SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
FOI ASSIM Clerisvaldo B. Chagas, 7 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.184 Em Santana do Ipane...
FOI
ASSIM
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de fevereiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.184
Em Santana do Ipanema, a Rua José Amorim
(Barulho), foi formada, principalmente, por feirantes; o bairro Camoxinga
expandiu-se por causa da ponte Padre Bulhões e do Cemitério Santa Sofia; o
Bairro Lajeiro Grande formou-se, graças a uma promessa com o padre Cícero; o
Bairro Floresta foi ocupado pela emigração do homem rural, cujo valor dos terrenos
para isso contribuiu; a Avenida Coronel Lucena, foi ocupada por comerciantes e
fazendeiro; a rua Antônio Tavares, ocupada pelos artesãos; o Bairro São Pedro
foi ocupado pelos ruralistas que chegavam do Leste, principalmente da região
Maniçoba/Bebedouro; a Rua Tertuliano Nepomuceno, foi ocupada por baixos
meretrícios e bares; O Bairro barragem foi ocupado pelos cassacos
(trabalhadores braçais do DNOCS); o Bairro Clima Bom, formou-se do Bairro
Barragem.
Quem fez a primeira casa do Aterro, foi Luiz
Fumeiro, quem fez as primeiras casas da Avenida Nossa Senhora de Fátima, foi
Luiz Fumeiro. Quem fundou o time Ipiranga, foi Luiz Fumeiro, quem fundou o
bloco dos cangaceiros foi Luiz Fumeiro. Quem botava água nos tanques da Empresa
de Água e Luz, para refrigerar o motor que abastecia a cidade, (três tanques
enormes de cimento) era Daniel Manoel Filho, a quinhentos réis cada carga de
jumento. Quem era uma espécie de zelador da Empresa era Antônio da Empresa
(sogro de Juca Alfaiate). Quem cuidava do grande motor alemão era o cientista
Agenor. Quem recebia as mensalidades da conta de luz, era o senhor Valdemar
Lins, um dos sócios da empresa, desde 1921.
O motor alemão que abastecia a cidade,
funcionava em um prédio preto e imundo cheio de óleo pelas paredes, na Rua
Barão do Rio Branco, depois foi construído o prédio na Avenida Nossa Senhora de
Fátima para este mister com três grandes repartições. Grande salão do motor,
Sala de pagamento e almoxarifado, e ainda três tanques d´água, gigantes, no bequinho
com um portão verde, que dava acesso aos aos degraus de três tanques. Ocioso
após a pane no motor alemão, o prédio foi ocupado como Fórum. Somente depois
passou a ser a atual Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte. Já os Correios,
funcionando em Santana desde o Século XIX, construiu sua sede própria no Bairro
Monumento em terreno cedido pelo, então prefeito Firmino Falcão Filho.
INAUGURAÇÃO DA EMPRESA DE LUZ ENTRE 1953-1956.
(FOTO: DOMÍNO PÚBLICO).
PRIMEIRA MÃO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.183 Falo principalme...
PRIMEIRA
MÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de fevereiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.183
Falo principalmente aos
santanenses da terra e aos que estão espalhados pelo Brasil, sobre um detalhe
da nossa história tão carente de pesquisadores. Até chegar o ano de 1966,
quando chegou água encanada em Santana do Ipanema, todo o serviço de abastecimento
do líquido nas residências, era feito através de jumentos com ancoreta de
madeira e seu tangedor, chamado Botador
d’água. A água era retirada das
cacimbas escavadas no leito seco do rio Ipanema. Mais de cem botadores d’água,
prestavam esse serviço em toda a cidade. A água do rio Ipanema era salobra ou azinhavrada,
como disse o escritor Oscar Silva. Quem queria uma água de melhor qualidade pedia
que o botador d’água trouxesse água do sítio Marcela, na região do sítio Água
Fria, cujas cacimbas no leito do rio, era uma maravilha. Era a preferência dos
ricos que podiam pagar melhor.
Nunca vi até hoje ninguém ter
escrito quanto custava uma carga d’água, apesar de tantas repetições do que já
foi amplamente divulgado. Novamente, venho em PRIMEIRA MÃO dizer aos
santanenses que uma carga d’água das cacimbas comuns do rio, custava quinhentos reis. Claro, se fosse duas
cargas seria destões, isto é, dez tostões. Mas se fosse uma carga
d’água da Marcela, se pagaria dois mil
réis, isto é quatro vezes mais. Kkkkkk (Internet). Quer saber a fonte?
Acabo de entrevistar o último botador d’água da cidade, com quase 90 anos e
hoje, meu historiador oral: Daniel Manoel Filho.
Atualmente, embora não seja
amplamente divulgado, existe uma empresa explorando água mineral do sítio Água
Fria. Estamos comprando e usando essa água da Marcela, agora industrializada e
vinda em garrafões, sem diferença nenhuma de preço de outras águas vindas de
outras partes do estado. Agora, cada santanense que viveu a época de água das
cacimbas, que tenha a lembrança do seu botador d’água particular. Os da minha
casa mesmo não era o que é representado na estátua do jegue. Mas sim os dois
irmãos gêmeos Elias e Enoque e o preto de avançada idade, chamado Quixaba e,
seu filho.
Ê Sertão!
Orgulho Nordestino.
VISITEI Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.182 Você já ouviu falar n...
VISITEI
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.182
Você já ouviu falar no livro documentário
SANTANA REINO DO COURO E SOLA. O único livro da cidade que fala sobre o auge
dos Curtumes, das fabriquetas de calçados, dos sapateiros, dos artesãos do
couro e de uma época áurea de Santana do Ipanema, graças a minha vivencia da
época e o complemento de muito mais de 50% por do cidadão, Daniel Manoel Filho que
no momentos de várias entrevistas a mim concedidas, contava com 84 anos de
idade, Um homem que eu só o tinha visto na minha infância e que trabalhou em
todos os curtumes de Santana, falando de cátedra o que tem no livro, Um livro
de poucas folhas, mas de uma riqueza cultural enorme com detalhes que
impressionam e ainda o único sobre esses assuntos. Não existe na cidade uma só
palavra impressa a respeito do que abordamos. Livro relíquia.
Pois bem, voltei à casa do senhor Daniel
Manoel, para que esse historiador oral, me contasse detalhadamente sobre dois
episódios de violências, acontecidos na área do livro e que foram de enormes
repercussões na época. Na pesquisa anterior não tive coragem de registrar os
dois fatos históricos do Bairro Maniçoba/Bebedouro, mas agora surgiu uma
vontade súbita em fazê-lo e fui à casa de Seu Daniel que me detalhou ambos os casos. Estou pensando em inclui-los na
próxima edição de SANTANA O REINO DO COURO E DA SOLA, com a narração exclusiva
e detalhista do senhor Daniel. E ainda
surgiu um outro caso de violência naquela área, já registrado pelo nosso
conterrâneo e saudoso escritor Oscar Silva.
Todavia, Seu Daniel que morava perto de todos
os três episódios brutos, discorda em um ponto, do escritor. Ficamos de
retornar à sua casa para esclarecimento do que realmente ocorreu. Nesse caso,
como o livro é Documentário histórico, iremos colocar o texto do escritor Oscar
e a correção de Seu Daniel Manoel Filho. Lembramos que apesar de alguns
benefícios que o bairro já recebeu, continua sendo isolado pela nova situação
rodoviária que o deixou na contramão. Só se vai ao Bairro Maniçoba/Bebedouro se
tiver negócio. É como Fernão Velho, em Maceió. Mas chega a doer, a falta de
pesquisadores sobre a nossa história municipal. Será que eu vou gritar sozinho:
“Viva Santana do Ipanema! ”
HISTORIADOR ORAL, DANIEL MANOEL (FOTO: B.
CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.