SEGUNDO TURNO (Clerisvaldo B. Chagas, 5 de outubro de 2010)      As eleições gerais imprensaram assuntos relevantes outros que tomavam cont...

SEGUNDO TURNO

SEGUNDO TURNO
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de outubro de 2010)
     As eleições gerais imprensaram assuntos relevantes outros que tomavam conta da imprensa. Acordamos ontem com a tremenda ressaca do pleito que mexeu com todos durante meses e não somente no dia exato do voto. As ruas amanheceram cheias de papéis com o dilúvio liberado pelos porquinhos. Ali na esquina, na praça, nos bares, vão chegando os costumeiros componentes das rodas com os primeiros ensaios do dia. Realizadas as discussões do alto escalão, os plantonistas diários começam a contabilizar o prestígio e o desprestígio local. Quem se fortificou para as eleições de 2011, cujos candidatos a deputado estadual, federal, senador e governador perderam ou ganharam. Muitas decepções daqueles que se julgavam fortes, imbatíveis, eternos. Os derrotados começam a procurar culpados nas traições dos seus assessores e cabos eleitorais. Rasgam a cabeça puxando os cabelos pela perda do úbere farto da vaca política. Fui avisando com os ingratos, com os que prometem e não cumprem, com os espalhadores de pedra: o mundo é redondo. E como a famosa piada pornô, falta de aviso não foi. Muitos estão sem dormir direito porque ainda não acreditaram na surpresa que de vez em quando o povo faz. Os que conseguiram passar para a terra onde corre leite e mel, estão vibrantes, felizes, nadando na festa de sons, uísque e foguetório que bem caracterizam essas ocasiões. Nas periferias das cidades, nos povoados, nos sítios, os grupos que desafiaram as leis, ainda estão mobilizados esperando novas investidas financeiras no segundo turno.
     A curiosidade agora é para vê se fulano ou beltrano tem a coragem de sair candidato a prefeito sem o seu deputado no círculo dos vencedores. Será que os estaduais, federais e senadores, fora da ciranda, vão honrar os compromissos de ajuda aos pretensos candidatos a prefeito? E os jubilosos também honrarão os compromissos? Dizem os espertos que político não dá prego sem estopa. No Sertão, muitos tem vontade de comandar do gabinete da prefeitura, mas sabem que uma eleição, hoje, para prefeito, está terrivelmente inflacionada. Com quem pegar o dinheiro do povo para estuporar, senão com os candidatos do “alto clero”. Quem tem o destemor de meter a mão no próprio bolso para gastar os trocados, frutos do suor? Ninguém. Todos querem ser prefeito atirando com a pólvora alheia.
     E os grupos municipais de apoio, vão sentindo que perderam o federal e ganharam o estadual ou vice- versa. Outros perderam ambos. Os planos dos pretensos candidatos a prefeito, entre vitórias e cacetadas, estão congelados para novos balanços. Ainda resta o apoio dos que irão se eleger a governador e a vice. Até o dia 31 de outubro, todo plano para o futuro ainda é precipitado. Porém, as próximas eleições municipais, tudo indica, mostrarão um poder renovador nunca visto antes, cheio de caras novas no Executivo. Quem viver verá. Vamos ao SEGUNDO TURNO.

DIVIDIR O BOLO (Clerisvaldo B. Chagas, 4 de outubro de 2010)      Levando em conta o tamanho desse país continente, suas diversificações re...

DIVIDIR O BOLO
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de outubro de 2010)
     Levando em conta o tamanho desse país continente, suas diversificações regionais e seus recônditos peculiares, o brasileiro pode se orgulhar dessas eleições. As dificuldades encontradas, principalmente na grande região Amazônica onde toda distância é um mundo e os meios de transportes aquáticos, a velocidade com que foram apuradas as urnas e transportados os resultados para a central marcaram uma grande vitória de organização. O avanço tecnológico das urnas eletrônicas é de deixar qualquer país do Hemisfério Norte com inveja e admiração da eficiência e da rapidez nas apurações. Podemos afirmar sem medo nenhum de erro que as partes tecnológica, organizacional e mesmo a social, deixaram um amadurecimento importante, evolutivo, salutar e equilibrado, permitindo ao povo brasileiro entrar numa era de plenitude durante a escolha dos seus representantes. É inacreditável que esse país pudesse dá conta com ordem e tranquilidade de um acontecimento tão significativo nesse dia maior. Os formidáveis exemplos de organização, tranquilidade e democracia, devem tocar fundo nas feridas de arroubos da América do Sul e Caribe. No mínimo, deixarem pasmos os Estados Unidos e União Europeia.
     Em Alagoas mesmo, a serenidade do pleito, deixa pelo menos uma esperança de um novo comportamento do mundo político. Parece que uma série de medidas que antecederam as eleições por parte da Justiça, da polícia federal, da OAB, dos movimentos populares, começa a fazer efeito na capital e no interior. É sabido que uma peneira grossa ainda deixa passar bastantes caroços. Mas pelo que deslumbramos, parece que houve certo aprendizado que deverá ser incluído nas próximas administrações executivas e parlamentares. Ainda que esses indesejáveis grãos tenham conseguido escapar da peneira grossa, a continuação dos vícios não deverá acontecer mais em toda plenitude. Isso, se levarmos em conta as novas e constantes intervenções das classes acima, pela moralização que se faz desejada para abreviar o nosso equilíbrio.
     Por outro lado, a decisão que se realizará no segundo turno ─ apesar de muita conversa batida dos candidatos ─ promete. Pelo menos na disputa pelo governo estadual, poderão ser arrancados compromissos que beneficiarão o povo e em particular aos servidores. Sem definições sobre precatórios e reajustes salariais, dificilmente o candidato levará os votos dessa classe massacrada pelos que fazem o poder. Agora é a vez dos servidores pressionarem os dois sobreviventes pelos compromissos escondidos do primeiro turno. E assim, entre eleições de quatro em quatro anos, pode ser que pingue alguma coisa interessante para os que já sofreram tanto. E o melhor: os tempos de promessas parecem estar acabando. É bem possível que estejamos entrando na era do comprometimento. Hora de DIVIDIR O BOLO.


ENGOLINDO O EQUADOR (Clerisvaldo B. Chagas, 1º de outubro de 2010)      O mundo velho e o Velho Mundo vão-se agitando na mexida econômica q...

ENGOLINDO O EQUADOR

ENGOLINDO O EQUADOR
(Clerisvaldo B. Chagas, 1º de outubro de 2010)
     O mundo velho e o Velho Mundo vão-se agitando na mexida econômica que ultimamente vacila na corda bamba. Para nós, latinos, parecem incríveis os movimentos de ruas que se tornam violentos nas mais famosas capitais europeias. Insatisfeitos, as multidões invadem as principais avenidas de Paris, Atenas, Londres, Roma e outras mais descobrindo o véu do engano civilizado. Isso quer dizer que mesmo no vagão de luxo da espécie humana, os problemas afloram nas cadeiras fofas da primeira classe. Mais de quatro mil anos tecendo uma civilização podia até parecer que o pano já estava pronto. Nós dos arredores, seríamos apenas a periferia, segundo estudiosos que costumam rotular o planeta. Então descobrimos que os casamentos de celebridades não tem muita consistência e são apenas golpes de publicidades para a grande mídia. Não sabemos se isso serve de consolo para os nossos constantes problemas na América do Sul e no Caribe. Como no Brasil o presidente não aceita um terceiro mandato seguido, o país pode passar uma visão de democracia fortalecida graças aos erros do passado. Mas infelizmente não é esse o pensamento de alguns dirigentes do hemisfério.
     É lamentável o que estar acontecendo no Equador, país vizinho, mas que não faz limite conosco. Equador também é um país pobre que luta pela sua sobrevivência e que sempre teve suas questões mal resolvidas em questão de estabilidade. Os que chegam com muita sede, não trazem manejo suficiente, deixando que o entusiasmo cego se transforme em aventura. A primeira coisa que um dirigente perdido faz, é querer acabar com o seu congresso porque não admite que ninguém pense contrário as suas teses que não cabem mais no sistema moderno. Rafael Correa ameaçou retirar uma série de benefícios econômicos dos militares e da polícia, para continuar seu plano de austeridade. Como acabar com direitos conquistados pelos servidores? Até parlamentares do seu partido votaram contra e com razão. Pois, a sombra do Chávez quis e quer dissolver o parlamento.
     Está certo que não queremos mais apoiar golpes na América Latina. A OEA – Organização dos Estados Americanos – publicou resolução de apoio a Correa. Também surge o apoio do MERCOSUL e da UNASUL, mas não é somente o apoio internacional que vai pacificar mais esse episódio que mantém a tradição arcaica do caudilhismo. Arroubos de valentia como a frase que pronunciou no hospital, também vale apenas para jornalistas. Esse negócio, seu Rafael, de sequestrar direitos de pais de família que arriscam a vida constantemente perseguindo marginais, parece não ser boa ideia em nenhum país do mundo. É só o que nos aparece na América do Sul na safra dos parafusos. Frouxos. Quer seguir os maus exemplos? O povo diz: “Quem anda com morcego dorme de cabeça para baixo”. E enquanto o país, politicamente não se faz respeitar, é muito melhor inventar moda para chamar a atenção alheia. É o vulcanismo do atraso ENGOLINDO O EQUADOR.