FOI REALIZADA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3379   Foi realizada sim, ...

 

FOI REALIZADA

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3379



 

Foi realizada sim, com êxito total a nossa missão do sábado passado. Estivemos em terras de Dois Riachos, procuramos chegar até a “Pedra do padre Cícero”, onde existe a maior romaria do estado de Alagoas. Entre o oratório da pedra, com sua escadaria, a igreja bem arrumada e a BR-316, pagamos promessa familiar ao padre Cícero do Juazeiro. Não conhecia ainda o túmulo dentro da igreja, do fundador da igrejinha no topo da rocha. A sua esposa Maria, também já havia falecido, porém descobrimos um filho de José Antônio Lima e sua esposa Maria, que se recuperava em casa ali pertinho, de um AVC. Deixamos, então, o livro PADRE CÍCERO 100 MILAGRES NORDESTINOS, INÉDITOS, e que um dos milagres tinha sido motivo de construção do hoje, ponto de romaria.

Interessante é que neste dia de sábado comum. Parou um caminhoneiro da Bahia, ali na BR-316 e foi sem demora orar no topo da escadaria, no oratório sob um Sol abrasador, demorando bastante tempo. Em baixo, nós soltávamos foguetes, mas ninguém teve a ousadia de indagar ao caminhoneiro sobre seu ato de fé. Desceu, ligou o caminhão e partiu acenando para nós, alegremente. Que maravilha! Então, fomos ao retorno a casa. Ao passarmos em Areia Branca, povoado quase cidade, matei à vontade em conhecer familiar dos fundadores Manoel Joaquim e Rosa. Ao invés de encontrar a neta, encontramos a filha, muito animada numa rua central ao lado da Igreja que era tudo do fundador. Pense numa palestra agradável de pesquisador.

Por fim, vamos junto tentar erguer um obelisco à fundação de Areias Branca. Aproveitando o ensejo, fomos conhecer o núcleo habitacional feito nas faldas do serrote do Cruzeiro para os abrigados da última grande cheia do rio Ipanema e ao mesmo tempo, apreciarmos o roteiro da estrada AL-120 que será interligada a BR-316, passando pelo sopé da serra Aguda. Esse novo trecho passa exatamente pelo centro do núcleo habitacional. Paisagens espetaculares, principalmente agora que tudo está verde por aqui.

PEDRA DO PADRE CÍCERO, IRMÃ JEANE DESCENDO ESCADARIA (FOTO: IVAN CHAGAS).

 

 

    VISITANDO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3378   Estamos reservando ...

 

 

VISITANDO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3378

 



Estamos reservando esta sexta-feira para fazermos uma visita ao povoado Areias Brancas (Santana do Ipanema) e a Pedra do Padre Cícero, em Dois Riachos. Em Areias, iremos visitar familiares dos fundadores do povoado que hoje parece uma cidade e cujos iniciantes não moram mais ali. E nós, que escrevemos a história do povoado (ver: o BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA) queremos pelo menos conhecer a neta dos fundadores, Manoel Joaquim e Rosa. Inclusive, o casal fundador do povoado está em nosso livro PADRE CÍCERO, 100 MILAGRES NORDESTINOS, INÉDITOS. Assim vamos também confirmar o recebimento do livro pela neta do casal. Areias Brancas fica no limite dos município de Santana com Dois Riachos, cortado pela BR-316.

Assim iremos dar um esticadinha até a pedra do Padre Cícero, no município vizinho de Dois Riachos. Sim, uma visita de fé e pagamento de promessa programada. Não, não é dia de romaria na Pedra, romaria maior de Alagoas realizada no dia 20 de julho, mas um dia comum, um dia calmo nas imediações da Pedra. Mas também iremos ter a honra de conhecer familiares do homem que construiu o oratório no topo da rocha. Aliás, também fazer a entrega do livro do padre Cícero, em cujas páginas estar registrada a ação de agradecimento do milagre alcançado no Juazeiro de quem construiu o oratório. Portanto, uma viagem curta com dois motivos de honra e alegria. Amanhã, sábado, continuação desse mister de outro maneira. Na padre estarei com Ivan e Jeane, irmão e irmã. No sábado, com o escritor Marcello Fausto, distribuindo livros remanescentes a quem faltou o lançamento.

Pois, enquanto determinado país, semeia guerras, terror, mortes e assassinato frios, vamos semeando livros em nosso pedaço de chão. Infelizmente tem o que mata em briga comum, o que mata para roubar, o que mata por vingança e o que mata estando no poder se reafirmando como o assassino do mundo. Para onde irão esses tipos de almas sebosas? Enquanto isso, os livros continuam divulgando a arte, o belo, o conhecimento, acalentando a alma do seu leitor.

Ah! Mundo véi sem porteiras!

Que achas, tu?

PEDRA DO PADRE CÍCERO, EM DOIS RIACHOS (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  OS ENCONTROS NO LANÇAMENTO Clerisvaldo B. Chagas, 12 março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3377   Foi uma f...

 

OS ENCONTROS NO LANÇAMENTO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3377



 

Foi uma felicidade, no comparecimento á Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte. Era o lançamento do livro LEMBRANÇAS DO PASSADO, do saudoso Ialdo Falcão e sua esposa Marina Falcão. Ali pude rever pessoas que até pensava não mais rever, devido às ausências prolongadas por esse Brasil de meu Deus. Remi Bastos, Joaquim (primo), Socorro Chagas (prima), Edvan, filho do saudoso senhor Miron, os filhos das estrela da noite, Marina Falcão, Ialdo e Charles e, várias outras pessoas que mesmo vivendo na mesma comunidade, não víamos de perto há muito. Conversei bastante com o compositor e cantor Remi Bastos, no seus 80 e eu nos meus 79. Botei quase em dia a palestra com a prima Socorro Chagas que às vezes substituía sua mãe Helena Oliveira, como nossa professora ocasional, que maravilha!

A solenidade aconteceu quando chegou a escritora Marina Falcão. Conduzido pelo escritor e editor José Malto Neto, foi composta à mesa e em seguida a apresentação de José Malta que também fazia o papel de mestre de cerimônias e o falatório dos componentes da mesa, sob os aplausos da plateia. Ao encerrar essa parte com o pronunciamento da escritora, fomos nós para a famosa fila dos autógrafos com o final daquele encontro com várias palestras de grupos no reencontro. Retornei a casa às 23 horas, mas ainda deixei as conversas no salão bastante animadas. Não deixei de lembrar que aquela casa legislativa fora o salão onde funcionara a Empresa de Luz desde a elevação da vila à cidade de Santana do Ipanema.

Pois, o lançamento do livro SAUDADES DO PASSADO, além de prestar à comunidade santanense pedaços da história pessoal de Firmino Falcão Filho, o Seu Nozinho (ô), exibiu as entranhas da sua administração de 1947-1948, como prefeito/interventor, nomeado pelo, então, polêmico governante estadual, Silvestre Péricles. E como não deixaria de ser, o livro traz o sentimentalismo da família do autor, passagens engraçadas que comoveram os que ali estavam presentes ouvindo com atenção e respeito as narrativas de quem conviveu com o autor, Ialdo Nemésio Falcão Filho.

Paz e bênção no reino sertanejo de Santana do Ipanema.

 

  FALÉSIAS Clerisvaldo B. Chagas, 11 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3376 Especialista em Geografia ...

 

FALÉSIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3376

Especialista em Geografia

 



As encostas íngremes ou verticais que estão voltadas para o interior, chamam-se “barreiras”; quando estão voltadas para o mar, são conhecidas como falésias. As falésias possuem variações na altura conforme o local e mostram entre vinte e trinta metros de altura, podendo atingir até os quarenta metros. Atualmente são as falésias muito exploradas pelo turismo, menos pelo seu estudo geográfico e muito mais pelas paisagens que exibem diante de praias e suas características com as variações de cores dos mares. O litoral de Alagoas é riquíssimo em falésias e em inúmeras formações geográficas que encantam estudiosos, turistas e banhistas costumeiros. Tanto faz o litoral Norte quanto o litoral Sul, delimitados virtualmente pela capital Maceió, possuem essas maravilhas. 

Em nossa opinião, o litoral Sul parece ter muitas formações geográficas que não têm no litoral Norte. Achamos também que a beleza máxima dessas formações está no município de Jiquiá da Praia, porém, estamos falando especificamente em falésias e barreiras. Em Maceió mesmo, sua falésias foram motivos de filmagens e capa de antigo catálogo telefônico do estado cuja paisagem alcançou alto índice de aprovação e beleza. Elas são usadas como mirantes, para construções de torres de sinais, construções avançada de símbolos como capelas ou mesmo mansões de veraneio.  Mas é preciso cuidado com elas, pois as falésias constantemente sofrem os desgastes das marés que levam o nome de “abrasão”.

Pode acontecer numa falésia – pela constante insistência das marés – um desgaste em que o tempo longo pode formar uma caverna rasa em parte rochosa e que na prática é muito utilizada para propaganda turística. Conforme o local, muitas vezes a maré cheia avança para tão perto da falésia que fecha a praia e, consequentemente a única passagem de pessoas e veículos, por algumas horas. Poderemos encontrar também outras formações geográficas interessante: lagoas, ilhas, atóis, promontórios, dunas, restingas, recifes, istmos, pontas, cabos, enseadas e mais. E como já foi dito, Alagoas é rica em inúmeras destas formações.

E você? Prefere as barreiras ou as falésias?

FALÉSIAS (DIVULGAÇÃO).

 

  

  O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3376   Qu...

 

O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3376



 

Quando o senhor Abílio Pereira, comerciante com Armarinhos no “sobrado do meio da rua” teve o sobrado demolido pelo, então, prefeito, Ulisses Silva, procurou, como outros comerciantes, encontrar novo lugar para negócios. Estabeleceu-se no Largo Prof. Enéas ainda no Centro Comercial e, pelo que eu observava, mudou de ramo e passou a negociar com ferragens. Modernizou sua casa comercial e nela implantou um segundo andar que na certa servia de depósito. Foi o primeiro prédio do Comércio de Santana com primeiro andar, depois, segundo. Fato histórico, portanto. E, como o prefeito e seus seguidores pensavam, de fato novos e modernos horizontes surgiram na paisagem do Centro, afastando definitivamente o seu aspecto de vila.

Vale salientar que pareceu que o Sertão inteiro acompanhava a transformação que aconteceu na “Rainha do Sertão” e “Capital Sertaneja”. Muitos diziam que havia duas Santana: a do passado e a do presente. Muito embora as opiniões se dividissem, ninguém ousou desafiar o prefeito e, os contra as demolições do “prédio do meio da rua”, inclusive, minha opinião de adolescente, também era em favor dos edifícios que eram uma espécie de Shopping de Santana do Ipanema. Entretanto, o tempo deu razão ao prefeito, muito embora a forma com foi feita tivesse sido truculenta e rápida sem consulta pública para não dá tempo ao povo pensar. Isso também havia acontecido na década de 40 quando derrubaram o antigo cemitério de Santana à marretadas e pauladas, durante uma noite.

Histórias de empáfias e macabras se encobriram nas curvas do tempo e na força, na marra, no cacete, o Comércio de Santana do Ipanema foi considerado por inúmeros caixeiros-viajantes, como o mais bonito do interior de Alagoas. Imaginem agora com as transformações naturais e profundas que sempre estão acontecendo! Agora, como novo becos, viadutos, pontes e alargamentos de ruas estão completamente desatualizados, cada dia que passa o trânsito vira terra de ninguém. E como o número de motoqueiros só perde para Arapiraca, imagine o caos em que estamos vivendo. Ninguém sabe dizer até quando vai continuar essa falta de estrutura urbana para a segunda modernização. Enquanto isso viramos uma Índia no tráfego doido da cidade.

LARGO PROF. ENEAS (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

OS AVISOS IGNORADOS Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3375   Com certeza esta...

OS AVISOS IGNORADOS

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3375

 


Com certeza estamos vivendo este fim de verão, como se fosse o outono. O período chuvoso da sertão alagoano sempre foi de outono/inverno. Geralmente iniciando em maio e seguindo até a primeira quinzena de agosto. O certo é que nos últimos anos, esse período se prolongava chegando mesmo até outubro que era o mês mais seco do ano. Mas agora, como tudo parece sem nexo, esse período foi antecipado para os últimos meses do verão e completamente a seu modo. Tudo parecido com o outono que começará no próximo dia vinte. Confusão: Sol sem se esperar, chuva sem se esperar, frio sem se esperar... Fazer o quê? O homem já fez o que não deveria ter sido feito volta a valer a natureza. Em nosso entender, não tem mais remendo novo que dê jeito no panorama velho

Pelo menos agora, parece mesmo em voga a profecia dos tempos de Canudos “que o Sertão vai virar mar e o mar vai virar Sertão”. Também parece que o conselho de muitos agricultores experientes continua valendo: “choveu, plantou”. Esperar por quem? Entretanto, essa mudança confusa do tempo, divide muito opiniões. Semana passada um vídeo dessas últimas chuvas era exibido na Internet, quando o narrador mostrava a cheia chegando na barragem do rio Ipanema. Ao invés de alarme e terrorismo – como fazem alguns deixando em polvorosa as famílias de santanenses que estão fora – simplesmente dizia o narrador, elogiando a cheia e dizendo: “tempo rico”. Concordo com sua visão em passar a ESPERANÇA e não o MEDO, o TERROR.

Em breve, estaremos comendo feijão-de-corda com galinha de capoeira, comemorando a riqueza das águas. Barreiros absolutos, açudes “esborrotando”, capim cobrindo lombo de boi, galo correndo nos terreiros atrás das frangas, amor na cama após os trovões, dinheiro no bolso e fé adiantada. Esse é o Sertão paradisíaco que eu conheço e vivo.  Sobre a Natureza, não posso salvar o mundo, mas as pequenas coisas individuais que podemos fazer diariamente, formam um todo no Planeta. Vou fazendo a parcela mínima que diariamente é obrigação. O meio ambiente agradece.

O importante é o verde da caatinga.

Amor, amor... Somente AMOR.

CHUVA NA FEIRA (FOTO: B. CHAGAS).

 

 



  PARCERIA Clerisvaldo B. Chagas, 06 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3372   Tive a alegria de receb...

 

PARCERIA

Clerisvaldo B. Chagas, 06 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3372

 



Tive a alegria de receber em minha residência o jornalista, editor e escritor José Malta, conhecido como Malta net. Como, onde existe boa-vontade há evolução, tratamos da parceria entre escritor e editor para acontecer a mais nova edição da IGREJINHA DAS TOCAIAS, SUA HISTÓRIA E SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. O Objetivo é sempre enriquecer a memória da juventude com a nossa história, a nossa tradição. Ambos os livros serão lidos e analisados pelos alunos das escolas municipais de Santana do Ipanema, entre alunos, professores e editor. Em uma segunda etapa, entra autor ou autores para possíveis entrevistas que dissiparão dúvidas e curiosidades encravadas nos textos. Relevantes prestações de serviços que o jornalista José Malta, vem realizando a bem da nossa história e da literatura produzida na terra.

Mas o momento também é de prestigiarmos o lançamento do livro, no próximo sábado, LEMBRANÇAS DO PASSADO, na, Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte, às 19 horas. O livro é da autoria de Ialdo Falcão (In memoriam), complementado pela esposa Marina Falcão. O referido livro foi editado pelo Instituto SWA de Santana do Ipanema e, contém prefácio do escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas.  Além da sensibilidade familiar o livro fala da trajetória do pai do autor, tanto como homem do povo, quanto da sua profícua administração como prefeito/interventor e que traz muitas luzes para a complementação da história santanense. Um sonho da família, um presente para a nossa sociedade.

A construção da Ponte Padre Bulhões, a aplicação do nome Benedito Melo à Rua Nova, a doação do terreno para a construção da sede dos Correios, foram ações concretas do pai do autor, Firmino Falcão Filho, que se orgulhava de ter sido nomeado prefeito/ interventor pelo, então, governador Silvestre Péricles, para o período 1947-1948. Firmino Falcão Filho, o seu Nozinho (ô), particularmente, foi quem introduziu a raça de gado Gir, em Santana do Ipanema. Foi ele ainda quem doou terras na parte norte de Santana, onde hoje funciona a EMATER, a Caixa Econômica e, antes, o Posto de Puericultura. Portanto, a entrada moderna de Santana – Capital, deve-se às suas doações. Firmino foi um grande benfeitor ao clube futebolístico Ipanema. Todos esses dados do livro de Ialdo Falcão, contribuíram com o livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

 

 

  RIO IPANEMA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3372   O hábito salutar era ...

 

RIO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3372

 



O hábito salutar era prático, séculos atrás. As pessoas, sedentárias ou nômades, procuravam facilitar a sobrevivência, fazendo suas moradias às margens de rios. Primeiro era a luta diária pela água de beber. Depois, pelos benefícios da água nas tarefas domésticas e o uso da sua umidade para o criatório ou para o plantio. Mas, mesmo os rios periódicos, secos, forneciam ainda material para a sobrevivência humana. Lenha, caça, ervas medicinais, madeira para móveis, para arreios, pasto e espaço para os animais domésticos. Mas isso era em todos os lugares do mundo. Hoje aquele hábito prático tornou-se perigoso pelas própria ações humanas que não respeitam a Natureza. O nosso tão apreciado rio Ipanema, prestava todos esse serviço acima. Considerado o “pai de Santana”, sem ele a cidade não teria existido.

Como as coisas muito evoluíram, os seus habitantes foram ficando cada vez mais, independentes dos fornecimentos do rio. Atualmente, não só o  Ipanema, inúmeros rios do Sertão ficaram tão esquecidos que o povo não sabe mais sobre suas nascente foz e trajeto. As novas gerações somente lembram dos rios da sua terra, quando acontecem as cheias assombrosas. A falta do cultivo das nossas tradições nas escolas, traz a indiferença sobre as nossas relíquias, ainda vivas. É de se perguntar:  como as gerações mais jovens, vão valorizar, estudar, pesquisar... Se ninguém nada lhes fala? Estamos vivendo, então, um tempo sem memória em que o jovem formado, ou não, ignora suas origens e prefere mesmo nem lembrar nada e viver como um robô, matando sua curiosidade no celular.

O rio Ipanema é o maior rio de Alagoas, com cerca de 220 quilômetros de extensão. Nasce na serra do Ororubá no município de Pesqueira, Pernambuco. E sua foz estar localizada no povoado Barra do Ipanema à jusante da cidade de Belo Monte, no rio São Francisco. Em Alagoas banha três cidades e vários povoados com as cidade de Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e Batalha. Melhor consultar o livro IPANEMA, UM RIO MACHO, deste mesmo autor.

“O PAI DE SANTANA” (FOTO: B.CHAGAS).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  ARTESANATO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3371   O subúrbio de Santana d...

 

ARTESANATO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3371

 



O subúrbio de Santana do Ipanema, Bebedouro/Maniçoba, era rico na sua variedade artesanal. A pobreza dominava por ali na década de 60. E uma das fontes de renda, fora o emprego nos curtumes que havia, a agricultura ou o pequeno criatório, o artesanato dominava: Tínhamos fabrico de chapéus, abanos, esteiras. Maioria feita de palha; Chapéus de couro de bode; fogos de artifícios; peças de madeira, motivos de promessas; tamancos; sandálias de couro e muito mais, além da curtição do couro e transformação em sola. Tudo era vendido de encomenda ou aos montes nas feiras dos sábados, no Centro. Muitos desse artesãos, migraram para o bairro mais próximo, São Pedro e continuaram com a mesma atividade.

Antes, a estrada Delmiro Gouveia – Palmeira dos Índios, passava por ali. Quando foi construída a rodagem da BR-316, Palmeira dos Índios – Delmiro Gouveia, o subúrbio Maniçoba/Bebedouro, ficou isolado e assim permaneceu até o final do século XX. Os benefícios foram chegando devagar, com lentidão de cágado. Calçamento, água, luz... Somente há pouco ganhou ligação asfáltica ao Bairro São Pedro. Foi muto beneficiado pela expansão do Bairro Lagoa do Junco que começou a se encostar na Maniçoba pelo Norte. Atualmente pessoas de bom poder aquisitivo, construíram ali suas mansões. Era lugar de grandes festas folclóricas e religiosas. Na década de vinte do século passado, recepcionou o governador santanense que chegava de Maceió, através de Viçosa com inúmeros cavaleiros. Muito foguetes, muitas bombas.

No final do Bebedouro, estar localizada a foz do riacho do Bode, que forma o açude artificial do “riacho do Bode”, ao norte, hoje no Bairro Lagoa do Junco que também se expandiu em direção ao açude. Ali perto da foz tem um lugar paradisíaco chamado “cachoeiras”. Foi daquele núcleo habitacional que saiu o primeiro documento de Santana do Ipanema, que se conhece a venda de uma fazenda, em prestações. As casas da rua principal com fundos para o rio Ipanema, têm quintais rochosos e árvores de porte. É um lugar bastante ajardinado. Foi ali construída a Igreja de São João, pelo artesão João Lourenço em 1917, contra a gripe influenza que matou milhões na Primeira Grande Guerra.

 RUÍNAS DA IGREJA DE SÃO JOÃO, EM 1998 (FOTO: B. CHAGAS).

 

                                                                                          

    A RESERVA TOCAIA Clerisvaldo B Chagas, 3 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3370   Em Santana do ...

 

 

A RESERVA TOCAIA

Clerisvaldo B Chagas, 3 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3370



 

Em Santana do Ipanema, Alagoas, a “Reserva Tocaia”, foi a primeira do estado no Bioma Caatinga. Foi oferecida ao governo estadual sob condições pelo proprietário, professor, comerciante, fazendeiro e ex-pracinha, Alberto Nepomuceno Agra. Hoje, sob os cuidados do seu filho, Alberto Nepomuceno Agra Filho, conhecido por Albertinho.

A Reserva Tocaia, foi criada pela Portaria N 0 018/2008 com meta de preservação integral. Sua área /corresponde a 21.7 há entre baixios e serrotes, em direção ao riacho João Gomes, não tão distante dali. Na Reserva encontram-se aroeira, angico, Juazeiro, imbuzeiro, cedro, catingueira, baraúna e outras espécies de grande e médio porte. Em sua fauna, registram-se a presença de gato-do-mato, pequenos roedores, aves típicas, serpentes e saguins. Escolares, pesquisadores e curiosos, sempre visitam a Reserva em simbiose com seu guardião, Albertinho.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. & MENDES, João Neto Félix. A igrejinha das tocaias, sua história. SWA, Santana do Ipanema, 2023.

A propósito, a Reserva Tocaia, estar localizada a oitocentos metros do final da rua Joel Marques, no Bairro Paulo Ferreira, limite da zona urbana com a zona rural. O trecho desta estrada bissecular é de terra variando entre bom e péssimo de acordo com as épocas de chuvas.

O município de Santana do Ipanema, ainda possui mais duas   reservas, uma maior e outra menor do que a Tocaia. A maior fica nas imediações do povoado Pedra d’Água dos Alexandre, a menor estar localizada às margens da AL-120, imediações do da ponte do riacho João Gomes. Vale salientar que estive algumas vezes na Reserva Tocaia, mas nunca visitei as outras duas, portanto não posso passar informações outras, porém, todas as três, prestam relevantes benefícios ao bioma e são grandes exemplos de desapego e amor à Natureza. Meio ambiente preservado. Visitem.

 

  AGUARDEM Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3369   Aguardem para breve, os l...

 

AGUARDEM

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3369

 



Aguardem para breve, os lançamentos da terceira edição do livro a IGREJINHA DAS TOCAIAS, SUA HISTÓRIA; a segunda edição do livro SANTANA:REINO DO COURO E DA SOLA, inclusive, este com possível filmagem do documentário e a edição inédita do livro ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO, estilo inédito no Brasil. Olha amigos, tem gente da região Sudeste que confirmou presença quando for o lançamento. Estímulo extra para o autor. O primeiro livro terá sua nova edição ampliada com pesquisas recentes. E o segundo livro terá homenagem à família Félix do subúrbio Maniçoba/Bebedouro. Será trabalhado nas escolas municipais de Santana à semelhança do primeiro. Quanto a ZÉ COXÓ, terá Coxó normal e Coxó para adultos.

Fica, portanto, ainda inéditos: os romances: AS TRÊS FILHAS DO CORONEL E AREIA GROSSA; mais os livros documentários: BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO E MARIA BONITA, AS DEUSA DAS CAATINGAS. Qual deles o amigo pode patrocinar em parceria? Sobre o livro ZÉ COXÒ, O POETA DE FANTÁSTICO, recebi do jovem cineasta Samuel Cabral, o prefácio do livro, tão fantástico quanto as nuances do próprio ZÉ COXÓ. Um prefácio que por si só, dispensa qualquer outra crítica literária mais profunda e que deixou o autor completamente empolgado pela aceitação de ZÉ COXÓ que em breve estará no mercado livreiro de Alagoas, do Nordeste e do Brasil.  Passei o prefácio do jovem para mais três amigos da literatura e eles concordaram com a rara inteligência do menino.

É pena, a cachoeira dos mais diferentes temas literários que despeja em nossa cabeça e que proporciona o belo, causar indiferença de publicações das autoridades, como se tivessem medo da concorrência preferencial humana no mesmo espaço. Infelizmente, só encontramos dois caminhos confortáveis para os escritores: ou o escriba é rico para custear suas produções ou é compadre, puxa-saco, ou parente do mandatário. Quase parodiando o escritor Oscar Silva da década de 30, no assunto acima e em outro caso de encaixamento em um batalhão de polícia, repito sua frase: Não sendo rico nem puxa-saco, “só me resta adaptar-me. É a terceira via.

CAPA: SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. BURROS CARGUEIROS AO ANOITECER, ARTISTICAMENTE EM TOQUE DE COMPUTADOR (B. CHAGAS).

  O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3368  ...

 

O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3368



 

Quando o senhor Abílio Pereira, comerciante com Armarinhos no “sobrado do meio da rua” teve o sobrado demolido pelo, então, prefeito, Ulisses Silva, procurou, como outros comerciantes, encontrar novo lugar para negócios. Estabeleceu-se no largo Prof. Enéas, ainda no Centro Comercial e, pelo que eu observava, mudou de ramo e passou a negociar com ferragens. Modernizou sua casa comercial e nela implantou um terceiro andar que na certa servia de depósito. Foi o primeiro prédio do Comércio de Santana com segundo andar e primeiro. Fato histórico, portanto. E, como o prefeito e seus seguidores previam, de fato novos e modernos horizontes surgiram na paisagem do Centro, afastando definitivamente o seu aspecto de vila.

Vale salientar que pareceu que o Sertão inteiro acompanhava a transformação que aconteceu na “Rainha do Sertão” e “Capital Sertaneja”. Muitos diziam que havia duas Santana: a do passado e a do presente. Muito embora as opiniões se dividissem, ninguém ousou desafiar o prefeito e, os contra as demolições do “prédio do meio da rua”, inclusive, minha opinião de adolescente, também era em favor dos edifícios que eram uma espécie de Shoping de Santana do Ipanema. Entretanto, o tempo deu razão ao prefeito, muito embora a forma com foi feita tivesse sido truculenta e rápida sem consulta pública e para não dá tempo ao povo pensar. Isso também havia acontecido na década de 40 quando derrubaram o antigo cemitério de Santana à marretadas e pauladas, durante uma noite.

Histórias de empáfias e macabras se encobriram nas curvas do tempo e na força, na marra, no cacete, o Comércio de Santana do Ipanema foi considerado por inúmeros caixeiros-viajantes, como o mais bonito do interior de Alagoas. Imaginem agora com as transformações naturais e profundas que sempre estão acontecendo! Agora, como novo becos, viadutos, pontes e alargamentos de ruas estão completamente desatualizados, cada dia que passa o trânsito vira terra de ninguém. E como o número de motoqueiros só perde para Arapiraca, imagine o caos em que estamos vivendo. Ninguém sabe dizer até quando vai continuar essa falta de estrutura urbana para a segunda modernização. Enquanto isso viramos uma Índia no tráfego doido da cidade.

PARCIAL DO COMÉRCIO DE SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

  O PAU-BRASIL DA RUA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3337   Um dos pr...

 

O PAU-BRASIL DA RUA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3337

 



Um dos primeiros ataques estrangeiros às nossas riquezas foi em nossa Floresta Tropical, devastando as matas em busca do Pau-brasil. Levado à Europa para servir de corante e ser usado como madeira de lei, esse tipo belo de árvore quase foi extinto em nossa Costa. Mas a história da exploração estrangeira do Pau-brasil, apesar de tudo, ainda deixou algumas brechas para contemplarmos a espécie neste século XXI. E sem se aprofundar na sua história do tempo dos machados, ainda podemos ver aqui no Sertão, pelo menos em Santana do Ipanema, algumas dessa árvores históricas como arborização urbana. É certo que existe a raridade nas ruas, que é uma aqui, outra acolá, bem longe, mas existem. E por que venho novamente falar sobre o tema?

É meu amigo, minha amiga, pela beleza da sua roupagem nessa época do ano. E sempre que isso acontece, não resisto a essa beleza e fico de boca aberta a contemplar aquele verde belíssimo repleto de cachos de flores amarelas e rendadas. A minha rua, então, vai ficando ornada com o rei Pau-brasil em toda sua pujança. É, na rua, somente uma árvore, mas que realmente encanta. Outra que foi plantada não conseguiu se desenvolver, acho que por causa de subsolo rochoso. Mas quando você vê o pau-brasil em toda sua plenitude, sabendo que aquele é o nome da nossa pátria, dá um orgulho danado! Quando a espécie é natural, na Mata Atlântica, é troncuda e muita alta, entre 10 e doze metros, comum, mas pode atingir os 30 metros.

Foi chamada pelos índios de “Ibirapitanga” (madeira vermelha). Pau-brasil vem da cor vermelha de brasa. É a árvore símbolo do Brasil desde 1961. Em extinção, é protegida por Lei e praticamente hoje só é usada para arco de violino de excelente resultado. O seu nome científico é (Paubrasília echinata). Por isso e por outras coisas mais, temos o dever de proteção, tanto a esse vegetal histórico e de estimação quanto aos outros que não alcançaram essa grandeza. Não tem como apreciar a belíssima árvore durante as floradas, sem não irmos direto para as páginas da história, do escambo entre portugueses e indígenas.

Pau-brasil, viva o ibirapitanga!

VIVA A BRASA! VIVA O BRASIL!

 

PAU-BRASIL (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  TUDO NO SEU TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026 Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3367   É verdade. ...

 

TUDO NO SEU TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026

Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3367



 

É verdade. O nosso estado é pródigo em histórias regionais de esperas, em décadas e quase em século. Entre essas famosas esperas por benefícios ou por soluções radicais, estão a Ponte de Penedo, o asfalto do povoado Carié a cidade de Inajá (Pernambuco), o asfalto Olivença – Batalha, direto, e entre muitas outras paciências de Jó, os trechos asfálticos santanenses, Centro – Bairro Bebedouro/Maniçoba e o trecho de terra da antiga rodagem Santana – Olho d’Água das Flores (Rua São Paulo – travessia do rio Ipanema (pelas antigas Olarias) até a AL-120. Estas últimas, mais de 70 anos de espera, desesperanças e descréditos nos políticos. É pena já terem partidos os antigos proprietários daquelas olarias que me viram brincar: José Cirilo, Eduardo Rita, Senhor Cristino (Piduca).

É bem verdade que após esses dois últimos trechos citados ganharem o benefício asfáltico, ainda não tive oportunidade de visitá-los, mas pelo menos um deles, vi de longe. Maniçoba/Bebedouro foi marcado como lugar já habitado antes mesmo da fundação da cidade, em 1787. Pertence ao hoje Bairro Maniçoba/Bebedouro, o mais antigo documento sobre Santana do Ipanema. Dali saiu o primeiro registro de venda de terras, no município. Já as olarias faladas acima, ficavam na margem direita do rio Ipanema, na passagem chamada antes de “Minuíno”. Foram essas olarias, mais conhecidas que impulsionaram as construções da cidade, fornecendo, tijolos, as três e uma fornecendo também telhas. E da que fabricava telhas (de Eduardo Rita) levávamos barro para fabrico de máscaras de Carnaval.

A propósito, para melhorar essa possível fonte de pesquisa, os proprietários das três olarias famosas de Santana tinham também outras atividades. José Cirilo possuía caminhão e conduzia mascates para as feiras das cidades circunvizinhas; Eduardo Rita, também era proprietário de caminhão; Seu Piduca possuía mercearia poderosa no centro de Santana. E voltando ao tema inicial, cheguei numa idade em que devo ser pesquisado e não procurar pesquisas. Mas, como foi preciso esperar quase um século pelas mudanças citadas acima eu não poderia negar o que vi e aprendi. Para os jovens, nada de mais, apenas um trecho de asfalto. Para os antigos, fim de mundo com asfalto (impensável) chegando por todas as bibocas. De fato, tudo tem seu tempo.

 

  O RUDE HISTORIADOR Clerisvaldo B. Chagas, 20 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3366   E com as r...

 

O RUDE HISTORIADOR

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3366

 



E com as ruas completamente desertas, sem se vê nem sequer um animal, um passarinho, um gato, um cachorro... Nada, absolutamente nada, nesta manhã de Quarta-Feira de Cinzas, tomo a resolução de sair de casa e caminhar algumas quadras. Vou levar certo donativo a quem precisa e sabe dividir com quem precisa muito mais. Aproveito e procuro localizar a casa modificada do senhor Manoel Daniel, 85 anos e cadeirante. Um senhor aposentado do DNER, que viveu parte da história sertaneja e passou a ser fonte de pesquisa segura, por todo seu aprendizado desde 1941. É por isso que aprendi muito mais detalhes da maior cheia do rio Ipanema, do século passado, a “cheia de 41”, como ficou imortalizada e passou a fazer parte do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

Seu Daniel, parece tão cheio no mundo de valiosas informações que parece querer botar tudo para fora de uma vez. Fala de tragédia, fala de política, de plantas, de animais, de patrões bons e ruins, de remédios caseiros e tanta coisas que não tem livro grosso que caiba tantas informações assim, do nosso passado sertanejo. Você ainda lembra daqueles primeiros tipos de gravadores que apareceram na praça? Pois somente com um gravador daqueles para se fazer uma filtragem longa dos conhecimentos aprendidos e vividos pelo rude historiador do semiárido. Então, eu percebo que somente quem ama de fato seu torrão, sem amargura, sem ódio, sem ressentimento, pode narrar com tanto entusiasmo a paisagem crua do que viu como passageiro da vida. 

Ao retornar, apenas uma senhorita subindo devagar a solidão da rua, a rapidez de um mototaxista se encobrindo na esquina e um pintor solitário pintando o muro de uma residência, SÓ. E para disfarçar a solidão do mundo, passo pelo pintor sem cumprimento, mas apenas lhe jogo um trava-língua: “O pintor que pintou trinta, de tinta tem trinta latas”, repita! E passo sem parar. O homem parece assustado, nada responde e eu faço como a senhorita, continuo a jornada, devagar, ladeira acima. Mais uma Quarta-Feira de Cinzas sem frequentar a missa do importante dia. Afinal, que somos nós em nosso invólucro senão cinzas! Será que o orgulho vale à pena?!

O RUDE HISTORIADOR MANOEL DANIEL (FOTO: B. CHAGAS)

    PIAÇABUÇU – COOPAÍBA Clerisvaldo B. Chagas, 18   de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3364   P...

 

 

PIAÇABUÇU – COOPAÍBA

Clerisvaldo B. Chagas, 18  de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3364

 



Para variar a  paisagem do Sertão, fui parar em Piaçabuçu, cidade da foz do São francisco. Fiquei admirado com a paisagem tão diferente, tanto urbana quanto rural. Os imensos coqueirais da região muito me impressionaram, inclusive  em homens e mais homens que passavam armados de facões. Soube localmente que eram profissionais tiradores de coco. Encantou-me também a culinária do lugar. Almoçamos em casa de uma famíla conhecida de uma das nossas acompanhantes. Ouvimos também reclomações de mulheres sobre a carestia em Piaçabuçu, quando uma delas disse: “Aqui é onde judas perdeu as botas”, como se a carestia da época estivesse apenas naquele núcleo ribeirinho. Eu nem queria voltar mais para o Sertão diante de tanta curiosidade e coisas bonitas.

Acho mesmo que foi na época da fundação da cooperativa que se faormava para o beneficiamento do coco. Tempos depois, quis ir até Piaçabuçu para fotografar o Ponto Extremo Sul do estado, quando estávamos pesquisando e escrevendo REPENSANDO A GEOGRAFIA DE ALAGOAS. Entretanto, não conseguimos viajar para os nossos objetivos. Mas agora, temos o orgulho  do êxito crescente da Cooperativa Coopaiba que vem se destacando no estado e, consequentemente, melhorando o padrão de vida dos seus cooperados e  da simpática cidade, onde o rio São Francisco se encontra com o mar. É muito salutar e gratificante reportagens de empreendimentos que elevam o nome de Alagoas. Ah! O coco e seus derivados, culinária das nossas raízes.

O artigo sobre a Cooperativa me faz recordar a uma viagem a Caruaru. Em certo armazém, me chamou  atenção uma embalagem de manteiga e fui direto ao pote. Também direto as sua sorigens e estava lá escrito no rótulo que a manteiga de primeira qualidade era de Batalha, Alagoas. Pense no júbilo do impacto. Quem ama sua terra é assim, torce de corpo e alma pelo progresso que vai além fronteiras. Pois, que a cooperativa familiar de Piaçabuçu, cresça cada vez mais e encontre seus destaques em terras nordestinas e brasileiras e quiçá, em otros países que importam os nosso produtos de qualidade.

PARABÉNS PIAÇABUÇU!

COOPERATIVA (DIVULGAÇÃO)

 

 

    A MORTE DO CANGACEIRO PORTUGUÊS Clerisvaldo B. Chagas 16 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3663...

 

 

A MORTE DO CANGACEIRO PORTUGUÊS

Clerisvaldo B. Chagas 16 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3663

 



11.02.1939. Santana do Ipanema (AL). O cangaceiro Português (Francelino José Nunes) se entregou em Santana do Ipanema e só foi morto muito tempo depois. Andava com as volantes indicando o coito dos parceiros dele. Tinha vida mansa, segundo o sargento Leôncio Siqueira: “Cansei de vê-lo passeando pela cidade. Nunca vi um cangaceiro que matou homem de bem, ser tratado daquele jeito”.

 

Português andava nas volantes. Nesse dia chegavam de uma diligência em Mata Grande. Foram guardar as armas no quartel. Alguém chegou para Pedro Aquino que estava jogando sinuca no bar do senhor Vandir (ex-pracinha e seresteiro) e contou. Pedro deixou o jogo e esperou que guardassem as armas. Nesse tempo ele era cabo. Ficou rebeirando por ali. Foi aí que ele entrou no quartel e pediu emprestado o revólver do sargento Barbosa, um HO que pegava sei tiros. O sargento não quis emprestar o revólver dizendo que o coronel não queria o Português morto, que ele era de serventia. Mas, não se sabe como, Pedro pegou o revólver do sargento, foi por trás e matou o peste do cangaceiro. Ficou preso, depois foi para Maceió, lá ficou no Exército e depois entrou na polícia de novo e virou major.

 

O rosário que Português Usava enterrou-se em seu peito com a violência de um dos tiros. Diz Silvio Bulhões, o filho de Corisco e Dadá. O fato aconteceu à noite. Pedro Aquino era um dos filhos do velho Tomás Aquino, assassinado e esquartejado por Português. (Ver página relativa).

O Secretário de Segurança ficou bravo com o coronel Lucena, chefe do 2 0 Batalhão de Polícia. O tenente Porfírio (já nos referimos a ele) ofereceu-se para liquidar o Secretário. A proposta não foi aceita pelo coronel Lucena. Bem que Pedro Aquino e seus irmãos, após a morte do pai, andaram na volante do, então, sargento Porfírio em busca de Português e mais dois asseclas. Os dois morreram por outras mãos e Português entregou-se. Português teria que ser morto antes de se entregar, dizia Lucena, pois o estado terias obrigação de proteger o preso, mas a volante nunca se encontrou com ele.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. & FAUSTO, Marcello. Lampião em Alagoas. Grafmarque, 2012, Maceió. Págs. 434-435-436.