A PEDRA DO SAPO Clerisvaldo B. Chagas,14   de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3475     A Pedra do ...

 

A PEDRA DO SAPO

Clerisvaldo B. Chagas,14  de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3475



 

 A Pedra do Sapo não poderia ter ficado fora do   romance histórico  e urbano AREIA GROSSA. Até  porque a pedra faz parte de periferia  do centro da história. Seu título é secular e escorregou pelo tempo até chegar aos habitantes da orla.Com cerca de três metros de altura, em forma claríssima  de sapo sentado, estava sempre ali à margem direita  e imediata do rio Ipanema. A duzentos metros   abaixo da travessia do rio seco, definia para nós a intensidade das cheias periódicas do  Ipanema. As águas poderiam chegar até aos seus pés, subirem até o meio ou cobri-la completamente. Quando as águas baixavam a pedra do sapo revestia-se de um limo que a deixava definitivamente negra. Nós, os meninos, subíamos para o seu cocuruto como lagartixas.

A pedra não foi contemplada com a pintura de sapo do artista plástico e funcionário público Luís Dantas. Mas ele assim o fez em outra pedra semelhante e menor que havia na sua chácara à margem da AL-120, no sítio Barriguda. Todos os passantes param diante da cerca para fotografar o sapo de pedra. As sucessivas gestões municipais, não têm olhos para o potencial turístico existente. E a Pedra do Sapo do rio Ipanema, no final do século XX, ganhou oratório  no topo e escadaria de concreto como promessa do cidadão  Zé Preto Manganheiro, morador da Rua São Paulo. Tudo à semelhança da Pedra do Padre Cícero, em Dois Riachos. Entretanto, não demorou muito, o oratório foi saqueado e o santo da promessa desapareceu. Ficou no local somente a estrutura.

Foi por tudo isso que Júlia Rainha, a protagonista fictícia do  romance AREIA GROSSA,  foi queimar suas panelas de artesã na Pedra do Sapo. Ali ficava seu forno de queimar panelas às sexta- por feira. Na subida do Minuino, travessia do rio, mais acima, os oleiros queimavam tijolos e telhas  nas suas caieiras belas no ventre das noites mais escuras. E a pedra do sapo, que ainda não foi cobiçada pelos quebradores e comerciantes de rochas, vai sobrevivendo aos séculos, às eras, aos tempos, mesmo que carregue agora no seu topo um oratório vazio e uma escadaria de concreto. Já está imortalizada  no romance AREIA GROSSA.

 

  CONTANDO A HISTÓRIA Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3474   Descobri, ...

 

CONTANDO A HISTÓRIA

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3474



 

Descobri, tornei-me seu admirador e, várias vezes passei ou visitei o lugar. Estou falando daquela igrejinha no mirante do Farol, em nossa capital. Descobri que aquela simpática e humilde igrejinha, antes de 1888, era um quartinho de armas que fortalecia a vigilância sobre o Porto de Jaraguá. O Bairro do Farol , antigamente era conhecido como o Morro do Jacutinga. E aquele local específico passou a ser denominado de “Morro do Paiol” ou “Morro da Pólvora” por causa do armazém de armas. A partir de 1888, o depósito de armas, foi transformado em Igreja.  Ganhou torre de sineira e outras modificações externas e internas de adaptação religiosa. Na capela simples, foi entronizado o santo São Gonçalo do Amarante.

Lembrei-me, então, daquele futuro escritor santanense que foi embora na década de 30 para não morrer de fome, Oscar Silva. Venceu na Literatura e como funcionário público no Sul do País. Mais tarde publicava no seu livro de crônicas da terra, FRUTA DE PALMA, texto e foto da casinha trepada onde fora criado por sua avó, flandreleira Josefina, “Finha”. E ao descreve sua casinha, Oscar dizia que ela poderia ter sido um antigo depósito de pólvora, pois fora encontrada vazia e abandonada. Duas grandiosas relíquias da história de Alagoas. Sobre a igrejinha do Alto do Jacutinga, quase sempre se encontra fechada, mas tem o seu dia de missa. E quanto   E antiga casa do escritor Oscar, foi anexada e demolida. Hoje   o terreno se encontra por dentro de um muro de quintal.

A propósito, a Jacutinga  (Aburria jacutinga) é uma ave grande e em extinção, da zona da Mata. O mirante de Maceió onde se localiza a  igrejinha, é chamado de “Mirante de São Gonçalo”.  E a casa antiga do escritor Oscar Silva, situava-se Na Rua Antônio Tavares, defronte a casa dos meus pais. As informações podem servir para outros pesquisadores que queiram abraçar o tema. Pelo menos, os caminhos de novas pesquisas estão sendo apontados. E desde que me entendi de gente só ouvi falar no nome Jacutinga, duas vezes: quando era criança, em Maceió, na referência de um primo adulto  mencionando o  lugar do farol, como no Alto do Jacutinga. E há alguns anos um cantor de cunho humorístico cantando que no Alto do Jacutinga, uma cerveja era 1 real.

IGREJINHA DE SÃO GOÇALO DO AMARANTE, MACEIÓ.

 

 

  CABRA FUBA   Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.473   Para quem não sa...

 

CABRA FUBA

  Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.473

 


Para quem não sabe sobre o nosso Sertão a pergunta é óbvia: que diabo é isso? Bem, a frase do título, no Sertão alagoano, é secundária de “sujeito fraco, sem ação, tipo imprestável, cabra fuba, homem que não vale nada”. Entretanto, no primeiro plano temos a tradição de chamar de fuba, sem acento, a farinha de milho pronta para se fazer o cuscuz. Enquanto fubá – com acento – é a farinha de milho moída ou  fininha para se comer na hora, pura ou com açúcar. E se o dicionário da Língua Portuguesa, só registra a palavra com acento, problema dele. A nossa linguagem popular desmente a oficialização. É a imensidão do Brasil e seus legítimos regionalismos. E vem o  fubá... E vem a fuba, o mais importante é matar a fome do povo.

E como ilustração sobre o termo fubá – comi muito dos vendedores de rua, quando criança -  temos no livro documentário NEGROS EM SANTANA, uma imagem literária de um quilombola do povoado Tapera do Jorge, de Poço das Trincheiras,  vendendo fubá pelas ruas de Santana. Panelão de alumínio, vertical e lustroso, carregava na cabeça daquele negro comprido o fubá, uma delícia ímpar. Era uma cena do século XIX, navegando ainda no final do século XX. E assim víamos que o fubá, deixava para trás o seu parceiro tradicional de caminhadas juntas, o xerém – milho quebradinho  em moinhos de pedras e, comido com leite. Aos poucos, o que era tradição de séculos, principalmente na zona rural, passou a ser como tantos outros, produtos da indústria.

Portanto, é lógico que os tempos mudam as coisas como o camaleão. Mesmo assim, foi não foi, ressurge uma expressão antiga como “cabra de aió”, “cabra fuba”, “tapuio”, “cabra safado”, “fio de uma égua” e muitas outras. No caso dessas acima, todas têm o mesmo significado: “elemento ruim, homem sem ação, sem caráter, sem confiança. É pena um sujeito que não presta ser chamado de cabra fuba, um alimento tão gostoso e nutritivo. Com lógica ou sem,  a indústria vai colocando etiquetas novas em nossos produtos comestíveis, mas não consegue consertar de vez o CABRA  FUBA.

FUBÁ NA ROÇA (DIVULGAÇÃO).

  CLEODON TEODÓSIO – ESCOLA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026 Escritor   Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3472   Ch...

 

CLEODON TEODÓSIO – ESCOLA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026

Escritor  Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3472

 



Chegou o dia de deixarmos a cidade e seguirmos para a zona rural trabalhar com alunos sobre o livro documentário, SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. Fomos para a região serrana do município, onde existem vários sítios interligados, mas chamamos a região da Camoxinga dos Teodósio. O trabalho com o alunado foi na Escola Cleodon Teodósio, amplamente reformada e aspecto de escola de primeiro mundo.  A região Serrana, em Geografia, faz parte  do Maciço de Santana do Ipanema e suas montanhas fazem parte dos últimos contrafortes do Planalto da Borborema. Estávamos em um lugar cuja estrada marcava a divisão de municípios entre Santana do Ipanema e Poço das Trincheiras.   Aos fundos da escola, o famoso riacho Camoxinga, a frente, a estrada divisória e as faldas da serra dos Bois, do segundo município.

Ótima recepção a este Autor e ao editor José Malta Neto, responsável por esse trabalho exercido em todos os anos com variados escritores. Entre perguntas, respostas e questionamentos,  passamos uma tarde literária, rica, preciosa  e bela entre alunos, professores, editor e autor do livro SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. Muito exaltado foi o antigo Bairro Maniçoba/Bebedouro, epicentro do documentário acima. Como a paisagem da região serrana é bastante agradável, recheada de verde, dos jardins de árvores frondosas, como a craibeira e de gado pastando pelo vale, a    inspiração chegava com força através das janelas e dos demais espaços que nos traziam a Natureza.

Quando regressamos era quase 17 horas, momentos em que o  Astro-Rei, assim como nós, procurava encerrar a sua missão de final de inverno. Ficaram lá, lá atrás, no sopé  verdejante da serra dos  Bois, a novidade  santanense adormecida antes, vivificante agora com semeadura de homens de boa-vontade. E no regresso ao lar, já pensávamos na próxima escola da quinta-feira no antigo Bairro da Floresta. Sim, levar o conhecimento adiante é a nossa grande missão na terra.

Semear, semear, semear...

COM A DIRETORA NA ESCOLA CARROSSEL.

 

 

  SOBRE AS ONDAS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3471 HISTÓRICA   O li...

 

SOBRE AS ONDAS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3471

HISTÓRICA

 



O livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA,  fala dos cinemas da cidade, no século XX, porém, apesar de muitos detalhes, não conta sobre o nome da melodia que era o prefixo do cine-Glória. Cerca de um minuto antes do filme começar, era tocada uma valsa, sempre ela e, as cores da tela e da ribalta iam mudando para iniciar a projeção. A música inconfundível do cine-Glória, embalou por anos a fio os ouvidos do povo santanense. E pela não lembrança do seu título, não ficou registrada na história do município. Mesmo assim, agora a saudade bateu e nós sentimos que a nossa história dos grandes espetáculos da nossa terra estava faltando um pedaço. Fiz, agora, o que qualquer pesquisador honesto faria e corri atrás do prejuízo.

Então, a experiência me mandou procurar os mis antigos. Fui ao escritor João Neto Félix, não lembrava. Fui ao escritor João Francisco Chagas, não lembrava. Dirigi-me ao escritor mais longevo, Luís Antônio, o Capiá, não lembrava. Eu tinha certeza de que todos lembravam da melodia, mas não do título da canção. Ora, com intercâmbio entre nós, o detalhe do cinema foi salvo pelo gongo, pelo músico, compositor, cantor e agora escritor Remi Bastos, cabra girando em torno das nossas idades e que “salvou a lavoura”. Era valsa SOBRE AS ONDAS, música do compositor mexicano Juventino Rosas, publicada em 1888 e uma das mais belas do mundo.  Entretanto, o vídeo enviado por Remi Bastos, era de uma orquestra Filarmônica UniCesumar, com o maestro Davi Oliveira.

Acontece que existem outras canções mais modernas cujos títulos confundem os desavisados. Para pesquisar  a melodia, (só conhecemos a versão musicada como o desta crônica) tem que ser com o título correto e o nome do autor. O que conseguimos pesquisar foi o suficiente para este registro saudosista, o que se encontra no segundo parágrafo deste trabalho. Isso mostra mais um vez  porque uma pesquisa deve ser honesta, para não frustrar possíveis pesquisadores sobre essa fonte que é sua. Quanto ao prefixo do segundo cinema de luxo, o “cine-Alvorada”, nem lembro se havia  prefixo. Porém posso deixar registrado que após a construção do prédio, o seu proprietário  fez consulta à sociedade de como deveria ser chamado o novo cinema. O ganhador se saiu com o belo título CINE-ALVORADA, mas nunca consegui saber quem foi o vencedor e se ele ou ela ganhou alguma coisa.

SOBRE AS ONDAS.

  CARROSSEL Clerisvaldo B. Chagas,   7 de setembro de 226. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3470   Finalmente iniciamo...

 

CARROSSEL

Clerisvaldo B. Chagas,  7 de setembro de 226.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3470

 



Finalmente iniciamos a nossa maratona cultural – como disse o jornalista, editor e escritor  josé Malta Neto – na verdade, oito entrevistas nos primeiros 20 dias de setembro em escolas, é mesmo maratona cultural, porém onde existe muito amor e boa-vontade no coração, a citada maratona passa a ser motivo de satisfação e felicidade pelo cumprimento do dever. Iniciamos essa jornada histórica na história de Santana do Ipanema, pela escola particular de tradição do Bairro Camoxinga, Carrossel. Uma recepção agradabilíssima, por parte da direção e dos docentes e aquela perspectiva da juventude para ouvir e fazer perguntas ao escritor da terceira idade. Na verdade, um encontro entre gerações tendo como ponte o livro documentário SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. Livro que será relançado após a maratona das escolas, no  próximo dia 26 no Bairro Maniçoba/Bebedouro.

Houve muita emoção na Escola Carrossel e a certeza de que os alunos presentes e participantes ativos, perpetuarão o amor pela pesquisa e a história do povo sertanejo de Senhora Santa Ana. As perguntas e respostas do livro analisado fez o autor se convencer que não foi em vão uma luta constante por vários meses seguidos, para mostrar no papel, como foi tão importante para a nossa região, os curtumes,  as fábricas de calçados, o trabalho dos artesãos do couro criando emprego e fazendo circular o dinheiro vivificante da nossa sociedade.  Vários alunos não perguntavam, mas comentavam trechos do livro que mais chamaram  a atenção, respectivamente.

E este conjunto de forças com o editor presente e incentivando a juventude, o autor  dividindo o pão, a escola abrindo sua portas para novos horizontes, o resultado não poderia ser diferente porque já estava escrito que assim seria. E surgiu, então o elo forte, fortíssimo, profundo e abençoado entre a geração passada e a geração atual, unindo o século XX e o século XXI com anúncio de porvir feliz. E assim nasceu a ideia de uma crônica por escola (8). Hoje  foi da escola Carrossel, logo será a vez da Cleodon, isto é, da escola Cleodon Teodósio, na zona rural serrana da Camoxinga dos Teodósio. Aguardemos a terça para lermos na quarta.

AUTOR NA CARROSSEL.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  RECESSO DE UM SEMANA

 

RECESSO DE UM SEMANA

  O TUBARÃO DO POXIM Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto   de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3469   O meu amigo...

 

O TUBARÃO DO POXIM

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto  de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3469

 



O meu amigo escritor,  João Francisco Neto, me manda  o   vídeo de um tubarão pescado no Poxim, Alagoas. Atravessado em carroça puxada a burro, sangue coagulado por todos os lugares, um pescador simples e de bermudas, rodeando o troféu. E ainda de quebra, vários companheiros em roda e um deles abrindo o peixe com uma pequena faca, expulsando para a areia da praia o almoço do   terror dos mares. Um flagrante forte, convincente e absoluto que atesta a indômita coragem de um pescador de água salgada. Como não se impressionar com a cena que traz várias coisas juntas e  convergentes para o nosso estado! Isso nos faz lembrar cena semelhante acontecida  na represa Isnaldo Bulhões quando foi exibido um pirarucu com o mesmo tamanho.

Inevitavelmente fazemos as comparação entre a imensidão dos oceanos com muitos “monstros” a fazer medo e, os de  abastecedores dos mares com peixes grandes ou pequenos, mas também matadores de fome ao invés de gente. Paramos os nossos pensamentos nas piabas que pegávamos com farinha em litros de fundos furados. Sobrevivências iguais em ambientes diferentes.  E muitas vezes contemplamos um tarrafeiro pegando carito, o  peixito mais vil do rio Ipanema, para matar a fome familiar com farinha de  mandioca. E os anzóis se enfileiravam ao longo do rio em busca do mandim, da piaba, da traíra. Como foi dito acima, formas de sobrevivência que desperta a coragem pela vida e fabrica heróis pela necessidade.

O jangadeiro, o pescador dos mares ou mesmo o vaqueiro do Sertão são titãs que desafiam os perigos constantes do meio em que vivem, porém trazem no peito um profundo respeito pela Natureza da qual tiram o sustento. E lá na fotografia ou vídeo enviados pelo  escritor João Francisco Neto, não existe nenhum indivíduo de terno, gravata, colete e sapatos lustrosos, mas sim, homens de bonés, bermudas e sandálias que não são mocinhos das novelas ridículas e romanescas, mas gigantes de carne e osso lutando vitoriosamente pelo pão de cada dia.

 

 

 

  QUANDO SETEMBRO VIER Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3468   Os montes c...

 

QUANDO SETEMBRO VIER

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3468

 



Os montes circundantes de Santana do Ipanema, iniciaram o processo de degradação por falta de chuvas suficientes. Estão com suas folhagens migrando do verde bonitão para o verde desbotado, para o amarelo feio no caminho para o cinza  característico de árvore pelada.  Vêm provando o que tanto já dissemos sobre as chuvas do inverno do ano passado e deste: chuvas finas e esporádicas que terminam em escassez total. E assim, vai chegando o mês da primavera onde a esperança de todos se renova. E isso nos faz lembrar a fase de rapaz, quando o bancário do Banco do Brasil, sujeito alto, muito inteligente e filho de outras plagas, convidava alguns amigos para irmos até a Associação Atlética Banco do Brasil – AABB – hoje, clube fechado.

E o homem foi falando sobre as maravilhas do computador que era novidade chegando e substituindo a máquina de escrever. Depois colocou algumas páginas musicais de qualidade e bom-gosto, assim como “Tema de Lara”, “Moendo Café” e “Quando vier a primavera”... Ulisses casou-se com uma colega minha, aluna no Ginásio Santana  puxae, algum tempo depois, sumiu de Santana. Nunca mais soube notícias do casal. O AABB pareceu ficar mais pobre com a ausência do intelectual. E, na minha vida, vez em quando eu escrevo quase a mesma coisa quando se aproxima a primavera. E a primavera não é somente a esperança das coisas que tanto desejamos realizar, mas também nos faz recordar um longo final de inverno frio, cinzento e  carrancudo  e momentos felizes de outras primaveras.

Estamos chegando devagar ao mês das flores, ao mês da realidade dos sonhos enovas lembranças invadem  o baú de guardar recordações. É aí que canções tocadas com a alma na AABB, puxa  também pelo saudoso prefixo do cine-Glória, um dos pontos da velha elite da minha terra. Todavia, pode-se mesmo dissertar com firmeza que passado é passado e que muitas outras primaveras virão. E que bom que elas virão, mas não podemos dizer duvidar do cantador quando dizia “Tudo passa, na vida tudo passa, mas nem tudo que passa a gente esquece”. E o resto, só pontear da viola amaciando a vida.

PRIMAVERA (ARTHUR SARNOFF).

 

 

 

  FAVA NO NEGRO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano. Crônica: 3467   Não podemos esque...

 

FAVA NO NEGRO

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.

Crônica: 3467

 



Não podemos esquecer a fava que havia em nosso Sertão alagoano. Em relação ao feijão comum, surgia em pequena quantidade. Diziam que a fava chegava à feira de Santana do Ipanema, vinda da serra do Poço, relevo que divide os municípios de Santana e poço das Trincheiras. A fava tem o grão maior do que o feijão três ou quatro vezes. Grão achatado e um pouco de amargor característico. Não somente a fava era cultivada na serra do Poço (505 metros de altitude) mas tipos de frutas que gostam de clima de  serra. As pessoas mais pobre do Sertão, como quilombolas e trabalhadores braçais do campo, eram alimentados com charque, bacalhau e fava, pelo patrões que procuravam amenizar a despesa dos trabalhadores, com as comidas mais baratas.

Estamos falando de um tempo em que havia qualidade nos produtos acima com preços bons, diferentes das falsificações de hoje e com preço proibitivos. Tudo indica que foi pelo amargor da fava que surgiu o ditado escravagista: “Negro quando não quer fava, fava no negro”.  Com a continuação do tempo, as favas foram ficando menos amargas, chegando  ao ponto de fava sem amargor nenhum. Entretanto comer fava é sempre algo delicioso com charque, com galinha de capoeira, com linguiça, com rim de porco e de boi. Seu antigo amargor é devido a um ácido que possui, semelhante à mandioca. Dos vários tipos de fava que existem, a nossa  era completamente branca. Mas já vimos fava diferente de branca. Quanto as sua origens e classificação, preferimos deixar a cargo do interesse individual.

Sim, ainda encontramos fava nas feiras do Sertão alagoano, dependendo dos meses do ano. Mas, como estará esse alimento em outras partes do Brasil? Pois, aqui no semiárido, foi desaparecendo marcas famosas de feijões delícias e diferenciados como o “vargem roxa”, o “rosinha” , e o “rim de porco”. Tudo por causa do feijão “carioquinha” que tomou conta do Brasil. Do mesmo jeito que aconteceu com os vários tipos de banana com a chegada da “pacovan”.   Mas, voltando ao tema inicial, você já comeu fava? Tem outro jargão que se costuma dizer, prevendo uma vitória: “são favas contadas”.

FAVA.

  URUBU-REI Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3466   Urubu-rei pode ser ape...

 

URUBU-REI

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3466

 



Urubu-rei pode ser apelido de agiota, de coronel malvado, de prefeito ambicioso ou de qualquer outro dono do desmando. Mas, como coisa real estamos falando do (Sarcoramphus papa) conhecido pela população sertaneja como “comedor de carniça”. Difere dos urubus comuns pela cabeça lisa e vermelha amarela ou alaranjada assim como o pescoço. Ainda tem detalhes de cores pelo corpo e pode atingir a dois metros de envergadura. Sua literatura é vasta e não caberia numa crônica  apenas. Em alguns lugares se encontra  em extinção por causa da degradação do habitat. Não costuma fazer ninhos, aproveita lugares que considera seguros como oco de pau ou cavidades. É chamado urubu-rei devido a ser o primeiro a se servir de animais mortos, aguardado pelo urubus comuns.

O seu bico é volteado como as aves de rapina, forte  e capaz de rasgar  o couro mais resistente de animal como o boi, dando início ao seu banquete, depois seguido pelo urubus pretos. O seu nome tem origem indígena com inúmeras observações. As vária teorias sobre sua denominação estão escritas conforme os vários países onde a ave aparece. No Sertão velho de meu Deus, ninguém quer ficar observando ataques à caniças, todavia, tem bons observadores dos hábitos deste limpadores da natureza e testemunhos vivos enriquecem a literatura sobre o comportamento do urubu-rei. Na verdade, em nosso Sertão alagoano se avista vez em quando um urubu-rei para dezenas de urubus pretos, isto quer dizer que não é fácil se avistar um urubu-rei.

Desde criança ao observarmos o voo dos pássaros, nunca encontramos um deles mais bonito do que o voo de  um urubu. O bicho é feio, mas  de voo elegante, principalmente quando estar planando nas corrente de ar. Sempre houve no Sertão, o prenúncio de chuvas, quando os urubus se reuniam em bando no espaço e o bando ficava circulando por várias vezes seguidas. Nós sertanejos, então, chamávamos a esse fenômeno de “festa dos urubus”. Poderíamos apostar na chuva que logo chegaria. Depois eles se dispersavam, chegava a chuva e alguns deles pousavam em algum lugar descoberto e passavam bom tempo deixando-se molhar como se estivessem se deleitando com á água pluvial nas suas penas ou comemorando o êxito do aviso.

O urubu faz o serviço sujo e livra os habitantes de doenças.

URUBU-REI ( DIVULGAÇÃO).

 

 

  A BARRA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3465   1560. “Após a metade do ...

 

A BARRA

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3465

 



1560. “Após a metade do século XVI, a partir de 1560, os exploradores iniciaram a subida pelo rio São Francisco em busca de novas descobertas”. Atingindo a foz do rio temporário, Ipanema, subiram através do seu leito seco até as nascentes, localizadas  na erra do Ororubá, em Pesqueira, Pernambuco Numa extensão aproximada de 36 léguas e pouco (220 km).

Os desbravadores, exploradores ou sertanistas de Olinda, chegaram primeiro à região,  partindo para o interior através dos rio intermitentes que despejavam no São Francisco. No caso de Alagoas, serviram de estradas para as primeiras fazendas de criação, no sentido foz/nascente, rios e riachos como o próprio Ipanema – o mais importante – e outros como Traipu, Riacho Grande e Capiá.

“Foi exatamente  no ponto de encontro entre os do is rios (Ipanema e São Francisco) que se estabeleceu um núcleo habitacional, onde missionários, colonizadores (sesmeiros, rendeiros, meeiros, compradores de terras) e comerciantes dos centros maiores faziam seus negócios. O local ficou sendo conhecido como Barra do Ipanema, ainda hoje existente”. (Frisos nossos).

O texto acima Fbarra do panema. az parte do livro documentário ainda inédito com o nome de BARRA DO IPANEMA, um povoado alagoano. Livro clássico e histórico que vai surpreender  o mundo cultural de Alagoas.

Aguardemos.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO PRAZERES EM MORRO DO SÃO FRANCISCO, BARRA DO IPANEMA. (IPHAN).

 

  FAVELA MORRO/SERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3464     Favela ou ...

 

FAVELA MORRO/SERTÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3464  

 



Favela ou faveleira (Cnidoscolus quercifolius) é um arbusto ou pequena árvores da caatinga. Tem espinhos  nos galhos, possui folhas recortadas com pelos urticantes. É resistente a seca e protege o solo contra erosão. O nome favela vem das suas vargens de capsulas oleaginosas semelhante as vargens de fava. (feijão selvagem).  Suas folhas e ramos secos podem alimentar rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos, nas secas. As semente podem ser aproveitadas em óleo comestível e farinha rica em nutrientes. A favela ainda é usada pela casca e o seu látex como remédios caseiros tal  cicatrizantes, anti-inflamatórios e no tratamento de feridas.  Convive e prolifera com inúmeras cactáceas como a coro-de-frade, o alastrado, o mandacaru, o facheiro... Jamais falta na literatura vaqueira.

Assim como a urtiga, a faveleira costuma surpreender dolorosamente, os braços desprotegidos dos que andam pelas trilhas ou veredas da caatinga distraídos. Representa um dos motivos de defesa da roupa de couro do vaqueiro. A sua referência está sempre no aboio cotidiano do homem rural. A faveleira com suas folhas rendadas e verdes é bonita no inverno e triste e invisível no verão quando fica quase totalmente pelada,  folhas emurchecidas e o todo cinzento. Quando da chamada Guerra de Canudos,havia muitas faveleiras pelos campos de batalhas. Após a guerra pessoas reconheceram em um morro do Rio de Janeiro, esse tipo de vegetação. Daí o temo ter se alastrado pelo Brasil como moradias  pobres, lugares de  morro e de gente humilde.

Que pena duas coisas: o estigma dos lugares de gente humilde com tanto trabalho, circulação de dinheiro e muito mais sendo chamados de favela como desprezo, como lugares condenados eternamente à zombarias e marginalidade e, do Sertão sair nome de vegetal tão nobre para preencher dicionários populares de não boa coisa. Mas, por outro lado,  a favela nas grandes capitais, como os mocambos, as palafitas, os mangues, formam força de resistência de luta renhida pela sobrevivência, por um lugar ao sol, igualmente a própria favela sertaneja que dá exemplos dignificantes.

Viva a faveleira!

FAVELEIRA (DIVULGAÇÃO).

 

  MARCO DO SÉCULO Clerisvaldo B. Chagas.18 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3463   Em Santana do Ipa...

 

MARCO DO SÉCULO

Clerisvaldo B. Chagas.18 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3463

 



Em Santana do Ipanema, no final do século XIX, foi erguido um cruzeiro de madeira em um dos montes circundantes da cidade, como marco de passagem de século. Ainda hoje o marco está no mesmo lugar, que talvez seja o  segundo. O marco de fim e início de século, tornou-se símbolo religioso e turístico do serrote do Cruzeiro, lugar de onde se avista a mais bela paisagem panorâmica da “Rainha do Sertão”. Posteriormente foi erguida uma capela em homenagem a Santa Terezinha, como motivo particular de promessa. A igrejinha ruiu duas vezes e foi substituída por uma terceira mais resistente. Quem quiser conhecer a paisagem, a capela e o cruzeiro, é somente ter vontade e disposição de subir o monte, ao atravessar o rio Ipanema e pronto.  

Mas também no final do século XX, novamente como marco de final e início de século, foi erguido outro marco, não nos montes circundantes, mas sim, em um dos bairros humildes da cidade; o Bairro São Vicente que fica situado na saída da urbe para a capital.  Trata-se do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e, que ficou quase defronte  do Abrigo de Idosos do mesmo nome do bairro. O santuário foi erguido pela comunidade sob o comando do, então, padre Delorizano Marques. É um estilo diferente dos prédios da região, sendo arredondado e cúpula em vidros  coloridos  que mostram efeitos especiais quando o sol da manhã ou da tardinha lhes atingem.

Não sabemos se, oficialmente, é ponto turístico, mas que esse papel já, vem sendo exercido há muito. Como ainda está muito longe, nem sabemos ainda se haverá outro marco no início do século XXII, pelo menos não estarei mais encarnado para conhecer, porém, esperamos que boas ideias continuem enriquecendo a nossa história. Afinal, não conheço outra cidade que tenha marcadores de séculos diferentes. Então, essas duas referências deixariam qualquer turista, qualquer católico, qualquer historiador satisfeito.

Vamos conhecer?

SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE (LIVRO: 230).

 

  SEGUNDA EDIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3462   Acabo de receber ...

 

SEGUNDA EDIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3462



 

Acabo de receber da Editora, “Instituto SWA”, de Santana do  Ipanema, a segunda edição do livro documentário, SANTANA:  O REINO DO COURO E DA SOLA.  O citado livro cita parte importante da história do Sertão  alagoano, focando os município de Delmiro Gouveia e Santana, especificando as ações coureira do antigo lugar (hoje bairro) Maniçoba/Bebedouro. Essa atividade coureira proporcionou a indústria calçadeira de Santana do Ipanema e alimentou por décadas,  redes urbana e rural de artífices do couro com variedades impressionantes. Esse livro de atos jamais registrados antes, é fartamente ilustrado e detalhista que se encontra  já nos anais da história de Alagoas, à disposição. O livro tem 63 páginas e, para adquiri-lo a preço de custo (ZAP) basta entrar em contato com o autor.

O Instituto SWA, programou com oito escolas do município, trabalhos de leitura, pesquisa, discussões e  entrevistas entre os respectivos alunos e o  autor  do livro esmiunçado. O cronograma aponta para os primeiros 18 dias do mês de setembro. E se Deus quiser, enfrentaremos essa maratona de cultura variando entre as  zonas urbana e rural. Estamos honrados com a participação da escolas: Carrossel, Cleodon Teodósio, José Francisco de Andrade, São Cristóvão (por duas vezes), Professora Sônia Pereira da Silva,  Durvalina Cardoso Pontes e Senhora Santana. Após a primeira fase, virá a Culminância com mais de duzentos alunos juntos. Apresentações finais sobre olhares do Autor. É um intercâmbio que precisa muita  organização e incentivo, não restam dúvidas. Mas a competência docente se encarrega da sua eficiência.

Além dessas ações que serão desenvolvidas nas 8 escolas, o livro também será lançado no Bairro Maniçoba/Bebedouro, como homenagem à família Félix que também movimentava curtumes e a todos que pertenciam a essa atividade econômica e progressista. Provavelmente no mês de outubro, após a maratona cultural nas escolas. Os acontecimentos sob o comando do Editor, Escritor e Jornalista José Malta Neto,  tende a ganhar corpo devido a sua  capacidade de mobilização, dinâmica e convencimento. Isso trará  dividendos impagáveis para a nossa sociedade sertaneja, cujas histórias verdadeiras serão repassadas através do séculos. E não perder a história é não perder a conexão entre gerações.

 

BURROS CARQUEIROS AO ANOITECER. CAPA.

 

 

 

 

 

 

 

 

SOLIDÃO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Sem   nunca encontrar algu...

SOLIDÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460



 

Sem  nunca encontrar alguém disposto à caminhadas, saí margeando a antiga barragem  de Santana do Ipanema.  Eu tinha uma curiosidade sobre as cercas de pedras que cercavam terras nas imediações da barragem. E fui  subindo por aquela estrada de terra  marginal ao rio Ipanema. Estrada boa que parecia rumar para a serra do Poço ou para a cidade de Poço das Trincheiras. Um deserto só. Nem um pé de pessoa aparecia no trajeto. O sol batia na terra piçarrada e de vermelho claro. Quanto mais eu caminhava para o norte, mais solitária a estrada ia ficando. Nem sequer um passarinho cantava ou aparecia nas imediações. Fui encontrando uma cerca de pedra que se prolongava pela margem direita da estrada.  Quando resolvi voltar, já sentindo medo daquele silêncio e solidão onde nunca pisara antes, avistei uma residência.

Era uma casa de alpendre com galinha no terreiro, na margem esquerda da estrada e na margem esquerda do rio. Não encontrei coragem para me aproximar da residência e nem prosseguir a caminhada. Para mim estava vivendo um momento mágico que eu não queria quebrar com informações alguma. Calculei que aquela estrada deveria ter sido trilha dos primeiros habitantes da região serrana de dois ou três séculos atrás. Retornei com certa apreensão pensando em possíveis perigos naqueles esquisitos. A vegetação à direita da ida, ressecada, pelada e que se mostrava por trás da cerca de pedra. A da margem do rio, verde, devido a umidade do leito próximo. A cerca de pedra estava perfeita como ficara no original. havia partes caídas e fui fazendo comparações com cercas de pedras de outros sítios como a das Tocaias, que estavam se desmanchando.

Era uma caminhada muito mais solitária do que a velha estrada.  da esquecimento, porém, havia visto parte da história do Sertão naquele museu  a céu aberto das cercas de pedras feitas por mestres escravos. Naturalmente se pensa que os donos daquelas terras teriam sido pessoas abastadas, pioneiras na habitação do lugar. Mesmo assim, não resisti a um suspiro de alívio ao retornar a BR-316. As surpresas do mundo estão por todas as partes, tanto as boas quanto as péssimas. É bom ter com quem dividir as emoções. 

CAMINHANTE (DEAMSTIME).

 

 

 


  SERTÃO – TAMBOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Estamos nos a...

 

SERTÃO – TAMBOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460

 



Estamos nos aproximando do dia 15 de agosto. Tradicionalmente, limites das chuvas de outono/inverno no Sertão.   “Estamos nos últimos tamboeiros”. A palavra é feminina “tamboeira”, mas sempre foi pronunciada no masculino. São as mandiocas e macaxeiras raquíticas e emurchecidas, que não servem mais para a colheita. No caso acima, expressão alusivas também às últimas chuvas da estação. Aquelas que vão minguando dia a dia até suspenderem totalmente. Claro que é uma linguagem específica de pessoas mais antigas que trazem como surpresa a novidade da ressurreição. A palavra é apenas uma daquelas que estão fora de moda, mas ainda latente.

Este dia 12 de agosto, parece mesmo viver os últimos tamboeiros do inverno. O dia amanheceu nublado, um pouco frio e escuro, mas logo o Sol submergiu entre nuvens e o dia que se mostrava carrancudo, passou de severo a primaveril. Aquele dia que  você olha para o céu e tem vontade de caminhar pelas ruas, pela periferia, pelos campos. Tudo isso, entre a não fama boa do mês de agosto, pelos históricos e a esperança que seja apenas um mês comum e amigo de todos. Os homens podam as árvores das avenidas, enquanto os pardais se animam na fiação das ruas. E mesmo em plena luz diurna, galos cantam pelos quintais da beira do rio. Com a diminuição gradativa das chuvas, a frieza mais rigorosa, procura outros rumos e nós encostamos os casacos.

A Noite não chega de repente como em outras regiões brasileiras.  Mesmo sendo na estação das águas, a tardinha vai chegando lentamente como como quem vai vestir o pijama para dormir. E a noite chega de céu limpo ou com a gaze esbranquiçada com o veto rigoroso a qualquer tipo de estrela. E quando o sertanejo passa a vista pelo céu de fim de inverno, sabe que a madrugada ainda não está de brincadeira porque segue o ditado conhecido “o rabinho é duro”. É assim nesse cenário em que visitarei no próximo domingo, a zona rural margeada pela AL-120. Por coincidência, mais uma espiada no ponto turístico do sítio Barriguda na Pedra do Sapo, não muito distante do Ponto Extremo Sul do município de Santana do Ipanema.

ANOITECER (LEVI SECÚLIO).

 

 

  JURITI Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3459   Não, não é o falecido sap...

 

JURITI

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3459



 

Não, não é o falecido sapateiro de Santana do Ipanema chamado Juriti. Também não é o cabra de Lampião de apelido Juriti. É a ave Leptotila varreauxi) semelhante à rolinha que vive nas matas, bordas de matas, capoeiras e vegetação mais abertas. Mede em torno de 29 centímetros, foi bastante caçada pelo sabor, que segundo caçadores, é bem mais gostosa do que a própria rolinha. Dizem que o seu canto tem o onomatopaico de pupu... Daí, em determinadas regiões brasileiras serem chamadas de Juriti Pupu. De vez em quando, meu pai saía com seus primos para uma caçada de Juriti, porém, não me lembro de ter visto uma  de verdade, nem em minhas andanças pela caatinga, nem morta nem viva nos bornais alheios. Falam que a ave passa muito tempo no chão, catando  sementes. ,

Era um tempo de lazer ou necessidade. Entretanto a lei rigorosa da atualidade, desestimula qualquer tentativa de voltar ao passado da espingarda.  Os que apreciavam as caçadas afirmavam que a melhor de todas é o tatu, opinião, unânime em todas as regiões brasileiras. Mas, em se tratando de aves selvagens, a juriti sempre era apontada como a melhor. Porém, o medo medonho das autoridades, não é o suficiente  para se evitar a caçada clandestina, escondida a sete chaves. As próprias feira livres do Nordeste tentam burlar a vigilância e que de vez em quando motivam manchetes de fragrantes policiais. Nesse caso, a família das pombas, ficam mais quietas e o destaque vem para as denominadas aves canoras que custam fortunas: o canário, o coleira, o galo, o sabiá, o curió...  E assim por  diante.  

Todavia, se o tema é juriti, temos a foto em livro do sapateiro Juriti, que foi bastante conhecido em Santana do Ipanema, pouco antes do seu falecimento. Ficou imortalizado no livro documentário SANTANA:  REINO DO COURO E DA SOLA. Quanto ao cangaceiro Juriti, o belo e cruel do bando de Lampião, foi capturado após o cangaço e jogado ao fogo. E por falar nisso, logo, logo, estaremos lançando pela segunda vez, o livro acima e, desta feita no bairro centro dos acontecimentos Maniçoba/Bebedouro. Parte dos livros será gratuita, parte será vendida. Parcela importantíssima da história de Santana do Ipanema que nunca foi contada em livros.

Entre em contato com autor, pelo ZAP e o terá em suas mãos.

É o meu Sertão velho de guerra!!!

JURITI.