SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
TUDO ESTRANHO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.236 Finalmente, após o ...
TUDO ESTRANHO
Clerisvaldo
B. Chagas, 20 de maio de 2025
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.236
Finalmente, após o dia 15 de maio, como sempre
foi, a região do Sertão alagoano, entrou em perspectiva de chuvas das chamadas
chuvas das tradicionais chuvadas de outono/inverno dessa região. O céu ficou
por vários dias, nublado, mas sem chuva, apenas dando notícias de precipitações
no Agreste. Agora resolveu colocar as mangas de fora, mas somente com algumas
nuvens com chuvas passageiras e fracas po cerca de cinco minutos. Uma friezinha
sim, o escurecimento do tempo dentro das casas, devido algumas nuvens mais
escuras e só. Diante das mudanças climáticas, não podemos mais confirmar nada
sobre a continuação das chuvas outono/inverno em Santana do Ipanema e região.
Um tempo estranho. Muito estranho.
Mas, independente do Sol e da Chuva, continuam
as obras do Anel Viário. Os trabalhos
estão descendo as colinas dos arredores e tudo indica, passarão pela estrada
que leva ao sítio Tocaias, onde se encontra a “Igrejinha das Tocaias. Não
entendemos de engenharia, porém dar a entender que essa ligação rodoviária
entre a AL-130 e a BR-316, irá cortar a estrada das Tocaias com um aterro. E
caso acontecesse isso, aqui vai uma sugestão que é fazer um viaduto no futuro
aterro assim como Paulo Ferreira fez no aterro das imediações do Colégio
Estadual. A Igrejinha das Tocaias, ao lado da Reserva Tocaia, são atualmente os
pontos turísticos mais visitados. Joias da visitação pública entre romeiros,
estudantes, professores, cineastas, escritores e devotos ferrenhos da tradição
histórica, geográfica, religiosa e social desse relevante ponto supervalioso de
Santana do Ipanema.
Porém, mais duas coisas relevantes acontecerão
com o Anel Viário. Os veículos que virão da região Oeste do Sertão em busca do
hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, não precisarão enfrentar o trânsito do
Centro da cidade, subirão direto da BR-316 para o hospital. Os que vierem da
Região Sul, pela AL-130, também não enfrentarão o trânsito do Centro, chegarão
livre ao hospital que atende cerca de vinte oito municípios. Quanto as
formações de novos bairros além do hospital, rumo a serra da Remetedeira e nas imediações
da serra Aguda, onde ficará a maior estátua sacra do mundo, serão bairro novos
já com asfaltos à porta, clima de altitude e boas perspectivas de vida.
(FOTO; B. CHAGAS).
ÁGUA NA PEDRA Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3. 235 É natural que as pesso...
ÁGUA
NA PEDRA
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de
2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3. 235
É natural que as pessoas tenham abandon
ado hábitos antigos e tenham se integrado
aos tempos modernos, aqui no Sertão de Alagoas. Foram deixados de lado os
remédios do mato, a procura de águas nas cacimbas de rios periódicos e a
lavagem de roupas nos pilões de pedra. Motivos pela ordem: remédios de farmácia
em abundância, água encanada do rio São Francisco e máquinas de lavar. Muitas
outras coisas poderiam ser citadas, mas vamos parar por aqui com objetivo de
falar sobre os pilões de pedras, um dos motivos do meu próximo livro sobre a
zona rural. Pedra d’Água, Caldeirão, Caldeirão de pedra, são os nomes que se
dão no Sertão às rochas, rochedos, lajes, lajeiros, lajedos, lajeado, que
afloram e que adquirem, pela Natureza, várias formas que acumulam águas
pluviais.
Aqui
no Sertão alagoano, no município santanense, temos até um povoado de
denominação, Pedra d’Água dos Alexandre. E é interessante porque pertence a
dois municípios: um lado da rua é Poço das Trincheiras, o outro lado, Santana
do Ipanema. É terra da cangaceira Maria do Cangaceiro Pancada. Maria de Pancada
como ficou conhecida. Pois bem, O nome Pedra d’Água vem justamente de algumas
rochas da região que acumulava água das chuvas em suas formas. Em Santana
existem vários pilões de pedra. Somente na região de Camoxinga dos Teodósio
existem mais de cinco, porém, hoje estão esquecidos por causa da existência de
água encanada. Se você não alcançou, que pena! Era um encanto as lavadeiras de
roupa nos caldeirões de pedra. Simplesmente romântico.
Tirando
a faina charmosa das lavadeiras nas rochas, o local é
atrativo para pássaros e outros animais selvagens, e mesmo lugar de emboscada
para caçadores, hoje ilegais. Suas formas de retenção da água pluvial tem uma
ótima variação: rachaduras, cavidades simples, panelas, caldeirões, torneados
profundos ou não e panelas em forma de parafuso. Ali vêm beber, o sapo, a
raposa, o furão, o lobo-guará, a cobra, o cassaco e todos os selvagens do
perímetro, durante, principalmente o período de estiagem prolongada. Durante o
tempo mais frio do inverno, urubus e teiús costumam usar esses e outros
lajeados para obrigatórios banhos de sol, como os humanos. Por isso e por mais
ainda, é tão importante um lajeiro tipo caldeirão na propriedade quanto uma
lagoa, um riacho, uma várzea.
LAJEADO
COM ÁGUA (foto: PULSAR).
NA FURNA DA ONÇA Clerisvaldo B. Chagas, 29 de abril de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.233 Caverna, lapa, ...
NA
FURNA DA ONÇA
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de abril de
2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.233
Caverna,
lapa, gruta, furna e sovaco, no Sertão representam a mesma coisa. Há muitos
anos recebi um convite de uma professora, líder rural da Camoxinga dos Teodósio,
para conhecer a Furna da Onça. Uma furna com cerca de 50 metros de interior,
situada em uma das cabeças da serra do Poço – serra que divide os municípios de
Santana do Ipanema e Poço das Trincheiras. Na época não fui. Muito tempo depois, na mesma
abordagem, já não dava para mim, enfrentar lugares de difíceis acessos. Porém,
desta feita se formos mesmo percorrer todas as regiões do município, sei que um
companheiro subirá até o local e mostrará para o mundo a Furna da Onça, tanto em
foto quanto em vídeo. E mais uma espécie
de corredeiras onde a pesca é farta quando os peixes sobem nas cheias do riacho
Camoxinga.
Mas
aprendi muito e muito mais, entrevistando sobre esta região serrana. Por
exemplo, que o antigo sítio onde o santanense ia buscar água boa e cara no
tempo do abastecimento com jericos, não pertence ao nosso município. Marcela, sítio
que ficou tão famoso pela sua água, pertence ao Poço das Trincheiras. Outra
coisa para você em primeira mão: O rio Ipanema quando penetra no município de
Santana do Ipanema, entra pelo sítio Água Fria, Banha os seguintes sítios, Água
Fria, Mata Verde, Poço Grande, entra na cidade com barragem artificial na
BR-316, prossegue banhando os sítios Barra do João Gomes, Poço da Areia e sai
do município pelo sítio Jaqueira. São detalhes que, somente pessoas abnegadas
aos estudos específicos descobrem e contam para os outros que abrem a boca
admirados.
Ainda
temos detalhes sobre nascimento, foz e sítios banhados pelo riacho Camoxinga,
bem como a sua extensão total. E nessa entrevista prévia, para os nossos trabalhos
de campo, descobrimos também o grotão de Arão. Grota profunda na aba da serra
do Poço, dividida em dois braços, verdadeiro terror das enxurradas de invernos
e trovoadas, funcionando como verdadeiros riachos de montanhas. É por isso que
vale à pena uma boa entrevista, nem que seja no Zap, como fiz. O que vale é o
amor à causa em ambos os lados, para que o mundo pulule de conhecimentos.
FURNA
SEMELHANTE A DA ONÇA (FOTO: STOCK).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.