A VEZ DO CARICOM (Clerisvaldo B. Chagas. 27.4.2010) Mais uma vez ficamos de queixo caído com a reação da mídia brasileira. Preocupa-se em e...

A VEZ DO CARICOM

A VEZ DO CARICOM
(Clerisvaldo B. Chagas. 27.4.2010)
Mais uma vez ficamos de queixo caído com a reação da mídia brasileira. Preocupa-se em encher as páginas de tantas notícias péssimas, com se quisesse quebrar de uma vez por todas a esperança patriótica do nosso povo. Até um cachorro que morde uma pessoa na rua vira manchete com direito a foto ampliada e tudo mais. Enquanto alguns países, orgulhosos dos seus feitos, procuram aproveitar tudo de bom que acontece para estamparem ao mundo imagens positivas, vamos catando as mazelas mais insignificantes do cotidiano para enquadrá-las como obras de arte. Bem dizia meu pai, assinante de certo jornal, quando via o completo enchimento de linguiça. Jogava o monte de entulho de lado e dizia: “Só tem papel”.
Importantíssima reunião aconteceu ontem, dia 26, entre o Brasil e a Comunidade do Caribe (CARICOM). Entre chefes de Estado e de Governo, estavam representantes de 14 países caribenhos. Já foi dito neste espaço, que durante centenas de anos, o Caribe sempre foi considerado quintal dos Estados Unidos que sempre mandaram e desmandaram na região. Mas depois da política ofensiva do Brasil de aproximar-se da Ásia (Oriente Médio mais especificamente) África e América Central, o volume de negócios do País e de empresas brasileiras nunca evoluiu tanto. Viemos sempre há muito, batendo na tecla de que uma nova ordem estava acontecendo no mundo. Esse relacionamento iniciou a mudança desde quando o presidente Cardoso começou a afastar-se dos Estados Unidos e a aproximar-se da Europa. Teve início um comércio entre os emergentes abaixo da Linha do Equador. Com a ampliação do comércio pelas viagens de Lula para todas as partes do mundo e a crise financeira nos países ricos, temos provado o nosso acompanhamento.
O Iraque já havia dito que o Brasil era prioridade para erguer àquele país. Inclusive havia encomendado cerca de 150 caminhões. Uma nação do Caribe encomendou a mesma quantidade de caminhões e mais de uma centena de ônibus. Os países caribenhos, voltados antes para os Estados Unidos, agora se voltam todo para o Brasil. De um comércio inicial de US$ 6.50 milhões, salta para US$ 5.2 bilhões. Além do comércio, vários acordos foram assinados em diversas áreas como energia, saúde e pesquisa agropecuária. Outros, defendendo ainda reformas nos organismos financeiros internacionais e no Conselho de Segurança da ONU. Os países do Caribe querem lutar junto com o Brasil por uma ordem mundial mais justa e elegeram o gigante do sul como seu novo líder. O Brasil também arranja mais 14 amigos admiradores para pressão a seu favor quando necessário os seus interesses, como um assento permanente no Conselho, por exemplo. Bem que a missão de paz no Haiti, muito antes do grande terremoto, começa a trazer os frutos de uma nova amizade e esperança para as pequenas nações que antes nunca eram ouvidas.
Infelizmente catar notícias tão importantes assim, é sair forçando a vista nas letras de terceira, mesmo para afirmar que é a vez do Brasil e A VEZ DO CARICOM.

* Por favor, na crônica "Santo Sem Prestígio", leia ESTREBARIA e não estribaria. Obrigado.

GELEIRAS NO SERTÃO (Clerisvaldo B. Chagas. 26.4.2010) Antigamente , não tão antigamente assim, pelo menos esses insensíveis (nem todos) cha...

GELEIRAS NO SERTÃO

GELEIRAS NO SERTÃO

(Clerisvaldo B. Chagas. 26.4.2010)
Antigamente, não tão antigamente assim, pelo menos esses insensíveis (nem todos) chamados políticos, quando morriam eram mais comentados. A imprensa escrita geralmente dava uma página, duas ou três falando daqueles indivíduos desde o berço. Eram biografias completas como se fossem honras fúnebres mesmo. Muitos leitores que acompanhavam e admiravam aqueles agentes, compravam e guardavam os jornais como verdadeiras relíquias, exibindo vinte ou trinta anos depois, aos amigos, à mídia, em reuniões políticas intelectuais... Às vezes o falecido se tornava célebre, entrava firme para a história e qualquer objeto que se referisse a ele, tinha muito valor até para colecionadores. É o caso de Juscelino, Getúlio, Caxias e tantos outros cultuados no Brasil. Não nos referimos ao hábito de guardar esses objetos, mas o de se escrever sobre o homem que foi prefeito famoso, governador, senador, presidente da República. Mas outros homens que militaram também em cargos públicos foram reconhecidos após a passagem. Esse hábito da imprensa parece que vem acabando ou mesmo sendo trocadas essas homenagens biográficas dos políticos por outras profissões como a de cantor, por exemplo. Você lembra quando a revista Planeta lançou uma edição extra como tributo a Chico Xavier? Foi publicada em julho de 2002 e custou ao leitor R$ 5,50. Nós a possuímos. Guardamos com muito carinho e temos a maior satisfação em que o pesquisador interessado leia.
Essas observações são coisas do cotidiano aos olhos de escritores, poetas, humoristas e aos de qualquer outro mortal. Meu velho sempre dizia: “tem qente que vê, mas não observa”. Queria ele dizer que não se presta atenção aos detalhes e se assim o faz, logo esquece a lição (se for o caso). É que, sabendo da vida profícua de Albérico Cordeiro, um homem tantas vezes deputado federal e duas vezes prefeito da “Princesa do Sertão”, a imprensa falou do vulto um tanto murcha. Foi ele quem criou o slogan mais esperto dos últimos anos na política alagoana: “Cordeiro Trabalha”. Uma frase de apenas duas palavras, mas de efeito arrasador para os adversários. Outro político foi o empresário Sampaio que foi um símbolo de Palmeira dos Índios, político e empreendedor no estado. É bom repetir, que estamos apenas comentando o encolhimento das antigas reportagens a respeito do assunto. Não acompanhamos trajetória de político nenhum.
Talvez esses comentários não viessem à tona se não tivéssemos sabido do falecimento de mais um dos filhos de Tibúrcio Soares. Tibúrcio, alto comerciante em Santana, fundador de dois cinemas importantes, político por pouco tempo e uma das pessoas mais decentes de Alagoas. A única homenagem que eu conheço a esse magnífico cidadão, são as páginas que estão em nosso livro inédito sobre a História de Santana. Nem uma escola, nem uma rua, nem um prédio público. Uma vergonha às costas que deram a uma pessoa tão ilustre e de tanto caráter. Não importa o século. ELES continuam fazendo GELEIRAS NO SERTÃO.




BRINCADEIRA SINISTRA (Clerisvaldo B. Chagas. 23.4.2010) Meu amigo internauta quer fazer uma brincadeira funesta conosco? Então pegue aí um m...

BRINCADEIRA SINISTRA

BRINCADEIRA SINISTRA
(Clerisvaldo B. Chagas. 23.4.2010)
Meu amigo internauta quer fazer uma brincadeira funesta conosco? Então pegue aí um mapa político do Oriente Médio e o estenda sobre a mesa. Seria assim que nós faríamos na “Esquina do Pecado” em Santana do Ipanema: Clerisvaldo, Zé Lima, Fernando Soares Campos e Arlei do mestre Abel. Explicamos:
Barack Obama está com muita sede na Coréia do Norte, Irã e Venezuela. Sendo a Venezuela a mais fraca, para esse país o perigo é menor, mas é real. Americanos estão dizendo que tem guardas iranianos por lá. Os do norte sempre iniciam assim. A Coréia e o Irã representam, no momento, os dois espinhos na garganta americana mais a guerra no Afeganistão e farrapada do Iraque. Pensamos que Obama, além da pressão dos conservadores, deve achar que maior notoriedade para ele, somente inventando uma guerra nova. Para decidir entre a Coréia e o Irã (pois não poderá enfrentar essas duas nações ao mesmo tempo) resolveu escolher uma delas. É bom lembrar que os Estados Unidos estão tentando sair de uma guerra (Iraque) e mandando mais homens para outra (Afeganistão) além da dificuldade financeira da crise mundial. Portanto, a proposta da brincadeira acima, é você adivinhar por onde os Estados Unidos atacarão o Irã. Gostou? Veja o mapa. Note que o Irã está cercado de países e de água. Por onde o inimigo atacará? Vamos as sugestões. Primeira, os Estados Unidos poderiam bombardear o Irã pelo norte, através do mar Cáspio. Note que a capital do país fica muito perto dali. Ainda como primeira opção, poderiam atacar ao mesmo tempo pelo sul através do golfo Pérsico. Nesse caso seria atacar em duas frentes: pelo norte e pelo sul. Na frente sul poderiam bombardear de três posições distintas: do golfo Pérsico, do estreito de Ormuz e do golfo de Omã. Segunda sugestão, invasão por terra. Não poderia acontecer pelo vizinho Iraque que não aceita servir de ponte. Sobre essa possibilidade, pela Turquia, não acreditamos. É um país grande, independente e não iria se meter nessa encrenca. É bom lembra que apoio ao inimigo em terras vizinhas ao Irã, poderá sofrer sérias consequências. Então vamos para outras opções. Por onde entrarão as tropas americanas? Pela Armênia, Turcomênia, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão, Omã, Emirados Árabes, Barém, Catar ou Arábia Saudita? Em não havendo surpresas, sugerimos quatro frentes de ataques ao todo. Duas já citadas através de bombardeios navais e aéreos pelo norte e pelo sul nas águas do Cáspio e dos golfos. Por terra entrariam tropas pelo leste através do Afeganistão ─ cujo efetivo militar está sendo aumentado ─ e outra frente pelo oeste saindo da Árábia Saudita, tradicional aliada dos ianques. Os países menores dos golfos “colocariam a boca no saco”. Quanto a Israel, cremos que não entraria na luta diretamente para não dar a entender ao mundo que seria uma briga particular. Mas de ser é. Contudo, Obama quer usar o nome da ONU como fizeram com o Iraque.
A Corrida de Celso Amorim a Teerã para um diálogo de urgência, é o último cartucho do Brasil, da Turquia e do Irã, mas duvidamos que Barack esteja torcendo para isso. Ganhar do Irã é colocar a Coréia do Norte na parede. Mesmo assim, se até agora os americanos não conseguiram sair nem do Iraque nem do Afeganistão, imagine do Irã, depois. No caso da Venezuela é caso de apenas uma bicorada da águia.
E então, amigo, pensou conosco, quer analisar sozinho ou quer enviar uma belíssima “banana” para o mundo? Educadamente: chega de BRINCADEIRA SINISTRA!