ESPIANDO A BARÃO DO RIO BRANCO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.325 (FOTO...

ESPIANDO A BARÃO DO RIO BRANCO


ESPIANDO A BARÃO DO RIO BRANCO
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.325
(FOTO: LIVRO "230"/ DOMÍNIO PÚBLICO).


Vemos na foto abaixo, a matriz de Senhora Santana, em 1920. Foi construída em 1787 e reformado em 1900. Portanto, a igreja se apresenta 20 anos após a primeira reforma. A sua frente parece ainda não possuir calçamento, mas observe que existia o casarão (lado direito da Matriz) que hoje é o Museu Darras Noya onde residiram o fundador da primeira banda de música da cidade e do teatro santanense, major Queirós e, o primeiro médico de Santana Arsênio Moreira. Os demais prédios fazem parte da Rua Barão do Rio Branco que se estende daí da vizinhança do museu e desce a colina até a Ponte Cônego Bulhões, sobre a foz do riacho Camoxinga. O terreno mais preto da foto, defronte a igreja, ainda é baldio e somente ganhou praça na década de 30, com o nome político João Pessoa. Note um cidadão se dirigindo à matriz, traje branco e chapéu à mão, mesmo antes de chegar ao templo.
A Rua Barão do Rio Branco era quase toda de residências com algumas exceções como o comprido hotel de Maria Sabão, armazém de Pedro Agra (que vendia cal), a loja de tecido de Manoel Celestino Chagas, mais abaixo. Com a evolução as moradas viraram minoria. O hotel foi demolido, indo para o “casarão de esquina”, ao lado esquerdo da igreja (ausente na foto), 10 andar e com o nome “Hotel Central”, esse hotel da proprietária a vulgo Maria Sabão, foi o mais falado de Santana. A loja de tecidos de Manoel Chagas, subiu a colina e foi parar na primeira casa da Rua Barão do Rio Branco que se vê na fotografia. A transformação foi enorme. Tudo passou a ser casas comerciais e até demolidas duas ou três residências para construção do cinema de alto luxo Cine Alvorada.
Formou-se na parte inferior da Rua, parte mais estreita, uma fileira de armazéns como o dos senhores Pedro Melo, Idelzuíto, Dioclécio Cavalcante, que vendia cereais transportados antes por carros de boi. Ficou essa parte conhecida como “Os Armazéns”. Houve muita evolução desse comércio até o presente momento, mas a parte mais estreita da rua, nunca foi alargada, dando muito trabalho ao trânsito e a transeuntes. Até as famosas casas comerciais “Lojas Guido”. “Ricardo Eletro”, “Casas Bahia” e “Lojas Americanas” se instalaram na histórica Rua Barão do Rio Branco.
Leia um pouco sobre o Barão, uma das maiores figuras do Brasil.




VISITANDO ÀS FAZENDA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.324 SENTADO NUM PEL...

VISITANDO AS FAZENDAS


VISITANDO ÀS FAZENDA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.324
SENTADO NUM PELA-PORCO. (CRÉDITO: Andredib.com.br.)

No alpendre de todas as fazendas sertanejas nordestinas, teve lugar garantido o “banco pela-porco” ou “banco de pelar porco ou ainda simplesmente o “pela-porco”. Trata-se de um banco em forma de pranchão, entre 4 a 5 metros de comprimento, com largura também variável, em média, 40 cm. É feito de madeira nobre entre craibeira e baraúna, muitas vezes passando dos cinco centímetros de espessura, quando novo. Sua durabilidade vai para mais de duzentos anos, o dono morre, o banco fica para netos e bisnetos. Não é fácil fazer conserto e ele vai se deteriorando com o uso e com a longevidade. O seu nome vem do fato em que era usado como lugar para pelar com água quente, o porco abatido na fazenda.
Ele é quem recebe o viajante cansado como primeiro contato externo da casa. Nele os seus donos contemplam os arredores, no estio e, nos tempos chuvosos, observam e sentem as chuvaradas cantando no telhado e chegando no terreiro. Avista-se dali quem se aproxima da moradia e é usado para várias tarefas domésticas como debulhar feijão- de-corda, por exemplo.
É respeitado por todos os visitantes e ladrões que sempre os deixam em paz.
Os bancos já acomodaram os fundilhos de Lampião, forças volantes, vaqueiros e rastejadores.
Móvel tradicional rústico e multiuso.
Não sabemos dizer se existe algum exemplar no Museu Darras Noya, em Santana do Ipanema.
O banco pela-porco é o móvel e o lugar mais querido e respeitado da casa-grande. E se quer saber, mesmo com todo modernismo, continua em voga nas casas sertanejas.

Foi num banco pela-porco
Que comecei meu namoro
                              Ela com saia rodada
                              Tecido da cor de ouro
                              Eu em traje de vaqueiro
    Perneira e chapéu de couro.

Talvez o banco mais notável de Santana do Ipanema tenha sido o do alpendre da casa do senhor Lulu Félix, no Bebedouro onde o doido Justino tinha sentadas. Lulu era conhecido como contador de casos, mentia com arte para divertir a todos. Justino, barbudo que fora jogador de futebol do Ipanema, diziam os mais velhos um terror para a criançada.


 


LAMPIÃO E OS MÉDICOS DE SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 2.324 DR...

LAMPIÃO E OS MÉDICOS DE SANTANA


LAMPIÃO E OS MÉDICOS DE SANTANA
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica; 2.324
DR. ARSÊNIO MOREIRA (FOTO: MUSEU)

DR. CLODOLFO. (DIVULGAÇÃO).

Antes da década de 20, Mata Grande, cidade serrana do sertão de Alagoas, tinha grande prestígio no interior originária da influência de ter tido um governador alagoano. Havia ali certa estrutura de combate a grupos cangaceiros. Em vista disso foi contratado o médico baiano, ainda jovem, Dr. Arsênio Moreira da Silva para servir às forças naquele núcleo sertanejo. Quando foi criado o 20 Batalhão de Polícia com sede em Santana do Ipanema, de combate ao banditismo, o Dr. Arsênio Moreira veio servir em Santana, tanto no Batalhão quanto em consultório particular. Foi o primeiro médico de fora a clinicar na minha Terra.  Influência indireta do bandido Lampião. Não há uma só pessoa que o conheceu em Santana que não faça rasgados elogios ao médico desde a sua educação, coração bondoso e serviços prestados. Quando da fundação do primeiro hospital da cidade, o nome escolhido para a fachada foi o do ilustre médico baiano. Foi ele com as volantes até Angicos, após a morte de Lampião, examinar o frasco de veneno que o bandido conduzia no bornal.
Quando Lampião invadiu a zona rural de Santana do Ipanema, fez uma família mudar-se para a sede.  O senhor Marinho Rodrigues, proprietário rural, tornou-se comerciante de secos e molhados no “prédio do meio da rua”. O seu filho Clodolfo Rodrigues de Melo foi encaminhado aos estudos, conviveu com o contista Breno Accioly, tornou-se médico e veio clinicar na sua terra. Foi o primeiro médico de Santana filho da “Rainha do Sertão”. Faleceu recentemente com mais de 80 anos. O segundo hospital de Santana o homenageia com o seu nome na fachada.
Arsênio atendia no casarão onde hoje é o museu. Clodolfo tinha consultório na própria residência, na, hoje, Praça Senador Enéas Araújo. Foi assim que o cangaceiro Lampião, praticando o mal, fez o bem sem saber a Santana do Ipanema com os médicos ilustres que muito bem serviu a terra de Senhora Santana.
Existe um trecho de avenida com o nome de Arsênio, mas ele perdeu o título do primeiro hospital após o seu fechamento. A sua foto que pertencia aquela unidade hospitalar, encontra-se atualmente no Museu Darras Noya, lugar onde morou e clinicou;
Nota. Em foto antiga de Santana, domínio público, aparece um senhor de branco no serrote do Cruzeiro, ao lado de outras pessoas. Descobrir por acaso, que se trata do Dr. Arsênio, já com seus 40 a 55 anos. Livro “230 Santana Iconográfica”, sessão Nostalgia. Relíquia da nossa história.