DEU UM BRANCO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2011.           Para comemorar forte antes e no dia da fogueira, os Santos se reuniram...

DEU UM BRANCO

DEU UM BRANCO
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2011.

          Para comemorar forte antes e no dia da fogueira, os Santos se reuniram e sob o comando de São João, vestiram branco, para o combate que se desenhava. O céu do Pacaembu produziu seu enfeite supra com a multidão santista lotando todos os lugares a que tinha direito. Gritos, urros, berros de alegria, davam a certeza de uma vitória que chegaria através do gramado poderoso da capital paulista. O povo do Peixe pressagiava com sua artilharia pesada, uma batalha dirigida contra um grande adversário. E sob o comando da turba ensandecida, os clarões de fogos de artifício mostravam os caminhos iluminados por onde trilharia o esquadrão da vila Belmiro. Os marcadores das arquibancadas vieram depois confirmando a beleza do quadro dessa noite memorável quando uma névoa decorativa tomou conta da paisagem esplendorosa. O Rei Pelé estava ali contemplando a cena, dando a força da sua presença, remoendo o passado de glórias santistas que impressionaram o mundo. Outras personalidades lotavam os camarotes juntos com a multidão contemporânea que iria coroar mais um rei no aguerrido time da vila.
          E sob o comando do velho feiticeiro do futebol, Murici Ramalho, o Santos não vacilou, não tremeu nem temeu diante da força e fama do seu rival. As cores do DETRAN do time uruguaio em nenhum momento foram terríveis como vinham sendo na campanha massacrante da América do Sul. Encolheu-se, perdeu força, sumiu com sua formosa garra massacrante. Sob o comando de Arouca que estava um furacão, Ganso, cuja simples presença levanta o moral da tropa e, Neymar que, mesmo não estando nos cem por cento das inspiradas atuações, é o novo rei, o Santos inteiro produzia. “A diferença técnica entre os times era gritante. O Santos, agora, tinha espaços para matar o jogo. O Peñarol tinha dificuldades para sair jogando. Não parecia possível o título escapar. Absolutamente”. O Santos não dava oportunidades, muito melhor, trocava passes e deixava na roda seu antes temido adversário. Enquanto isso, nas arquibancadas, a multidão enlouquecia ainda mais. Arouca apareceu em desabalada carreira. Tabelando com o companheiro Ganso e Neymar brinda a torcida com o primeiro gol, fazendo o delírio dos presentes no estádio. A porteira do tricampeonato estava aberta. Na vez de Danilo este disparou pela direita deixando o marcador e por dentro entrou para a história. Pé esquerdo na bola, canto direito do goleiro e novamente explosão da fiel torcida.
          Nem o gol contra, nem o juiz argentino, nem o ensaio de violência dos uruguaios, impediram a vitória do Santos. Abraços, beijos e vibrações que pareciam colar o torcedor nas arquibancadas, o desabafo de Pelé, a quebra da timidez de Ramalho, a entrega do prêmio aos jogadores e mais a estupenda vitória, foram coisas grandes em relação a troca de socos e pontapés entre alguns jogadores. Brasil cala o jornal inglês que disse que o futebol do Brasil estava morto. Pois o morto irá em breve ao título mundial. Enquanto isso entristece o Peñarol na noite dos Santos, no dia de Corpus Christi e na noite de São João. Com esse tão divino patrocínio assim, mais o alvor do terno santista, para o time de Montevidéu, não poderia ter sido de outra forma, simplesmente DEU UM BRANCO.


O CHOCALHO DA ONÇA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2011 .             A lenga-lenga da OTAN continua rodando como dança de peru. Ass...

O CHOCALHO DA ONÇA

O CHOCALHO DA ONÇA
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2011.

            A lenga-lenga da OTAN continua rodando como dança de peru. Assanhada pelos Estados Unidos que empurraram os parceiros na briga e negaram o corpo no embate, a Organização não sabe o que fazer em relação à Líbia. Todos sabem que o caminho correto através das armas, é uma invasão terrestre para pegar a muque o dirigente Líbio. Entretanto, ela ainda teme uma desmoralização ao adentrar esse território ou os gastos excessivos que terá que dispor numa invasão por terra. Com a Europa parcialmente quebrada, entra-se num baile sem roupa, com arrependimento durante e posteriormente. Ataques aéreos da OTAN na madrugada dessa segunda-feira (20), segundo a agência oficial Jana, mataram oito crianças e onze adultos. Parece que a cada momento e delongas da Organização, o homem da Líbia vai ficando mais resistente como carcaça de jabuti. A população aterrorizada vai pagando os pecados, tanto de um lado quanto do outro. O ditador e família não têm pena de sua gente, conduzindo-a ao sacrifício, formando escudos humanos para aumentar a carnificina. Quanto mais vítimas inocentes dos ataques aéreos, melhor o grito da matança para o mundo todo ouvir. O governo da Líbia vai costurando como pode suas estratégias mesquinhas para não deixar o poder. Do lado dos atacantes, os cabras vão fazendo como já dizia os mais antigos nordestinos: “Quem tem pólvora pouca não atira em anum”, pássaro preto ou branco do Sertão, bem difícil de ser atingido.
            Assim o tempo vai passando sem uma definição da guerra, cujo alvo diz que anteriormente os atacantes mataram cinco crianças entre seis meses e oito anos de idade, além de dez adultos, entre eles, marroquinos e um sudanês. Quando se anuncia a morte de pessoas de outras nacionalidades, também se usa uma estratégia de comoção dos países citados, como forma de atrair nações em favor dos supostos oprimidos. As bombas continuam caindo, destruindo prédios, mas pelo visto, reforçando a intransigência de Muammar. Então vem a conhecida história da onça que comia os bezerros das fazendas. Reunidos, os fazendeiros descobriram um jeito de alertar a todos quando a onça estivesse por perto. Seria colocar no felino um bom chocalho pernambucano. Sim, a ideia era ótima, mas quem iria colocar o chocalho na onça?
           E como dizem que “em tempos de guerra, notícias são como terra”, correm também as verdades, os boatos, às mentiras pelas rochas, pelos areais, pelos ares, enganando ouvidos cansados de vítimas sem nexo e sem rumo. O regime de Trípoli acusa a OTAN de ter matado 40 pessoas em seus ataques últimos na Líbia. Os atacantes tentam destruir depósitos de armas e terminam atingindo aglomerados civis. Às vezes a OTAN emite notas lamentando os erros, mas adianta alguma coisa? Os mortos voltarão à vida com essas desculpas friorentas?
          Ninguém sabe como esses sopapos da OTAN vão terminar. Eles criaram o monstro e agora querem eliminá-lo. Já sabiam desde muito cedo a história do guizo no felídeo. Até agora, entretanto, ficam somente por cima; ainda morrem de medo quando ouvem o CHOCALHO DA ONÇA.


SERÁ O BENEDITO! Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2011 .           Esse negócio de Brasil no Conselho Permanente da ONU vai apertando...

SERÁ O BENEDITO!

SERÁ O BENEDITO!
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2011.

          Esse negócio de Brasil no Conselho Permanente da ONU vai apertando cada vez mais, cingindo o pescoço dos donos da Organização das Nações Unidas. Isso é como aqui mesmo em Alagoas, Santana do Ipanema e Nordeste brasileiro. O sujeito passa um tempo em certo estabelecimento público ou misto, vai se acostumando ali e daqui a pouco é o mandachuva, o reizinho, o dono do prédio, das coisas, das pessoas que ali trabalham. Pensando sempre que o povo é besta, ali se arrancha a semelhança de ninho de casaca-de-couro; dali enrica vertiginosamente, acha pouco e aprecia ser homenageado, saindo-se como herói. Ai de quem falar! Contar o segredo é ser marginalizado socialmente, por que esse tipo de mafioso também é tremendamente nocivo à sociedade média lutadora.
          Pois são assim os que, após a segunda guerra, desenharam a ONU a seu modo. Ela é de todos, mas não é. Quem manda mesmo na Organização, pasmem, são aquelas mesmas potências cheias de interesses egoístas e suas geopolíticas de interesses dominantes, assim como moça bonita não suporta outra mais bela em seu espaço. Banco Mundial, FMI, são procedentes em todas as saliências onde mãos poderosas podem alcançar. Mas como nada é eterno nesse mundo e, a roda grande começa a passar por dentro da pequena, vai se avolumando a pressão sobre a carcomida ONU, por falta de oxigenação. O simples toque no assunto vai deixando arrepiada os eternos protetores do clube fechado assim como era com o tal G-8 que vive de roupa esfarrapada. Quem perde o crédito perde tudo. E o G-8 levado ao canto da parede de concreto pelas novas forças do mundo, abriu a porta de bronze pelo menos para o G-20, o que ainda é pouco.
          À medida que o assunto tabu vai rompendo o dique da resistência, frases a respeito vão surgindo, pipocando aqui e ali, a ponto de ser iniciativa de conversas mais públicas dos seus mandões. Como seu antecessor que veio ao Brasil, foi assim que chegou o Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Joseph Deiss, nessa segunda (20) para reunião com a presidenta Dilma. Reconhece o senhor Deiss que a ONU não representa mais a realidade de hoje. É preciso preencher vazios que contemplem a América Latina, África e Ásia. Sobre as Américas, os Estados Unidos não querem outro galo em seu terreiro. Pelo continente africano, é a própria UE que recusa a pobreza no poder. E especulando pela parte asiática, a China fecha a cara para a concorrência.
          Os problemas do mundo são as questões locais ampliadas. Os donos daqui são como os donos de lá; os “manés” daqui são como os “manés” de lá, escritos assim mesmo como letra de samba carioca. E se o mandão diz que “faz dezoito anos que se discute isso”, achamos que a discussão já atingiu a maioridade. Já pode ser presa e processada, ora bananas! Pois abram alas, velharias, que o Brasil pede passagem com Lampião, padre Cícero, Zumbi, Dilma Rousseff ou Chico Xavier. Índio quer assento na ONU, Já! SERÁ O BENEDITO!