BUCHADA NO BUCHO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de abril de 2019 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.087 BUCHADA. (Foto: C...

BUCHADA DE BODE


BUCHADA NO BUCHO
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de abril de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.087
BUCHADA. (Foto: Cyberccok.com.br.buchada-de-bode).

Já dizia o forrozeiro alagoano Jacinto Silva:

“Eu faço uma buchada
De bucho de bode
   Que o sujeito come tanto
   Que mela o bigode”.

Comida grosseira do Nordeste de miúdos de bode ou de carneiro, cozidos em pedaços de buchos cosidos do próprio animal. Antiga iguaria dos sertões que também faz sucesso nas capitais nordestinas e nas feiras do Sudeste. No sertão, anda-se léguas a pé para se comer uma buchada. Segue-se o ditado sertanejo: “buchada só presta com cachaça”. Em toda família do sertão sempre tem um especialista no assunto que pode ser homem ou mulher. Na minha terra, Santana do Ipanema, sempre se sucederam mestres e mestras que adquiriram fama na arte. Alguns anos passados o ponto de referência da buchada no município, era o restaurante da Dona Neguinha no sítio da região serrana de Camoxinga dos Teodósio.
Mas há quem não goste de buchada, como o saudoso Diógenes Medeiros: “Quem tiver suas buchadas que soque no c...”. Os traumatizados com um prato mal feito passam a odiá-la mesmo. Não foi à toa que fomos prestigiar um amigo que havia aberto um bar no centro da cidade. Pense na alegria do encontro! Mas quando a buchada foi posta à mesa, comadre, não ficou um só da nossa turma. São essas coisas que acontecem com quem se mete a fazer o que não sabe. Em nossas andanças por Garanhuns, descobrimos um ponto que fazia o que chamamos de “cheio”, da buchada. Embora amarelada, diferente das do nosso sertão, mandava bem no sabor e vendia bastante para viajantes.
E durante o nosso Curso de Especialista em Geo-História, estávamos receosos da dureza de certo professor. Descobrimos, porém, que ele gostava de beber. Conseguimos arrastá-lo para a buchada de Dona Neguinha, na Camoxinga dos Teodósio e “matamos o professor a cacete”. Salvos pela buchada!
Ultimamente um amigo de 80 anos dizia diante da famosa: “É um absurdo, se comer uma comida dessas!”. Se é absurdo nem sei... Mas pergunto aos santanenses: qual é o novo Point da buchada em Santana do Ipanema?

O CAMINHO DA SABEDORIA Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2019 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.086 AMANHECER NA...

O CAMINHO DA SABEDORIA


O CAMINHO DA SABEDORIA
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.086
AMANHECER NA SERRA DO ORORUBÁ, PESQUEIRA, PE. FOTO: B. CHAGAS.

Espaço para o padre Roque Schneider:
“Viver é peregrinar, seguindo em frente rumo ao futuro. Mas significa também retornar, de quando em quando, ao passado para se reabastecer e revigorar na caminhada do dia a dia.
Saber ou não saber o que a gente quer e busca na vida marca uma diferença enorme, decisiva e fundamental, no coração humano.
Barco existencial sem leme, sem direção se perde nas ondas da desmotivação, encalhando com facilidade na praia arenosa da dúvida, da incerteza, da displicência preguiçosa.
Para um indivíduo tristonho, inseguro, desanimado, os ventos choram. Para um cidadão alegre, criativo e otimista, os ventos cantam aleluias de festa, cantigas de euforia, de triunfo, de libertação.
Ser cristão é sacralizar o trabalho e o descanso, a vitória e a derrota, o encontro e o desencontro, o sonho que se realizou e a esperança que faliu, embebendo de Infinito as vinte e quatro horas de cada dia.
Quem espiritualiza o profano confere um toque de fé, de esperança e sabedoria infinita à rotina do seu viver, sorrindo perante os desafios do cotidiano.
Este é o caminho da sabedoria e do bom senso: levar a sério nossa existência, sem nunca perder a simplicidade, o bom-humor, o coração de criança.
Quem se alimenta na prece, na meditação orante e no pensamento positivo, jovial, é um peregrino sereno, equilibrado, criativo e perseverante.
Criatura humana, desvinculada do Alto, perdeu seu endereço, mutilou sua estrutura fundamental.
Não jogue fora, infantilmente, o que você tem de mais sagrado, precioso, essencial: seu vínculo com o Criador celeste.
Sorria e cante alegre, minha irmã, meu irmão, em clima de festa e gratidão. Existe alguém que ama você desde toda a eternidade: o Cristo da Misericórdia, da Eucaristia, da Ressureição, redentor da humanidade”.
(SCHNEIDER, Pe. Roque. Mensageiro do Coração de Jesus. Abril 2019, pág. 46).

  

O CAMPO DE AVIAÇÃO E O SAPO DA BARRIGUDA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2019 Escritor Símbolo do Sertão Alagoan o Crônica:...

O CAMPO DE AVIAÇÃO E O SAPO DA BARRIGUDA



O CAMPO DE AVIAÇÃO E O SAPO DA BARRIGUDA
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.085
 
(FOTO: B. CHAGAS/REPENSANDO A GEOGRAFIA DE ALAGOAS).
No momento em que se fala em aeroporto em Maragogi, cidade turística do litoral norte de Alagoas, Santana do Ipanema, no Médio Sertão, continua sem crescer nesse sentido. Possui o seu campo de pouso desde o tempo do teco-teco a seis quilômetros do centro da cidade, com pista de barro vermelho. Passando ao lado da pista abandonada, tomam-se rumo aos sítios da zona sul, prosseguindo até a cidade de Senador Rui Palmeira. Pista sem asfalto que não chega nem um aviãozinho para divertir a meninada como na década de 60. Entra prefeito e sai prefeito e nada de aproveitar o campo de aviação, para viagens mais rápidas à capital. Antigo lugar de encontro de casais e fumadores de maconha, o campo parece predestinado ao desprezo.
Cercado pelos sítios Bigula, icó e Várzea da Ema, dizem que faz parte do sítio Barriguda.
Foi ali perto, na margem direita da AL-130, que o saudoso funcionário Luiz Dantas, comprou uma chácara. Artista do olhar aguçado enxergou a forma de um sapo numa pedra na parte baixa da sua propriedade. Pouco tempo depois, a rocha se transformava num sapo de pedra e passava a ser a atração máxima de quem trafegava pela AL-130. Milhares e milhares de fotografias foram tirados dos mais diferentes ângulos, por turistas e outros viajantes que se encostam à cerca de arame farpado e mandam fogo naquela direção. Muitos não se conformam e pedem aos moradores da chácara para entrar na propriedade, fotografar de perto e até escalar as costas do animal.
Tudo é no sítio Barriguda que ainda oferece pequenos bares e restaurantes para quem quer fugir de cidades adjacentes em fins de semana.
Muitas outras formas de animais encontramos nas estradas em rochas e vegetais secos, árvores mortas, como hienas, socós, jacarés, cobras... Mas o problema é que não encontramos mais talentos e disposição de artistas para ornar os nossos caminhos. A pedra do sapo do saudoso Luiz Dantas está em nosso livro “Repensando a Geografia de Alagoas” e que continua inédito.
Um dia chegará a vez do campo de pouso e os sapos de pedras povoarão nossos sertões.