ALTO DA EMA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3404   Quando o pesquisador ...

 

ALTO DA EMA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3404

 



Quando o pesquisador encontra certa ambiguidade, na pesquisa, muitas vezes não tem como desvendar o mistério surgido, quando fontes seguras já não existem e se tem que entrar no campo das deduções. Um desses caso é semelhante no Sertão e no Agreste do nosso estado. E tudo tem início com a denominação mais fácil que o povo encontra. Entre Palmeira dos Índios e Maribondo, encontramos o povoado Cabeça Danta. E o que significa Cabeça Danta. Seria inicialmente Cabeça de uma pessoa de sobrenome Danta? Seria  o lugar chamado antes Cabeça da Anta? Seria cabeça, relativa  a um começo de ladeira, de chã? Teria sido achado ali uma cabeça humana de alguém que tivesse sobrenome Danta?

No município de Santana do Ipanema estão as denominações de sítios: Baixa do Tamanduá,  Várzea da Ema. Muita lógica nas deduções. Mas o sítio Alto Dema ou Alto da Ema ou Alto d’Ema,  ou ainda Alto do Dema dá nó em cabeça de pesquisador.  Qual a realidade por trás do nome. Primeiro, Alto Dema, ou Alto do Dema ou Alto d’Ema, dá a impressão do que são termos que dizem a mesma coisa: Um terreno alto que teria um morador chamado ou apelidado de Dema. Então vamos para a quarta denominação: Alto da Ema. Bem, assim tudo muda. Nesse caso a termo é muito claro: Um lugar onde, antigamente se encontravam emas. Ali perto existe outro sítio com o nome Várzea da Ema. Várzea é lugar baixo, fértil e sujeito à inundações. Ora, se tão perto tem a Várzea da Ema, e o Alto da Ema, se deduz que naquela região eram frequentadas pelos animais selvagens ema, tanto nas baixadas quanto nos altos. Qual seria o certo?

A EMA, ave pernalta é a maior do Brasil. Suas pernas longas permitem fugir rapidamente de predadores e, quando acuada também resolve atacar. Animal  cada vez mais raro nos seus habitats,

as emas eram bastante encontradas no interior do Nordeste. Embora tenha uma carcaça com bastante carne, não era apreciada, principalmente pela população masculina que dizia que “que carne de ema faz crescer a bunda”. No meu romance do ciclo do cangaço, FAZENDA LAJEADO, tem uma cena hilariante com uma ema, visando quebrar  a seriedade da narrativa. A  (Rhea Americana) também se encontra presente no livro: O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

EMA (PIXABAY).

  MUNDO NOVO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3343   A   primeira mudança q...

 

MUNDO NOVO

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3343

 



A  primeira mudança que registrei no mundo do Sertão para o progresso e o modernismo foi a invasão de calçados vindos de Pernambuco. Isso quebrou os curtumes e faliu as fábricas de calçados de Santana do Ipanema. Depois foi a chegada devagar de confecções prontas, vendidas em bancas de feira no ramo de armarinhos. A sua crescente presença, eliminou os alfaiates e as costureiras de Santana do Ipanema. Houve a decadência em lojas de tecidos. E pela primeira vez na vida, vi uma montanha de calcinhas, na feira, vendida a 1 real, cada peça. Incrível para a época. Ao mesmo tempo numa viagem à Juazeiro do Norte, vi montanhas de confecções, cujas calças para homens, custava apenas 15, reais, que era praticamente de graça. No Sertão ainda se usava roupa sobre medida, escassez no vestiário e falta completa de sutiãs e calcinhas.

Mas, o início de fato dessa transformação, foi quando, como adolescente, notei que as fábricas estavam fabricando brinquedos baseadas naqueles que usávamos no cotidiano feitos pelos nossos artesãos: Caminhões de molas de lata, pinhão de goiabeira, Mané-gostoso, principalmente. Depois vieram as bicas (calhas) de plástico para escoar as águas das chuvas no telhado. Isso foi eliminando a profissão de flandreleiro, em outros lugares, chamados funileiros. E essa transformação silenciosa, notada por muito poucas pessoas, continua ainda  e agora com velocidade espantosa. Veja o exemplo do celular, atualizado a cada seis meses.

O progresso faz, então, lembrar do padre Bulhões e o matuto que entrou na igreja, vindo do sítio chamado Mundo Novo. Olhando a nave do Altar-mor, o padre viu quando o matuto entrou na Matriz de Senhora Santana, com chapéu e cigarro apagado na boca. Dirigiu-se ao altar que estava com uma vela   acesa e procurou acender o seu cigarro boró. O padre desceu até lá, procurando se conter para não aplicar mais um  esporro daqueles acostumados a  presentear. “Bom dia, de onde o senhor é?”, indagou. O matuto respondeu: “Sou do Mundo Novo”. E o padre, dominando a impaciência disse coçando a cabeça: “Só podia ser. Pois no Mundo Velho de meu Deus, não existe isso  não”

Durma com um barulho desses!

BBC NEWS. CIDADE DO CABO.

  MARIA BONITA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 3402   Brevemente no mercado...

 

MARIA BONITA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 3402

 



Brevemente no mercado, o livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS. Um livro tipo clássico, como LAMPIÃO EM ALAGOAS, completamente diferente do que você já viu até hoje. Já na gráfica, ainda negociando termos de editoração e finanças, estar atrelado ao  ao romance urbano AREIA GROSSA, que resgata parte da periferia de Santana do Ipanema, dos anos 60 – 70. Ambos os compêndios deverão ser lançados no mesmo período, porém em situações inusitadas, como foi lançado o livro A IGREJINHA DAS TOCAIAS, SUA HISTÓRIA. Vale salientar, que ainda não temos prazos de lançamentos, nem preço definido, entretanto, quem estiver interessado, principalmente os seguidores de histórias do cangaço, poderão entrar em contato com o autor e adquirir antecipadamente, tanto o AREIA GROSSA quanto O MARIA BONITA. (contato abaixo).

Para o segundo semestre e início de 2027, estão na fila e deverão tomar corpo o documentário: BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO, ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO e o romance do ciclo do cangaço AS TRÊS FILHAS DO CORONEL, nome sugerido pelos leitores. Enquanto a fábrica de sonhos estiver funcionando e o Divino Espírito Santo, na guia, estaremos produzindo documentários e ficções, para preencher e embalar as almas inquietas deste mundo conturbado. Contar realidades e  fazer sonhar nos romances,  faz transportar o ser humano para uma dimensão onde a poltrona, a rede, a mesa do leitor funcionam como camarote para o espetáculo circense que se descortina para o início.

Antecipadamente quero agradecer, ao meu irmão, sempre editor Ivan Braga (Ivan Caju) e aos escritores João Chagas Neto, o “Capitão do Mato” e Luís Antônio, o “Capiá”, pela presença do “bolso” na gráfica maceioense. Por certo estaremos os quatro, marcando território no lançamento  de MARIA BONITA, A DEUSA DAS  CAATINGAS E AREIA GROSSA, seja à margem esquerda do rio Ipanema, seja aonde for nas terras gloriosas de Senhora Santa Ana.

Meu Sertão, meu Sertãozinho.

AUTOR AOS 79 ANOS.