SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
RESPIRAR EM PÃO DE AÇÚCAR Clerisvaldo B. Chagas, 27 de outubro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.986 Onte...
RESPIRAR
EM PÃO DE AÇÚCAR
Clerisvaldo
B. Chagas, 27 de outubro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.986
Ontem,
Pão de Açúcar, Alagoas, foi notícia no Jornal Nacional. Uma humidade do ar com
apenas 6% do ideal de 60%, fez arrepiar uma tentativa de visita ao “Espelho da
Lua”. Ainda não conversamos com um
pão-de-açucarense sobre como os habitantes do lugar encaram o calor extremo do
semiárido nos períodos que acontecem o fenômeno. Já os de fora, assim com meu
pai, podem me dizer como me foi dito: “Fui conhecer, mas foi um calor tão
grande, que prometi a mim mesmo nunca mais pôr os pés ali novamente”. Não sei
quando meu pai foi a Pão de Açucar, mas morreu com 94 anos e cumpriu o que
disse. Da mesma maneira procedeu com Garanhuns na outra ponta dos extremos.
Mas
por que Pão de Açúcar possui essa fama e seus vizinhos do São Francisco, não?
Gostaria sim de ouvir uma explicação de um especialista e, se esse especialista
fosse da própria cidade, melhor ainda. E como disse acima, o fenômeno
geográfico tem a sua época de acontecer. E claro que não estamos incluindo esse
alvoroço climático que está no Planeta agora, pois a “torradeira” é velha
conhecida dessa literatura. Pão de Açúcar é cidade turística por excelência e
talvez essa particularidade possa lhe beneficiar devido a curiosidade das
pessoas perante o inusitado. Bela, típica e histórica, Jaciobá é um destino
fantástico para o turista estudioso.
Enquanto
não aparece uma explicação para a quentura excessiva de Pão de Açúcar, em
determinadas épocas, vamos relacionando suas atrações onde está embutida sua
história de desbravamento, sesmarias, navegação e Pedro II. Mas também para
quem gosta de histórias cangaceiras, vai saber que na penúltima semana de vida
de Lampião, ele estava no município. E estava exatamente na serra de São
Francisco, de onde desceu para a região de Piranhas, atravessou o rio e foi se
recolher nas Grotas de Angicos, para descansar, recolher-se na semana de morte
do padre Cícero e pensar em deixar o cangaço.
Pão
de Açúcar, quente ou frio é lugar de permanente beleza.
PARCIAL
DE PÃO DE AÇÚCAR( FOTO/DIVULGAÇÃO)
IFAL É NOTÍCIA Clerisvaldo B. Chagas, 26 de outubro de 2023 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.985 Coisa bonita é o...
IFAL É NOTÍCIA
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de outubro de
2023
Escrito Símbolo do Sertão
Alagoano
Crônica:
2.985
Coisa bonita é o esqueleto de uma obra em
construção. Coisa horrível é o esqueleto de uma obra abandonada. E quando esse
esqueleto de obra abandonada, situa-se em ponto relevante de uma cidade, é mais
tenebroso ainda. Embora seja a feiura da paisagem, em geral, pode representar a
fotografia viva do paraíso para fumadores de maconha, drogados, ladrões e
bandidos diverso que procuram esconderijos seguros. Portanto, não ficou bem na
cópia o esqueleto de construção do IFAL em Santana do Ipanema, condenado e insistente
durante anos na entrada da cidade. Daquilo que seria o orgulho social, virou
fantasma da zona urbana do Bairro Lagoa do Junco. Bairro esse que da pobreza
extrema não deixa de se modernizar.
Assim, a notícia que circula no estado, é que
haverá a construção definitiva do Campus do IFAL, em Santana do Ipanema.
Demolição, marcação de terreno, terraplanagem e tudo mais. Enquanto isso, o
Instituto funciona em prédio alugado, em outra saída de cidade. E pelos detalhes publicados, poderemos acreditar
que de fato vai acontecer essa reviravolta de uma situação constrangedora para
todos. O que aconteceu ou deixou de acontecer durante todo esse tempo do início
de esperança até hoje, não cabe nesse trabalho, entretanto renova-se essa
esperança para que a nova obra, seja de fato pujante e à altura do povo
santanense. Na atualidade estão muito ligadas o valor social representante e a
beleza física arquitetônica de um edifício público ou não.
Afinal de contas não é a primeira vez que uma
obra pública é embargada pelos mais diferentes motivos. Esperamos, como filho
da terra, que a Lagoa do Junco continue o seu brilho de expansão com tantos
empreendimentos importantes e receptivos aos turistas no primeiro lance de
olhos sobre a “Rainha do Sertão”. Mas, independente do futuro prédio do IFAL, a
entrada mais importante de Santana do Ipanema, bem que merece toque robusto de
engenharia, planejamento urbano e paisagismo para sepultarem o cenário sofrido
atual e remanescente, para uma estrada criativa, moderna, atraente e bela,
igual a tantas outras que se mostram em diversas regiões brasileiras.
Tudo por Santana!
PARCIAL DE SANTANA. PRAÇA ALBERTO NEPOMUCENO
AGRA 9PRAÇA DO TOCO (FOTO B. CHAGAS).
OLHE A ONÇA, ZÉ! Clerisvaldo B. Chagas, 25 de outubro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.984 Chega o amigo...
OLHE A
ONÇA, ZÉ!
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de outubro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.984
Chega
o amigo à minha casa e vamos tratar de interesses mútuos. Comento logo a
sequidão a que estou apreciando do portão. Os montes que circundam Santana do Ipanema,
mostram-se sem a cor verde que reflete o fim antecipado de uma primavera. As árvores
mais resistentes ainda mostram a palidez dessa cor, porém, a maioria da
vegetação, composta de arbustos, não tem como exibir um quadro que inspire
esperança tão cedo nos galhos pelados e secos que caracterizam a estiagem.
Contemplar o cenário crestado dos arredores antes do verão, é acreditar que a
zona rural se assemelha ao que a vista alcança. E se esses montes de altura
razoável, puxam para baixo o otimismo, como apostar no verde nas terras de
planuras?
Isso
me faz lembrar as trilhas brutas e íngremes que tive que encarar no sopé da
serra das Porteiras, entre Batalha e Belo Monte. Uma tortura não anunciada em meio aos raros
cenários deslumbrantes, desconhecidos, longínquos, escondidos da civilização.
Era o grosso da teimosa viagem a pé seguindo o leito seco do rio Ipanema das
nascentes à foz. Tudo isso registrado no livro DNA de Santana, “Ipanema, um rio
macho”. As maiores dificuldades encontradas nos 220 km de trajeto, foi a partir
do povoado Saúde, município de Batalha. Dali em diante, não tem mais como
passar por dentro do rio. Também ali morre a estrada e surge a serra das
Porteiras, margeando pela esquerda o rio Ipanema. Só se continua a viagem se
subir e descer várias vezes pelo sopé da serra onde uma trilha, estreita
repleta de pedrinhas rosas e brancas, quadradas, de cerca de 8 cm, tomam grande
parte do trajeto.
Comentada
como lugar de onça suçuarana, deixava a expectativa de um ataque a qualquer
momento, naquela trilha sombreada pela caatinga “virgem”, muito difícil para
cavalos, burros e jumentos, quanto mais para gente. Mas a frustração como
geógrafo, foi não ter trazido no bornal, uma amostra daquela pedra para análise
com especialistas. A exaustão beirou um falecimento súbito porque subir e
descer por aqueles caminhos misteriosos, era coisa para matar qualquer animal.
Posso dizer que fui um sobrevivente daquela aventura maluca, ladeado pelos
saudosos companheiros João Soares Neto (Quen-Quen) e o radialista Wellington
Costa.
Já
estou cansado só em recordar.
Ô
sertão do rio Macho!

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.