LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2011 Série cangaço Nº 01   O fenômeno cangaço que marcou definitiv...

LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO

LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2011
Série cangaço Nº 01

 O fenômeno cangaço que marcou definitivamente o Nordeste, não tem como não fazer parte da História do Brasil. Vários grupos de cangaceiros abalaram o social do semiárido, sucessiva ou paralelamente, mas o auge desse movimento nômade foi alcançado por Virgulino Ferreira da Silva que se tornou chefe de bando em 1922 e morreu em 1938. Não se pode entender Lampião apenas por pequenas informações. Talvez tenhamos mais de mil títulos sobre o assunto, somando livros, revistas, jornais, artigos, crônicas, ensaios, teses, cordel e outros informativos. Alguns, sem compromisso com nada, escritos apenas pela atração do assunto. Assim, o leitor que procura de verdade saber sobre Lampião, existem vários livros de autores sérios e até chamados de “cangaceirólogos”. São autores que se apaixonaram pelas histórias de Lampião. Alguns passaram mais de quarenta anos pesquisando, procurando sobreviventes do cangaço no Brasil inteiro. Escreveram e ainda escrevem baseados em depoimentos vivos e documentos os mais diversos como registros em delegacias, cartórios, jornais de época, relatórios de tropas, bilhetes guardados e outras fontes abalizadas. A situação chegou a ponto de haver atualmente organizações somente para tratar do assunto, encontros anuais, premiações e várias outras coisas que alimentam a alma dos apaixonados.
         Como em todas as coisas, há uma ciumeira danada mesmo entre os autores sérios, percebida por nós, os leitores comuns. A briga educada entre autores, sobre Lampião, é como pessoas disputando os últimos refugos de um garimpo. Quando um autor, por exemplo, diz que o cangaceiro fulano cortou a orelha direita de beltrano, existe uma vibração quando o outro autor descobre que não foi a orelha direita que foi cortada, mas sim a esquerda. Esses detalhes disputados depois que tudo já foi dito sobre Lampião, geraram essa concorrência (mesmo que se diga não) por maior fama, maior espaço no mundo do cangaço, embora bordada de humildade no vestido, mas cheia de volúpia na calcinha.
         Alguns autores sérios, não conseguem esconder a admiração por Virgulino, citando os fatos os mais próximos possíveis da realidade, porém, deixando escapar constantemente elogios ao chefe do bando, atribuindo a ele vários títulos de grandeza. Outros fazem o extremo. Mas, devido ao renome adquirido, qualquer criatura passa de bandido a herói e todos os seus absurdos são esquecidos em nome unicamente da fama. Escrever a respeito de criatura notória, passa a ser bom negócio para se ganhar dinheiro ou para aparecer também, levando o escrevente para o profissionalismo.  
        Para aquele que nutria amizade com Lampião, dele usufruía e nada sofreu da sua parte “o capitão era um homem bom, quase santo”. Quem teve pessoas da família estupradas por ele e mais 25 cabras de uma só vez, como na Paraíba; Quem já teve pai, irmão arrancado o couro, vivo; Quem soube quase presenciando a mãe estuprada durante uma noite inteira, amarrada à coxa de Lampião; Quem teve o pai, tio, avô, esquartejado vivo a facão e as bandas jogadas nas cercas de arame da caatinga; quem teve a mãe nua no meio de todos (sob gargalhadas geral) tendo sua vagina entupida por terra e socada a cabo de punhal (tudo registrada por pesquisadores sérios) só podem ter ido em vida ao inferno e visto as ações do próprio Satanás. Quer saber mesmo, leitor, quem foi Virgulino. Leia autores recomendados para poder tomar partido entre LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO. (* continua).








LAMPIÃO, UM RAIO DE PERIGOSO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2011     Como foi prometido, estamos dando notícias dos nossos arquivos...

LAMPIÃO, UM RAIO DE PERIGOSO

LAMPIÃO, UM RAIO DE PERIGOSO
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2011

    Como foi prometido, estamos dando notícias dos nossos arquivos sobre Virgulino. Livramo-nos de quase toda pilha de papéis velhos, mas conseguimos deixar em ordem os trabalhos, já em fase de revisão, ajustes e acabamentos. Esses trabalhos não são dirigidos às ações de Virgulino. Eles são um mapa cronológico das caminhadas de Lampião em sete estados do Nordeste. Esse mapa está baseado nos rastros dos pesquisadores sérios, cujas pesquisas estão espalhadas em diversos livros, revistas, artigos e outros documentos. Essa nossa sequência vai desde a fixação da família Ferreira em Pernambuco até a morte do último cangaceiro. O auge do nosso trabalho é a hecatombe de Angicos, baseada, principalmente no autor Frederico Bezerra Maciel em “Lampião seu tempo e seu reinado” (volume V). Frederico por que nos parece o trabalho mais perfeito de todos, inclusive com a tese do envenenamento. O mérito do nosso trabalho está na organização cronológica ano a ano e quando possível mês a mês, dia a dia e na forma didática de apresentação. A cronologia não são apenas datas frias, mas sempre que precisa, ligeiros comentários do autor para melhor compreensão. A última semana de Virgulino, sobre outros autores, também levam as nossas ligeiras observações para alertar os futuros leitores. O livro ainda traz uma lista de cerca de quinhentos cangaceiros, que também, sempre que possível, indica ao lado os seus destinos. Uma tabela demonstra os nomes de 53 mulheres que fizeram parte do cangaço, juntamente com seus respectivos companheiros de bando. Embora o nome do futuro livro pudesse ser relativo à pesquisa das pesquisas, já está batizado com uma frase sobre o chefe, pronunciada por Labareda, um dos grandes do cangaço: “(...) Quando estava assim era um raio de perigoso”. Portanto, será esse o nome do livro: “Lampião, um raio de perigoso”. Esse trabalho hercúleo que está quase concluído deve-se ao conselho do amigo Antonio Sobrinho que impediu um voo rasante dos papéis.
            Por outro lado, Já estamos trabalhando em parceria com o colega professor Marcelo Fausto, no sentido de juntarmos todos os nossos acervos sobre cangaço, volantes, vultos importantes nas ações cangaceiras em nosso estado e com muitas novidades, ainda, a elaborarmos outro livro que terá o título que falta na história do cangaço, “Lampião em Alagoas”, o mais completo possível no momento. Temos a impressão que ambos os livros estarão prontos para lançamentos entre dezembro e janeiro.
              Também, como foi prometido aos nossos leitores, para a semana de morte de Lampião (28 de julho de 1938) a partir de segunda-feira, publicaremos uma série de cinco crônicas sobre Lampião, escolhidas ou sobre as últimas ações do bando na região de Piranhas. Nada que os “cangaceirólogos” não saibam, mas narradas em crônicas, trazem um sabor novo. Agora é mergulhar fundo nessa fase mais urgente de lapidação para trazer aos aficionados “LAMPIÃO UM RAIO DE PERIGOSO”.

JUAZEIRO DO NORTE Clerisvaldo B. Chagas, 21 de julho de 2011 Ainda não deixamos de admirar a cidade de Juazeiro do Norte, região peculia...

JUAZEIRO DO NORTE



JUAZEIRO DO NORTE
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de julho de 2011

Ainda não deixamos de admirar a cidade de Juazeiro do Norte, região peculiar do Brasil de tantas tradições. Para quem gosta de pesquisas, um dia só em Juazeiro não permite nem iniciar os seus trabalhos diante da diversidade do vale do Cariri. Geografia, História, religiosidade, folclore, tradições, surgem formando um centro de estudos a céu aberto, de proporções inesgotáveis. Um mês de permanência no vale, pelo menos dá para sentir o clima místico e de valentia que impregnaram sua história recente de tantos episódios apaixonantes. Os estudos não se concentram apenas na cidade propriamente dita, mas estendem os seus tentáculos para Missão Velha e Barbalha que formam com Juazeiro um tripé indispensável aos visitantes.

“Já você foi sanguinário
                                       Foi um bandido moderno
                                       Não deveria ter ido
                                       Direto para o inferno
                                       Junto com seus aliados
                                       Pra queimar no forno eterno?

Seu padre, o senhor já sabe
                                       Que o cangaço foi meu dom
                                       No dialeto das armas
                                       Precisei conversar com
                                       Quem desejava o meu fim
                                           Mas tive o meu lado bom!”

             O comércio continua sendo arrojado no Juazeiro do Norte, juntamente com uma romaria intensa no turismo religioso. Hoje, com metrô e aeroporto, vão-se unindo o antigo e o moderno, com gosto para todos que resolvem fazer umas andanças pelas terras misteriosas. Juazeiro passou para o terceiro lugar em polo calçadista do Brasil. Seu parque ecológico e seus deslumbrantes cenários conquistam mais adeptos do turismo aventura, facilitado pela rede de transportes. Pelas ruas do tripé ainda é possível encontrar cantadores de viola, retratistas, emboladores, restauradores, vendedores de ouro, cordelistas, zabumbeiros, cantores bregas e mesmo gente da fala trincada, que são os estrangeiros.
             São quase obrigatórias as visitas ao museu, ao horto, à estátua do padre Cícero e à igreja de Nossa Senhora das Dores, onde assoberbam histórias e mais histórias de um passado empolgante e confuso. O pequi é encontrado em quase todos os lugares, fruto oleaginoso e aromático, usado para licores, culinária e fins medicinais. Missas de hora em hora, igrejas lotadas, comércio intenso, fazem do Juazeiro um lugar de concentração durante o ano inteiro. Ninguém se espanta com 100, 150, 200 ônibus de fora estacionados na cidade. Há espaço suficiente para se ganhar dinheiro com tudo que se imagina. É mesmo a “Meca Nordestina” a cidade de JUAZEIRO DO NORTE.
* "Lampião e padre Cícero num debate inteligente" (MOREIRA de Acopiara).