SERTÃO É SERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2020 Escritor Símbolfo do Sertão Alagoano Crônica: 2.305DO (Foto: Do Milho) ...

SERTÃO É SERTÃO


SERTÃO É SERTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2020
Escritor Símbolfo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.305DO
(Foto: Do Milho)

Para contrariar todas as más notícias que tomaram conta do Brasil, nosso inverno sertanejo pareceu antecipado. Desde o início do mês de maio que todos os dias chove no sertão alagoano. É uma chuva mansa como dizia o padre José Augusto, na Paróquia de São Cristóvão. São verdes os arredores de Santana do Ipanema, é verde o trajeto Santana – Maceió, é verde o nosso sertão antecipando o mês de junho. Pamonha e canjica já circulam na cidade numa prévia riquíssima para o semiárido. Em nossa cidade, no lugar Maracanã, tem pilhas de milho verde para venda em todos os dias. Chegam do próprio estado e estados vizinhos, fruto da irrigação espalhada por aí. O Maracanã é um entroncamento urbano do nosso Bairro Camoxinga para onde converge e diverge 5 ruas e mais a Br-316. Seu nome é apelido popular desde que foi implantada ali uma churrascaria que recebeu na fachada: “Churrascaria Maracanã”, há vária décadas. É o centro comercial do Bairro.  Além do milho verde, outros produtos estão sempre em evidência no entroncamento: macaxeira e tempero estão entre eles.
Para que notícia mais alvissareira em meio aos recados macabros do dia a dia? Nada melhor de que nessa quarentena receber um bolo de milho verde para o cafezinho da frieza de final de tarde. É o que estamos fazendo agora. Delícia, no amargor de notícias péssimas. Aguardamos a liberação sanitária para visitarmos os campos chuvosos e floridos, o boi pesadão de tanto pasto e o aboio do vaqueiro nas quebradas com a neblina das manhãs. Mas, em meio a tristeza e a alegria, o milho ainda é o Rei dos meses de inverno. Esperamos que de agora em diante amenizem e desapareçam os fuxicos ruins e, a estrela divina da misericórdia domine esse quadro sombrio que paira sobre o mundo.
Fé é a grande palavra. Perseveremos que São João não vai deixar o seu dia passar em branco. As previsões anunciam mais chuvas para a próxima semana. Ouro para o nosso sertão, para a capital, não sabemos. Aproxima-se o mês de junho. Diz o sertanejo: quando terminam as terras de Nosso Senhor, começam as de Nossa Senhora.  Assim vamos caminhando entre a dor e o sorriso que fazem parte desse mundo egoísta e desigual. Que venham os próximos dias com o Senhor dos Mundos à frente semeando amor, esperança e misericórdia.







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A MODA E A CRIATIVIDADE


A MODA E A CRIATIVIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 1 de maio de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.204
Extração de areia e rodas de pneus, ontem de 40 anos e hoje.
 (Foto: B. Chagas).

Muitas cidades mineiras orgulham-se dos seus ciclos históricos e conservam entre outras coisas, o calçamento bruto dos tempos de vila. Algumas nem permitem mais circulação de veículos por esses patrimônios compostos por edifícios e pedras antigas. Em Santana do Ipanema, Alagoas, a vila também ganhou calçamento bruto em toda a área do comércio, inclusive a Avenida principal Coronel Lucena. Era sim um orgulho santanense para uma vila que agia como cidade e ganhara pavimento moderno para a época. Mais alguém de fora sempre comparava a ignorância de “A” ou de “B” com o calçamento bruto de Santana do Ipanema. No governo municipal do senhor Ulisses Silva, foram demolidos os prédios antigos do comércio e arrancado o calçamento bruto da cidade. As pedras foram substituídas por paralelepípedos, pedras quadriculadas de granito apontadas como mais modernas.
Daí em diante as centenas de carros de boi de roda com aro de ferro, ficaram proibidos de circularem no calçamento novo. As cargas que o carro de boi pegava no próprio armazém e levava para a zona rural, ficaram então sendo transportadas de outra maneira dos armazéns para as areias do rio Ipanema, ponto de estacionamento dos carros de pau. O transporte de areia do rio em carro de boi também teve que ser adaptado. (toda Santana foi construída com areia do Panema). Diante disso, surgiu a nova moda para o carro de boi urbano. As rodas de madeira com aro de ferro, foram trocadas por pneus e seus acessórios no eixo. Assim o carreiro pode continuar seu trabalho rua acima, rua abaixo sobre o calçamento novo do prefeito Ulisses.
Aproveitando a transformação, os carroceiros passaram a imitar os carreiros. As carroças puxadas por burras, também foram adaptadas e as rodas que eram de outra modalidade, passaram a se apresentar com pneus de automóveis. Com pneus ou sem pneus  não parou a extração mineral no rio Ipanema. Mesmo agora em 2020 o seu leito é tremendamente explorado sem nenhuma restrição. Teve gente até que já se apoderou da imensa fatia do rio, extrai e vende o que é de todos os santanenses.
Vergonha!