O BOI DE SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2026 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3430   Santana do Ipane...

 

O BOI DE SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2026

Escritor símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3430

 



Santana do Ipanema era o , então, o município mais extenso de Alagoa. Praticamente, todo o Médio Sertão, era  Santana do Ipanema e que no futuro foi sendo fatiado com desmembrações. Portanto, o nosso livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA, conta a história do Sertão de Alagoas, no geral. Entretanto, claros que as nuances das autonomias e suas considerações restritas, ampliam a historiografia regionalista do estado. Além das próprias narrativas de independências, reinam o específico DNA de cidades e municípios. Nenhuma cidade é igual a outra na Geografia, na História, na Culinária e sobretudo nos Usos e Costumes que são o âmago de cada uma.

Quer percorrê-las  e senti-las? Percorra Olho d’Agua das Flores, Carneiros, Olivença, Senador Rui Palmeira, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco e Dois Riachos. E se a história não fascina, monte na Geografia dos lugares. O prolongamento  da rodagem palmeira dos Índios – Delmiro Gouveia, BR-316, década de 50, foi e continua sendo a Espinha Dorsal do Sertão, ramal que contempla Santana do Ipanema. Quem está na capital, Maceió, pode atingir o extremo oeste do estado pelo ramal, Palmeira – Santana – Delmiro. Mas também, hoje, se quiser, seguir para o extremo oeste pela segunda Dorsal que compreende Arapiraca, Entroncamento em Olho d’ Água da Flores, São José da Tapera, Olho d’Água do casado, Delmiro Gouveia. Nas imediações de Delmiro Gouveia, pode-se chegar à região serrana de Mata Grande, Pariconha, Inhapi e Água Branca.

Este segundo ramal estar sendo duplicado, o que se espera que o mesmo benefício possa acontecer com o ramal um, da BR-316. Assim, fica o livro O BOI, A BOTA, E A BATINA, HIISTÓRIA COMPLETA DE Santana do Ipanema, a gigantesca dorsal para as novas e velhas gerações e fonte de fôlego para a curiosidade dos pesquisadores.

  SAGRADA FAMÍLIA – AREIA GROSSA Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3429   Em...

 

SAGRADA FAMÍLIA – AREIA GROSSA

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3429

 



Em torno do ano do e 1959, o comerciante e fazendeiro José Quirino, por motivo que até hoje não sabemos, iniciou uma campanha para a construção de uma igreja no Bairro Monumento, em Santana do Ipanema. O templo católico seria construído em parte de um terreno que fora o primeiro cemitério de Santana, final do século XIX, demolido nos anos 40 do século XX. O senhor José Quirino negociava na no andar de baixo da esquina do Hotel Central, em pleno comércio. Conhecido como homem altamente sovina, talvez tenha encontrado algumas dificuldades, mas conseguiu o seu intento. Também não sabemos dizer se o título da igreja já estava ou não programado. Recebeu a denominação de Igreja Sagrada Família. O senhor José Quirino também foi o fundador da rua partícula “Rua de Zé Quirino” e que hoje é chamada oficialmente de Rua Prof. Enéas.

A Rua de Zé  Quirino teve início com a primeira casa vizinha a sua cerca do curral do gado. nessa época este escritor tinha apenas treze anos. Acompanhava a evolução da rua, a extinção futura do curral, mas nada sabia dos movimentos para a Igreja Sagrada Família. Acontece que aquelas observações de criança e de adolescente, emergiram com o autor já aos setenta e nove anos,  com o  romance que em breve será  lançado naquele mesmo lugar na Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, cujo prédio de primeira andar era a famosíssima Perfuratriz. Hoje, encontra-se à frente da Associação, o serigrafista Cajueiro, filho do Cajueiro que foi o proprietário da ‘Tipografia Nordeste”, em Santana do Ipanema. 

        Neste resgate romanesco entre ficção e realidade, esperamos contar com a presença dos escritores contemporâneos, João Neto Chagas, O PRIMO VÉI E Luís Antônio, O CAPIÀ, também financiadores da obra. Assim, nós, os três escritores, estaremos juntos lançando a história, a geografia, o social daquela periferia com lugares e personagens reais apontados como terciários na trama ficcionista por excelência que o romance do Ipanema. Estaremos distribuindo cerca de trinta e cinco exemplares grátis, os descendentes daqueles que bem ilustram o obra. Todos os nossos contatos serão convidados para essa noite de emoção. E quanto livros à venda, aceitaremos encomendas, caso ultrapasse dez exemplares no geral. Compromisso fiel e firme com os possíveis adquirentes.  

IGREJA DA SAGRADA FAMÍLIA EM 2013. CITADA NO ROMANCE (FOTO:  B. CHAGAS/ LIVRO ICONOGRÁFICO 230).

 

 

  PÃO DE AÇÚCAR – PALESTINA Clerisvaldo B. Chagas, 11 de junho de 2026 Escritor Símbolo   do Sertão Alagoano Crônica: 3425   Tenho...

 

PÃO DE AÇÚCAR – PALESTINA

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de junho de 2026

Escritor Símbolo  do Sertão Alagoano

Crônica: 3425

 



Tenho atração e sempre tive, pelas cidades sertanejas alagoanas. Entretanto  as cidades de Pão de Açúcar - mais antiga de que Santana do Ipanema – e Palestina, relativamente nova, exercem  um fascínio presente e oculto que não consigo nomear de fato o que seria. Não é somente a beleza do seu tradicional casario, seu imponente trecho do rio São Francisco, sua quietude repleta de história, sua culinária e nem seu artesanato. Sobe a antiga Jaciobá é algo muito mais profundo que paira acima dos outros núcleos sertanejos. No caso da Palestina, estive ali cerca de três vezes, ficando encantado com sua simplicidade e algo que ainda hoje não consigo esclarecer a mim mesmo. Estive também na comunidade quilombola Passagem de Pedras, de onde saí completamente impressionado.

        Aquelas terras planas do povoado, planas como uma tábua, sua quietude, me penetraram na alma e na admiração com tal intensidade que nunca mais saíram. O açude por trás do casario entrou na visita apenas como coisa normal, diferente das duas anteriores observações. Faz bastante tempo que fui a Pão de Açúcar e a Palestina, mas continuo com essas localidades como pontos mais altos das minhas interiores indagações. Ainda na Palestina conheci o famoso “riacho do Farias”, que tem evidência na Geografia do Sertão, assim como o rio ou riacho “Desumano”, que banha Olivença.

Mas é preciso uma liberação total da alma para sentir a sensibilidade diferenciada sobre a Mãe Natureza. Nem estou falando sobre inverno ou verão por que o âmago supera as estações.

Percorrer as cidades sertanejas, faz um bem danado! E agora, com Alagoas completamente interligada pelo asfalto, o turista, o pesquisador, o curioso, ou, seja lá quem for, não perde mais tempo com estradas de terra, com buracos, poeira e lama. E ainda com vantagem das pequenas distâncias entre um cidade e outra. E por mais perto que sejam as urbes, cada qual tem sua alma própria, seu DNA, seu modo de ser.  E você vai percorrer retas e planuras, sem abrir mão da região serrana  de Mata Grande, Pariconha, Água Branca, Inhapi... Beliscando, comendo  petiscos, observando, copiando, relaxando e sacudindo fora o comodismo da poltrona.

Então!

Vai ou não vai?

ASPECTO PARCIAL DA PALESTINA (CRÉDITO: JORNAL EXTRA).

  DEVAGAR COM   O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: ...

 

DEVAGAR COM  O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3428

 




Continuamos aguardando da gráfica, o romance AREIA  GROSSA, para lançamento entre junho e julho, na associação do rio Ipanema. É que estamos neste momento vendo algumas poucas ilustrações do romance, como Igrejinha de São Pedro, a escola do Bacurau, O Fomento Agrícola, o prédio da Perfuratriz, o botador d’água em cacimba do rio e o croqui do epicentro do romance, do artista plástico e cantor Dênis Marques. O livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, está, praticamente, esgotado na sua primeira edição. Disponibilizamos apenas quatro exemplares. Encerrada esta etapa, as novidades do autor serão os próximos livros para  o segundo semestre: ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO (repentes), BARRA DO PANEMA, UM POVOADO ALAGOANO (documentário) e AS TRÊS FILHAS DO CORONEL (romance do ciclo do cangaço).

Tem razão a sabedoria sertaneja que diz: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Mas,  é o Divino Espírito Santo fomentando a produção e o Mestre dos mestres semeando as palavras. E por falar nisso, o leitor fiel deve estar atento em todas as capas de trás Pois bem, dos nossos livros que sempre informa sobre as obras publicadas, as inéditas e as em preparo. Pois bem, em muitas delas vem o anúncio sobre poesia com o título de “Colibris do Camoxinga” e que não  vai existir, sendo substituído pelos repentes do poeta do fantástico, Zé  Coxó. O porquê dos bastidores vai ficar apenas com o autor, pois a poesia contundente, demolidora de protestos já não tinha mais sentidos para o alvo que já se foi.

Quanto ao livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, não houve aquele lançamento formal. A voracidade do leitor exigente foi tanta que nem sobrou livro para lançamento oficial. Já se encontra de mão em mão nas rodas intelectuais de todo o Nordeste. AREIA GROSSA, não. Esse terá todas as formalidades de lançamento no epicentro da sua trama. É de interesse particular do santanense, pelo menos na primeira edição. São oitenta e dois personagem reais apontados como coadjuvantes da trama. Os seus descendente deverão receber gratuitamente cada exemplar, que foram patrocinados pelos escritores, amigos e contemporâneos; João Chagas Neto e Luís Antônio, o Capiá. Será uma noite de resgate, gratidão, reconhecimento, muitas saudades e emoções. Em breve, todos serão convidados.

  MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Serão Alagoano Crônica: 3427   Não ...

 

MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Serão Alagoano

Crônica: 3427

 



Não vamos nos glorificar porque a arte não é nossa. Existente desde a Pré-História, em várias partes do mundo, nasceu da necessidade de proteção.  A matéria abundante era a pedra que, empilhada, artisticamente, não usava argamassa, mas sim a técnica da “pedra seca. Ora! Tratamos (nem todos) aqui no Sertão, as cercas de pedras como relíquias. E que são de fato relíquias e parte ainda viva da História. Elas foram construídas por escravos cujos cabeças eram chamados de “mestres”. Outras pessoa como os vaqueiros também faziam a cerca de pedra, porém  os destaques eram para os escravos. Isso vem nos sertões, aproximadamente desde os séculos XVIII e XIX e mesmo o século XX. A técnica no Brasil, veio da Europa. Contemplamos nos terraços de Machu Picchu, a perfeição dos muros de pedras semelhantes as nossa cercas santanenses, do sítio Tocaias, do Bairro Barragem e das imediações do sítio Poço Grande, em longa estrada marginal ao rio Ipanema, no sítio Laje dos  Frades.

Nos sertões, para a proteção de lavoura e gado, não existia ainda o arame farpado. A abundância de pedras soltas, era a primeira opção altamente segura e de baixo custo. Caso um pedaço de cerca sofresse algum problemas e caísse, o restante das pedras ficariam  ao pé da cerca e o conserto seria feito com facilidade. Acontece que o tempo passou, surgiu o arame farpado com estacas de madeira e, os mestres já não mais existiam.  Daí encontrarmos cercas de pedras em franca decadência, isto é, desde pequenas partes caídas até partes grandes.

Os terraços de Machu Picchu, nos parece em perfeito estado de conservação, talvez pelo governo em função da fonte de renda do turismo internacional. As pedra são tão bem encaixadas que não podem ser refúgio de animais como lagartixas, insetos e cobras. O que acontece ao contrario como as cercas que entram  em estado de abandono. No caso das cercas de pedras do nosso Sertão, como não  existe interesse das autoridades, também não existe interesse de turista, até porque este é direcionado para o alvo. E se existe alvo mas não existe o direcionamento...

CERCA DE PEDRA.

 

 

 

 

  OS MORTOS DO POÇO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.421   Eu sei, sim, que...

 

OS MORTOS DO POÇO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026

Escrito Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.421

 



Eu sei, sim, que ninguém fala mais sobre essa outrora maior fonte de lazer de Santana do Ipanema.  Sei também da morte definitiva do poço, em 1969,com a construção da ponte que quase lhe passa por cima. Mas, acontece que estou cruzando a Ponte General Batista Tubino (governador que a construiu). Apesar das passarelas estreitas, arrisco uma olhada no leito do rio que neste início de junho está com pouquíssima água e alguns poços pelo trecho urbano. Lá embaixo, mato, lixo e areia.  Nada de marco histórico, nenhuma placa, nenhuma estátua ao banhista, nada, absolutamente nada que indique sua existência após o golpe fatal da ponte em seus estertores. Caminhando e lembrando que o lugar também afogava indivíduos.

Quando me entendi de gente, soube que o poço já havia engolido mais de vinte banhistas. O primeiro teria sido um tal de “Jabobeu “e que algumas pessoas diziam “Zé Belebebeu”  Estes nomes  serviam para que os banhista mais velhos fizessem medo aos mais novos alegando que de vez em quando o finado Jabobeu puxava na perna de um banhista matando-o afogado. Porém, o último afogado que tive notícia por ali (ainda b do rem que neste dia eu não estava no poço) foi um cidadão que morava na margem direita conhecido como “Tinteiro”.  Todo mundo falava sobre “Tinteiro”, mas eu não o conhecia. Ali na frente, o serrote do Gonçalinho está d.  prova das coisas que aconteceram. E do lado de cima do  rio, vejo a . proliferação de plantas aquática que devido a poluição cobriram o antigo poço do Juá, onde atuavam os antigos canoeiros.

Eu sei, eu sei sim que toda essa lembrança é quase somente minha. Onde estão os outros da minha idade? Isso causa melancolia, mas não dói. O que dói mesmo é o desinteresse  dos que deviam preservar os lugares históricos e deixam desaparecer todos os seus vestígios. E como dito acima, nada.  Nem um toco, nem um poste,  nem um obelisco, nem uma estátua, nem sequer uma placa de lata dizendo da importância do Poço dos Homens na história santanense do século XX.

RIO IPANEMA (CRÉDITO: (JEANE CHAGAS).

  CORPUS CHRISTI Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3425     A expressão em la...

 

CORPUS CHRISTI

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3425



 

 A expressão em latim que significa Corpo de Cristo, é uma solenidade da Igreja Católica que celebra publicamente o sacramento do corpo e sangue de Jesus, o Cristo. A data concentra um profundo significado espiritual e tradições para os fiéis. A celebração  lembra o momento em que Jesus, na Última Ceia (uma quinta-feira)  partilhou o pão e o vinho com seus discípulos em sua memória, instruindo-os a fazerem o mesmo. Para os católicos, a hóstia e o vinho tornam-se o corpo e o sangue reais do Cristo e não  apenas símbolos. A data foi  a instituída pelo Papa urbano IV em 1264 para celebrar a presença real e substancial  de Jesus O Cristo na hóstia e no vinho consagrados. O objetivo é relembrar a Última Ceia, como já foi dito.

Quanto aos chamados dias santos da Igreja , inclusive com a denominação de Dia Santo de Guarda, foram nos tempos mais recentes apenas chamados de feriados. Os verdadeiros sentidos dos dias santos foram se restringindo aos frequentadores da Igreja e a população, em geral, foi perdendo os verdadeiros sentido da tradição cristã. Chega-se ao ponto do trabalhador se alegrar dizendo que “amanhã é feriado, vou viajar”.  Quem é o responsável pela desvalorização do DIA SANTO? O modernismo? A proliferação de outras religiões? O marasmo da Igreja Católica? E como nesses tempos apressados, corridos e metalizados trazem muitas novidades num mesmo dia, fica difícil remar no mesmo sentido de antes. Nunca foi tão verdadeira a expressão: “Maria vai com as outras”.

O dia de CORPUS CHRISTI acontece 60 dias após a Páscoa. A mesma devoção, o mesmo respeito em todas as Cinco Grandes Regiões Brasileiras. Se existir  o contraste alguma diferença, fica por conta de detalhes regionalistas. E quis o calendário que a solenidade, acontece bem próximo aos festejos de Santo Antônio, dizem que o santo de maior prestígio na Céu. O CORPUS CRHISTI, nas procissões, não deixa de ser um ato tristonho, mesmo carregado de muito louvor, com o contraste, dias após, da alegria explosiva do santo casamenteiro. Mas, como o Homem hoje está triste, amanhã está alegre, vamos anexar tudo a este mês tão aguardado na Região Nordeste brasileira.

PROCISSÃO.

 

 

     

 

  NÃO É BRINCADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3424   Ontem, 2 de Sant...

 

NÃO É BRINCADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3424



 

Ontem, 2 de Santo Antônio, São João e São Pedro, cabra véi, o tempo apertou.  Um dia nublado de céu branco, uma noite relativamente fria e um amanhecer  na base dos 20 graus  centígrados.  E chega tudo, até agora, dentro das previsões  dos profetas das chuvas. Inverno antecipado, isto é, estações das chuvas, antecipadas dentro da própria estação do outono que novamente caracteriza o mês de junho. A fogueira de São João com aquela garoa  por cima das chamas de aroeira, o frio ainda preguiçoso juntando forças para despejar no mês de Julho, na  primeira quinzena de agosto. Vamos aguardar os próximos passos da Natureza. A vegetação está belíssima, a temperatura variável e muita esperança no ar.

Levantando muito cedo para o café e a caminhada,  me deparo com essa neblina na minha rua, uma obra-de-arte natural que Deus  enviou para apreciação de quem levanta cedo. Não se pode resistir a essa pintura divina e logo o celular de boa resolução registra a obra da natura.  Repentinamente o semiárido se cobre com finíssimo véu de noiva, fazendo poesia e tocando fundo na sensibilidade dos diferenciados. Bem que rebanho de pássaros de pernas compridas havia anunciado o amanhecer numa revoada de alegria por cima dos telhados. Uma algazarra de felicidades que busca o  rio Ipanema com pouca água, açudes e barreiros da região. Ave a um novo dia que redobra esperança em viver. E quando o Sol vier, quando dispersar  o sonho, será motivo do espaço infinito para uma segunda avaliação.

E foi o que aconteceu quando o Sol resolveu utilizar a sua alquimia divina. Não demorou muito e a névoa abriu alas, trazendo o  anil escondido para toda a plenitude da cor. Não era pastoril de azul e encarnado, mas era  encenação de azul e branco. Assim, diante da expectativa do novo dia, restava entregar-se ao cafezinho e mudar aos pensamentos para as tarefas cotidianas que nem sempre são cotidianas, assim. E para ter a certeza de que não estava sozinho no mundo, aguardei o som do carro do ovo, da buzina forte da moto do leiteiro. E vamos cuidar na lida que a vida já estar ganha. Mesmo assim, ainda tenho que tolerar o miado lúgubre de gato no telhado.

Sei não!...

   

 

  

  OS PEDAÇOS DA TRAVESSA Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3423   Após cente...

 

OS PEDAÇOS DA TRAVESSA

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3423

 



Após centenas e centenas de anos, tive que passar mais uma vez pela primeira travessa das Ruas Nova/Antônio Tavares. Travessa  encravada bem no coração do Centro da cidade. Dali, é só caminhar cerca de cem metro e se chegará ao Comércio de Santana do Ipanema. Apesar de ser  a primeira travessa em ordem de  afastamento do Cento Comercial, ladeirosa e ainda hoje forrada de pedras brutas, foi muito valorizada no passado, devido a sua localização privilegiada. Sim, que as suas residências são humildes e de quintais curtos, como apartamentos para famílias pequenas. Iniciando na Rua Nova e descendo até a rua Antônio Tavares, Havia e ainda há, uma bueira que soltava seu bafo fedorento para toda a travessa, Daí apelidarmos o local como o Beco do Fedor. 

Na esquina da Rua Nova, morava o guarda de peste, Wilson Modesto e que chegou a ser presidente do Ipanema Atlético Club e  torcedor Fanático do Flamengo. Na esquina, de baixo, na Antônio Tavares, Havia a residência do senhor Zé Lopes onde funcionava uma fabriqueta de Aguardente. Casa, no futuro, transformada em uma das primeiras gráficas da “Rainha do Sertão”. E, no meio da travessa, uma casa alugada que foi a  minha primeira residência após o casamento. Aqueles que foram proprietários daquelas residências na década de 60, já partiram. E a travessa, ainda a chamávamos de beco, nunca recebeu benefícios públicos através de todas as gestões municipais.  Quem a conheceu antes e passa por ali agora, contempla esse trecho abandonado e um beco imundo, o mato tomando conta e as casas esperando apenas um soco para se amontoarem em ruínas.

Esse fenômeno tornou-se costumeiro no Brasil. Mansões e mansões valiosas antigamente, desgastaram-se de forma bruta após a morte de titular. Os descendentes, nem vendem nem restauram e ficam quarteirões, becos, ruas e travessas como moradias de fantasmas que até faz medo transitar por esses lugares à noite. Estamos, então, vivendo uma época de destruição de memórias, tanto material quanto imaterial. Acho que já chegamos a um tempo só de presente, sem passado. Um passado em que o próprio tempo evolutivo engoliu. Ah! Nem adianta saudosismo nem melancolia profunda que chocam e maltratam. Penso que é só  se engajar no exército do presente e marchar. Marchar com eles,... Os desmemoriados.

AMPULHETA.

 

  RUA ESQUECIDA Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3422     Nunca mais havia t...

 

RUA ESQUECIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3422



 

 Nunca mais havia transitado naquele trecho de rua onde passei inúmeras vezes na infância. Tudo modificado e com residências modernas, sem nenhum beco dos mais antigos que desse para o Poço dos Homens, no rio Ipanema. Ali era a casa de Regina e Zé Cambão, acolá era a residência dos pais de Gorila e  Nicinha e, mais adiante, a casa de Pedro “deixe que eu chuto”, o famoso “mão de aço”, pandeireiro. Estamos nos referindo,  à Rua Prof. Enéas, trecho  d os fundos de parte do Comércio e o rio Ipanema. Antes sem denominação alguma, passou a fazer parte do prolongamento da Rua de Zé Quirino que teve início na outra extremidade mais distante dos fundos do Comércio. A  Rua de Zé Quirino ( fundada pelo próprio) passou a se chamar depois, Rua Prof. Enéas.  

Os personagens citados acima, históricos e populares, estavam profundamente  encravados nos anais do rio e do famigerado poço. É uma rua estreita, mas ganhou asfalto e muitas vezes desafoga o  trânsito ou serve de estacionamento no trânsito tresloucado do Comércio. O início da Rua de Zé Quirino, está assegurado no romance a ser lançado em julho, AREIA GROSSA. Patrocinado, será distribuído gratuitamente aos descendentes de personagens reais e terceirizados citados na trama do romance. Não haverá venda do livro, mas anotaremos possíveis encomendas, para breve entrega remunerada. São 82 moradores da região do início da rua, citados no livro, entretanto, esses acima falados, não constam no AREIA GROSA. A areia grossa do rio Ipanema, dá nome ao livro.

Por falar em resgate,  o melhor resgate do Poço dos Homens, encontra-se no livro documentário, IPANEMA, UM RIO MACHO, na nossa autoria. E se você quer saber se o Poço dos Homens ainda existe, existe sim. Os casarios de ambas as margens e mais a ponte construída na década de 60, sufocaram-no. As cheias periódicas, aterram e desaterram o poço. Muitos vegetais baixos no entorno e a poluição contínua, tornaram o lazer inviável para banhistas, além da ponte que quebrou a sua intimidade.

RIO IPANEMA

  

  NOVA EDIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 27 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3421   Enquanto se descansa s...

 

NOVA EDIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3421



 

Enquanto se descansa se carrega pedras. Recebo notificações do editor José Malta para corrigir a “Boneca” para nova edição do livro SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA. O citado livro é um documentário de cerca de 60 página que irá ser trabalhado nas escolas do município de Santana do Ipanema. Trata-se de um resgate de parte da história santanense que não havia sido registrada, assim como OS CANOEIROS DO IPANEMA e a IGREJINHA DAS TOCAIAS. Todos os três episódios resgatados por mim e, graças a iluminação do companheiro MALTA, são trabalhados esses documentários com a juventude escolar para o reforço de todas as gerações em ser santanense. SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA, representa o retrato do Sertão inteiro do século XX.

Com o trabalho nas escolas municipais, presença do autor em debates e entrevistas, fica então, consolidado o objetivo  da inclusão daqueles episódios, definitivamente no âmago santanense de qualquer faixa etária. O livro fala da época em que o município e o Sertão Inteiro progrediam com o uso do couro do boi, abundante na região. As fábricas artesanais de curtumes onde o couro era curtido e transformado em sola, alimentando as vária fábricas de calçados que havia na cidade e os diversos tipos de artesãos do couro do semiárido. A circulação do dinheiro, o emprego, as diversões, o modo de fabricar a sola, seus ingredientes, suas fontes, seus transportes, suas vendas, seus preços. Inclusive, o registro de governador santanense, sua visita à cidade com dezenas de cavaleiros.

Além da especificidade do setor coureiro, é o livro SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA, documentário histórico, social, econômico e geográfico da nossa região completa. Vai ficando assim, uma deliciosa fonte de pesquisa nordestina, principalmente, para quem procura voar mais alto com solidez de base. Santana do Ipanema  agradece pela divulgação da sua história tronco e de suas periferias que muitas vezes ficam esquecidas e, emergem através do editor, jornalista e escritor José Malta Neto. Sim,  amigo MALTA, vou encerrar esta crônica e colocar a mão na massa da correção  da ‘boneca”, formosa BONECA.

CAPA, BURROS CARGUEIROS AO ANOITECER.

  MATANDO À VONTADE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3420   Vai finalizando...

 

MATANDO À VONTADE

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3420

 



Vai finalizando o mês e sendo anunciadas a produção  de milho que está prevista na região de Arapiraca. São muitas toneladas, amigas e amigos. Vamos anexar mais e mais toneladas de milho do Sertão e da Mata porque o tempo em Alagoas nos favorece.  E a gente bota o pensamento no milho assado, cozinhado,  e no delicioso bolo de milho. E a imaginação vai para roça: Imensa extenção verde e bela, bonecas pendoando, homens e mulheres colhendo espigas, quebrando o milharal após colheita. Foguinho no meio do roçado, para experimento das primeiras ofertas da terra.  Ali, adiante, o jegue, de caçuás lotados, força nos sacos cheios, carroceria por cima e aquele despejar nas praças públicas das feiras do mês de junho. Fartura no campo, fartura na “rua”. E comprido.

Então, isso me faz lembrar a irmã holandesa Letícia, no, então, Instituto Sagrada Família, onde eu lecionava Geografia. Bebendo café sem açúcar, a irmã dizia que na Holanda o milho vai para a ração animal. Eita, como os animais da Europa se divertem com o milho como nós. E a medida em que o mês de junho se aproxima, mais a  boca do nordestino se enche d’água pelas delícias imaginárias do milho. A delícia antecipada é cuscuz com leite que, se não tiver cuidado até o prato será engolido.  E as estações das águas continuam neste outono com o tempero desejado pela Agricultura: Chuvas moderadas se intercalando com o calor do Sol. Agora mesmo chegam sons de forró da vizinhança.  Isso representa o bom  estado de espírito sertanejo.

E para animar o mês de maio do Nordeste, foi lançado ao mercado, o livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, um documentário clássico que, mesmo com tiragem pequena, já está  percorrendo Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará, aonde as críticas que chegam até nós fazem nos orgulhar do dever cumprido e comprido. E para animar também o mês de junho literário, vamos lançar na Associação da margem esquerda do Ipanema, o romance AREIA GROSSA, que se baseia naquela região da cidade dos anos 60 e seus entornos. Romance de cunho social e histórico com 82 personagens reais e terceirizados na trama que resgata àquela periferia. Distribuição gratuita aos descendentes dos personagens reais.

ROÇA DE MILHO (DIVULGAÇÃO).

 

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  A PRAÇA DE RONINHO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3419   Não. Eu não que...

 

A PRAÇA DE RONINHO

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3419



 

Não. Eu não quero dizer que a praça pertence ao famoso escultor do ferro. Mas, que a praça chique do Bairro São José estar situada como vizinha à oficina do santanense artesão. Recentemente pintada e sob vigilância, vai mantendo a sua originalidade dividida em três andares que obedecem ao ladeiroso local.  Pois fui  ontem fazer uma visita de cortesia ao artista e fui encontrá-lo em meio à sua especialidade, isto é, figuras e mais figuras de cangaceiros e coisas semelhantes. Entretanto, a boa conservação da praça me chamou atenção,  no topo da ladeira, cujo sítio divide as partes alta e baixa do nosso bairro. Isso deu à praça, condições naturais de mirante. Um mirante voltado para  as barreiras da margem direita do rio Ipanema, para o parcial casario do Bairro Paulo Ferreira e para o pedestal de Santa Ana, na serra Aguda.

 Propus ao festejado artesão a possibilidade  de um São José na entrada do bairro de igual nome. Vi o artista Roninho “morder na corda” por não ser a verdadeira especialidade dele. Mesmo assim deixou uma esperança longínqua, admitindo sem admitir, “Na praça”, disse ele rapidamente. Aí joguei a “panela fervendo” e disse-lhe. “Não sei quanto tempo vai levar, mas quando for a inauguração eu quero estar presente”. E tirei o time  de campo. Meu amigo e minha amiga, ninguém é obrigado a gostar de cangaceiros, porém, não se pode negar o talento e a originalidade do seu estilo. E agora em que o artesão se encontra entre os melhores do Brasil, reformou a sua oficina, dividida entre  parte de trabalho e parte de exposição/venda. As peças, devidamente organizadas realmente oferece um novo visual ao comprador exigente.

Notei, então, que o grande mestre Roninho, tem oficina e   moradia em lugar privilegiado do Bairro São José: Avenida principal com o novo nome, Professora Helena Braga das Chagas, vizinho da praça bonita e mirante parcial  para a margem direita do rio. Ora! Sendo assim o artista do ferro e da solda, ao se notar tristonho, basta dá um passo para a calçada e o cenário do alto logo lhe devolverá qualquer inspiração perdida, para os seus bonecos. Dei alguns passos para baixo e fui apreciar as obras-de-arte do artista plástico e cantor Dênis Aguiar. Obras de inspirações divinas. Desço mais alguns passos e retorno à minha casa para reflexão da manhã.

A PRAÇA DE RONINHO (FOTO DE B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

 

  SERÁ? Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3418            Antes as fazenda po...

 

SERÁ?

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3418



 

         Antes as fazenda possuíam os terreiros cheios de galináceos: galinhas, frangas, galos, pintos, capões, perus, pavões, patos e guinés. Recebiam ração de milho , logo ao amanhecer, lá para as dez horas e tinha mais ao entardecer. Essas aves passavam o dia soltas completamente, passeando pelo terreiro e seus arredores, no limpo, no matagal, ciscando, pegando bichinhos, beliscando folha de mato.  Nas horas da refeições, o resto de comida iam para as “galinhas”. Assim, os proprietários nunca passavam fome. Raramente se via alguma dessas aves que não estivesse gorda. Os ninhos eram feitos onde as próprias galinhas quisessem. Essa produção de aves e ovos, garantiam as proteínas do dia a dia.  Uma vez ou outra o proprietário matava um bode, um carneiro, um porco para desenfastiar.

A última vez que contemplei essa maravilha foi no sítio Cava Ouro, em Senador Rui Palmeira onde fizemos lançamento de livro. O céu anunciando chuva e a criação na expectativa do corre-corre. Muito feio um terreiro pelado, no sítio. A facilidade da vida moderna, acabou com essa tradição. Ao invés de pegar ovo fresco no terreiro, a dona de casa passou a comprar ovos de granja nos mercados da cidade. Outros tipos de criação também foram sumindo de vista dos passantes e a concentração passou a ser quase exclusiva do boi. Será que a comida pura da roça, era mais sadia do que a que compramos nos mercados, cheias de aditivos?  As indústrias de óleo acabaram até com a criação daquele porquinho  do qual se extraía a banha para cozinhar.

Você já ouviu a expressão: “Comer feijão-de-corda com galinha de capoeira” ?  A medida que a expressão vai perdendo a força, chega a expressão mais nova: “comer uma galinha velha”. E essa galinha velha, não é a antiga galinha de capoeira, mas sim, a galinha velha, branca, de granja. Ninguém fala na galinha caipira que é aquela vermelha e de ovos rosados. Essa, por enquanto vai tapiando o consumidor com a qualidade dos ovos, sem a propaganda da sua carne. Muito romantismo na antiga paisagem sertaneja, nos detalhes, já não corresponde.

Com essa frieza discreta desse fim de maio, impossível não lembrar desse tempo de Resistência.

ANTIGOS TERREIROS RURAIS (AUTOR NÃO ENCONTRADO).

 

  O CAMPO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3417   Nem sei dizer, nem fui pes...

 

O CAMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3417

 



Nem sei dizer, nem fui pesquisar quem construiu o campo de pouso de Santana do Ipanema. Uma pista larga, boa,  em barro vermelho a dois quilômetros da cidade.  O campo de poso teve tanta influência que passou a ser referido como um sítio rural comum. Foi formado, acho, para receber aviões tipo teco-teco. Quando eu ainda era criança, estive lá depois de um avião sobrevoar a cidade. Era meninada que percorria a pé os dois quilômetros para ver um avião de perto para contar de certo. Mas os adultos também corriam para o campo em busca da novidade. Geralmente os passageiros eram pessoas do governo tentando resolver alguma coisa na região. Ora, se quando eu era criança, o campo já existia, quem o teria construído?

Nem trem nem avião para Santana do Ipanema. Ultimamente dizem que o governador prometeu construir um aeroporto na cidade.  Com o nome desse último sítio. Ah! Houve muita mangação nas redes sociais. Como uma cidade está com uma rodoviária parcialmente destruída e inutilizada, esquecida por parte do estado e se anuncia um aeroporto. O santanense levou a frase como piada de mau gosto. A reação foi enorme. E mesmo que o governo quisesse fazer alguma coisa em relação ao transporte aéreo todo o povo acha que seria somente passar uma camada de asfalto no campo de pouso existente e bradar que foi inaugurado um aeroporto.

Nos últimos anos o campo de pouso passou a ser um lugar usado para competições de motores na Festa da Juventude. São os seis vizinhos, a AL-120, os sítios: Icó, Várzea da Ema e João Gomes, além da proximidade do riacho que tem a denominação desse último sítio. Sim, da fato, a sua localização para os fins desejados, é estratégica. Pero de Santana, de Olho d’Água das Flores e de Carneiros e com muitas outras vizinhanças. Entretanto, o que  estamos precisando mesmo é um VLT Sertão-capital, diariamente. Mas, enquanto isso esperemos o final da piada dita no Sertão.

CAMPO DE AVIAÇÃO EM SANTANA (DIVULGAÇÃO)

  OS CANGACEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3416   Lembro-me perfeitam...

 

OS CANGACEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3416




 

Lembro-me perfeitamente de quando trabalhava de editor no Jornal do Sertão, encarte do Jornal de Alagoas, ali na Rua Nova, em Santana do Ipanema. O futuro escritor Marcello de Almeida e o artista plástico Roberval Ribeiro, inventaram história em quadrinhos (gibis), cujos personagens tinham o nossos rostos e as histórias eram de cangaceiros. Esses gibis fizeram sucesso e até foram lançados em país vizinho. A dupla se desfez, pois eram jovens em busca de melhores oportunidades de trabalho. Pois, décadas  e décadas após, eis que chega com toda força a IA. E o escritor Marcello Fausto, como diversão, começa a colorir fotos antigas e dá roupa nova as fotos de companheiros. Assim me fez  morrer de rir com suas presepadas em transformar minha foto de lançamento de livro e a do escritor Capiá, em cangaceiros.

Estar certo, o amigo quis apenas se divertir, contudo, pode sair de uma brincadeira, uma nova forma de ganhar dinheiro, sobretudo pela qualidade do trabalho apresentado. A IA estar fazendo desaparecer profissões, aperfeiçoando outras e estimulando novas. A evolução em todas as áreas do conhecimento humano, vai no levando para coisas boas e incríveis, mas também vai demolindo as tradições mesmo onde a resistência permanece viva. E isso me leva a refletir sobre o senhor Tô, o retelhador mais afamado em Santana do Ipanema no século passado. O homem que usava um chapéu típico e único, semelhante à polícia montada do Canadá. Não existe mais retelhador em Santana, muito embora ainda existam inúmeras casas com o teto de telhas de barro.

Com a aproximação mais pesada do inverno, é preciso verificar as casas que usam telha. Cadê seu Tô? Ah! A IA uma ora dessas não serve para nada. Não vai subir ao telhado e reparar as telhas. Ou vai? Bem, voltando às presepadas do parceiro escritor, Marcello Fausto, Pouco mais tem fanático do cangaço procurando pesquisar sobre os cangaceiros ainda desconhecidos. Não sei o que pensa o escritor Luís Antônio, o Capiá, mas, da minha parte é  risos e mais risos compartilhados com os amigos. Quer virar cangaceiro, cabra? É só  falar com Marcello.

(ESCRITORES CLERISVALDO B. CHAGAS E CAPIÁ, NA IA DAS PRESEPADAS  DE FAUSTO).

 

  AREIA GROSSA Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3415             Acabo de re...

 

AREIA GROSSA

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3415

 



          Acabo de receber  da gráfica  a prova do livro AREIA GROSSA, para corrigir e enviar as ordens  de impressão. Como disse por aqui, é melhor escrever um romance  do que corrigi-lo depois. Entretanto vamos à missão que nos reserva e gemendo, chorando ou alegre, é puxar a fita e procurar os erros. Entretanto, a aproximação do nascimento de novo filho,  caímos na mesma emoção como se fosse o primeiro mesmo após um série de quase trinta livros publicados. E como o romance AREIA GROSSA é um romance ameno e social, com personagens reais e fictícios da beira do rio, vem a capa  dizendo claramente: “AREIA GROSSA – Romance do Ipanema” .  

Esta primeira edição do romance, será distribuída gratuitamente, na sede da comunidade, para os descendentes dos  personagens reais citados no livro. Entretanto, se após o lançamento alguém quiser comprar o romance, conforme a quantidade de interessados comprometidos, poderemos partir para uma segundo edição para atender a demanda. Inclusive, o presidente da comunidade do Ipanema, já  está ciente  e se comunicando com os seus associados, prevenindo-os sobre o futuro lançamento que ocorrerá dias depois da entrega da gráfica.

Vamos embalar o neném, AREIA GROSSA, ROMANCE DO IPANEMA, com a mesma emoção do MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, ambos filhos do mesmo pai. Enviaremos convites, não só para a comunidade do rio, mas também para todos os nossos contatos. Quanto ao documentário clássico MARIA BONITA – antes DO AREIA GROSSA – poderá se esgotar com as encomendas e não haver condições para lançamento. Os livros estarão em nossas mãos a qualquer momento.

Encomende, portanto, rapidamente o seu.

RIO IPANEMA (DIVULGAÇÃO).