SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
MÃE-DA-LUA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de dezembro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.815 Um dos maiores encanto...
MÃE-DA-LUA
Clerisvaldo
B. Chagas, 20 de dezembro de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.815
Um
dos maiores encantos do mundo é uma noite de lua no Sertão rural nordestino.
São as “noites enluaradas” fontes inspiradoras permanentes de poetas,
escritores, viajantes e demais apreciadores dos milagres de Deus. Entre as
noites enluaradas são especiais as da Lua Cheia que transformam a noite em dia como
estradas em imensas faixas brilhantes de areia. Os filhos do Sertão costumam
viajar para longe, apreciando o tempo. Alguns preferem visitar a vizinhança,
voltando logo para dormir cedo. E outros, ainda acham melhor a contemplação do
alpendre da fazenda. Mas nem tudo no Sertão é somente noite enluarada. Conforme
a fase da lua as noites são escuras “de meter o dedo no olho”, dizem os seus
nativos. E de fato, são.
É
neste último cenário onde surgem com mais frequência os bichos noturnos, destacando-se
os feiosos de canto horripilantes e que são chamados de agourentos. O canto é
apenas para se comunicar com seus semelhantes. São inofensivos e caçadores de
insetos, roedores e outros pequenos animais. Todavia, por serem feios e de
cantos sinistros, fazem correr muita gente que têm medo da fama do mau-augúrio.
São estes animais: João Corta-pau, a Coruja, a Mãe-da-Lua, a Peitica, o
bacurau... Apenas para falar nos mais famosos da noite. Assim o grande Luiz
Gonzaga, intérprete de todos os momentos sertanejos nordestinos, com seu fiel
escudeiro Zé Dantas imortalizaram essas aves noturnas na belíssima e sensível
página musical “Acauã”. (Pesquise e ouça rapidamente na Internet). Vejamos
apenas uma estrofe:
“Toda
noite no Sertão
Canta
o João Corta-Pau
A
Coruja, a Mãe-da-Lua
A
Peitica, o Bacurau...
A
mãe-da-lua, é também chamada em outras regiões de Urutau. O que faz com
perfeição é sua capacidade de disfarce. Arranja um toco de árvore da sua cor,
ali se planta, ergue o peito para cima e parece fazer parte da árvore. Somente
especialistas conseguem percebê-lo assim. Tem a boca grande parecida com a do
sapo e com ela aterroriza seus predadores. Seus olhos são amarelos. O bicho é encontrado
em todas as partes do Brasil.
Agora,
quanto ao Pai-do-sol, só ouvimos brincadeiras e não sabemos se também é bicho
do mato.
Conhece
de perto a mãe-da-lua?
UMA
DAS SETE ESPÉCIES DE MÃE-DA-LUA (FOTO: WIKIPÉDIA).
MEU PAI TINHA MEDO... Clerisvaldo b. Chagas, 14 de dezembro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.814 Nesta é...
MEU
PAI TINHA MEDO...
Clerisvaldo
b. Chagas, 14 de dezembro de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.814
Nesta
época em que está havendo vacina contra aftosa, vem à tona as lembranças de uma
época em que não havia veterinário em Santana do Ipanema. Para vacinar o gado,
era uma novela, porém, com todas as dificuldades que havia, o ato de vacinar o
gado bovino virava uma festa em algumas fazendas. O proprietário rural
convidava seus amigos para o ato da vacina como se tivesse convidando alguém
para um batizado ou casamento. Estamos falando daquele que tinham mão-aberta.
Para o prático veterinário, seus auxiliares e amigos, havia almoço, bebida,
farras e ofertas de produtos da fazenda, como frutas, ovos, galinhas, guinés...
Além de passeios pelos açudes e visitas em pontos aprazíveis.
O
cidadão Antônio Alves Costa, conhecido por Costinha, era um desses veterinários
práticos. E de fato entendia muito bem dessas doenças que atacavam os animais.
Era bem humorado e tinha um raciocínio veloz para uma resposta, a quem chamam
de tirocínio. São inúmeras suas aventuras, muitas delas contadas pelo próprio
Costinha. Foi comerciante, soldado do exército e diretor de disciplina no
Ginásio Santana, em nosso tempo de estudante por ali. Gostava de conversar
conosco e contar as coisas. Certo dia Costinha foi chamado para vacinar o gado
na fazenda Santa Helena, da nossa família... E foi. E como falamos acima, havia
de tudo para agradar amigos também convidados.
O
tirocínio de Antônio Alves da Costa estava sempre em evidência. Onde ele se
encontrava, os presentes tinham riso frouxo. Na hora da vacina, um vaqueiro
chamado Chico, muito forte, laçava a rês, dominava-a e, Costinha encostava com
a seringa da vacina. (Já contei essa passagem por outro viés). Não hora de
laçar o touro, foi uma luta muito forte entre Chico e o possante. Mas até aí,
Costinha se mantinha apena aguardando sua vez de entrar em cena. Foi, então,
que o caboclo laçou uma vaca que deu um trabalho enorme para se acalmar.
Costinha ficou à distância até que o vaqueiro o chamou: “Chegue, Costinha, que
a vaca é mansa”. O veterinário prático mal deixou o vaqueiro fechar a boca e respondeu
na bucha: “mansa? Mansa era minha mãe e meu pai tinha medo dela!”.
Foi
uma gargalhada geral.
E
no fim, missão cumprida com o “filósofo do improviso e comediante sem ribalta,
Costinha.
Ô
Sertão bonito!
VACINANDO
O GADO (Foto: m.gov.br.).
ARAÇÁ Clerisvaldo B. Chagas, 13 de dezembro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.813 Vamo-nos voltando para ...
ARAÇÁ
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de dezembro de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.813
Vamo-nos
voltando para o mundo sertanejo, indo para o interior na continuada pesquisa
literária. Convidado por amigo, se Deus quiser estaremos no sítio Curral do
Meio I, onde nossos interesses imediatos estão em compasso de espera. E num tour
pela zona rural deveremos descobrir secundariamente se uma fruta da região já
foi extinta. Isso porque iremos também a uma comunidade chamada Araçá. E quando
se fala em Araçá, no município de Santana do Ipanema, temos que distinguir
entre três lugares longes um do outro com a mesma denominação, saber qual é o
rumo que deve ser seguido. Araçá é o fruto do araçazeiro, arvoreta de cerca de
6 metros de altura e que havia em abundância em nossa região. Hoje parece
extinto e representa apenas a denominação dos três sítios que atestam sua
antiga existência.
O
araçá, dizem os que o conheceram, tem a aparência de uma goiaba, pode ser
vermelho ou amarelo e é rico em vitamina “C”. Do araçá também se faz licores e
sorvetes, supondo que seja um fruto bastante saboroso. Em um dos sítios Araçá,
foi construída uma barragem que era considerada a maior do município, gestão
Nenoí Pinto. Sempre no balançamos para conhecê-la, mas faltou oportunidade:
Atualmente foi a barragem superada pela moderna represa construída no riacho
João Gomes. Diz o amigo que o nosso rumo será para o sítio Araçá que fica na
região do povoado São Félix, antes denominado Quixabeira Amargosa. E se iremos
outra vez à zona rural é porque a força extraordinária do padre Cícero Romão
Batista continua viva e atuante na cidade e no campo do nosso Nordeste.
Já
passamos da metade da nossa proposta inicial de 100 milagres
nordestinos, inéditos. E na certa, retornaremos dos sítios Curral do Meio
(segunda vez) e Araçá, com mais 3 ou 4 relatos testemunhos para engordar o
nosso trabalho sobre o “Patriarca do Juazeiro”, uma vez que já encerramos o
nosso livro documentário Santana: Reino do couro e da sola e que está
merecendo a apreciação e prefácio do escritor Marcello Fausto, também
companheiro e devoto em nossas pesquisas sobre o padre Cícero.
Que
pena, ainda não haver asfalto para os nossos outros povoados à semelhança de
Areias Brancas, bafejado pela BR-316.
Saúde
e paz! O resto a gente corre atrás.
ARAÇAZEIRO
(FOTO: INSTITUTO BRASILEIRO).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.