BAIRRO SÃO PEDRO Clerisvaldo B. Chagas, 2º de novembro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.422   Apesar de tr...

 

BAIRRO SÃO PEDRO

Clerisvaldo B. Chagas, 2º de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.422












 

Apesar de trazer tantas histórias para os santanenses, o Bairro São Pedro, continua sendo tranquilo com sua vocação para moradas e pouco comércio. Logo no primeiro dia após o pleito eleitoral, teve início a reforma da praça que tem o mesmo nome do bairro e fica defronte a igrejinha do padroeiro São Pedro. A igrejinha, iniciado em 1915, teve suas obras paralisadas e só foi concluída em 1935, com várias forças sociais entre elas a do comerciante Tertuliano Nepomuceno. O Bairro São Pedro abrigou o Fomento Agrícola quando houve em Santana do Ipanema e todo o sertão alagoano o que ficou conhecido como a Revolução do Arado. Pela primeira vez o arado foi apresentado aos sertanejos, trazendo à Santana inúmeros agricultores de Pernambuco para a novidade. As carcas de arame farpado, as novas tecnologias, a palma forrageira, o plantio do algodão, agitou e mudou os nossos sertões. Isso na década de vinte.

O bairro já teve sua fábrica de mosaicos e importantes fabriqueta de calçados pertencente ao senhor José Elias, sendo a porta de entrada e saída para a capital. Tinha uma tradição muito forte das noites de São João, das danças de quadrilha e das missas com o famoso ‘pãozinho de Santo Antônio”. Ultimamente ganhou reforma da igrejinha do seu padroeiro, Posto de Saúde, Biblioteca Pública exclusiva, escolinha particular que se tornou famosa e asfaltamento nas ruas principais.

O bairro expandiu seus casarios até às margens do rio Ipanema, por um lado, por outro, teve grande reforço ao subir até encontrar-se com o Bairro Monumento na região da Rodoviária e saiu se estirando pelo asfalto até os antigos subúrbios Maniçoba e Bebedouro. Inúmeros edifícios modernos residenciais ornamentam o final do bairro em direção a Maniçoba. Mesmo assim, o lugar não possui a agitação do comércio e continua na tradição de moradas tranquilas, lembrando quando ouvia, ao Centro, as badaladas longínquas dos sinos da Matriz de Senhora Santana. Também funcionou no prédio do Fomento Agrícola a Defesa Vegetal, onde abrigava o primeiro tanque de Corpo de Bombeiros de Alagoas e que nunca foi levado para o museu, por ignorância social. São Pedro é santo forte e porteiro do céu, amém, amém, amém.

IGREJA SENDO REFORMADA E APÓS. (FOTOS B. CHAGAS/ LIVRO 230).

 

  CONSCIÊNCIA NEGRA E BRANCA Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.421 Quando o...

 

CONSCIÊNCIA NEGRA E BRANCA

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.421

Quando os primeiros escravos negros chegaram a Alagoas trazidos pelos seus donos, o objetivo era o trabalho nos canaviais. Desde a época inicial de povoamento do estado que a preferência econômica estava baseada na Agricultura, principalmente no cultivo da cana-de-açúcar. Os engenhos multiplicavam-se desde a região do Penedo, no baixo São Francisco, atingindo a zona da Mata, escolhida pelas suas terras férteis para a produção da gramínea forte e alta em que o mundo estava precisando. Sem haver braços suficientes para alavancar a lavoura, os escravos trazidos da África, para os que exploravam a terra, foram a solução para fazer rodar os engenhos trabalhados com eles ou puxados por bois amestrados. Logo. Logo Alagoas era uma grande potência tanto em número de engenhos quanto na produção de cana-de açúcar.

No desenrolar dos fatos, a consciência negra era a mesma de todos os povos do mundo que desejam ser completamente livres. Uma fuga dos canaviais, duas fugas, três fugas e fugas em massa para esconderijos nas matas e nas serras de difíceis acesso. Houve debandadas também em direção ao baixo São Francisco. No Sertão de agricultura de roça e pecuária rústica, o número de escravos foi quase inexistente em relação à Zona da Mata, mesmo assim ainda houve vendas de africanos para alguns vaidosos senhores que tinham mais precisão de mostrarem prestígio de que necessidade. Em Santana do Ipanema, a chamada Cadeia Velha, à Rua Nilo Peçanha, também era ponto de venda de escravos. Entretanto, a descendência sertaneja veio mais do cruzamento branco e indígena gerando o caboclo ou curiboca.

A consciência branca em geral era que negro não tinha alma, não era gente e fora designado pela Providência para servir ao branco. As aglomerações de negros fugitivos ganharam as altas serras da Zona da Mata, onde a organização social foi reconstruída e o preparo para a defesa forjou heróis como Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares, na serra da Barriga, atual município de União dos Palmares, o maior quilombo do Brasil. O município de Atalaia foi acampamento para as expedições designadas a exterminar o quilombo.

No dia oficial da Consciência Negra, o mundo inteiro reverencia o passado e presente do histórico preto na serra da Barriga, em Alagoas.

Quantos Zumbis serão precisos para uma sociedade igualitária e justa?

 

 

  RUA PEDRO BRANDÃO Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2020 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.420   A publicação...

 

RUA PEDRO BRANDÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.420

 

A publicação de que Santana do Ipanema foi a segunda cidade de estado que mais gerou emprego no ano passado, é até motivo de alegria por parte dos santanenses. Embora lamentando a mínima convocação para ocupação de vagas no Brasil inteiro, não podíamos ressaltar o feito empregatício na Capital do Sertão. Quando olhamos para uma cidade sem indústria (motivos políticos) e vocacionada para o Comércio, a alegria é ainda maior, embora este não pague igual à indústria. Sempre estivemos analisando a expansão física de Santana, o seu progresso, a sua liderança, mas também os setores que precisam de medidas emergenciais e certos serviços capengas por falta de olhares administrativos.

E uma das coisas que chamávamos atenção, era a grande expansão comercial e prestação de serviços no todo. A Rua Pedro Brandão, principal artéria do Bairro Camoxinga e corredor que se tornou estreito para tanto movimento está sendo sufocado. Tanto é que famílias ali residentes, foram vendendo suas casas humildes ou não, e essas casas transformadas em comércio. O barulho do trânsito, de carros de som e muitos outras mazelas dos tempos modernos, estão botando para correr os residentes que procuram loteamentos, conjuntos e condomínios nos quatro pontos cardeais das periferias que se expandem como nunca. Sendo a Rua Pedro Brandão com um lado na parte alta e outro lado na parte alta (calçada alta), a parte baixa está “expulsando” as últimas moradias. A calçada alta, ruim para comércio, seguirá o mesmo destino, mais adiante.

Também já foi falado aqui a necessidade de abertura de novo beco seguindo o antigo beco da Igreja São Cristóvão, para desafogar o trânsito em direção à rua de baixo – fundos da Pedro Brandão – que possui acesso à BR-316, via expressa de Santana do Ipanema. A voracidade em busca de pontos comerciais em Santana, é enorme com vários grupos chegando de outras cidades e regiões, sendo a Rua Pedro Brandão via Maracanã o segundo comércio da cidade. Todos querem um ponto para um bar, uma lanchonete, uma casa de móveis, uma clínica, uma academia, casa de peças e um sem fim de coisas mais.

Quando o escritor Oscar Silva veio visitar sua terra, em 1950, já dizia que a Rua Pedro Brandão se estirava como cobra de borracha em direção ao cemitério Santa Sofia, na parte alta do Bairro Camoxinga.  Imaginem agora! Uma correria para sair residentes) uma correria para chegar (novos comerciantes).

Quem foi Pedro Brandão?

Saberia tu?

RUA PEDRO BRANDÃO RECEBENDO ASFALTO EM 2006 (FOTO: B. CHAGAS/Livro: O BOI, A BOTA E ABATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA).