LAGOAS SERTANEJAS Clerisvaldo B. Chagas, 20 de outubro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2786   As lagoas serta...

 

LAGOAS SERTANEJAS

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de outubro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2786

 

As lagoas sertanejas acontecem quase sempre por motivo de uma depressão do terreno. Podem ser maiores de que um campo de futebol ou simplesmente do tamanho de uma quadra esportiva. O que não falta mesmo na zona rural sertaneja são nomes de lagoas em numerosos lugares, mesmo que muitas delas estejam extintas por negligência, porém, sítios, comunidades (vários sítios politicamente juntos) e até povoados tornaram-se amplamente conhecidos pelas suas lagoas. No Agreste, mesmo, existe a cidade satélite de Arapiraca, cujo nome é Lagoa da Canoa, já bastante conhecida e de progresso crescente. Não iremos comparar as pequenas lagoas sertanejas com as mais famosas que deram nome ao estado, mas sim, exaltar as suas serventias.

Durante o inverno, as lagoas sertanejas recebem águas das chuvas, das enxurradas... Das torrentes. Funcionam ao natural como os barreiros que são artificiais. Acontece, porém, que são pobres em profundidade. O líquido acumulado mata a sede, principalmente dos rebanhos bovinos, equinos, muares, asininos, ovinos e caprinos. É uma diversão espetacular para gansos e patos das fazendas, marrecos e paturis selvagens. Aliás, todos os bichos não domésticos procuram saciar a sede nas lagoas. Pode acontecer nessas fontes de pouca duração também, um círculo curto em criatório de peixe miúdo. Alguns proprietários mais zelosos, limpam as lagoas antes da chegada das águas e assim também aproveitam o líquido para a bebida humana, tal qual o barreiro.

Durante a estiagem, algumas ainda duram algum tempo com água conforme o lençol freático, outras, logo secam. Então vem a outra face da lagoa. A umidade faz criar pasto para o rebanho, tanto no leito quanto nos arredores, fazendo um lugar privilegiado igual a uma várzea. Até as guinés ou galinhas d’angola aproveitam as pequenas formações de capoeiras para ali esconderem seus ovos. Podem representar lugar de banho e lazer para o homem, mas nunca notamos plantio nas lagoas sertanejas. Quando secam formam uma poeira cinza clara ou escura e feia e que ficam ocupadas por garranchos, gravetos, quando não são cuidadas.


 

As pequenas lagoas fazem parte da alma sertaneja.

Vida inteligente no Sertão alagoano.

 

LAGOA SERTANEJA EM TEMPO BOM (CRÉDITO: PORTAL FÉRIAS).

 

  ENCERRAMENTO Clerisvaldo B. Chagas, 18 de outubro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.785   Foi encerrada com...

 

ENCERRAMENTO

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de outubro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.785



 

Foi encerrada com procissão de muitos veículos neste último domingo, a grandiosa Festa de São Cristóvão, em Santana do Ipanema, uma das maiores do Sertão alagoano. A procissão dos condutores entrou pela noite com muitos cânticos e foguetórios, levando muitas saudades para os festejos ao santo no ano que vem. Muitas pessoas, além de acompanharem o cortejo, aproveitaram para pagar ou renovar promessas ao santo padroeiro da Paróquia de São Cristóvão, no Bairro Camoxinga. Cada vez mais vai sendo firmada a tradição que atrai devotos de todas as cidades sertanejas. Os devotos já não se conformam com apenas veículos motorizados e participam dos festejos a pé, a cavalo, de carroça de burro, bicicleta e carro de boi, demonstrando que todos são condutores e merecem a proteção do transportador do menino Jesus.

E no mês que nunca chove, desta feita choveu levemente na parte da manhã, como se a chuva quisesse aguar a passagem da procissão que iria ser realizada no turno vespertino. De qualquer maneira é sempre um êxito total da Igreja Católica durante a já famosa Festa de São Cristóvão, que além dos seus atrativos religiosos e internos, conta com a parte profana que toma três ou quatro ruas e mais o Centro de Convivência onde ficou armado para jovens e adultos, um parque de diversões. Após as solenidades religiosas, a festa profana segue noite a dentro nas barracas, nos bares, nas ruas, no parque, com a culinária nordestina a todo vapor junto aos diversos tipos de bebidas

Assim vai passando da metade do mês do outubro, com o tempo mudado num processo climático que favorece amplamente o Sertão. A Matriz de São Cristóvão, situa-se no bairro Camoxinga em lugar privilegiado e por elas já passaram inúmeros párocos que vão deixando marcas indeléveis na Paróquia.

Santana vai vivendo entre o trabalho e as festas como a de senhora Santana, a da Juventude, a da emancipação e outras que trazem felicidade momentâneas para o sofrido guerreiro sertanejo. Não são poucos os santanenses que se encontram em outras cidades, estados ou regiões, mas não deixam de comparecer aos festejos promovidos por ambas as paróquias da cidade. O hino a São Cristóvão é uma das atrações máximas cantado e decantado pelas multidões e que ressoa indefinidamente após as solenidades.

Orgulho em ser santanense.

MATRIZ DE SÃO CRISTÓVÃO, EM DIA COMUM. (FOTO; B. CHAGAS).

  MARIA DE BARRO Clerisvaldo B.   das Chagas, 17 de outubro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.784   Uma das c...

 

MARIA DE BARRO

Clerisvaldo B.  das Chagas, 17 de outubro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.784

 


Uma das coisas curiosas do Sertão, sem dúvida alguma, é o ninho, também chamado casa, do João de Barro. Motivo de admiração de nativos e forasteiros, de canções e de repentes de violeiros nordestinos. Como pode um casal de passarinhos fazer uma casa de barro, apenas transportando argila e construindo com o bico? Em algumas regiões do Brasil, a fêmea é conhecida como Joaninha de Barro, mas em nosso Sertão alagoano ela é chamada de Maria de Barro. Pássaro canoro, plumagem bela e discreta é muito respeitado pelo homem do campo que não o ataca e vê nos seus atos um grande exemplo da grandeza de Deus. Possui o apelido de “pássaro-arquiteto”, “pássaro-construtor”, “pássaro-engenheiro” e “pássaro-pedreiro”.

Muita coisa se fala sobre o João de Barro, verdades e lendas. Uma delas é que o casal não trabalha dia de domingo. É o homem do campo quem afirma, mas os pesquisadores dizem que trabalha todos os dias quando está construindo a casa. É verdade, porém que, à semelhança dos papagaios e araras, o casal é monogâmico e só arranja outra companhia se por acaso morrer o parceiro ou a parceira. A casa do João de Barro, erguida pelo casal, possui dois cômodos, sendo um deles uma espécie de sala de visitas, que é uma passagem para um quarto onde é feito o ninho que tem uma entrada muito apertada para evitar predadores. O João de Barro e a Maria de Barro, tanto trabalham quanto cantam, momentos em que deslumbram cada vez mais o observador.

A fêmea põe e choca os ovos, três a quatro, cujos filhotes irão nascer catorze dias após. As penas do João e da Maria de Barro têm a cauda avermelhada, peito branco e o restante cor de terra ou ligeiramente marrom. Alimentam-se de larvas, insetos e grãos. A casa de barro tem a entrada sempre virada contra o vento e a entrada pode ser mais à direita ou mais à esquerda, conforme as habilidades para o trabalho. O João de Barro costuma fazer a limpeza da sala, retirando fezes e as jogando fora. A arquitetura é realizada quase sempre num galho mais robusto com formação de forquilha. De qualquer maneira o casal de pássaros não faz o ninho às escondidas, é sempre visível ao homem e aos bichos.

No Brasil inteiro o casal João e Maria de Barro, é símbolo de AMOR

JOÃO E MARIA DE BARRO (CRÉDITO: PINTEREST).