LAMPIÃO E O COURAÇADO Clerisvaldo B. Chagas, 03 de outubro de 2011 Dependendo do humor de Lampião o sujeito que lhe caísse nas garras pode...

LAMPIÃO E O COURAÇADO

LAMPIÃO E O COURAÇADO
Clerisvaldo B. Chagas, 03 de outubro de 2011

Dependendo do humor de Lampião o sujeito que lhe caísse nas garras poderosas, tanto podia continuar vivo, quanto se despedir para sempre. Vivendo momento de graça o bandoleiro, um caixeiro viajante da firma Alves de Brito & Cia., do Recife, defrontou-se com o bando numa estrada de Pernambuco. O veículo foi interceptado. O caixeiro de nome Manoel Campos, foi intimado descer do veículo e ficou como peru na chapa quente. Acontece que Virgolino Ferreira da Silva, simpatizou de primeira com o novo prisioneiro e começou a interrogá-lo sobre seu ramo de negócio. O preso, de nervoso passou a se sentir bem com as perguntas de um Lampião interessado. Como era bem falante, Manoel abriu os mostruários dos seus produtos e foi explicando ao bandido o que tinha para vender, como funcionava tudo, os preços das peças, as encomendas, diante do chefão entusiasmado. E embora tivesse dúvidas do desfecho da novela, o representante de Alves de Brito estava gostando da palestra com o cangaceiro que cada vez mais puxava por ele.  Aliás, é sabido que todo viajante comercial é farofeiro, não deixando de maneira alguma criar ferrugem na língua.
Lá para às tantas, Manoel Campos teve a ideia de indagar de Lampião, se ele já tinha ouvido falar do “Minas Gerais” ─ o vaso de Guerra capitânea da nossa Esquadra. Não havia dúvida de que o capitão já ouvira falar por alto. A ideia concreta, do poderoso vaso, foi a grande salvação de Campos. Maluco por armas e guerras, Lampião ouvia a descrição do navio couraçado, bestinha da silva, nas tinturas do caixeiro viajante. Campos foi de popa à proa descrevendo as maravilhas. E sua potência de fogo? Uma coisa espetacular! Com um tiro só das suas baterias até o palácio do presidente da república poderia ser transformado em cacos! Como navegava bem! Como era respeitado e temido esse danado vaso de guerra da Marinha Brasileira. Era uma fileira de canhões que só vendo! Menino! Dava gosto trabalhar numa máquina de guerra gigante daquela!
            Lampião escutava o viajante Manoel Campos, como uma criança ouve a história de uma onça brava, de boca aberta de entusiasmo e inveja! O homem ali presente, de fato sabia exercer a sua profissão de contador de façanhas. E conclui sua verídica história o escritor Valdemar de Souza Lima, dizendo que Lampião ficou extasiado. E dando a sentença de soltura ao prisioneiro falador, colocou sua mão no ombro dele e disse com ênfase: “Rapaz! Mal empregado eu não ter podido pegar um vapor de guerra assim, pois Mossoró nas minhas unhas não tinha dado um caldo!”
          Estava salvo da morte o viajante, graças ao nosso glorioso navio e o desejo de LAMPIÃO E O COURAÇADO.

DESPACHANDO NAS BRUXELAS Clerisvaldo B. Chagas, 3 de outubro de 2011             Mais uma vez estamos viajando pelo mundo para dar uma esp...

DESPACHANDO NAS BRUXELAS

DESPACHANDO NAS BRUXELAS
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de outubro de 2011

            Mais uma vez estamos viajando pelo mundo para dar uma espiada em Bruxelas, capital da Bélgica. Quem gosta de história universal, pode até passar meses naquela região fazendo suas pesquisas, cujas fontes parecem inesgotáveis. Para diversos segmentos, a capital representa o centro de importantes decisões no continente. Apenas para demonstrar a importância de Bruxelas, não existe oficialmente uma capital da União Europeia, porém, Bruxelas é considerada como tal. É lá onde se localiza a sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN. Aliás, desde o final da Segunda Guerra Mundial, Bruxelas foi importante centro político do mundo. Essas coisas vieram a favorecer a cidade como lugar poliglota para onde convergem muitas organizações internacionais, políticos, funcionários públicos e diplomatas. Pode-se dizer sem medo de errar sobre a respeitabilidade do país internacionalmente. E caso você se preocupe com o idioma, a língua francesa vai aumentando cada vez mais a sua influência sobre a língua falante do lugar que é o neerlandês. Bruxelas cresceu de uma fortaleza no século X.
            É nessa cidade poliglota, limpa, respeitável e acolhedora que a presidenta Dilma pôs os pés, ontem, para tratar de assuntos com a cúpula da UE. Dentro daquelas formalidades costumeiras da Europa, Dilma participará hoje e amanhã, dos assuntos dominantes sobre Economia. O Brasil continua na insistência de protagonista global e não apenas coadjuvante. Para atingir os objetivos, se não dá para ir pelas estradas, caminha-se pelas veredas, pois já dizia nosso caboclo que todo caminho vai à venda. O Brasil tratará de assuntos como colaboração em ciência e inovação. E quem quer de fato se modernizar, tem que esquipar à frente e não correr atrás. Haverá reunião bilateral entre os governos do Brasil e da Bélgica que seria bom sabermos o resultado. Mas também haverá reuniões com os grandes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia. Entra em pauta a crise do euro e outros assuntos correlatos que nos interessam de perto. “Na cúpula, Dilma discutirá com a UE o papel do G20, (que reúne os países ricos e principais emergentes) na ajuda financeira aos países afetados pela crise econômica”. Amanhã, a presidenta brasileira será recebida pelos reis da Bélgica e, à tarde, inaugurará o festival cultural bienal Europalia, que este ano será dedicado ao Brasil.
          Vamos ou não vamos? Aos poucos, estamos espantando as bruxas e DESPACHANDO NAS BRUXELAS.

FARUK, O GÊNIO DA CIÊNCIA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de setembro de 2011              Quando eu era rapazinho, apareceu em Santana do Ipane...

FARUK, O GÊNIO DA CIÊNCIA

FARUK, O GÊNIO DA CIÊNCIA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de setembro de 2011

             Quando eu era rapazinho, apareceu em Santana do Ipanema, Alagoas, uma fábrica de fantasias. Não lembro mais o nome do circo. Sei que foi armado no mesmo local onde os iguais acampavam e armavam as lonas coloridas. Entre os fundos da atual Delegacia de Polícia e a presente Rua Marinita Peixoto Noya, Bairro Monumento, muitos circos alegraram crianças, jovens e adultos da terrinha. Alto-falante no mastro central, músicas entre fanhosas e limpas, começava logo cedo o chamariz para o espetáculo “jamais visto por aqui”. O circo a que me refiro não era ruim. Tanto é que estava lotado dias e semanas sequidas. Havia duas ótimas cantoras. Uma jovem e bonita e uma senhora entre sessenta e cinco a setenta anos, baixinha, forte e loura. Quase sempre a senhora cantava uma música dizendo sempre que era a pedido. Não recordo o nome da página musical, mais algumas frases:

 “Brasileiros... Brasileiras...
                                Levantai nossa bandeira com amor”...

 A velhota bem que era aplaudida, principalmente quando se balançava e jogava a perna para frente, como quem chutava uma bola. A outra cantora também fazia sucesso, dois ótimos palhaços e o mágico que se vestia como de praxe, todos de preto com fraque e cartola. Na vez do mágico, o anúncio era solene e muito interessante. “Tratava-se de um dos melhores mágicos do mundo”, Faruk, o gênio da ciência! E Faruk não decepcionava. Após a alegria geral com rumbeira, cantores, palhaços, chegava à vez da concentração; do silêncio total que invadia o circo e o nosso interior. O mágico não falava. Apenas ia fazendo claramente suas armações acompanhadas pelos olhares duros e rápidos da plateia. Eram muitas mágicas sucessivas, bem como sucessivos eram os aplausos
Ao terminar o espetáculo, vinha a música nostálgica de despedida. A multidão ia se retirando plenamente satisfeita e até com um pouco de frustração em ter encerrado aquelas três horas de devaneios. Tudo ia ficando na cabeça, levado para casa pelas ruas já desertas da cidade. No outro dia, e no outro, e no outro, estávamos lá novamente, provando da pipoca cheirosa da entrada; escolhendo moça bonita para sentar junto, aplaudindo cantores, palhaços e o medonho imponente mágico Faruk, o gênio da ciência.
          E vamos hoje vivendo esse mundo violento nas ruas, na política, nos lares, vendo o homem ainda ser explorado por outros mágicos que nos levam tudo. Que não têm compromisso com a fantasia, com a dignidade, com o puro sentimento que ainda resta dentro de cada um. Predomina ainda a inveja, o egoísmo refinado, a trama diabólica e o mimetismo da covardia acumulada. O mundo é mesmo uma luta! Muito mais! Combates sucessivos que desaguam numa guerra. E vamos cada vez mais ficando carentes de fantasias, de novos circos, de sensitivos espetáculos, como a negra imponência beneficente do MÁGICO FARUK, O GÊNIO DA CIÊNCIA.