloy, um dos seus filhos de nome Walter, conhecido como Walter da Geladeira (por consertar refrigeradores) assumiu a função festiva do pai, naturalmente com outra cadência, mas também viveu  o auge das quadrilhas de São João em Santana do Ipanema.  Apesar da genética, o outro filho do senhor Eloy, de nome José Pinto, tinha outras ideias e não se arriscava no mister. Este, que chegou a ser vereador em Santana, tinha como slogan: “vote no Pinto Preto”, isso para o distinguir de outro José Pinto e que era branco. Não gostava de trabalhar no bom sentido, procurava  se vestir bem e diferenciado e não deixava de ser um bom locutor que anunciava no programa radiofônico da prefeitura. A “Voz do Município”, de divulgação e entretimento.

No meu romance que será lançado em breve, AREIA GROSSA, existem cenas com esses personagens citados acima. As quadrilhas de Santana resistiram ao tempo até, aproximadamente, a gestão do prefeito Paulo Ferreira. E se as quadrilhas juninas, ainda resistem em cidades maiores, é tudo forçado pelo turismo e pela descoberta da mina para a economia local. Investimento maciço. No Sertão, a brincadeira cansou e vai ficando cada vez mais rara, porque o mundo gira com outras táticas de divertimentos. Nem fogueiras,  nem balões, nem nada...  Apenas o milho, algumas bombinhas esporádicas e  aguardente no “tolé” , porque cachaça não se acaba nunca.



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