BARLAVENTO E SOTA-VENTO Clerisvaldo B. Chagas, 29 de abril de 202 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3409   Os termos ...

 

BARLAVENTO E SOTA-VENTO

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de abril de 202

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3409

 



Os termos acima estão em diversos seguimentos humanos. Entretanto, deixemos  de lado os termos em outras áreas e vamos para a Geografa. Barlavento é o lado de um monte que recebe o vento. Muitas vezes é vento úmido e que ao bater no monte, sobe e se precipita em forma de chuva. Sotavento, é o lado oposto do monte, sempre mais seco do que o do barlavento. Exemplo claro desta dinâmica, acontece em Santana do Ipanema no monte que circunda a cidade denominado serrote  do Gonçalinho, depois, serrote do Cristo, depois, serrote da Micro-ondas.  O seu Barlavento é úmido e verde, o seu Sotavento é seco. Atualmente, a barlavento, formou-se um bairro a seus pés que teve início com algumas casas pobres e virou o Bairro Santo Antônio. O Sotavento, além de íngreme, nada tem.

No caso das chuvas normais, ambos os lados são contemplados equitativamente, a não ser com chuvas de ventos. O sistema a Barlavento permite uma cultura, no caso do serrote, feijão, milho, frutas e legumes. No Sotavento é quase sempre a vegetação nativa, lutando contra a secura. Entretanto, pode ser cultivada a palma forrageira e, nunca falta plantas nativas medicinais, tanto como arbustos quanto em formas de ervas. Afinal de contas, não existem terrenos imprestáveis para tudo, nem na montanha, nem no deserto nem na planície. E muitas e muitas vezes no mundo, quando nada se pode cultivar em cima, a riqueza mineral está no subsolo. Você já pesquisou sobre o uso geral da terra?

Quando  eu ainda era rapazinho, nas andanças que eu fazia  pelo sítio Cipó (hoje urbanizado) notava o fenômeno mais não sabia explicar. Até já tentei, com amigos maiores, quando criança escalar a parte do Sotavento do serrote. Era uma face muito seca e repleta de alastrados nos lajeiros verticais que havia. Os grandões conseguiam subir, eu chorava diante da altura, da dificuldade em prosseguir e de rolar serrote abaixo. Os companheiros ajudaram e eu consegui chegar ao topo. Aquilo não era para crianças, mas bem diz o povo: “Quem anda com morcego dorme de cabeça para baixo” Por duas vezes cai na armadilha ao acompanhar morcego. Barlavento e Sotavento.

Deu para entender?

  SÃO JOÃO DAS QUADRILHAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3408 As quadrilhas...

 

SÃO JOÃO DAS QUADRILHAS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3408



As quadrilhas de São João eram pontos altos do festejo junino. Nunca participei de bailes de quadrilhas de coco de roda, de pastoril e nem de Guerreiro. Apenas apreciava  quando achava bonito. Conheci de perto, mas apenas isso,   o famoso “Gritador de Quadrilha”, senhor Eloy Pinto. Homem já de idade avançada, caminhando  devagar, arrastando os pés, olhos brancos como quem tinha catarata, porém, bem-vestido. Dizia o povo que Eloy era o melhor “puxador ou gritador’ de quadrilha   que  existia.  Se eu não me engano, ainda houve uma despedida do homem  ao gritar uma quadrilha entre as Ruas Antônio Tavares e São Pedro.  E para os dias de hoje, parece tolice, mas era  um dote altamente honroso e muito apreciado.

Ao falecer o senhor Eloy, um dos seus filhos de nome Walter, conhecido como Walter da Geladeira (por consertar refrigeradores) assumiu a função festiva do pai, naturalmente com outra cadência, mas também viveu  o auge das quadrilhas de São João em Santana do Ipanema.  Apesar da genética, o outro filho do senhor Eloy, de nome José Pinto, tinha outras ideias e não se arriscava no mister. Este, que chegou a ser vereador em Santana, tinha como slogan: “vote no Pinto Preto”, isso para o distinguir de outro José Pinto e que era branco. Não gostava de trabalhar no bom sentido, procurava  se vestir bem e diferenciado e não deixava de ser um bom locutor que anunciava no programa radiofônico da prefeitura. A “Voz do Município”, de divulgação e entretimento.

No meu romance que será lançado em breve, AREIA GROSSA, existem cenas com esses personagens citados acima. As quadrilhas de Santana resistiram ao tempo até, aproximadamente, a gestão do prefeito Paulo Ferreira. E se as quadrilhas juninas, ainda resistem em cidades maiores, é tudo forçado pelo turismo e pela descoberta da mina para a economia local. Investimento maciço. No Sertão, a brincadeira cansou e vai ficando cada vez mais rara, porque o mundo gira com outras táticas de divertimentos. Nem fogueiras,  nem balões, nem nada...  Apenas o milho, algumas bombinhas esporádicas e  aguardente no “tolé” , porque cachaça não se acaba nunca.

  COMO MUDAM AS COISAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3407   Não sei como...

 

COMO MUDAM AS COISAS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3407

 



Não sei como hoje pensa  o rapaz, o adulto, sobre a mudança rápida das coisas, uma vez em que eles já nasceram com essa rapidez feroz. Digo isso porque estou no momento com o dicionário extremamente grosso do Mestre Aurélio e sem saber o que faça com ele. Lembro-me que tinha um grande desejo em adquiri-lo, porém o preço  estava sempre inalcançável.  Todavia chegou em uma época em que pude comprá-lo em uma livraria em Maceió. Foi em uma noite em que saí da livraria tão alegre, tão eufórico, como se tivesse ganho na mega sena. Dei um abraço demorado e muito carinhoso, no trabalho do Mestre Aurélio, emocionadíssimo, dizendo comigo mesmo que não o trocaria por um carro zero. Ainda passei certo tempo usando ‘”O pai dos burros”, como as pessoas denominavam com ironia o dicionário.

A versão em disco, tinha muita xaropada para renovar e mais. Deixei de usar. Acontece que a Internet começava a dá definição de tudo, usando os mais diversos autores do ramo. A facilidade estava disposta muito mais rápida do que a tentativa de procurar palavras impressas gastando muito tempo e a paciência e tendo que forçar a vista nas letras miúdas. Passei a usar o volume (40  Edição) apenas como suporte para o meu Book. O dicionário ficou depois numa prateleira, esquecido. Nem os netos quiseram mais saber de Aurélio. Mesmo assim,  ainda não tive coragem de me desfazer daquela “universidade e nem de um dicionário de inglês, antigo e quase tão grosso como a Edição do Mestre. Que coisa!

Ninguém quer mais aprender, estudar, entender. Só perguntar na Internet, o que é isso, o que é aquilo e lavar as mãos. É assim que livros altamente valiosos para o dia a dia, dormem com sono profundo nas prateleiras, roncando. Roncando sabendo que nunca mais serão procurados. Não estou defendendo ninguém. Não estou protestando nada. Apenas alertando não sei para quem a velocidade e as mudanças extraordinárias das coisas. Pelo menos o ilustre alagoano abriu os olhos de milhões de brasileiros e marcou com ferro bruto   um legado que nem mesmo a Internet conseguirá extinguir.  Um ser humano que tem a paciência de Jó e a determinação para uma tarefa quase impossível, deve ter passado com muita sobra a missão divina que lhe foi confiada na Terra pelos céus. Um santo da letras.

 

 

 

 

 

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  MOÇA NAMORADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3406   Acho que a prime...

 

MOÇA NAMORADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3406

 



Acho que a primeira música que eu ouvi na vida, fora as do canto da Igreja, foi no povoado Pedrão de Olho d’Água das Flores. Eu deveria ter em torno de oito anos de idade, e ara ali que eu ia passar minhas férias . Naquele tempo as nossa férias escolares, duravam três meses  e mais um mês no meio do ano. Então, certa vez ouvi o carreiro Ulisses, assoviando e cantando assim: “Ô moça/ namoradeira/ lá na ribeira todo rapaz gosta dela...”  E repetia os versos. Já com a idade avançada nunca consegui esquecer essa música que pareci refrão. Tentei, tentei, tentei pelos meios mais modernos encontrar música, letra e autor e... Nada. O carreiro cantava com voz bonita, entoada e a música  parecia muito saudosa. E vinha outra ou a emenda da mesma: “Ô sanfoneiro/ moça mandou lhe chamar/ para tocar um baião no Ceará/ Tu diz a ela? Que de pé eu não vou lá/ Só vou de avião/ Se mandarem me buscar” e mais: Mas ela tinha doze palmos de canela/ Para dar um beijo nela/ era preciso atrepar”.

Em não encontrar música, letra, autor, deduzi que a cantiga inicial do carreiro, teria sido  versos de mestres de “Guerreiro” ou “Reisado” e, letra de mestre do folguedo “Guerreiro”, era improvisada. O registro de algumas estrofes de cantos passava de boca em boca e não eram registradas em livros. E por falar  em Guerreiro, em um dos meus  romances, PAPO-AMARELO no final do livro surge uma cena com esse folguedo alagoano do meu tempo. Quando o passado aflora, não tem jeito.

Falar no tema acima, nem sei se ainda existme  representações de Guerreiro em estátuas na praça do Centenário, em Maceió. Nas ruas de Santana do Ipanema e no Sertão inteiro, o Reisado e o Guerreiro, nunca faltavam na festas de Natal, mas nem sempre era em fim de ano. Vez em quando o Guerreiro era contratado para uma noite na zona rural ou urbana. E o mestre, inspirado pelas figuras compostas de dançarinas belas e mais alguns goles de “cana”,  rimava sem parar durante uma noite inteira, tanto pelo prazer de brincar, quanto de arrecadar alguma coisa para manter o seu folclore.

Feliz tempo, sem televisão, sem celular, sem o cinema. Somente levados pela vento das noites, o batido da figuras com os pés no chão batido e o eco dos melodiosos improvisos do Mestre.

 

  ZUMBI Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ Crônica: 3405   O...

 

ZUMBI

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ

Crônica: 3405



 

O Dia de Tiradentes, um simbolismo forte de libertação da nação brasileira, também, reverbera nos canaviais nordestinos e nos leva no imaginário à serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas. Um mundo à parte na cadeia de montanhas que corta a região Norte do nosso estado. E pelo grito de liberdade africana e pela resistência negra aos costumes escravagistas da época, pensava eu deixar as teorias do livros  e subir o monte.  Conhecer o chão real  da Troia negra alagoana. Mas, nem como professor de Geo-História, nem de pesquisador, nem de turista e nem de curioso, consegui chegar em terras da Mata e nem galgar a serra da liberdade. Sempre havia alguma coisa que impedia a minha visita aquele sítio arqueológico. Qual a  explicação?

Entretanto, nunca se apagou em mim a inspiração fugitivas  organizacional de resistência dos seres humanos à crueldade muito além dos chicotes. E fui  acompanhando notícias de reformas no sítio, de melhoria ao acesso e  sensação de um clamor milenar invisível que ainda ecoa pelos rios, pelas  montanhas, pelas matas, pelo vento da região de quem ainda possui um pouco de sensibilidade à libertação humana.  E vejo também o meu herói Zumbi  no romance do saudoso romancista Adalberon Cavalcante Lins – O TIGRE DOS PALMARES.  Passou a época do entusiasmo em conhecer de perto a serra da Barriga. Não almejo mais escalar serra alguma, sem asfalto ou com asfalto, mas sinto na própria carne o desejo ardoroso de Zumbi também em quebrar para sempre suas amarras.

  ALTO DA EMA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3404   Quando o pesquisador ...

 

ALTO DA EMA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3404

 



Quando o pesquisador encontra certa ambiguidade, na pesquisa, muitas vezes não tem como desvendar o mistério surgido, quando fontes seguras já não existem e se tem que entrar no campo das deduções. Um desses caso é semelhante no Sertão e no Agreste do nosso estado. E tudo tem início com a denominação mais fácil que o povo encontra. Entre Palmeira dos Índios e Maribondo, encontramos o povoado Cabeça Danta. E o que significa Cabeça Danta. Seria inicialmente Cabeça de uma pessoa de sobrenome Danta? Seria  o lugar chamado antes Cabeça da Anta? Seria cabeça, relativa  a um começo de ladeira, de chã? Teria sido achado ali uma cabeça humana de alguém que tivesse sobrenome Danta?

No município de Santana do Ipanema estão as denominações de sítios: Baixa do Tamanduá,  Várzea da Ema. Muita lógica nas deduções. Mas o sítio Alto Dema ou Alto da Ema ou Alto d’Ema,  ou ainda Alto do Dema dá nó em cabeça de pesquisador.  Qual a realidade por trás do nome. Primeiro, Alto Dema, ou Alto do Dema ou Alto d’Ema, dá a impressão do que são termos que dizem a mesma coisa: Um terreno alto que teria um morador chamado ou apelidado de Dema. Então vamos para a quarta denominação: Alto da Ema. Bem, assim tudo muda. Nesse caso a termo é muito claro: Um lugar onde, antigamente se encontravam emas. Ali perto existe outro sítio com o nome Várzea da Ema. Várzea é lugar baixo, fértil e sujeito à inundações. Ora, se tão perto tem a Várzea da Ema, e o Alto da Ema, se deduz que naquela região eram frequentadas pelos animais selvagens ema, tanto nas baixadas quanto nos altos. Qual seria o certo?

A EMA, ave pernalta é a maior do Brasil. Suas pernas longas permitem fugir rapidamente de predadores e, quando acuada também resolve atacar. Animal  cada vez mais raro nos seus habitats,

as emas eram bastante encontradas no interior do Nordeste. Embora tenha uma carcaça com bastante carne, não era apreciada, principalmente pela população masculina que dizia que “que carne de ema faz crescer a bunda”. No meu romance do ciclo do cangaço, FAZENDA LAJEADO, tem uma cena hilariante com uma ema, visando quebrar  a seriedade da narrativa. A  (Rhea Americana) também se encontra presente no livro: O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

EMA (PIXABAY).

  MUNDO NOVO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3343   A   primeira mudança q...

 

MUNDO NOVO

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3343

 



A  primeira mudança que registrei no mundo do Sertão para o progresso e o modernismo foi a invasão de calçados vindos de Pernambuco. Isso quebrou os curtumes e faliu as fábricas de calçados de Santana do Ipanema. Depois foi a chegada devagar de confecções prontas, vendidas em bancas de feira no ramo de armarinhos. A sua crescente presença, eliminou os alfaiates e as costureiras de Santana do Ipanema. Houve a decadência em lojas de tecidos. E pela primeira vez na vida, vi uma montanha de calcinhas, na feira, vendida a 1 real, cada peça. Incrível para a época. Ao mesmo tempo numa viagem à Juazeiro do Norte, vi montanhas de confecções, cujas calças para homens, custava apenas 15, reais, que era praticamente de graça. No Sertão ainda se usava roupa sobre medida, escassez no vestiário e falta completa de sutiãs e calcinhas.

Mas, o início de fato dessa transformação, foi quando, como adolescente, notei que as fábricas estavam fabricando brinquedos baseadas naqueles que usávamos no cotidiano feitos pelos nossos artesãos: Caminhões de molas de lata, pinhão de goiabeira, Mané-gostoso, principalmente. Depois vieram as bicas (calhas) de plástico para escoar as águas das chuvas no telhado. Isso foi eliminando a profissão de flandreleiro, em outros lugares, chamados funileiros. E essa transformação silenciosa, notada por muito poucas pessoas, continua ainda  e agora com velocidade espantosa. Veja o exemplo do celular, atualizado a cada seis meses.

O progresso faz, então, lembrar do padre Bulhões e o matuto que entrou na igreja, vindo do sítio chamado Mundo Novo. Olhando a nave do Altar-mor, o padre viu quando o matuto entrou na Matriz de Senhora Santana, com chapéu e cigarro apagado na boca. Dirigiu-se ao altar que estava com uma vela   acesa e procurou acender o seu cigarro boró. O padre desceu até lá, procurando se conter para não aplicar mais um  esporro daqueles acostumados a  presentear. “Bom dia, de onde o senhor é?”, indagou. O matuto respondeu: “Sou do Mundo Novo”. E o padre, dominando a impaciência disse coçando a cabeça: “Só podia ser. Pois no Mundo Velho de meu Deus, não existe isso  não”

Durma com um barulho desses!

BBC NEWS. CIDADE DO CABO.

  MARIA BONITA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 3402   Brevemente no mercado...

 

MARIA BONITA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 3402

 



Brevemente no mercado, o livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS. Um livro tipo clássico, como LAMPIÃO EM ALAGOAS, completamente diferente do que você já viu até hoje. Já na gráfica, ainda negociando termos de editoração e finanças, estar atrelado ao  ao romance urbano AREIA GROSSA, que resgata parte da periferia de Santana do Ipanema, dos anos 60 – 70. Ambos os compêndios deverão ser lançados no mesmo período, porém em situações inusitadas, como foi lançado o livro A IGREJINHA DAS TOCAIAS, SUA HISTÓRIA. Vale salientar, que ainda não temos prazos de lançamentos, nem preço definido, entretanto, quem estiver interessado, principalmente os seguidores de histórias do cangaço, poderão entrar em contato com o autor e adquirir antecipadamente, tanto o AREIA GROSSA quanto O MARIA BONITA. (contato abaixo).

Para o segundo semestre e início de 2027, estão na fila e deverão tomar corpo o documentário: BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO, ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO e o romance do ciclo do cangaço AS TRÊS FILHAS DO CORONEL, nome sugerido pelos leitores. Enquanto a fábrica de sonhos estiver funcionando e o Divino Espírito Santo, na guia, estaremos produzindo documentários e ficções, para preencher e embalar as almas inquietas deste mundo conturbado. Contar realidades e  fazer sonhar nos romances,  faz transportar o ser humano para uma dimensão onde a poltrona, a rede, a mesa do leitor funcionam como camarote para o espetáculo circense que se descortina para o início.

Antecipadamente quero agradecer, ao meu irmão, sempre editor Ivan Braga (Ivan Caju) e aos escritores João Chagas Neto, o “Capitão do Mato” e Luís Antônio, o “Capiá”, pela presença do “bolso” na gráfica maceioense. Por certo estaremos os quatro, marcando território no lançamento  de MARIA BONITA, A DEUSA DAS  CAATINGAS E AREIA GROSSA, seja à margem esquerda do rio Ipanema, seja aonde for nas terras gloriosas de Senhora Santa Ana.

Meu Sertão, meu Sertãozinho.

AUTOR AOS 79 ANOS.

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  ANGICO Clerisvaldo B. Chagas, 16 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3401   A casca do Angico vem da á...

 

ANGICO

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3401



 

A casca do Angico vem da árvore (Anadenanthera colubrina), o popular Angico que prolifera na caatinga e que pode chegar aos 30 metros de altura. Seu tronco e galhos são nodosos, arredondados ou pontiagudos, chamados de espinhos. Gosta de lugares pedregosos e mais altos, racha as pedras com sua poderosa raiz profunda e goza da frieza dessas pedras. É madeira dura e de lei, resistente à seca. Suas folhas são em forma de penas e murcham  durante à tarde para economizar água. Sua resina é medicinal e alimenta os saguis (soins) da região. Possui na casca uma substância chamada “tanino” que faz parte da sua defesa, utilizada pelo homem na curtição de couro. Suas vargens parecem com as do  feijão.

.A aquisição da casca de angico, comumente acontecia nas fazendas em que os proprietários de terras queriam fazer estacas para vender. Acontece que a madeira pelada se torna mais resistente às  pragas. Então, o fazendeiro achava bom que seus angicos ficassem pelados e em troca  não cobrava pela cascas. Porém, quando não queria fazer estacas, cobrava dos compradores de casca por arroba. A arroba correspondia a quinze quilos. Entretanto, aparecia carro de boi na cidade, vendendo arrobas de cascas de angico. O preço da casca de angico custava 10 tostões (destões) a arroba. Quanto a árvore de Angico que fornecia casca para os tanques (curtumes), era encontrada em todos os lugares da caatinga, antes do desmatamento. Bastante usada como estaca de qualidade, mas também era transformada em carvão para os fogões da época.

A preferência dos compradores da casca do vegetal, estava mais nas concentrações dessas árvores, no lugares mais elevados como os serrotes. O angico se dava bem com a altitude e os pedregulhos.

... A madeira estava presente no cotidiano sertanejo: “cabra! Se você se meter à besta, vou te dar uma pisa de cacete de angico!

Texto extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. Santana, Reino do Couro e da Sola. CBA, Maceió, 2024.

 

ÁRVORE ANGICO.

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  GINÁSIO VELHO DE GUERRA Clerisvaldo B. Chagas, 15 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3401   Hernande ...

 

GINÁSIO VELHO DE GUERRA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3401

 



Hernande Brandão (matemática, História, Geografia): “A ordem dos fatores não altera o produto” e “Assim, sucessivamente”. José Conrado de Lima (História): “Segundo Rocha Pombo...”. Doutor Jório Wanderley (Ciências): “Quantos corações nós temos?”. Genival Copinho (matemática): “O Crivo de Eratóstenes”. Alberto Nepomuceno Agra (Geografia): “Todos só perguntam pelos direitos, ninguém pelos deveres”. Padre Luíz Cirilo Silva (Latim): “Puela, puela, puela...  Dona Déa (Desenho):  “Estou com tanta pena do senhor...”  Eunice Aquino (Francês): “”Fazendo um biquinho: oui, uí” Dionísio ( Matemática, Português): “Errar é humano, permanecer no erro é diabólico”. Essas eram as frases habituais dos meus professores do Ginásio Santana.

Ora, por coincidência, tivemos que resolver alguns problemas no Centro e passamos pelo velho casarão, escola da minha adolescência e pela escola da minha infância, Grupo Escolar Padre Francisco Correia. Maravilha! O grupo, reformado e bonito com a mesma missão de 1938, quando da inauguração; o Ginásio Santana, bem conservado, imponente e limpo como sempre foi. E neste instante de buscas, caiu um pé d’água educado e constante que mexeu com o trânsito intenso e apressado. Mesmo assim, conseguimos resolver o que havia sido proposto. Além disso, encontramos ainda vários tipos de serviços em prédios novos ou  reformados consolidando o comércio mais bonito de Alagoas.

Raramente havia no Ginásio Santana, professor profissional. Eram, praticamente todos, pessoas da sociedade de diferentes áreas e boas instruções, convidados para cooperar como mestres e mediante alguma gratificação. Sempre havia bancários do Banco do Brasil. Construído o prédio por um, então, prefeito, não pode ser concretizado o sonho da prefeitura por falta de equipamento e mão-de-obra para ser hospital. Ficou o prédio ocioso até que foi ocupado por um batalhão de polícia recém-fundado em Maceió, para combater o banditismo no Sertão. Terminada a sua missão, os policiais retornaram a capital e o prédio ficou ocioso novamente. Foi aproveitado depois como escola da Rede Cenecista que funcionava da primeira à quarta série com o nome de GINÁSIO SANTANA.

CHUVA EM TRECHO URBANO DA BR-316.

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  OS SAGUINS Clerisvaldo B. Chagas, 14 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3400   Acredite se quiser. Ap...

 

OS SAGUINS

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3400

 



Acredite se quiser. Aproveitando o domingo fui até à casa  da minha fonte de informações, a 300 metros da minha casa e bem perto do rio Ipanema, no Bairro São José e, chamei à porta. Quando o homem surgiu, com seus 85 anos, indaguei se estava dormindo. “Não senhor, estava vendo o movimento do bando de saguins, no quintal”. Não quis acreditar no que  ouvia e indaguei de novo. E ele confirmou: “Sempre chega por aqui, um bando de saguins que devoram o que há nas fruteiras: goiabas, mangas... Pegaram mangas à vontade na chácara do vizinho , do outro lado da rua. “O que, camarada!” Era verdade. Até um deles recebeu choque na fiação da rua e caiu morto defronte a casa do Informante. O bando vem da Reserva Tocaia, a mais de 6 km dali.

Estamos já habituados com aves como rolinhas, bem-te-vis, anum preto e até galo-de-campina, em nossas ruas, porém, a presença de saguins, também chamado soins, foi a primeira vez que ouvi e teria visto com os próprios olhos se tivesse pedido para vê-los, ao meu amigo. O  Anel Viário que ligará a Al-120 à BR-316, passa beirando a Reserva Tocaia e, o barulho das máquinas devem  ter contribuído para aquela peregrinação do bando junto com a falta de comida no  habitat. Ao saírem  da Reserva e entrarem na zona urbana, os primatas devem ter vindo através dos quintais e passagens rápidas pelo asfalto das ruas movimentadas, cruzaram o rio Ipanema e surgiram nas primeiras ruas à margem esquerda  do rio. Notícia boa por um lado, notícia ruim por outro.

O Saqui, (Callithrix) também chamado no Sertão Alagoano de Saquim e Soim, é bicho do cerrado e da Mata Atlântica. E por falar nisso, o meu romance DEFUNTO PERFUMADO, tem um personagem chamado Soim, personagem fictício tirado de um personagem real e representa um bêbado inveterado de cabelos ralos, olhos e corpo pequenos apelidado pelo povo de Soim. Será que o dono da Reserva Tocaia, sabe que os soins estão fazendo seus passeios pela zona urbana? Os soins são muito apreciados pelos humanos e possuem fácil convivência com eles. Os  saquis são os menores primatas do Planeta. Felizmente ainda escaparam da  extinção, estes da Reserva Tocaia que também se acham acuados.

Ô bicho homem!

SAQUI EM BANDOS.

 

  MANÉ FOGUETEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3399   O alfaiate e sere...

 

MANÉ FOGUETEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3399



 

O alfaiate e seresteiro, conhecido como Juca Alfaiate, quando se pedia ela pensava muito e terminava cantando a página musical “Mané Fogueteiro”. Era  música e letra  do cantor Augusto Calheiros, que nascera no século XIX e morrera no século XX. Entre inúmeras músicas de sucesso estava “Mané Fogueteiro”, música que emociona qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade. “Mané Fogueteiro” é música de 1934. E, devido ao modo único do cantor Augusto Calheiros, em Santana do Ipanema, poucos ousavam cantar as suas músicas. Conhecemos  que apenas o caçador, de voz rouca e cantor nas horas vagas, Mário Nambu, era capaz de cantar com perfeição qualquer música de Augusto Calheiros: “Ave-Maria”, “Vingança de Caboclo”, “Pilar”, “Senhor da Floresta”, “Mané Fogueteiro” e outras mais.

Ficávamos de boca aberta quando os mais velhos falavam de Augusto Calheiros, sua vida amorosa com seus percalços, suas apresentações em circo na cidade de Garanhuns, seu ex-amor na plateia...  Mas ninguém nos contava que o cantor tinha apenas um pulmão, para aquela voz grossa, cheia, cadenciada e capaz  de levar às lágrimas quem o escutava. Tornei-me seu fã e gostava de ouvir as músicas citadas acima com grande melancolia. Augusto Calheiros  é citado no meu romance inédito AREIA GROSSA. E como em Santana do Ipanema, havia um fogueteiro chamado “Zuza”, não tinha como não o associar à música “Mané Fogueteiro”, do famoso cantor.

Quando Augusto Calheiros faleceu, eu tinha dez anos, mas suas músicas ainda tocavam em todos os recantos do País. O  cantor era alagoano de Murici, fez muito sucesso no Rio de Janeiro e no Brasil, foi sepultado em Garanhuns, Pernambuco. Acho que  todos os fogueteiros do País se sentiram homenageados por Calheiros; mas era uma homenagem doída porque a música fala do  amor de Rosinha, disputado por um fogueteiro e um boticário. No final  surge o fogueteiro morto com um tiro no peito. Após a tragédia o compositor encerra a história com chave de ouro, como fazem os grandes escritores.

IMAGEM DE AUGUSTO CALHEIROS.

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  FOTO HISTÓRICA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3398   Vemos na foto abai...

 

FOTO HISTÓRICA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3398

 



Vemos na foto abaixo, uma cena de chia do rio Ipanema em 1960, considerada por mim como a segunda maior de Santana do Ipanema. Dizem os antigos que a maior cheia do rio Ipanema  foi a de 1941 e ficou sendo conhecida e imortalizada com a Cheia de 41. Outro cidadão com quase 90 anos, falava que os pais diziam de uma cheia igual e na mesma época da cheia de 41, no século XIX. A cheia de 41, a maior do século XX, passou tranquilamente pelo seu leito que não estava obstruído. A cheia recente de Santana do Ipanema que deixou muitos desabrigados, foi a tolerância de seguidas administrações que deixaram que construíssem oficina debaixo da ponte do rio e várias ruas dentro do leito, além de construções no leito do riacho Camoxinga. Não tendo por onde passar a água, invadiu suas margens. Foi a primeira cheia que se tem notícia de invasão.

A foto abaixo representa a segunda maior cheia do século XX, em 1960. Fui testemunha. A foto mostra as águas chegando no final da Avenida Barão do rio Branco, no Largo do Juá onde atuavam os canoeiros. A casa invadida pelas águas, era a residência e bodega do cidadão conhecido como Lulinha, baixinho que trabalhava no Ginásio Santana domo zelador. As águas começam a subir o calçamento na Avenida. Acima se vê o armazém construído na metade do século XIX, para o negócio de couros e peles, do senhor Firmino Falcão Filho que chegou a ser prefeito/interventor de Santana. Nesta cheia, o Ipanema não passou por cima da Ponte Padre Bulhões, mas chegou a lavar a parte inferior do vão. Ainda na foto, vemos ao fundo, o serrote do Gonçalinho.

Semelhante à maior cheia, a de 41, esta, a segunda e de 1960, também repetiu o desfile de objetos grandes e pequenos  descendo sobre as águas, como animais mortos: bois, porcos, e cavalos para se falar em apenas os maiores. Desceu muitas árvores de porte arrancadas pela cepa. Mas também chamavam muito atenção os vasos enormes de guardar cereais feitos de zinco. Como as máquinas da época registravam suas foto em preto e branco, está aí o colorido das coisas apenas na imaginação dos que apreciam fotos antigas

Ufa!

FOTO DO LIVRO: “SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA” (DOMÍNIO PÚBLICO).

  OS BARREIROS Clerisvaldo B. Chagas, 9 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3397 Os barreiros são a forma ma...

 

OS BARREIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3397



Os barreiros são a forma mais primitiva de armazenar água no Sertão nordestino. Consiste em um buraco largo, profundo e, geralmente arredondado. O barreiro pode também possuir outra forma, retangular, quadrado... Porém, o modelo padrão é o arredondado. Eram escavados com ferramentas simples e removido o barro, com carroças de mão, jumentos ou carro de boi. Ultimamente tudo é realizado a trator. Os barreiros representam a primeira opção de armazenagem d’água nas propriedades rurais, para o consumo doméstico. O seu tamanho e a profundidade, variam conforme vários fatores, mas em geral ficam em torno de 20 metros de diâmetro. É aproveitado um declive do terreno sujeito às enxurradas a que os agricultores chamam “bacia”.

De vez em quando é preciso fazer uma limpeza no barreiro para que, principalmente, não fique assoreado, perdendo espaço na sua armazenagem. Quase sempre isso se faz nas proximidades do  inverno, notadamente, quando o barreiro está seco. As águas das chuvas ali acumuladas, abastecem a casa do proprietário, nas tarefas domésticas e na própria bebida dos humanos e da criação. A limpeza, atualmente é feita através de trator particular que cobra por hora trabalhada. É também realizado pelas máquinas de prefeituras  naquela troca de favores que o leitor conhece bem. Dificilmente sabemos de alguma cooperativa agrícola que faça esse serviço para seus cooperados. Falta de união para o fim da dependência política.

O barreiro doméstico que vem desde os primórdios, talvez tenha inspirado a construção de reservatórios muito maiores que só os grandes proprietários podem ou ações do governo. São os Açudes ou barragens, represas, o mesmo objetivos com denominações diferentes. A limpeza dos barreiros do Sertão, representam não  tão somente o ato físico de armazenar água, mas também um misticismo inexplicável com fé, esperança e uma extrema alegria abafada que não pula,  não aparece, mas que existe numa cumplicidade invisível com os céus. É a terra respirando e recebendo por antecipação as bênçãos das chuvas  que querem beijar a terra de volta.

Sertão e seus mistérios.

BARREIRO (

  O CAFÉ NO BRASIL Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3396   Sua introdução no...

 

O CAFÉ NO BRASIL

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3396

 



Sua introdução no Brasil, data, aproximadamente de 1727. Oriundo da Guiana Francesa, suas primeiras sementes foram distribuídas entre lavradores do Belém do Pará, onde a rubiácea não se adaptou ao clima e ao solo.

Em 1770, vindas do Pará, foram plantadas algumas mudas próximo ao Rio de Janeiro.

Entretanto, o café só iria realmente se expandir nas terras fluminenses em meados do século XIX. Seu aparecimento de forma mais acentuada, se deu no Estado do Rio de Janeiro, para posteriormente atingir São Paulo, onde, tendo se firmado em Campinas, irradiou-se para oeste e atingiu a área da Mogiana em 1866.

Em 1911, essa cultura chegou ao norte do Paraná, onde sua influência teve início em 1940. Logo esse estado atingiu  a quantia (Sic) de 1 bilhão e 300 milhões de pés de café, sendo atualmente um dos principais produtores brasileiros.

A história do café no Brasil, tem como principal característica a instabilidade da sua produção,  decorrente ora dos problemas de ordem climático, ora da política de preços mínimos, e ou ainda das oscilações e restrições do mercado exterior.

O  café, neste seu desenrolar histórico pela economia brasileira, conheceu dois períodos de superprodutividade: em 1929-1940, com a plantação a curto prazo de 900 milhões de pés, e em 1950 com a plantação de 1 bilhão e 300 milhões de pés, a maior parte no Paraná.

No primeiro caso ocorreu a queima de 108 milhões de sacas. O segundo solucionado excesso foi solucionado com a retirada de 65 milhões de sacas do mercado, pagas com confisco sobre as taxas de câmbio. Essa medida foi facilitada a partir de 1962 com Acordo Internacional do Café.

... Além do  Brasil, outros grandes produtores mundiais do produto são: a  Colômbia  e a  Costa do Marfim, na África.

Extraído do livro: LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral. Saraiva, São Paulo, 1962. Pag.147.

CAFÉ  (GETTY).

 

  PALESTINA ANTIGA Clerisvaldo   B. Chagas, 7 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3395   A palestina dos...

 

PALESTINA ANTIGA

Clerisvaldo  B. Chagas, 7 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3395

 



A palestina dos tempos de Jesus, era um território vertical formado por três espécies de estados: Judeia, Samaria e Galiléia.  Quem era da judéia, era judeu. Quem era da Samaria, era samaritano e quem era da Galiléia era galileu. A palestina estava sobre o domínio do Império Romano e era sujeita às Leis do Império. Quando a passagem bíblica fala do bom samaritano, claro que estar se referindo a um homem nascido na Samaria. Quando fala de Jesus, o galileu, claro que estar dizendo que Jesus era da Galiléia. Belém era uma cidade da Galiléia. Mas o que  eu queria saber mesmo era como teria sido a culinária da Palestina, a culinária da Galiléia, a culinária de Belém. Descobri no vídeo sobre a Galiléia, mês não consegui identificar a fonte.

Consegui saber com segurança sobre as refeições de Jesus e os costumes culinários da época, nem tudo, porém, foi incluído  como alimentos de origem animal a  não ser o mel silvestre. O Peixe , o leite, os caprinos, os ovinos, as aves e o leite, ficaram de fora. Mas foi uma bela aula sobre o dia a dia do lugar. O uso do trigo, da cevada, do azeite de oliva, das lentilhas, das tâmaras, da cebola, do alho, do tempero... Do  modo de fazer, do modo de comer. E o surpreendente é que as pessoas trituravam o trigo e a cevada em pedra-mó, da mesma maneira como os nossos avós nordestinos trituravam o milho para fazer o xerém e o mungunzá. (temos uma pedra-mó no museu de Santana do Ipanema apenas faltando o veio de fazer rodar a pedra superior sobre a parte inferior.

O resgate da alimentação da Palestina antiga, bem como as outras diversas informações , representam uma verdadeira relíquia que não tem dinheiro que pague. Galiléia, cujo Mar da Galiléia, Mar de Tiberíades ou Mar de  Genesaré, estar localizado a mais de 200 metros abaixo do nível do Mar Mediterrâneo. É alimentado pelo rio Jordão e cercado por montanhas. Possui mais de 20 km de extensão e 13 de largura. O lago e seu entorno estão em algumas passagens bíblicas, cujo arredores é de terras férteis e de plantações como as oliveiras. O estudo também mostra o valor nutritivo  dos alimentos da época.  Resumindo o documentário, cujo básico era a alimentação de Jesus, produzida por Maria, Jesus cresceu muito bem alimentado e Maria uma ótima dona de casa e mãe.

MAR DA GALILÉIA (INSTAGRAN).

 

 

  PAIXÃO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3394   É verdade, vamos voltar aos...

 

PAIXÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3394

 



É verdade, vamos voltar aos anos 50 e 60 no Sertão de Alagoas. A Semana Santa era muito fechada em si, para simbolizar o luto sincero à passagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. O dia era santo e não feriado, as procissões eram com matracas, o povo não abria o comércio na sexta-feira, não tirava leite, não tomava banho, não cortava o cabelo, não cortava unhas, não comia carne e apreciavam na sexta, fazer um preparado para o almoço com bredo e beldroega. Nem todos faziam assim. Era semana e sexta para se fazer feijão de coco e imbuzada. Os pecados que eram praticados em sã consciência, eram evitados na sexta-feira. Evitavam-se os prazeres sexuais às sextas. E no Sábado de Aleluia, o Judas já estava preparado para ser colocado em postes e enfrentar a  malhação.

A Páscoa parecia mais leve. Começa no domingo seguinte após o Sábado de Aleluia e prossegue por 50 dias, significando a Ressureição do Cristo,  e que se prolonga até Pentecostes, nova celebração da Igreja. Pentecostes lembram o Espírito Santo comunicando-se com Maria e com apóstolos, em forma de línguas de fogo. E quando desejamos aos nosso amigos, conhecidos, familiares ou quem quer que seja, uma Feliz Páscoa, estamos desejando uma transformação para melhor  com êxito total. Viver a Semana Santa, é diferente de ver a Semana Santa. Pois, se o objetivo da vida é evoluir, se aperfeiçoar perante os céus, a Semana Santa, oferece esses momentos de complementação profunda para entender a nossa missão na Terra.

Posso dizer sem medo de errar que alcancei fase de ouro da Semana Santa, Foi a fase descrita acima, capitaneada pelo padre Luís Cirilo Silva e seu sacristão, Jaime a que muita gente o chamava de Jaiminho. E nunca saiu da cabeça a lembrança das procissões do Senhor Morto pelas empoeirada Rua Antônio Tavares,  anos e anos seguidos, com as mesmas pessoas (6) levando o dossel  sobre o corpo do Cristo. E eu me questionava por que sempre os mesmos homens que nunca davam chances de privilégios para outros cristãos fazerem assim. Será que somente os mesmos seis homens de todos os anos, eram virtuosos e merecedores daquela função. E acho que no futuro somente foram substituídos gradualmente por mortes dos titulares.

Mas, quanto mais humildade melhor, segundo o corpo de quem estava sob o dossel.

JESUS.