O SILÊNCIO DAS PROCISSÕES Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.287 IGREJA DE S...

O SILÊNCIO DAS PROCISSÕES


O SILÊNCIO DAS PROCISSÕES
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.287
IGREJA DE SÃO PEDRO. (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).

Padre Cirilo no comando, sacristão Jaime batendo a matraca e o longo cortejo sem fim, pela Rua Antônio Tavares. Respeito absoluto de Santana do Ipanema à Semana Santa em lutos milenares nos corações santanenses. Cântico tradicionais, imagens isoladas no roxo, rio triste e calado, na areia, nas águas, nas pedras... Um vácuo no mundo. Na prévia das casas o bacalhau, o peixe, coco, bredo,  beldroega e sentimento tocando à culinária. Vestido comprido, tule preto, cabeça descoberta, homens e mulheres comovidos na procissão transbordante de amor. A multidão se arrasta pelas ruas, praças e avenidas sobre o barro, sobre pedras quadriculadas. Charolas navegam naquele mar de gente entre calçados ricos e pés descalços.
Tocadas pelo temor e a cautela do novo assassino do planeta, as aglomerações retiram-se das vias citadinas. Esvaziam-se templos e logradouros numa transmutação do físico para o abstrato, dos edifícios para os sentimentos, da terra para o espaço onde moram as entidades. O homem confinado reflete e se refugia no destemor do espírito fortalecido. Roga por trás dos ramos caseiros do Domingo; na lembrança fugidia do Encontro da Quarta; e chora recolhido com a tragédia da Sexta. Não têm hinos, não ecoam as matracas, não têm os pés lavados, mas bate dentro de si um primitivo e forte sentimento das dores do Senhor dos Mundos. O ar é o mesmo, os pássaros da liberdade cantam para os recolhidos por trás das paredes, dos luzidios e metálicos portões do confinamento.
De nova maneira, a Terra vira tristeza. E pela primeira vez em décadas, não tem Semana Santa... Mas tem Semana Santa no coração que pulsa nos tecidos magnânimos. Não se enchem as ruas, mas se enchem a pele, a carne, os nervos no temor e no amor divino. Novamente as remembranças fazem desfilar um longo cordão de humanos nas vielas, nos becos, nas avenidas nos mesmos propósitos divinais da mente libertária.
Vamos fazendo em casa a Igreja do Deus Vivo.
Os templos estão dentro de nós.
Ontem foi domingo de Ramos, abrindo a Semana Santa, mas  nunca sairá do peito amoroso o ruído ou o SILÊNCIO DAS PROCISSÕES.


O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (II) Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.286 RI...

O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (II)


O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (II)
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.286
RIACHO REPRESADO PELO RIO. (FOTO: ÂNGELO RODRIGUES).

Continuação.
5. Invasão das águas. Foram invadidas pela tromba d’água do riacho Camoxinga que se forma perto da região serrana: Do primeiro entulho: Casario das ruas prof. Ernande Brandão e do Estadual (por trás); o Colégio Estadual (centro do entulhamento) Colégio Laura Chagas, Ginásio de Esportes Cônego Luiz Cirilo; murada do Complexo Educacional (pela frente); partes de duas ruas de trás do Colégio (pela frente e pela lateral por onde também escorre o riacho; várias residências até chegar a ponte sobre a BR-316, muito alta e estreita. Do segundo entulho: residências e casas comerciais da região da Ponte do Urubu e dos fundos da Ponte do Padre e calçada alta e mais a parte mais baixa do Bairro Artur Morais. Riacho represado pelas águas do rio Ipanema, invadindo tudo rapidamente.
6. Solução. Os problemas do riacho têm início ao penetrar na área urbana no início da rua prof.  Ernande Brandão, por trás.
Opção a. Retirar todas as construções pertencentes ao riacho,  uma área tão grande que seria praticamente impossível utilizá-la.
Opção b. Construir um canal em linha reta desde o início do Camoxinga urbano até o Ipanema. Impossível porque tudo já está ocupado, inclusive o comércio.
Opção c. Possível. Enlarguecer e aprofundar artificialmente as partes do trecho urbano que precisam desses serviços. Levantamento e acompanhamento da Geologia e da Engenharia. Mapeamento marcantes de cheias máximas e retiradas de construções dentro do perímetro. No lugar dessas construções seriam realizadas obras como praças, parques, etc., para evitar a volta das construções. Monitoramento constante e uso de lei. Construções extintas seriam avaliadas pelo Social e trocadas por outras em lugares seguros.
Toda essa opção “C”, é fácil de ser realizada. Precisa apenas que as autoridades tenham vontade em querer soluções. Dinheiro nunca falta aos governos.
Mesmo assim, a opção não é 100% garantida com as coisas da Natureza.
Opção d. Para desencargo de consciência. Serviço pesado de geologia e engenharia: desviar o curso do riacho Camoxinga de algum ponto da zona rural para o Ipanema abaixo da Maniçoba (uma espécie de Canal do Sertão de estudos profundos).
·        Tema exaustivo, não desejo mais voltar a ele. Obrigado.














O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (I)             Clerisvaldo B. Chagas, 1 de abril de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica:...

O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (I)


O RIACHO CAMOXINGA TEM JEITO? (I)
            Clerisvaldo B. Chagas, 1 de abril de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.285

Riacho chegando ao rio Ipanema por cima da ponte do Padre
Quando um rio, por qualquer motivo tem sua foz entulhada, forma uma lagoa ou um lago. Em Alagoas, como exemplo, temos as lagunas Mundaú e Manguaba. Elas foram formadas pelo entulhamento da foz do rio Mundaú e Paraíba do Meio.
Vejamos o riacho Camoxinga na seguinte ordem: riacho Natureza; entulhamentos; construções; Invasões da água, solução.
1.   Natureza. Imaginem o riacho Camoxinga escorrendo nos dois ou três últimos quilômetros antes de despejar no Ipanema. Tudo é Natureza. Nada do homem.
2.   Entulhamento I. O riacho faz o seu primeiro entulhamento que hoje corresponde a região do Colégio Estadual, a cerca de 1 km e meio do Ipanema). Não tem por onde passar. Força, então, uma passagem ao lado do entulhamento e consegue. Esse novo caminho corresponde hoje aos fundos das casas da Rua Prof. Ernande Brandão e os fundos do casario da Rua do Estadual, até a atual Ponte do Estadual.
3.   Entulhamento II. O riacho continua serpenteando de caminho novo e faz o seu segundo entulhamento a cerca de 200 metros antes de chegar ao rio Ipanema. Nesse caso, não procurou desvio como no anterior. Ao invés disso, escavou parte do entulho formando uma ravina ou cânion de aproximadamente, 8 metros de profundidade e conseguiu chegar ao rio Ipanema.
4.   Construções. O homem começa a fazer construções nos entulhos que pertencem ao riacho. A) É formado o casario da chamada “Calçada Alta da Ponte” no segundo entulho. Como defesa os alicerces são altíssimos para evitar as cheias do riacho Camoxinga pelos fundos. (Atualmente foi rebaixado os alicerces de algumas casas da “Calçada Alta da Ponte”. Em crônica, em alertei do perigo). B) Recentemente erguem-se prédios por toda área do segundo entulho, por trás da calçada alta, chamada Ponte do Urubu. C) Construções em cima do primeiro entulho: Estadual, Laura Chagas, Ginásio de Esporte, campo, muros e, em parte do entulho, duas ruas por trás do Colégio. D). É formada a Rua Ernande Brandão e a Rua do Estadual. D). É criado o Bairro Artur Morais, não no entulho propriamente dito, mas na parte baixa que chega ao riacho.
Tudo pertence ao riacho Camoxinga nas cheias máximas como válvula de escape e que futuramente irá cobrar o seu espaço. Já cobrou por duas vezes. Na gestão Marcos Davi e na atual.
·        Continuaremos amanhã com a parte II, “O riacho Camoxinga tem jeito?”. Invasões da água e solução para defender os habitantes.