O ARTESÃO DOS CANGACEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2024. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.083   Visit...

 

O ARTESÃO DOS CANGACEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2024.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.083



 

Visitei mais uma vez o famoso artesão santanense, Roninho.  O homem estava entre as peças da sua criação e que naquele momento trabalhava nos olhos de um personagem novo da sua coleção. Roninho é caricaturista em desenho, mas que levou esse estilo no qual é mestre, para suas criaturas feitas com uma grande variação de material, tendo como base o ferro. Assim passei pela sala de exposição do seu Atelier com inúmeras peças enfileiradas nas prateleiras, com predominância de cangaceiros. Na sala contígua a oficina da sua criatividade. Vendas, encomendas e sonhos vão se acumulando no cérebro dinâmico do artista e as peças vão saindo e se materializando conforme a imaginação do autor. A gente fica até receosa de está atrapalhando o seu mister.

O artesão e desenhista Roninho está nas páginas do meu livro, O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema. Edição primeira esgotada e hoje nas bibliotecas de todas as escolas municipais de Santana, Passou a ser o livro referência de consulta municipal sobre a história da “Rainha do Sertão”. Roninho surge com seus desenhos quando personagens da época não deixaram fotos. A criatividade do escritor se encontra com a criatividade do artesão, enriquecendo a obra citada acima e qualquer outra, E mesmo assim formamos um trio vivo perto um dos outros no humilde Bairro São José: Artesão Roninho, escritor Clerisvaldo e o artista cantor Dênis Marques. E por falar em Dênis Marques, foi esse famoso cantor santanense que animou o lançamento do livro acima.

Entretanto após outros assuntos como Roninho, afirmamos que ainda não lançamos oficialmente os romances “Fazenda Lajeado”, “Deuses de Mandacaru”, “Papo-Amarelo” e “Ouro das Abelhas” mais o documentário “Santana: Reino do Couro e da Sola””. Todos em exposição e venda antecipada no “Restaurante Santo Sushi”. O amigo Dênis Marques já se prontificou à nova ação de lançamento a quem muito agradeço. Para mim somos três fábricas de sonhos capazes de retirar você de qualquer tipo de estresse: apreciando o artesanato cangaceiro de Roninho, lendo os romances do ciclo do cangaço de Clerisvaldo B. Chagas ou mergulhado nas românticas melodias interpretadas por Dênis Marques.

Tenho dito.

ARTESÃO RONINHO EM LOCAL DE TRABALHO ( FOTO: B. CHAGAS).

 

  O CIENTISTA E O MOTOR Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 3.082   Foi um sufo...

 

O CIENTISTA E O MOTOR

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 3.082

 



Foi um sufoco para a população de Santana do Ipanema que dispunha de energia elétrica motriz, desde o ano de 1922, no início da sua existência como cidade. Mal terminara a sua fase de vila, a nova cidade começava com o pé direito. Era um motor enorme, alemão, que fornecia esse conforto. O motor começava a funcionar à noitinha e as luzes dos postes de madeira eram acesas e assim ficavam até a meia-noite. Antes das 24 horas, porém chegava o aviso que a energia iria embora, mediante três piscadelas. O restante da noite era na base do candeeiro e da placa a querosene ou gás óleo ou mesmo à base da “petromax, um luxo da época. Ao chegar ao ano de 1959, o velho motor alemão pifou. Santana passou 4 anos no escuro e somente muito mais tarde foi abastecida com luz elétrica de Paulo Afonso.

Santana no escuro, deixou de acelerar o progresso, mesmo assim, a dinâmica comercial que vinha desde o tempo de vila, não a deixou sem desenvolvimento. Jovens da sociedade local movimentaram-se numa liderança de campanha permanente a favor da luz. Assim foi criada a irônica Rádio Candeeiro que conclamava a população às ruas. Até passeatas à noite, com velas, lanternas e fachos, saíram ``as ruas. Eu estava presente. As lideranças destes movimentos – justiça seja feita – estavam a cargo de Henaldo Bulhões, Eraldo Bulhões e Adelson Isaac de Miranda. O governador da época, interventor major Luiz Cavalcante, não aguentou a pressão santanense e trouxe energia de Paulo Afonso, com grande festa e discursos na sua inauguração.

E Seu Agenor, casado com dona Mariquinha, pai de Lola, casada com o músico e motorista Zé Bicudo e, Dedé, solteira, que tomava conta do motor e chamado de cientista porque era um verdadeiro sábio em tudo que fazia, foi acusado pela exaustão do motor. Acho que uma injustiça para aquele senhor de óculos, cabelos grisalhos e sério. Foi vizinho nosso, uma casa depois. Antes, a casa que abrigava o motor era na Rua Barão do Rio Branco, sem reboco, paredes imundas de óleo. Tempos depois passou a funcionar à Avenida Nossa Senhora de Fátima em prédio construído para aquela finalidade. Era dividido em três partes: salão do motor, salão de escritório (recebimento mensal de contas da luz) e parte de tanques de refrigeração. Era um convênio entre empresa particular e prefeitura.

LOCAL HOJE REMODELADO ONDE FUNCIONOU O PRIMEIRO SALÃO DE ELETRICIDADE MOTRIZ. TERCEIRA PORTA SUBINDO APÓS A ESQUINA QUE DAVA PARA O RIO IPANEMA. (FOTO: B.  CHAGAS/LIVRO 230 ICONOGRÁFICO AOS 23 ANOS DE SANTANA DO IPANEMA).

  BARREIRO Clerisvaldo B. Chagas 5 de agosto de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.081   Quem é da capital talvez...

 

BARREIRO

Clerisvaldo B. Chagas 5 de agosto de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.081

 



Quem é da capital talvez não saiba o que é um barreiro, no Sertão. É um dos reservatórios de armazenagem de água. Representa um buraco enorme no solo arenoso ou de barro, daí o nome barreiro. Hoje é feito com trator e máquinas similares, porém ainda se faz barreiro à moda antiga. O fazendeiro procura um lugar adequado e mais baixo do terreno onde o declive do solo transporta a enxurrada das chuvas diretamente para ele. É costume se dizer no Sertão, “um barreiro que tenha uma boa bacia”, isto é, que consegue capturar as enxurradas. Antes era escavado com ferramentas simples e manuais e o material escavado retirado com couro de boi, e conduzido para fora por carro de boi ou por caçambas em madeira por jumentos. Geralmente o barreiro é arredondado, mas pode ser de qualquer formato e tamanho.

O açude, também chamado no Sertão de barragem, é muitíssimo maior; alguns açudes alcançam quilômetros e em sua quase totalidade são feitos pelos governos. A água do barreiro serve para beber, para o gasto da casa, para os animais e, quando não existe outra fonte serve para lavagem de roupa. As mulheres colocam uma pedra ou mais ao lado do barreiro para passar sabão e bater a roupa.  A água da lavagem escorre para fora do barreiro, deixando após a pedra um rastro branco e feio do sabão ou da potassa que dura dias e dias. Quase todo produtor rural tem um barreiro na sua propriedade. O filtro de barro tem melhorado muito a qualidade da água de beber, dos barreiros.

Quando existe condições de banho, mergulhar, nadar, pular dentro da água é uma verdadeira delícia. E permita o leitor lembrar da minha infância tomando banho no barreiro da Gameleira no povoado Pedrão, de Olho d’Água das Flores. Às vezes perto da casa do sítio surgem alguns lajeiros que armazenam água da chuva nas suas cavidades. As mulheres também gostam de lavar roupa nessas pedras denominadas no mundo sertanejo alagoano de Pilões de pedra. Mas, a criatividade do homem do campo em busca da água de cada dia é mesmo uma inteligência à parte guiada diretamente pelo Criador dos Mundos.

Sertão de Lampião, Sertão de Luiz Gonzaga, Sertão de padre Cícero...

Nosso Sertão!!!

PILÕES DE PEDRA NO SÍTIO LAJE DO FRADES, POÇO DAS TRINCHEIRAS (FOTO: B. CHAGAS, LIVRO NEGROS EM SANTANA).