CARNAVAL DA SEGUNDA (Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2011).           O tempo em Alagoas continua nublado com nuvens cinza. Às vezes ...

CARNAVAL DA SEGUNDA

CARNAVAL DA SEGUNDA
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2011).

          O tempo em Alagoas continua nublado com nuvens cinza. Às vezes nem sequer as folhas movem-se pela falta da mais leve brisa. O calor sufoca dentro de casa, nas ruas, nos automóveis. De vez em quando, pequena e cansada chuva tenta amenizar o mormaço asfixiante. O máximo que consegue é aumentar essa quentura do mês de março. Novamente a capital está ocada como talo de abóbora. Fica fácil enfrentar o trânsito reduzido de avenidas quase vazias. Os bares do centro estão fechados. Os donos, ou estão nas farras do litoral norte/sul ou fugiram da chateação dos poucos bêbedos que ficaram. Pegar umas latinhas só nos postos de gasolina; almoçar, somente em raríssimos restaurantes ou nas barracas do litoral sul. É a segunda-feira de Carnaval pontilhando a terra. Para quem não brinca, visitar o santuário da Virgem dos Pobres é boa opção. É logo ali perto do Extra, numa entrada estreita e ladeirosa que termina na metade da barreira. Está havendo retiro. Os inúmeros agradecimentos por graças alcançadas, estão pregados ao longo da parede que leva ao santuário.
          Na realidade, nesses dias de Carnaval, poucas são as opções de visitas sociais. Em compensação, para quem aprecia a Natureza litorânea, além das lagunas, pode encontrar a majestade dos cenários deslumbrantes. Passeio de jangada na piscina natural da Pajuçara; uma geladinha na praia do Francês; pescaria na barra da lagoa ou boa caminhada pela ilha de Santa Rita deixam o indivíduo na mais completa ordem. Não vamos cair na tolice de sair de casa meio-dia por que o Sol não alisa nem mesmo a sertanejos como nós. Perguntamos a moça que vende coco verde onde está à freguesia, cadê o povo. Ela nos olha com olhar brejeiro, sorriso maroto e responde: “Oxente! O povo, meu senhor, tá nos Carnavá”. Indagamos se não estamos no “Carnavá”. A moça já vai ficando invocada e responde estirando o beiço: “Virche! Não senhor. Os Carnavá é pracolá, ói!” E vai ajudando o beiço com a mão, como quem está varrendo com os dedos.
          A noite chega. O Sol parece ter ficado embutido na escuridão, pois o calor continua sufocante. As pessoas correm ao único supermercado aberto, como prevenção para amanhã. Um funcionário ameaça fechar a porta de ferro. Saem pedidos aperreados dos clientes retardatários. Lá fora, àquela chuvinha mortiça também vai anunciando que o mercado fechou. Os pneus vão fazendo ruídos estranhos pelo asfalto borrifado. Não se ouve uma só música de Carnaval nem dentro nem fora do estabelecimento. A segunda-feira vai-se despedindo meio tristonha, cansada, abatida pelo sufoco climático do dia. E se for para dizer, vou copiar a frase do flanelinha guarda carro:”Tá na hora de pegar o beco”. Adeus CARNAVAL DA SEGUNDA!

PAI É PEIA (Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2011). Queixam-se Maceió e Santana do Ipanema sobre o Carnaval que não consegue melhorar. ...

PAI É PEIA

PAI É PEIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2011).

Queixam-se Maceió e Santana do Ipanema sobre o Carnaval que não consegue melhorar. Deu pena lê a entrevista de uma autoridade da capital falando sobre o assunto. Alegava à pessoa que os foliões haviam esvaziado Maceió em busca de outras localidades. Apontava Paripueira, Barra de São Miguel, Barra de Santo Antonio e Marechal Deodoro como destinos dos brincantes no litoral. Dizia ainda a citada autoridade, ser o Carnaval sinal de praia, além de exaltar as belezas naturais das urbes litorâneas acima. Continuava à pessoa, dizendo que não adiantaria um planejamento carnavalesco para um lugar onde faltariam pessoas para a realização do planejado. Resumindo: reconhecia a falência do Carnaval em Maceió, que ficara restrito a um desfile de escolas de samba. “Ê pai! Pai é peia, mas quando pai tiver na peia, acode pai!”. Esses dizeres sertanejos antigos refletem bem a situação de hoje. É semelhante àquele que diz que na casa que falta pão, todos reclamam e ninguém tem razão. Se formos olhar por certo ângulo, a autoridade está certa no modo de vê o reinado de Momo dessa maneira no “Paraíso das Águas”.
Em Santana do Ipanema, capital do sertão de Alagoas, a coisa é semelhante, amigo velho. Digo Santana do Ipanema, por que não queremos falar de outras cidades interioranas, pois cada uma tem a sua realidade. Por mais esforço que o município faça, os foliões formam seus blocos e na hora “H” partem para cidades ribeirinhas, principalmente Pão de Açúcar e Piranhas. Esta última tem se tornado o principal destino dos que pulam o Carnaval no Médio e Alto Sertão. Os prefeitos Cícero Almeida e Renilde Bulhões não estão errados e não são culpados da falência dos carnavais maceioense e santanense. Com os tempos modernos, uma sucessão de prefeitos em ambas as cidades, foi abandonando a tradição, como se apoiá-la fosse uma cafonice que não ficava bem na era da televisão, do computador, do celular. Abnegados que defendiam sempre o folclore foram-se tornando vozes isoladas e as tradições ficando enfraquecidas até chegar aos nossos dias. Como está havendo um novo olhar sobre o Carnaval no Brasil através do mesmo instrumento que o fez hibernar, voltam cidades como Maceió e Santana do Ipanema a querer requebros dos bonecos mortos por elas mesmas.
Percorremos as ruas e praias da capital nesse domingo (6) e só vimos o vazio. Deve ter acontecido a mesma coisa em Santana do Ipanema. Ao longo do litoral maceioense, poucas pessoas às sombras de barracas de praia. Em Santana, os antigos e bons carnavais dividiam-se em três partes. Durante as manhãs, blocos e mais blocos pelas ruas, inclusive com bandos de caretas. Às quatro da tarde, uma orquestra tocava no centro do comércio para quem quisesse brincar, além do corso, realizado à mesma hora. Na parte da noite, a sociedade divertia-se nos dois clubes rivais, Tênis e Sede dos Artistas. Sempre foi ali o melhor Carnaval do interior. Como os dois carnavais foram exterminados, recomeçar do zero não é nada fácil. Vai ser preciso muita competência para pesquisar, planejar, plantar e fazer brotar o novo. Enquanto isso vamos também pegando roteiros espetaculares que desembocam em lugares paradisíacos dentro desse estado de tantas e tantas praias e coqueirais. PAI É PEIA!.

BRASIL DO PIBÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2011).        Não, não minha comadre. A palavra acima não é o que você pensou. Pibão...

BRASIL DO PIBÃO

BRASIL DO PIBÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2011).

       Não, não minha comadre. A palavra acima não é o que você pensou. Pibão foi apelido dado por um repórter ao referir-se ao nosso extraordinário PIB – Produto Interno Bruto, referente ao ano 2010. O resultado foi tão fantástico que o repórter fez à pergunta a presidenta Dilma, o que ela tinha achado do Pibão. Entendendo na hora e não querendo externar uma alegria doida, Rousseff respondeu apressada que foi bom. O maior resultado do PIB em vinte e quatro anos, quando teve alta de 7,5%. Para nós que sempre acompanhamos o desenrolar do mundo, foi uma alegria tão grande como um gol nosso na Copa do Mundo de Futebol. Com esse resultado, o Brasil passa a ocupar definitivamente um lugar de destaque entre as maiores economias do planeta. Segundo o ministro Mantega, assumimos o sétimo lugar entre as nações, desbancando ─ difícil de acreditar ─ Inglaterra e França; duas nações tradicionais do chamado primeiro mundo, inclusive, a iniciadora da industrialização mundial, Inglaterra. Embora não tenha saído ainda à classificação oficial, ficamos mais ou menos atrás, pela ordem, dos Estados Unidos, China, Japão, Índia, Alemanha e Rússia.
       Por coincidência, chega ao Brasil em cima da bucha, o diretor do FMI, Dominique Strauss Kahn, sendo recebido no palácio do Planalto pela Presidenta, em cuja reunião estava presente também o ministro Guido Mantega. Pois até o poderoso pediu para que o Brasil não crescesse tanto. É dia de festa ou não é? Não se pode passar a vida inteira comendo osso. Deve ter sido também de muita felicidade, para o primeiro-ministro de Timor Leste, a nação jovem da Ásia que fala português e veio pedir ajuda em Brasília. Foi nesse clima que Xanana Gusmão com sua comitiva foi recebido nessa quinta (3) e ficará no Brasil até amanhã (5). Assim o Timor veio fazer intercâmbio na Educação, Justiça, Segurança, capacitação de mão de obra, inclusão social, infraestrutura, e convênios na área militar e defesa. É assim que o Brasil vai ampliando sua atuação significativa em todos os continentes. Para o ministro Guido, a notícia dada pelo IBGE deve ter sido a parte do pão que faltava para preenchê-la com sua própria manteiga sempre virada para cima.
       Como tudo foi somente alegria nessa quinta-feira passada, o restante parece que vai ser entregue ao Rei Momo, para os rebates das celebrações. Felizmente ou infelizmente, a vida é mesmo assim, uma alternância entre a dor e a felicidade. É bom, entretanto, salientar que a oposição é sempre oposição. Carrega o eterno pessimismo das catacumbas. A oposição sublinhada aqui é a dos indivíduos que não enxergam além das suas amarguras e só distinguem em preto e branco, igualmente a touros de arena. Mesmo nada caindo em nossos bolsos, estamos satisfeitos em apontar o tamanho do gigante. O melhor frevo desse ano será, sem dúvida alguma, no Carnaval do bloco maravilhado BRASIL DO PIBÃO.