SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
NOVO BAIRRO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.212 Hoje, dia 20, com o ...
NOVO
BAIRRO
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.212
Hoje, dia 20, com o início do outono deve mudar
um bocado de coisas por aqui. Nesta quinta de jogo do Brasil, o nosso Sertão
velho de meu Deus exibiu um dia quente e abafado. Ao contrário dos dias
anteriores com muitos ventos, o negócio começou a moer troncho, mesmo sendo o
primeiro dia que deveria ser mais ameno por ser início de estação chuvosa no
semiárido. Porém comentávamos a formação de novos bairros por todos os
quadrantes de Santana, especialmente na região do antigo sítio rural Cipó.
Estamos falando do início da estrada para a atual Reserva Sementeira no sítio Curral
do Meio I. região paralela à saída da cidade para Olho d’Água das Flores, Pão
de Açúcar e mais. Falei algumas outras vezes do lugar.
Acontece que houve nossa observação. As casas
iniciais que iniciaram pelo caminho do antigo Cipó, expandiram as condições
comerciais e foram surgindo além da antiga cruz de beira-de-estrada que afirmava
o sítio e surgiram inúmeras residências modernas, com formação de algumas ruas
que mostram um começo de um complexo residencial na área. Ora, quatrocentos ou
quinhentos metros adiante, no miolo do próprio Curral do Meio I, sítio urbano,
já foi formado um aglomerado de residências comuns e belas chácaras, iniciando
uma espécie de povoado. Logo, logo, com prevíamos a um ou dois anos atrás,
haverá o encontro entre as habitações do Curral do Meio I com as do antigo
sítio Cipó, formando um NOVO BAIRRO paralelo a AL-120, saída de Santana do
Ipanema, zona Leste.
Ficariam em Santana do Ipanema três bairros
novos, juntos e todos tomados de área rural de periferia: O Isnaldo Bulhões
(antigo Colorado) do antigo sítio Lagoa do Mato, o Santo Antônio, no sopé do
serrote do Gonçalinho/Micro-ondas), o novo bairro Curral do Meio I e mais o
Largo que se formou no final do Bairro Domingos Acácio. Ao todo é uma mistura
de classes baixa, média e alta, todas com o objetivo de melhor qualidade de
vida. No momento, os pontos altos de referências nesse conjunto da região,
correspondem ao Hipermercado Nobre, O IFAL a Churrascaria Moreira, o Posto de
Combustíveis Lemos e a casa de construção Almir Ferragens.
Olhar analista geográfico.
Olhar santanense de AMOR.
Obs.
Temos o Curral do Meio II, que fica mais distante da cidade.
SAÍDA
DE SANTANA PELA PARTE LESTE. NOITE CHUVOSA DE
2013. (FOTO:
B. CHAGAS/LIVRO 230).
FOI ONTEM Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.211 Não fosse as previsões...
FOI
ONTEM
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.211
Não fosse as previsões da ciência, dos profetas
das chuvas – agricultores nordestinos que observam a natureza e seus sinais –
poderíamos ficar ainda numa dúvida feroz que costuma angustiar o homem do
campo. E dizem os experimentados homens da roça que se não chegar a chuva no
Sertão até o dia de São José, o ano será seco e difícil. Pelo que sempre
observamos, não seria apenas a chuva no dia exato de São José que seria um ano
bom de inverno, mas sim até o dia do santo Pai de Jesus. Neste caso, as
previsões foram ótimas para o Sertão de Alagoas em 2025. É que choveu várias
vezes no mês de fevereiro, além das previsões otimistas dos Profetas das Chuvas, reunidos em Santana
do Ipanema. Todos afirmaram sobre o inverno com otimismo.
O dia exto de São José, foi seco, tempo abafado
com muito calor. Céu azul com algumas nuvens não comprometidas com chuvas imediatas.
Apesar do encontro dos profetas das chuvas ter sido no Bairro Monumento,
defronte a Secretaria de Agricultura, como já está ficando tradicional, os
moradores do nosso Bairro São José, também participam do evento. Entretanto, se
as profecias fossem transferidas para a frente da sua Igreja, seria muito mais
justo. Chegando gente de todos os lugares para o encontro dos homens sabidos,
marca-se uma atração a mais para o Turismo do interior, para estudiosos e
pesquisadores do tema. Além dos
profetas, outras apresentações fazem parte como aboios e repentistas.
A tendência do encontro dos Profetas das Chuvas, será sua ampliação
com novos atrativos incorporados. Sim, tem gente que não gosta, mas numa região
dominada pela lavoura e pelo gado, o sangue rural fala muito mais alto nessas
aglomerações programadas. E assim, com encontro ou sem encontros, o prestígio
do Pai de Jesus, continua em alta, principalmente em solos nordestinos e
sertanejos. Homem, honesto, humilde, pacato e carpinteiro, o esposo de Maria semeia
constantemente seu nome nos filhos que virão ao mundo pelo Nordeste brasileiro.
E tantas solenidades realizadas em nome de quem viveu santamente, muito mais
abrilhantam os festejos e fortalecem a confiança dos que se chamam José e dos
que não têm este privilégio.
A INDÚSTRIA E NÓS Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.210 Nos anos sessent...
A
INDÚSTRIA E NÓS
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.210
Nos anos sessenta, ainda usávamos a cama de
mola e, a marca de uma delas era famosa com o título Faixa Azul. Essas camas eram vendidas em algumas lojas da cidade e
algumas delas exibiam essas camas nas próprias calçadas dos estabelecimentos.
Quanto ao colchão, eram feitos de capim ou de juncos, material encontrado por
todos os lugares. Havia em Santana do Ipanema na Rua Antônio Tavares, uma
fábrica de colchões com três ou quatro funcionários que confeccionavam cada
peça á mão. Não recordamos de nenhum tipo de máquinas. A fábrica ficava no
casarão em preto vizinho a esquina da ladeira que levava até a rua de baixo,
Rua de Zé Quirino (hoje professor Enéas). Pertencia a fábrica ao senhor
apelidado de Júlio pezunho. (Pezunho:
aquele que tem um dedo a mais na mão, inutilizado). O senhor Júlio, nessa época,
já era um homem de idade e muito conhecido na região.
E se havia outras fábricas do ramo, na cidade,
na minha adolescência não tive conhecimento. À cama de mola, cabia consertos
aqui ou ali, mas os colchões que logo viravam canoas com afundamentos no meio,
não havia jeito e se reclamava muito de dores de coluna. E esses colchões de
juncos ou de capins, também ficavam expostos nas calçadas dos estabelecimentos.
Na prática daquilo a cama rangia
muito e por isso eram formadas muitas anedotas a respeito das animosidades sexuais.
A partir, aproximadamente da década de setenta, começaram a surgir novos
modelos de cama de ripas, se mola e as famosas camas de molas foi desaparecendo
aos poucos seguidas pelos tipos antigos de colchões.
As camas modernas continuam sem qualidade,
Cheias de floreios “propagandícios” falsos. Do mesmo modo são os colchões que
não resistem dez dias de dormidas sem a formação de canoas da mesma maneira dos
colchões que quebravam a coluna dos nossos avós e pais. Antes ainda havia a
opção da rede, da esteira de caboclo, da esteira de periperi ou pipiri, coisas
que vão ficando cada vez mais raras no nosso cotidiano. O que fazer? Por
enquanto ainda não conhecemos soluções e sim à espera das dores da coluna para
o gasto inútil de dinheiro com médicos que se dizem especialistas. Dizem os
mais velhos que o que não tem remendo
remediado estar.
Esteja onde estiver, pelo menos Seu Júlio Pezunho,
tentou.
BAIRRO MONUMENTO (FOTO B. CHAGAS)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.