UM VERDADEIRO HOMEM Clerisvaldo B. Chagas, 24 de outubro de 2012. Crônica Nº 892 J. Barbosa. Foto: F. Bezerra Jr./EFE Neste...

UM VERDADEIRO HOMEM



UM VERDADEIRO HOMEM
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de outubro de 2012.
Crônica Nº 892

J. Barbosa. Foto: F. Bezerra Jr./EFE
Neste Brasil, estamos cansados de saber, os ícones da maioria são jogadores, cantores ou astros de novelas. Eles estão sempre na mídia, arrebanhando atenção popular. Bons, ruins ou medíocres, como pilhas de canções bregas, sem pé e sem cabeça, sem letra, sem melodia, sem nada. A zoada predomina em muitas apresentações para uma juventude que não alcançou a boa música. Difícil é uma pessoa fora dessas áreas e da política ganhar notoriedade por grandes empreendimentos de benefícios ao ser humano. Um valoroso cientista, um médico que descobriu determinado tipo de doença ou venceu para a cura de outras, dificilmente ganham um espaço decente para suas descobertas. Citamos um cientista, um médico, como outro qualquer grande profissional em um ramo diferente. Os próprios escândalos de personagens da televisão, dos estádios, dos palcos, da bandidagem dos morros, rendem mais do que doença. E nós, brasileiros, vamos engolindo um bocado de porcarias e lembrando Chico Anysio: “Vai comendo, vai comendo...”.
Nessa conjuntura, numa olhadela quase impossível, surge um homem, simples, negro, sofrido, inteligente e com sede de Justiça, no STF – Supremo Tribunal Federal. O Ministro Joaquim Barbosa, aos poucos, foi marcando o seu território e se impondo primeiro como ser humano e depois como um bastião dos que clamam pela própria Justiça e, Justiça decente. Dessa vez, a mídia ajudou sim, a entornar o supérfluo de todo dia e, a mostrar a seriedade de um trabalho sob desconfiança geral. O julgamento do chamado Mensalão, para surpresa do Brasil, estar funcionando de verdade e implantará esse marco extraordinário para o presente e para o futuro da seriedade política brasileira. Sendo firme em seus pronunciamentos em favor da moralidade, o ministro Joaquim Barbosa, ganhou definitivamente a simpatia dos que têm vergonha e sentimento de brasilidade. Diante do poder econômico e político que oprimem e pressionam os paladinos, Joaquim Barbosa, mesmo que não se sinta herói nacional, já o é.
As manifestações de ruas em apoio ao Supremo, as máscaras do Ministro Barbosa em relevância, dizem bem que uma coisa muito boa estar acontecendo neste país. Os infames que se cuidem, isso é só o início. Ou rompe a porteira ou estoura o curral. O Brasil precisa descobrir muitos outros Barbosas, UM VERDADEIRO HOMEM.

O PERIGO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de outubro de 2012. Crônica Nº 891 (poesia) “O risco de viver é diferente Que o perigo espre...

O PERIGO



O PERIGO
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de outubro de 2012.
Crônica Nº 891 (poesia)
“O risco de viver é diferente
Que o perigo espreita em cada esquina”

Muitas vezes a vida é azulada
Igualmente às estrelas “piscadoras”
Alvorada de cores sonhadoras
Planura de grama imaculada
Outras vezes parece não ser nada
Sem o vinho mais forte da bonina
Desbotado mortiço de opalina
Um braseiro contínuo de Sol quente
O risco de viver é diferente
Que o perigo espreita em cada esquina

Ligeiro é corcel de esperança
Montado por forte viajante
Cortando a campina verdejante
Em galope nos campos de bonança
De repente a vista só alcança
Um remanso, u’a baixa, uma colina
A estrada se estreita e se afina
Devaneios não seguem mais à frente
O risco de viver é diferente
Que o perigo espreita em cada esquina

O perfume saído dos rosais
Penetra às narinas delicadas
Ecoando nas brisas das quebradas
Mensagens palmilham os carrascais
Já depois a natura não quer mais
Melodias chegadas em surdina
A procela se forma da “ondina”
O cordeiro se vira num valente
O risco de viver é diferente
Que o perigo espreita em cada esquina

Louvores à vida são cantados
Sob luzes de prata dos luares
Os solfejos mais belos dos cantares
Fazem trilhas nos montes multicores
Acenam os sorrisos dos amores
Numa cena fugaz e matutina
Vem à nuvem mais negra e repentina
O cenário é mudado novamente
O risco de viver é diferente.
Que o perigo espreita em cada esquina
· Reprodução permitida somente com identificação completa (autor, numeração, título e blog: clerisvaldobchagas.blogspot.com).

A ESTRADA DE LAMPIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de outubro de 2012. Crônica Nº 890 Trecho Carié/Inajá. Foto: (Blog do Bernardin...

A ESTRADA DE LAMPIÃO



A ESTRADA DE LAMPIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de outubro de 2012.
Crônica Nº 890

Trecho Carié/Inajá. Foto: (Blog do Bernardino - Cada Minuto)
Novamente, depois de mais de quarenta anos de luta e promessas enganosas, eleições e desespero, volta à baila a estrada de Lampião. Esse é um trecho da BR-316 que vai desde o maior entroncamento do Nordeste, Carié, Alagoas, à cidade de Inajá, Pernambuco. Trata-se de uma imensa reta cortando a caatinga no peneplano sertanejo, que interliga as cidades do Alto Sertão alagoano: Canapi, Inhapi e Mata Grande e Água Branca, no primeiro plano. O asfalto demora tanto a chegar que o sítio Carié virou povoado e algumas das cidades ganharam asfalto estadual por trás. Inúmeras manifestações foram feitas pelos moradores da região e, se não for mais uma peça, o asfalto está para sair. Diz certo deputado, que a estrada será pavimentada pelo PAC. A notícia é que o Ministério dos Transportes acaba de assegurar a pavimentação com o valor estimado em quarenta milhões. A bancada de deputados federais de Alagoas assegura o que foi acordado com o ministro, para o trecho que compreende 49 quilômetros de extensão. Além de facilitar o escoamento da produção, a estrada garante geração de emprego e renda e deverá atrair investimentos para os dois estados.
Essa região da estrada BR-316, foi motivo de muitas andanças de Lampião e Corisco, pelos municípios serranos de Água Branca e Mata Grande. No raso da caatinga, o bandoleiro também atacava Inhapi, Pariconha e Ouro Branco, além de ter fretado viagens em burros para a atual cidade de Delmiro Gouveia. Vimos que apenas 49 km separava o Carié de Inajá, o que facilitava a vivência de Virgolino entre um estado e outro. Inajá, em Pernambuco, era conhecida como Espírito Santo e, foi perto dali que aconteceu o grande combate entre Virgolino e José Lucena, considerado uma das quatro maiores batalhas do cangaço. Quando houve a distribuição de volantes alagoanas pelo sertão, com sede em Santana do Ipanema, a partir de 1936, o encarregado dessa região passou a ser um homem de confiança do governo, sargento José Joaquim, chefe de volante. Corisco preferia agir na zona de serra, por ser nativo de Água Branca e a área ser de imensa fartura e esconderijos. Moreno, substituto de Virgínio tinha predileção pela planura e agia muito entre o Canapi, Alagoas, e Tacaratu, Pernambuco.
     O asfalto pode estar chegando mesmo, depois de longa anedota. Mas ainda se conta muitas histórias de cangaço nas caatingas do velho entroncamento Carié. Para a maioria dos seus habitantes, um trecho que pede socorro. Para outras pessoas, A ESTRADA DE LAMPIÃO.