SAL E MEL – MEDIDAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alag...

 

 

                               SAL E MEL – MEDIDAS

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3359

 



Tem razão o escritor santanense, Luís Antônio, o Capiá, quando diz que o seu avô vendia sal. Era isso mesmo, Seu Misael, que morava à Rua Nilo Peçanha – quase defronte a Cadeia Velha – vendia sal na feira de Santana do Ipanema com mais dois ou três colegas do ramo e um deles parece-me que era o senhor Domingos que morava do outro do rio. Mas, não sei o motivo, eu apreciava o sal grosso vendido a granel em sacos de panos, primeiramente defronte o “prédio do meio da rua”, depois, entre a igreja Matriz e a esquina do Hotel Central. Eu apreciava aqueles quadrados de sal grosso que me parecia diamantes, brilhantes e transparentes. A unidade de medida era um quadrado de madeira boa a que era chamado “salamim”. “Quero um salamim de sal” dizia o povo. Já a medida de vender farinha era qualquer vasilhame e a quantidade se chamava “Cuia”. “Dê-me uma cuia de farinha”.

Dizem que a cidade São Sebastião, perto de Arapiraca, no Agreste, era antes, o lugar, chamado “Salomé”, porque ali se vendia sal e mel aos viajantes. Não sei como era vendido o mel no lugar Salomé, porém, desde que conheci sua venda até os presentes dias, sempre foi com unidade de medida, “litro”. “Um litro de mel”, “dois litros de mel... “ Sempre soube também que o mel mais valorizado e profundamente mais gostoso e medicinal era o mel de uruçu, isto é, da abelha Uruçu. O mel de uruçu que chegava a Santana, era quase sempre de encomenda e vinha das imediações do lugar Cabeça Danta, entre Palmeira dos Índios e Maribondo. Já presenciei o mel de abelhas comum ao preço de 10,00, enquanto o litro do mel de uruçu valer 80,00 e continua assim.

Vimos quais eram as medidas para o mel, o sal, a farinha. Usava-se também a medida “litro”, para se vender castanhas, nas feiras, amendoim, fava e feijão. E por falar nisso, recentemente alguns clientes de uma banca na feira admiravam um caneco de Flandre que equivalia a um litro, medida para feijão verde e, sempre pediam explicações a dona da banca, fiel seguidora do padre Cícero e ela dizia: “Isso aqui veio do Juazeiro, é o meu orgulho e minha valorização”.

Assim eram as medições.

Medições do século XX.

MEDIDOR DE SAL REDONDO.

 

                             

 

  

 

 



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