CACIMBINHAS Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2011           Empenhado em nossa organização de livro sobre Virgulino Ferreira da...

CACIMBINHAS


CACIMBINHAS
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2011

          Empenhado em nossa organização de livro sobre Virgulino Ferreira da Silva, temos referências várias sobre a nossa tão querida cidade Cacimbinhas.  Município alagoano localizado no meio do caminho Santana do Ipanema ─ Palmeira dos Índios, Cacimbinhas foi ponto de descanso e referência de quem transitava do alto Sertão à Maceió e vice-versa. Tempos das estradas de terra, buracos e solavancos, poeira e lama que enganchavam as viagens sertanejas à capital. Originária no sítio Choan, o atual município recebia caçadores de Pernambuco ─ com o qual faz fronteira ─ que acampavam no sítio, nas proximidades de uma cacimba onde havia um limoeiro. Com mais pessoas parando por ali para descanso, outras cacimbas foram cavadas gerando, assim, a denominação do município. Quem nasce em Cacimbinhas é cacimbense. E quem é cacimbense tem orgulho de sua fundação que aconteceu em 19 de setembro de 1958. Atualmente o município faz parte da Microrregião de Palmeira dos Índios e da Mesorregião do Agreste Alagoano. Possuindo uma área de 272, 978 km2, com a distância de 177 km da capital, Cacimbinhas tem como sua padroeira, Nossa Senhora da Penha, celebrada em 8 de setembro. Com mais de dez mil habitantes, o município conta com atrações, além da festa da padroeira, como Festa de Santos Reis, Baile do Sábado da Aleluia. Forró Fest, emancipação política e ainda o Baile Macabro realizado em novembro. Para quem quer fazer visita turística, a recomendação é a serra do Cruzeiro com a capela de São Francisco e o castelo medieval da fazenda Alfredo Maya.
          No início da década de vinte, Cacimbinhas recebia um bando de cangaceiros chefiados por Pedro, um dos famigerados irmãos Porcino, cujo bando abrigou o mais célebre, Lampião. Isso gerou dor de cabeça para o governo que convocou o comissário de Palmeira dos Índios e enviou tropas para Cacimbinhas. Além da década de vinte, Lampião usou Cacimbinhas outras vezes nos anos trinta, pela sua proximidade fronteiriça com Pernambuco. Ali foi sempre a porta de saída de Virgulino que geralmente entrava em Alagoas por Água Branca ou Mata Grande, via Piranhas, saída Cacimbinhas em busca de Bom Conselho (PE), e imediações.
          Dizem os historiadores que os primeiros habitantes chegaram por volta de 1830. Após os primeiros habitantes, chegou a Cacimbinhas José Gonzaga que se associou a Clarindo Amorim par a construção da linha do telégrafo, ligando Palmeira dos Índios a Santana do Ipanema. Gonzaga, além desse feito histórico sobre comunicações, criou a primeira feira, com bastante movimento.
          Dos tempos da estrada de terra, o que mais me chamava à atenção era a linha do telégrafo margeando a estrada, em cujo tempo de inverno, víamos passarinhos encolhidos sobre o fio. Ainda hoje quando passo entre Cacimbinhas e Palmeira dos Índios, nunca deixei de procurar com a vista os postes históricos e o fio que parece que foram retirados. Por que não estão em um museu municipal em uma das três cidades do trajeto? Aproxima-se o tempo de festa. Cacimbinhas entrou também em dois romances meus ainda inéditos: “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”, com os personagens fictícios Né de Zeca e João de Brito, respectivamente. Ah! Mas isso são outras histórias. Bênçãos a CACIMBINHAS.
·         Visite também o blog do autor: clerisvaldobchagas.blogspot.com




A FERROVIA DO DIABO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2011           Um terremoto de magnitude 7,0 atingiu nesta quarta-feira (24) o...

A FERROVIA DO DIABO


A FERROVIA DO DIABO
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2011

          Um terremoto de magnitude 7,0 atingiu nesta quarta-feira (24) o Peru, com epicentro perto de Pucallpa, próximo à fronteira com o Brasil. O tremor aconteceu 82 quilômetros ao norte de Pucallpa, região de floresta amazônica peruana. Entretanto esse tremor foi sentido no estado brasileiro do Acre. A cidade acreana de Cruzeiro do Sul, por ficar mais perto da fronteira, 180 quilômetros, captou um tremor através da fiação da iluminação pública que começou a balançar sem vento algum. Em um dos supermercados da cidade, mercadorias caíram das prateleiras. Rio Branco, capital do estado, mesmo estando distante do epicentro mais de 600 quilômetros, sentiu um leve tremor, deixando as pessoas apavoradas, desocupando os prédios com rapidez.
          E por falar em Acre, vem à tona os trabalhos de um esforço hercúleo para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, um dos episódios mais tristes da história do Brasil. As terras do Acre pertenciam a Bolívia, mas eram constantemente invadidas por brasileiros em busca da seringa, o látex, a seiva da seringueira que se transforma em borracha. Quase houve naqueles tempos uma guerra entre Brasil e Bolívia, evitada graças à intervenção do ministro para o Exterior Barão do Rio Branco. Após diversas negociações diplomáticas, foi assinado o Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903. Conforme o acordo, o Acre foi cedido ao Brasil, mediante o pagamento de dois milhões de libras. O governo brasileiro se comprometeu, ainda a construir a ferrovia Madeira-Mamoré, para escoar a borracha produzida pela Bolívia.
         As empresas contratadas para a construção da ferrovia desistiram após inúmeros casos de malária e os constantes ataques de indígenas. Essas obras paralisadas só foram retomadas em 1907 pela empresa Madeira-Mamoré Railway CO., que contratou cerca de 30 mil trabalhadores. No meio, muitos imigrantes. Centenas de trabalhadores, porém, morreram nos primeiros três meses de trabalho. Havia ainda os ataques dos índios caripunas. Esses índios arrancavam os dormentes dos trilhos, dando um trabalho medonho à empresa. Com um gesto meio maluco, a empresa resolveu eletrificar os trilhos matando eletrocutados, assim, centenas dos índios caripunas. Foram registrados diversos casos de loucura dentre os que conseguiram escapar às doenças tropicais.
          Finalmente, em 1912, a ferrovia foi construída, mas custou a vida de quase todos os trinta mil trabalhadores. Depois de tantas infelicidades, não havia mais o que transportar porque Bolívia e Brasil haviam perdido competitividade para a borracha da Ásia, cujas sementes do Brasil haviam sido levadas como contrabando pelos ingleses. Os irmãos cearenses muito sofreram como soldados da borracha naquela região amazônica. São páginas de um heroísmo triste na FERROVIA DO DIABO.




O JUMENTO DO MARANHÃO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2011 .            Rapaz! Jumento é um animal interessante que já foi can...

O JUMENTO DO MARANHÃO


O JUMENTO DO MARANHÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2011.

           Rapaz! Jumento é um animal interessante que já foi cantado por Luiz Gonzaga e mais uma porção de outros cantores. Entrou na Literatura, saiu no lado oposto. Recebe apelido de todo jeito: é asno, babau, inspetor, jegue, jerico, cabeçudo e assim por diante. O falo faz inveja a muitos homens e, as mulheres... Deixe pra lá! O bichinho é obediente, serve muito nas fazendas do Nordeste carregando palma, lenha, capim, água, carvão, frutas... E gente! Sim, quando o jumento é de carga o sujeito vai à garupa. Quando bom de sela é brinco. Corre solto nos cercados ou em lotes, mordendo, escoiceando, divertindo-se. Persegue as jumentas por entre espinhos de macambira, zurra como um danado e nas horas vagas também procura as éguas. Quando você quebra o relógio, o babau avisa a hora. Se é meio-dia, a sombra desce para a barriga. Nos ataques da onça, o coice “vadeia”! Se enfrenta cavalo, a mordida come! Nas secas brabas, o bicho devora casca de pau, engorda e zomba do tempo. Se alguém o chama de burro ele não gosta. Burro é burro, jumento é jumento, ora bolas! Ele é bonzinho, bonzinho, mas quando empanca, ai, ai!... Só não sei se gosta de trator. A tecnologia deixou o bichinho desvalorizado. Tem jegue vagando por aí que não vale sequer um real. Anda emparelhado nas estradas, provocando acidentes de trânsito. Mas o Nordeste deve muito ao jerico que não enjeita trabalho, inclusive em Santana do Ipanema existe uma estátua na entrada da cidade em homenagem ao seu esforço, o grande ajudante da coragem humana.
          Ultimamente o jegue voltou às páginas. Em Santana, autoridades estadual e municipal preocupam-se com suas perambulações, ou será inveja do seu vigor? Um dos site da cidade mostra foto, ironiza a pauta do dia da Câmara, cujo vereador sem assunto resolve defender jumento. Agora o presidente do Senado, José Sarney, é criticado porque voa a passeio nas aeronaves do estado. Cada um que queira espetar o bigode de Sarney com denúncias sérias ou irônicas. Um defende outro ataca. O presidente se arma perguntando se quem o critica prefere que ele ande a jumento. E lá vai o jerico de Sarney marchando com toda pompa entre os belíssimos lençóis maranhenses. Lá em baixo o presidente sem espora vai acenando para os helicópteros, os jatinhos executivos, as aeronaves militares lá em cima, brincando com as nuvens.
       Apertam-se os laços contra os desmandos do país. Entre discursos, crônicas, charges e passeatas, as consciências civis vão saindo das fossas abissais, emergindo nas águas da moral, para forçarem um tsunami de ordem na anarquia secular. Pelo menos simbolicamente um quadrúpede ganha à mídia. Não importa se o babau é de Alagoas, Bahia ou Pernambuco, abaixo a mordomia do aeroplano, gritam eles, valorizemos o JUMENTO DO MARANHÃO!