UMA VITÓRIA MAIÚSCULA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de novembro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.418   INICIA-SE...

 

UMA VITÓRIA MAIÚSCULA

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.418

 

INICIA-SE mais um capítulo na história de Santana do Ipanema. A Capital e Rainha do Sertão acaba de eleger a prefeita atual Christiane Bulhões por mais quatro anos à frente dos destinos do município de Santana do Ipanema. Assim a médica Christiane inicia muito bem sua carreira política.  De vice-prefeita do seu pai, Isnaldo Bulhões, assume a cadeira titular com a passagem do pai e após meses no cargo de prefeita, se reelege diante da concorrência política de seis adversários no quais um ex-prefeito e monta na vitória com galhardia e fibra de mulher guerreira. Doutora Christiane, filha do prefeito Isnaldo Bulhões, eleito por duas vezes e da senadora Renilde Bulhões, eleita também por duas vezes como prefeita e primeira mulher a governar Santana, arrastou multidões de votos e consolidou a vitória completamente absoluta nesta atípica corrida eleitoral.

Não podíamos negar um voto de confiança à família que transformou Santana do Ipanema em verdadeira Capital do Sertão. As inúmeras obras físicas e sociais que ornamentam a nova Santana do Ipanema e os constantes trabalhos de elevados níveis, credenciaram o eleitor a votar em quem trabalha. Um reconhecimento que deverá ser o guia nas próximas eleições sertanejas, cujos eleitores não acreditam mais em falácias nem tampouco candidatos administramente preguiçosos rumo à prefeitura. O lado governado agora despertou de uma vez na escolha dos seus representantes, ato este que aconteceu na maioria dos municípios sertanejos. Pesquisa individual e particular feita por nós ouvindo comerciantes, mototaxistas, motoristas profissionais, professores, gente da Saúde, feirantes e tipos populares, não eram negados os elogios à gestão que transformou a cidade em canteiro de obras.

Os demais candidatos bem exerceram a democracia dando opções ao santanense atento. Enriqueceram o pleito convergindo os ideais de melhorias para uma Santana grande. Não houve derrotas, mas sim uma festa democrática em que todos os atores mereceram os aplausos do povo sertanejo. Entretanto o louro dos feitos coube à cabeça de Christiane Bulhões na quinta edição que tradicionaliza à família política da Terra de Senhora Santana.

O companheiro Iury Pinto empresário filho do professor José Pinto Araújo e professora Zélia Araújo, ensaia com êxito uma vida nova na política como vice-prefeito e com certeza tomará gosto pela administração pública, surgindo como uma renovação nos valores da política Século XXI.

Ontem Santana anoiteceu com um profícuo e esperançoso porvir. PARABÉNS À CHAPA CHRISTIANE BULHÕES E IURY  PINTO. Os céus iluminem essa caminhada. DEUS NO COMANDO.

 

  BANHA DE PORCO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de novembro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica :   3.417 Estamos vivendo...

 

BANHA DE PORCO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:  3.417


Estamos vivendo a crise de preço dos óleos de cozinha. Antes desses óleos industrializados, sempre usávamos em nossos sertões, a banha de porco para os cozimentos alimentares. Para isso, os produtores criavam nas fazendas, nos sítios e nos quintais urbanos dois tipos de porcos onde não se usavam os nomes científicos das espécies. Eram simplesmente chamados porco baé e porco do focinho grande. Ambos eram alimentados com lavagem, abóbora, soro do leite, grãos e qualquer resto de alimentos jogado na lata de lavagem que era o líquido de água usada e esses restos de inúmeros alimentos. O porco Baé, menor, arredondado, focinho curto, bom comedor e engorda rápida. O porco do focinho grande, maior e mais comprido, era muito ruim de desenvolvimento para o abate.

Dos porcos abatidos artesanalmente aproveita-se a carne e a banha que serviam para fazer torreiro e para cozinhar os alimentos das casas sertanejas. Torreiro e não torresmo de “praciante” besta. Em Santana do Ipanema, seu Antônio (?) Simões, na ponte do Padre, era famoso vendendo torreiro na sua bodega bem localizada com esse produto delicioso e nutritivo. O senhor (?) Santana, no final da Rua das Panelas, também vendia torreiros saborosos. O segredo era metade carne, metade couro, passados na banha de porco. Outras pessoas também produziam essa delícia sertaneja. Até as padarias compravam banha em latões para o fabrico de suas iguarias.

Seu João Soares, no bairro Monumento era mestre na produção e venda de torreiro, banha e carne de porco até para exportar. Aliás, a banha de porco que o Sr. João Soares exportava, nem precisava testes de compradores como faziam com outras. A sua honestidade e dignidade falavam por si na alta qualidade da banha que produzia. O saudoso João Soares Campos chegou a montar um açougue muito moderno para a época, na esquina do beco do Mercado de Carne, público. Quando a medicina condenou a banha de porco em defesa de óleo industrializado, tudo mudou, a banha desapareceu do mercado. Mas, com o novo conceito medicinal, a banha de porco está voltando à praça, vendida nas feiras camponesas e mesmo em supermercados. O porco baé e o de focinho grande, foi substituído pelo suíno gigante, amarelo e comprido, criado com as mais avançadas tecnologias. O povo do Sertão chama esse novo porco criado para a indústria de “porco galego”. Mas a banha de porco voltou com força ao mundo doméstico em condenação aos óleos e elogios a banha para a saúde do povo brasileiro.

Banha de porco: heroína, Vilã, heroína de novo, IRONIA DAS COISAS.

(FOTO: savegnago.com.br).

 

  A LÍNGUA DA VACA Clerisvaldo B. Chagas, 12 de novembro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.417 O nordestino é mui...

 

A LÍNGUA DA VACA

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.417


O nordestino é muito criativo e também gosta bastante de humor. Basta citarmos mestres como Anísio Silva, Didi, Batoré e muitos outros mais. O sertanejo dessa Grande Região do Brasil tem uma queda e tanta para contar casos e “causos” durante horas seguidas, achando uma boa plateia de interessados. Os longos casos falam sobre cangaceiros, intrigas, amor, assombração, caçada, pescaria, tempos passados... Entrando na verdade, saindo na mentira, isto é, “entrando por uma perna de pato, saindo por uma perna de pinto, Seu Rei mandou dizer que contasse cinco”. Tivemos famosos com o Lulu Félix, o Querubino e vários outros versados na arte de distrair os caros espectadores. Vamos lembrar uma loa:

Alguém deu com a mão e o automóvel parou à margem da pista. Um matuto de chapéu de palha, cumprimentou o motorista e pediu uma carona. O condutor, vendo que o matuto conduzia uma vaca pela corda, indagou: “Como é que senhor quer uma carona? Não posso colocar essa vaca dentro do meu carro”. Respondeu o matuto: “Não se preocupe, meu patrão, a vaca vai amarrada aí atrás no para-choque”. O motorista arregalou os olhos e disse: “o senhor é doido, basta uma arrancada minha para matar o animal. O roceiro voltou à carga: “Qualquer prejuízo eu me responsabilizo, vamos fazer a experiência”. O condutor, então, maliciosamente, mandou amarrar a vaca no para-choque traseiro, riu por dentro e pensou em sentir o mórbido prazer em matar a vaquinha do homem do campo.

Colocou a velocidade mínima, a vaca acompanhou. Foi aumentando gradativamente a velocidade e a vaca acompanhando. Sentindo-se incomodado, o motorista resolveu logo puxar o que o carro continha como velocidade máxima. O roceiro pitava calmamente e sua tranquilidade irritava o condutor. Quando o automóvel chegou à maior velocidade, mais uma vez o motorista lançou o olhar ao retrovisor, alegrou-se e disse: “Sua vaquinha enfim vai entregar os pontos, meu amigo, já colocou a língua de fora”. Então, o roceiro indagou com a mesma paciência de início: “A língua está para a esquerda ou para à direita?”. “Para a esquerda”, respondeu o motorista. O matuto afirmou com segurança: “Pois o senhor vá todo para a direita porque a MINHA VACA QUEBROU A CORDA E ESTAR PEDINDO PASSAGEM. (FOTO. Istockfhoto.com).