terça-feira, 6 de junho de 2023

 

OCO DE PAU

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.100

Para Janete Martins, Ivan Caju e Paulo Décio

 



Andando pela caatinga compacta, vez em quando, o homem rural descobria uma árvore ocada, no tronco ou no galho. O oco de uma árvore poderia ser lugar de ninho de alguns tipos de pássaros ou ponto certo de alguns tipos de abelhas. Nem todos os pássaros e nem todos os tipos de abelhas utilizam esse defeito da árvore como morada. Mas é muito interessante quando o homem, munido de machado e vasilha limpa, bota abelhas para correr e se apodera do mel existente, delicioso e em grande quantidade.

Quando não havia banco, o agropecuarista utilizava o oco de pau para esconder dinheiro, bem como enterrava cédulas e moedas dentro de caixotes ou de baú de couro. Segundo o filho do cangaceiro Corisco, Silvio Bulhões, a melhor maneira que os cangaceiros de Lampião encontraram para esconder e armazenar munições, era em oco de pau, dentro de recipientes de vidro vedados com cera de abelha. Inclusive, após a época de cangaço, foram encontrados por acaso, pelos catingueiros, essas preciosidades da história cangaceira.

Corre um perigo grande quem se arrisca no meio da caatinga, colocar a mão no oco de pau.  Como foi dito, muitas cobras não gostam de morar em oco de árvore, mas isso não a impede de visitar esses pontos em busca de ovos, de filhotes e de pássaros adultos.

Já aconteceu inúmeras vezes descobertas de dinheiro antigo dentro de oco de pau, supondo-se que tenham sido ali depositados e o dono tenha falecido antes de retirá-lo e sem ter dito nada a ninguém. Seria uma espécie da tão famigerada botija das lendas sertanejas.

O oco de pau pode acontecer de várias formas, mais verticais, mais redondos e de outras formas, mas todos exigem cuidados durante sua verificação. Inclusive também já foram encontradas armas curtas e armas longas, supondo-se que a maioria delas tenha sido depositada por cangaceiro com armas sobrando e para aliviar o peso nas suas caminhadas. Nesse caso a árvore era bem marcada num papel ou no mapa da cabeça. Dificilmente o cangaceiro recuperava a arma, até porque por ali não passava mais devido as circunstancias das jornadas.

OCO DE PAU (FOTO: STOCK).

 

 

 


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