MULHER-BESTA – HOMEM-CAVALO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3347   Já ...

 

MULHER-BESTA – HOMEM-CAVALO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3347

 



Já falei sobre o assunto há muito. Mas, novamente ao abrir a porta da rua me deparo com a catadora idosa carregando carroça no lugar do cavalo, repleta de material reciclável. E por honesto que seja o trabalho, é degradante e deixa o ser humano num lugar de dignidade na escala, quase invisível. É a mulher-besta é o homem-cavalo, carregando carroças de burros. Ora se existe uma cooperativa e muito apoio do governo federal para os catadores, por que as próprias cooperativas não procuram resolver esse tipo de vergonhoso problema? Arranjar financiamento para motores e distribuir esse motores entre os seus membros, que poderá ser moto com caçamba ou outro tipo de veículo disponível no mercado. Já ouvi muita reclamações de catadores sobre cooperativa e diante de explorações, preferem atuações particulares, solitárias.

As prefeituras de todas as cidades do Brasil, aonde catadores trabalham, deveriam dá completa assistência às cooperativas, entre os catadores e as cooperativa, entre as cooperativas e as fontes de recepção do material reciclável vendido. Não se pode deixar que    aqueles que deixam sua cidade limpa virem zumbis. Ora, o que a sociedade enxerga é abandono, egoísmo, cinismo e falta de humanidade. Dificilmente uma pessoa equilibrada e atenta não figa indignada com cenas degradantes e chocantes no dia a dia daqueles que limpam sua cidade.

Fomos, então, pedir ao poeta repentista Zé Coxó que ilustrasse nossa crônica com sua sábia opinião. Ele despachou na hora:

 

Se o catador catasse

Dinheiro pra prefeitura

Era vestido de ouro

Da prata mais fina e pura

Na ingratidão dos homens

Navega na amargura.

 

(FOTO: HOMEM-CAVALO).



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