O MOTEL DE SÃO JOSÉ Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2018 Escritor S ímbolo do Sertão Alagoano Crônica 1917 12 anos abandona...

O MOTEL DE SÃO JOSÉ


O MOTEL DE SÃO JOSÉ
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1917
12 anos abandonado. (Foto: B.Chagas).

Perdão, amigo. Não quisemos dizer que o motel pertence a São José, mas ao Bairro São José. Até porque o pai de Jesus sempre foi citado como um homem trabalhador, cidadão de bem e merecedor do seu papel na história. E quando falamos em Bairro São José, estamos nos referindo ao bairro humilde, zona oeste de Santana do Ipanema, Alagoas. O lugar teve início com um conjunto habitacional da COHAB, onde havia uma vasta plantação de agave, em algumas regiões denominada sisal. Do agave se faz a corda, bastante fabricada e em uso nos interiores. Com a expansão do bairro surgiu o Posto de Saúde São José que atende também às pessoas do Clima Bom, Barragem e Camoxinga. Atualmente o posto funciona em prédio particular onde aguarda há 12 anos a conclusão do edifício próprio, seu vizinho.
Foi essa espera de 12 anos que o tempo fez cobrir de mato, trazendo, cobras, ratos, baratas e mosquitos para o terreno. Enfrentando esses bichos todos, a marginalidade fez do prédio um motel clandestino e esconderijo arretado, onde o lixo fazia a proteção.
Ontem, para surpresa da comunidade, homens e máquinas trabalhavam no prédio abandonado. Enquanto uns extirpavam o matagal, outros rebocavam o muro externo, trazendo uma expectativa alentadora de sertanejo: “agora a coisa vai”, diziam os passantes.
Na verdade, além da extirpação da mazela que provoca insegurança a todos, o Posto de Saúde São José poderá trazer mais dignidade aos moradores da região. Médicos e funcionários precisam de um lugar decente para atendimento. A clientela precisa o mínimo de conforto enquanto aguarda a sua vez.
O Posto de Saúde poderá também ser ponto de referência importante, tanto para a Medicina quanto para o orgulho/cidadão. Irá se juntar aos outros nomes de peso no Bairro, como a Escolas Professora Helena Braga, Durvalina Pontes, Corpo de Bombeiros e à própria Igreja de São José.
Esperamos comparecer à inauguração, pois “águas passadas, não movem moinho”.

12 anos de abandono. (Foto: B. Chagas).

ONDE ESTÃO OS BIÓLOGOS? Clerisvaldo B. Chagas, 6 de junho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.915 Barragem: ca...

ONDE ESTÃO OS BIÓLOGOS


ONDE ESTÃO OS BIÓLOGOS?
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de junho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.915
Barragem: campo de pesquisa. (Foto: B. Chagas).

Com a construção da rodagem representante da BR-316 – trecho do Sertão – veio também um arrojado empreendimento para Santana. Foi erguida uma longa ponte sobre o rio Ipanema, tão bem feita que nunca aconteceu um reparo desde 1951. Tornou-se obsoleta porque é estreita, murada baixa e perigosa com alto relevo para passagem de pedestre (um de cada vez) estreitinha e caduca. Ali foi concluída também uma barragem para abastecer Santana do Ipanema. Com a chegada da água encanada do rio São Francisco, a barragem ficou completamente abandonada. Tanto é que o assoreamento tomou conta e surgiu uma compartimentação vegetal que ocupa toda a área da barragem antiga e sobe o rio em cerca de 2 km de extensão.
Estes vegetais se adaptaram bem à areia grossa e água salobra onde estabeleceram ali o jardim particular no leito seco do rio Ipanema. A continuidade do assoreamento nas cheias esporádicas e o movimento das máquinas na exploração mineral imprensaram os canais em que se divide o rio. Prolifera na área a vegetação rasteira, arbustos e árvores de consideráveis tamanhos. Além da vegetação adaptada, a fauna se apresenta com inúmeros animais como formigas, besouros, aranhas, lagartas, sapos, rãs, teiús, raposas, serpentes e um sem número de aves que frequentam árvores e poços. Não seria a Barragem um laboratório espetacular para biólogos, estagiários, geógrafos e outros pesquisadores?
Comadre, verdade seja dita, nunca encontramos um professor de Geografia, um só biólogo, nem sequer um estudante pesquisando na área. Será que eles preferem o Canadá, a Alemanha, os Estados Unidos? Assim a Natura sertaneja se apresenta com serras, riachos, lagoas, banhados que gritam todos os dias por esse povo, em vão. Quem sabe se não encontrariam novas espécies, animais raros, descobertas espetaculares... Se os cabeças não convidam, não há discípulo. As quatro paredes continuam acorrentando talentos.
Compreendemos que existem outras coisas mais importantes, mas não é crime indagar: onde estão os biólogos?




APA: ANTES TARDE DO QUE NUNCA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.915 Serra ...

APA: ANTES TARDE DO QUE NUNCA


APA: ANTES TARDE DO QUE NUNCA
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.915
Serra da Caiçara em Poço das Trincheiras. Foto: (B. Chagas).

Entre a modernidade devastadora e a cumplicidade ignorante, vai o Sertão com o Brasil perdendo sua vegetação nativa. Aqui, acolá se ouve sobre a ação benéfica do homem, como um pedido de oração que demora. Um socorro que poucas vezes ou nenhuma vem à frente do problema, mas sempre chegando por trás como galo de terreiro. Sem contar com o incentivo governamental que ocorreu nos anos 60 sobre o desmatamento. Mas como tudo em nosso país é devagar e troncho, anuncia-se a criação da APA da serra da Caiçara, cuja parte do lombo mais significativo encontra-se no município de Maravilha. Ainda bem que pelo menos se conserva o antigo nome Caiçara, já chamado de serra da Maravilha.
A serra da Caiçara possui 839 metros de altitude e só perde para a serra da Santa Cruz e a serra da Onça, novo ponto culminante de Alagoas, também no Sertão. A criação da Área de Proteção Ambiental – APA visa proteger o que ainda resta da área da serra do citado município e áreas dos municípios vizinhos como Canapi, Ouro Branco, Poço das Trincheiras e Santana do Ipanema. Com esta ação do IMA, poderá acontecer a proteção tanto da fauna quanto da flora ainda existente, extensiva aos mananciais e sítios arqueológicos. Quando existe total proteção do estado o empreendimento é bem-vindo, mesmo em muitos casos de desmatamentos que arrasam o bioma caatinga. Antes tarde do que nunca.
Outras serras sertanejas são mais modestas e giram em torno dos 500 aos 700 metros de altitude. Entretanto, são montanhas importantes e arrojadas que exercem no bioma as mesmas funções da serra da Caiçara. Possuem as últimas reservas de caatinga, refugiam os animais, são nascentes de riachos, pulmão verde das cidades próximas e fontes de pesquisas para inúmeras áreas do Saber. Algumas são usadas pelo homem para instalação de  aparelhos de comunicação e possibilidade de usinas eólicas.
Atualmente, as serras do Sertão vão aos poucos sendo descobertas para caminhadas, paisagismo e escaladas que não sendo sob controle, podem afetar ainda mais a situação ambiental.
E sobre a serra da Caiçara, o tempo trará os resultados.