LONDRES SOB CHAMAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2011   Cercado de multicores astros que adornam as divinais galáxias, surge o p...

LONDRES SOB CHAMAS


LONDRES SOB CHAMAS
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2011

 Cercado de multicores astros que adornam as divinais galáxias, surge o ponto azul da Via-Láctea que indica a Terra. Apresenta-se um belo planeta no capricho do Criador com um punhado de criaturas que se vivem a digladiarem. Foi permitido privilégio inicial a um dos compartimentos, de comando sobre outras regiões desse mapa-múndi. E a riqueza europeia, construída sob o negro chicote do Velho Continente, foi vergando a coluna da América do Sul e Central, fazendo escorrer o sangue de pretos, ameríndios e moralmente brancos. Mas, apesar de séculos de história, esse território repisados de lutas, parece ainda não ter encontrado a supremacia que tanto buscou. O tempo foi maleável, mas nada garantiu. Nem mesmo a riqueza levada das entranhas tropicais, de formas mais abjetas, sugada sofregamente a seiva inicial. Como se não bastasse o tumulto pela democracia no perímetro árabe, ali vizinho, todos se voltam para o antigo centro do mundo, a capital da Inglaterra. Vão saindo às provas de que os gêneros de duas pernas do capitalismo de luxo também possuem os mesmo defeitos das ex-colônias de além-mar. Chá e Café revoltam-se com a mesmo intensidade, independente de cuia cabaça e cuia queijo do reino.
        Um homem morto por policiais originou conflitos de rua no bairro londrino de Tottenham. Dessa vez foi diferente da morte do brasileiro inocente, cuja Justiça da Inglaterra abaixou-se perante o seu nacionalismo. Ao ceifar a vida de um homem pacato, a polícia teve que enfrentar uma série de tumulto, confrontos com jovens que pediam justiça praticando inúmeros atos de vandalismo. Tanto a mídia internacional quanto a mídia inglesa classificava os tumultos como os “maiores distúrbios dos últimos anos na capital britânica”. A revolta londrina parece ser um acúmulo de inúmeros problemas sociais que de vez em quando explodem nas mais presentes capitais da Europa. Quem viu as imagens na mídia internacional, ficou chocado com a força da violência. Quebra de vidraças, incêndios, saques e confrontos bem que pareciam cenas da Segunda Guerra Mundial tal as chamas que subiam na capital do rio Tâmisa.
        O vandalismo londrino espalhou-se por outras cidades inglesas como Birmingham e Cameron. Em Liverpool a polícia enfrentou os manifestantes que queimaram vários automóveis. Foram colocados nas ruas, cerca de 16 mil policiais como protetores contra a onda de revolta. Patética foi a ação do prefeito de Londres que, ao sair com uma vassoura pelas ruas da cidade, recebia vaias e mais vaias que cortavam qualquer um dos seus pronunciamentos. É de se notar que alguns dos bairros atingidos inicialmente por essa onda violenta, são de minorias étnicas, com alto índice de criminalidade e desemprego, mas outros bairros de classe média também foram atingidos. E se em nossa expressão sertaneja dizíamos que o pau estar comendo, em algum lugar da América do Sul, voltamos nosso linguajar para a capital do mundo. Quem diria! Impossível, mas é verdade. A harpa do imperador Nero foi levada para os céus da Inglaterra a festejar com o depravado: LONDRES SOB CHAMAS.





ADEUS FEIRA DO PASSARINHO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2011         O cotidiano comum também vai fazendo história em Alagoas...

ADEUS FEIRA DO PASSARINHO


ADEUS FEIRA DO PASSARINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2011

        O cotidiano comum também vai fazendo história em Alagoas.  Conhecemos a tradicional Feira do Passarinho, em Maceió, desde os nossos amargos tempos de repúblicas estudantis na capital. Ali estavam conosco os futuros médicos Erivaldo Braga das Chagas (nosso irmão mais velho), Dalmário Nepomuceno Gaia, mais o futuro prefeito de Carneiros, Aristeu e, o depois, empresário das confecções em Maceió, Juarez Delfino, entre outros. A Feira do Passarinho, nessa época, já era famosa, servindo aos mais desgarrados cidadãos de bem e aos mais perigosos ladrões e desordeiros que por ali se aninhavam. A Feira estendia-se na largura, de uma rua a outra, ocupando toda a longa calçada, invadindo barracos fixos e os trilhos da ferrovia. A fama daquela feira sempre foi enorme, atraindo para o ambiente imundo e não seguro até mesmo turistas sedentos de coisas inusitadas. Acompanhávamos quase diariamente as ações de alguns investigadores que se destacavam pela Imprensa, graças às ações praticadas diariamente na Feira do Passarinho, entre eles, o Cassimiro. Dali também eram estampadas as fotos e reportagens que exaltavam os feitos de bandidos assíduos do aglomerado. Quem quisesse comprar de tudo, como bicicletas, relógios, rádios de pilhas e outras coisas mais complexas, o lugar certo era as imediações do Mercado Municipal.
        Se a Feira do Passarinho já era famosa, nos últimos tempos passou a ser alvo de reportagens curiosas da mídia brasileira, por conta da passagem do trem pelo meio das bugigangas. Os ambulantes colocavam o material de venda sobre os trilhos imprensados entre barracos. No apito do trem, puxam os comerciantes suas mercadorias com tanta naturalidade como se nem houvesse perigo nenhum.
        O que nunca deu para entender foi a dificuldade de governos sucessivos em acabar de vez com a eterna imundície da Levada e toda a área da Feira do Passarinho. Sobre a remoção dos comerciantes locais, não tem cabimento o velho choro do jargão a “feira sustenta inúmeros pais de família”. Este problema social já devia ter sido resolvido há décadas. A resistência deveria ter sido enfrentada antes, quando uma estrutura digna tivesse sido construída para abrigar a todos. Esse medo das autoridades em enfrentar um problemão social e físico, fez com que se chegasse a tantas revoltas resistentes para modernizar o trecho. Aliás, nem se sabe ainda, se o local vai ser humanizado. O que urge é a presença do VLT para minorar questões que se arrastam sobre o transporte urbano. E se agora a Prefeitura corre contra o tempo para abrigar os comerciantes que ficaram sem espaço, dela mesma foi a culpa relativa às sucessivas gestões. Vamos desfilar no trem de luxo em terreno imundo, em paisagem degradante? Aguardemos os próximos cinco meses, previstos para o término das obras. Quanto ao novo local de comércio, somente o tempo dirá sobre a manutenção do nome de batismo da feira. Mesmo assim, já vamos acenando tal lencinho branco da janela do Veículo Leve sobre Trilhos: ADEUS FEIRA DO PASSARINHO!


IGNEZ MERECE Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2011   Com grande decência chega aos 86 anos de idade e 60 de carreira, a cantora, apre...

IGNEZ MERECE

IGNEZ MERECE
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2011

 Com grande decência chega aos 86 anos de idade e 60 de carreira, a cantora, apresentadora e folclorista Ignez Madalena Aranha de Lima, ou melhor, Inezita Barroso. Dona de uma poderosa voz e um amor exacerbado pela música de raiz do Sudeste e Centro-Oeste, Inezita sempre abraçou essa causa sem se envergonhar jamais do termo: “caipira”. Sua luta fazendo o que gosta, apresentando e divulgando as duplas da música sertaneja, sempre homenageando os velhos troncos que gravaram seus clássicos regionais para o Brasil inteiro, é uma dama da melhor expressão da palavra. É ela quem leva esse interessante lazer aos nossos lares, trazendo a pureza e a simplicidade do campo, para esse meio sonoro tão poluído de hoje em dia. Quem não conhece o limpo programa “Viola, Minha Viola”, gravado no auditório do teatro Franco Zampari, apresentado na TV toda quarta-feira? Gostaríamos também de participar daquele encontro às tardes da Avenida Tiradentes, em São Paulo. Numa época em que as coisas mudam extraordinariamente, Inezita nunca baixou a cabeça em levar adiante as raízes sertanejas. Isso vai lembrando grandes folcloristas alagoanos com Téo Brandão, Pedro Teixeira e outros abnegados cidadãos apaixonados pelas nossas tradições. Segundo página da “Folha”, vamos ouvindo o programa musical mais antigo da TV brasileira. Para comemorar a data, a Cultura exibe hoje às 9h, com reprise no próximo sábado, às 20h, uma versão especial do programa. Como nos bons tempos da era do rádio, Inezita aparece acompanhada de 27 músicos de orquestra, cantando alguns clássicos de sua carreira, como "Flor do Cafezal", "Meu Limão, Meu Limoeiro" e "Lampião de Gás". (FOLHA.com).
        Todos sabem como é difícil levar qualquer programa ao ar, principalmente relativo às nossas tradições, pois é logo chamado maliciosamente de coisa velha, coisa do tempo antigo, coisa que não se usa mais. É preciso muita determinação, persistência e ouvidos tapados para a continuação do objetivo. Se fosse, no caso de homem, diríamos que é preciso ser muito macho para levar o programa adiante e vencer todas as barreiras colocadas artificialmente no caminho a ser trilhado. No caso de Inezita, afirmamos que é preciso ser muito mulher, para enfrentar as ladeiras que levam ao sucesso. Aos 86 anos, completamente lúcida, apresentando seu programa sempre com alegria e simplicidade, Inezita Barroso soube conquistar os corações dos brasileiros que amam os nossos sertões.
        Inezita vai, garbosamente, gravando para sempre o seu nome no Brasil, na música de raiz e hoje, nós já a consideramos um ícone, um mito, a exemplo do insigne Ariano Suassuna. É assim que ela absorve toda homenagem preparada com esse fim, mesmo porque ainda cabe muito mais. Vamos continuar descansando a alma com as apresentações de Inezita as quartas e pelos menos sentindo o odor das suas caipirinhas (sem vodca) aos sábados. Parabéns mesmo Inezita Barroso, IGNEZ MERECE.