BOGOTÁ (Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2011).        Tendo iniciado com a visão futurista do brasileiro José Sarney e do argentin...

BOGOTÁ

BOGOTÁ
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2011).
       Tendo iniciado com a visão futurista do brasileiro José Sarney e do argentino Raul Alfonsín, nasceu o MERCOSUL. Superando o individualismo tradicional da região, o Mercado do Sul vai chegando à terceira fase do seu destino. Criado como movimento econômico de reforço, passou pela fase aduaneira para a fase social dos países e agora atinge o seu ponto máximo que é a valorização individual dos filhos dos quatro países envolvidos: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Em breve teremos vários benefícios como livre circulação, validade de diplomas, chapa padronizada de veículos e, talvez, moeda comum aos membros permanentes. Hoje o Brasil faz troca de mercadorias, baseado nas moedas locais, antes regidas pelo dólar. A parceria, Brasil e seus vizinhos, já supera o comércio com os Estados Unidos, antes, seu principal destino comercial. É simplesmente extraordinário o movimento de transportes na região, especialmente de caminhões cruzando planícies e montanhas da parte meridional do continente.
       A América do Sul é composta de doze países, quatro dos quais fazem parte permanente do bloco e outros cinco são membros associados como Chile, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. A Venezuela já pediu a entrada como membro pleno e agora é a Colômbia, com negociações adiantadas, procurando fazer parte definitiva desse auspicioso conjunto. Essa foi a grande notícia dada ─ ainda que bem discreta ─ na mídia nacional. Vale salientar que todos são convidados, ficando, porém, à vontade e marcando seu ingresso quando achar conveniente.
       A Colômbia, mesmo com seus problemas com a guerrilha é uma das nações que mais cresceram no mundo nos últimos tempos. Potência média da América Latina, segunda população regional, representa hoje a quarta economia da América do Sul. A Colômbia tem 46% de pessoas abaixo da linha de pobreza, uma renda má distribuída e uma população que se urbanizou rapidamente. Fala-se o castelhano com mais de uma centena de dialetos numa população entre 80% e 90% de seguidores do catolicismo. Rica em recursos naturais, a Colômbia exporta café, petróleo, carvão, ouro, esmeraldas e flores. A futura parceira plena será um reforço importantíssimo na evolução do MERCOSUL que, com a entrada definitiva da Venezuela, serão seis membros fortes entre si que por certo atrairão os outros países regionais.
        A repercussão dessas duas últimas nações no bloco econômico será altamente positiva no mundo inteiro. Causará ciúmes aos que não queriam esse mercado independente como a grande nação americana do norte. Quando acontecer de fato, estaremos todos de parabéns nessa parte pouco acima e abaixo do Equador, pois o significado da Colômbia entre nós é de tamanha profundidade que só o desenvolvimento acelerado poderá dizer. Pela decisão tomada e agora em vitrina, parabéns ainda para a terra da Cordilheira dos Andes, Amazônia e Caribe, representada pela sua alta, bela e acolhedora capital BOGOTÁ.

MÃO DE PILÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2011).        Acompanhamos o grande momento histórico de transformação política no...

MÃO DE PILÃO

MÃO DE PILÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2011).

       Acompanhamos o grande momento histórico de transformação política no Egito. Veja na crônica intitulada Praça Tahir, quando afirmávamos pela manhãzinha que a queda de Mubarak se daria mais cedo ou mais tarde. E antes mesmo de terminar o dia, o homem desapareceu do palácio, sumiu da capital e do país. Vamos ficar aguardando agora a mudança social, esperando que as forças armadas não tomem gosto pelo poder, pois o povo poderá voltar com redobrada disposição depois da porteira aberta. De qualquer maneira o novo comando do país não vai mudar a situação econômica em apenas seis meses. Casos os militares sejam inteligentes, tentarão resolver o impasse povo/governo no menor tempo possível porque os nervos estão à flor da pele e a tensão não para. Mas poderemos também estar vivendo um momento histórico de transformação política e social no mundo. O exemplo da Tunísia e do Egito já atingiu outros países governados por ditaduras militares ou teocracias. Como também havia falado antes, o poder da comunicação com as novas tecnologias, vão invadindo esses países onde o indivíduo não tem liberdade religiosa, de palavra, de locomoção, de ascensão trabalhista. Afinal, não tem a direito a nada. Alguns povos estavam na escuridão deísta da Idade Medieval, privados do que se passava no resto do mundo com as mulheres, os negros e as garantias individuais. Descobertas essas coisas, ninguém mais pode segurar as multidões sequiosas por liberdade.
       Com as investidas populares, após os exemplos dados, as mãos de ferro vão enferrujando, caindo aos pedaços e contaminando o plácido sono dos semideuses de guabiroba. Essas rebeliões que vão endurecendo no centro da África, ganharam força com esses movimentos do norte continental que também já pulou para a Ásia do senhor Mahmoud Ahmadinejad. Aliás, falando nesse homem sem cor, bem que ele tentava desviar a atenção do povo voltando-se a vociferar contra americanos e israelenses, enquanto proibia notícias vindas de fora em seu reino que mistura política com religião. Por certo, mesmo com a tirania dos dirigentes, os muçulmanos começam a entender que essas pregações religiosas são disfarces para manter o povo acorrentado. Aquilo que o senhor Ahmadinejad chama de oposição, é nada mais nada menos de que cidadãos que despertaram para o aperto das suas garras, digo, garras do regime, da falsa simbiose entre o divino e o terreno.
       Volto a repetir, talvez estejamos testemunhando um fato histórico de proporções gigantescas que varrerá a terra de ditadores religiosos, militares e outras castas, se houver. Lembram-se dos vendavais que sopraram a União Soviética, Polônia e suas afiliadas socialistas?
      Depois de haver testemunhado tantos fatos relevantes no mundo, vamos agora anotando as derrotas dos Governos com mão de ferro e as vitórias dos povos com MÃO DE PILÃO.

QUE QUERES TU? (Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2011).        Diante de alguns recuos significativos, o presidente americano cad...

QUE QUERES TU?

QUE QUERES TU?
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2011).

       Diante de alguns recuos significativos, o presidente americano cada vez mais vai perdendo o prestígio inicial. Se não é prestígio, pelo menos é um desencanto generalizado. As pressões radicais do senado e de outros setores influentes são marteladas no dedão preto do pé que ainda incomoda uma tradicional sociedade racista. Todos sabiam, mas ainda restava alguma esperança por que dizem que ela é bicho duríssimo de morrer. Aquele representante apenas confirma a antiga opinião: monta o brioso corcel bem arreado, porém, o cabresto continua preso a estacaria. Imita macilento, a rainha da Inglaterra, reina, mas não governa. Os sucessivos puxões de camisa vão fazendo de Barack um homem tristonho que tenta disfarçar em seus discursos. Após tantos reveses na sua vontade, o presidente hesitou desprevenido, estonteado, inseguro, nos pronunciamentos frustrantes sobre a queda de Hosni. Não foi ouvido pelo ditador do Egito, não é mais ouvido pelo governo de Israel, não consegue ser confiável no mundo árabe e boia na Economia em pau de mulungu. A continuar assim, chegará ao final da gestão com apenas a marca na história de ter sido o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
       Em março, próximo, Barack Obama virá ao Brasil. Dizem que ele quer fazer um discurso impressionante (chama de histórico) em espaço onde caibam milhares de pessoas. Coisa assim, bem se sabe, de astros do Rock, mesmo. Até uma praia no Rio está em cogitação, pois o homem somente visitará o Rio de Janeiro e Brasília. Não falará sobre a pretensão brasileira de assento no Conselho Permanente da ONU. (Em visita a Índia, já deu esse apoio ao país asiático). Não tocará no assunto de tarifas que impedem por lá a entrada de alguns produtos do Brasil. Não reconhece a liderança plena do nosso país na América Latina e nem sua influência no mundo. Ora! Vem-se aqui para não nos brindar com nada, por que vem, então?
       Pela curiosidade, Barack pegou o jeitinho brasileiro. Quer sair do baixo crédito, da apatia em que vive, à custa de Brasil. Anda em busca de um fato novo que levante sua moral, tão surrada quanto chapéu de vaqueiro. E esse fato novo seria um discurso planejado com imensa multidão em um país que está em evidência. Ele vem para onde não reconhece, humilha, empavona-se e vai embora. Talvez porque a Dilma não lhe foi primeiro beijar a mão como o Brasil do passado. Para mim Barack, você começa a ser uma grande decepção, um mané-gostoso do senado americano querendo ficar esperto no Brasil. Cuidado com as palavras dele, Dilma, para não sobrar para nós. Deixem que ele suba os morros pacificados do Rio, atrás de golpes publicitários. E já consciente das suas intenções, bem me faria se chegasse perto do presidente nos calçadões de Copacabana. Faria a pose do conhecido Zé Carioca e perguntaria com toda malandragem do papagaio gozador: Ó Bama! QUE QUERES TU?