CIPÓ DE CATINGUEIRA (Clerisvaldo B. Chagas. 19/05/2009) João Yoyô Filho era natural do município de Olivença, Alagoas – filho do ex-t...

CIPÓ DE CATINGUEIRA

CIPÓ DE CATINGUEIRA

(Clerisvaldo B. Chagas. 19/05/2009)

João Yoyô Filho era natural do município de Olivença, Alagoas – filho do ex-tropeiro e depois dono de terras naquela região, Capitão Yoyô.

Ainda pequeno, conheci João – uma figura inusitada e compadre do meu pai – como comerciante de loja de tecidos à Praça Coronel Manoel Rodrigues da Rocha. Sua esposa Leopoldina, professora do Grupo Escolar Padre Francisco Correia, também era figura querida nos meios estudantil e social. Nessa época, a loja de João Yoyô não ia muito bem. Enquanto as prateleiras mostravam os fundos das paredes, aquele homem alto de fala mansa, com idade avançada, estudava sem parar rumo ao Direito. João Yoyô Filho havia sido o idealista e um dos fundadores do Ginásio Santana sendo seu primeiro diretor. Conseguiu o seu objetivo nos estudos e chegou a Juiz de Direito em Santana do Ipanema. Isto causou admiração geral pelo exemplo da força e da vontade.

Ainda nas funções de advogado, o Doutor João Yoyô Filho, com toda sua calma, viu-se um dia no “prédio do meio da rua” onde funcionava o Tribunal do Júri. Como debates entre advogado e promotor eram uma das poucas atrações da cidade, no “prédio do meio da rua” não cabia mais ninguém. O réu fora acusado da morte de um sujeito em consequência de uma pisa aplicada anteriormente. O doutor defendia – muito devagar – a tese de que a vítima não havia morrido em consequência da surra, “pois o réu tocara na vítima apenas com um simples cipozinho de catingueira”.

Pertinho da minha tenra adolescência, estava o funcionário do Banco do Brasil, João Farias. Fumante inveterado, o caladão funcionário irritou-se com a morosidade do defensor e disse baixinho lateralmente: “Você já viu catingueira dá cipó seu menino?”’ Algumas pessoas riram e Farias desceu o sobrado.

Quando a gente lê os jornais do País, nota que a malandragem política cobre de vergonha o nosso Brasil. Que esperteza e criatividade tem o político brasileiro para levar os bens do povo! E as tais brechas da lei? E as famigeradas veredas do cinismo? O povo pouco reage e apenas deixa cair o queixo para comentar na esquina. A impunidade da farra dos ratos não pode ser negada.

O Doutor João recebeu homenagem póstuma com nome de rua. A professora Leopoldina mudou-se para Maceió; e a filha (Madje ?) formou-se em Medicina. Foram pessoas amadas em Santana.

Entretanto, ainda hoje não decifrei o enigma de João Farias. Quanto aos corruptos desta nação de Cabral que matam o povo brasileiro, não de surra, mas surrupiando a fatia do seu pão, não sei como ficariam no “sobrado do meio da rua”. Infelizmente os seus advogados continuam com a tese do Doutor João Yoyô Filho: “Eles não matam ninguém, apenas tocam no povo com um simples cipozinho de catingueira”.

  RIBEIRA DO PANEMA - Primeiro livro de Clerisvaldo B. Chagas, publicado em 1977. “Ribeira do Panema” é um romance cuja trama acontece no te...

OBRAS PUBLICADAS

  RIBEIRA DO PANEMA - Primeiro livro de Clerisvaldo B. Chagas, publicado em 1977. “Ribeira do Panema” é um romance cuja trama acontece no tempo do coronelismo, mostrando a realidade viva da época. O cenário é o Sertão alagoano onde o autor joga com as faces urbanas e rurais do município de Santana do Ipanema. Esta é a sua obra mais conhecida e tem a apresentação do escritor palmeirense Luís B. Torres. Aliás, em homenagem ao seu apresentador, Chagas inicia a adoção do nome artístico acima, substituindo o sobrenome “Braga”, pela inicial “B”, característica que acompanhará toda a sua produção literária.


  GEOGRAFIA GERAL DE SANTANA DO IPANEMA - Livro didático entregue principalmente a estudantes em 1978. Confeccionado com impressão colegial, o livro reúne as primeiras informações geográficas do município. Mesmo assim continua servindo de base da parte física de Santana. É a primeira obra a descrever a bandeira municipal e também a pioneira e única a mitigar a sede paisagística e documental da terra, pelo menos até o ano de 2008.




  CARNAVAL DO LOBISOMEM - Conto sertanejo de cenário simples e popular, nascido em 1979. “Carnaval do Lobisomem” conta a história de um mulherengo vendedor de quebra-queixo que tem como esposa uma suposta mulher fiel. A paisagem é descrita quando os personagens perambulam pelos pontos reais marcantes dos conterrâneos do autor. O desenrolar acontece durante os dias de carnaval, porém, a culminância do conto é transferida para a quarta-feira de cinzas no despertar de um sono etílico de Zé Conceição. Apresentação do prof. de História Adelson Isaac de Miranda.


  DEFUNTO PERFUMADO - Segundo romance de Clerisvaldo, vindo a lume em 1982. “Defunto Perfumado” conta a história de um devoto que pretende a todo custo construir uma igrejinha no cimo de um serrote nas terras de um coronel latifundiário. Morto em tiroteio e sepultado no serrote, “mestre Bilu” começa a exalar o campo, atraindo as mais diferentes personagens do estado. A trama prossegue em meio a fanáticos, cangaceiros, jagunços, religiosos e policiais. No cenário dos anos 30 das caatingas do Nordeste, o romance vem mesclado de aventuras, violência, sexo, paixão e curiosidade. O livro tem a apresentação do escritor penedense e membro da Academia Alagoana de Letras, Ernani Otacílio Méro.


  O COICE DO BODE - Trata-se de um livro maçônico de piadas, elaborado a princípio para circulação naquela Ordem fraternal. A 2ª edição foi lançada para todo o Brasil através da Editora paranaense e maçônica, “A Trolha”. Atualmente “O Coice do Bode” faz parte do Círculo de Livros Maçônicos e encontra-se nas estantes do País inteiro. A apresentação do “O Coice do Bode”, ficou a cargo do, então, Presidente do Senado da República, Humberto Lucena, no decorrer dos anos 80. Sua primeira edição aconteceu em 1983.


  FLORO NOVAIS, HERÓI OU BANDIDO? - Obra verídica romanceada, lançada em 1985. Floro Novais, morador do Capim (atual Olivença), inicia uma série de vinganças da morte do pai. A trajetória da saga vingativa estende-se por vinte anos com reflexo na mídia diária em inúmeras manchetes e longos artigos entre 1960-1980. A revista nacional mais famosa da época, “O Cruzeiro”, também registra episódios de Floro quando vivo. O autor, Clerisvaldo B. Chagas, é o único a conseguir consentimento da família de Floro para escrever a sua vida; direitos autorais negados a outros escritores e às emissoras de televisão. O livro acima foi realizado em parceria com o radialista França Filho. Apresentação do escritor Antonio Machado.


  A IGREJINHA DAS TOCAIAS - Trabalho elaborado em estrofes de seis versos, “A Igrejinha das Tocaias” é um episódio resgatado da história de Santana do Ipanema. Colhido de forma oral, foi transformado em versos para melhor ser lido, apreciado e entrar na memória santanense. Publicado de forma inédita e até hoje único documento sobre o assunto, “A Igrejinha das Tocaias” saiu em 1992. A história tem início em Águas Belas, Pernambuco, e traz como tema uma vingança de morte que é registrada em sua segunda parte, no Sertão das Alagoas. A primeira parte, em Pernambuco, não foi colhida. O episódio narra Manoel Vicente como vingador do pai. Após várias peripécias desse homem valente que se torna capanga de um dos netos do fundador de Santana, o auge acontece no lugar que passou a ser denominado Tocaias. Ainda hoje existe a igrejinha na periferia de Santana do Ipanema, erguida como conseqüência de mais uma tragédia rotineira do passado sertanejo. O fato aconteceu um pouco antes da libertação dos escravos no Brasil.


  SERTÃO BRABO - São dez poemas engraçados do tipo “poesia matuta”. Bastante aceito na região nordestina, esse tipo de “subliteratura”, entretanto, é do gosto popular, notadamente das pessoas simples. “Sertão Brabo” foi lançado em CD tendo o próprio Chagas como declamador dos seus trabalhos. O autor procura mostrar o lado espirituoso do Sertão, pois esse processo declamatório musicado representa mais de 90% de anedotário do riso fácil. Lançamento em torno de 2004.



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•Membro fundador do Fundamental maior do Instituto Sagrada Família; •Membro fundador das Escolas Cenecistas de Carneiros, Dois Riachos e Ou...

INFORMAÇÕES SOCIAIS

•Membro fundador do Fundamental maior do Instituto Sagrada Família;
•Membro fundador das Escolas Cenecistas de Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco;
•Ex-vice-diretor da Escola Cenecista Rui Palmeira;
•Ex-cronista do programa “A Crônica do meio-dia”, Rádio Correio do Sertão;
•Ex-redator do encarte “Jornal do Sertão” do “Jornal de Alagoas”;
•Membro fundador do 4º Teatro de Santana;
•Ex-primeiro presidente do SINTEAL para o Sertão (APAL);
•Ex-Venerável da “Loja Maçônica Amor à Verdade” (duas gestões);
•Ex-diretor do “Colégio Mestre e Rei”;
•Acadêmico e membro fundador da “Academia Arapiraquense de Letras e Artes”- ACALA. Cadeira 17;
•Membro fundador da Academia Interiorana de Letras (sem continuidade);
•Criador e apresentador do programa: “Santana, Terra da Gente”, Rádio Cidade;
•Primeiro diretor eleito do Colégio Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva.


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